DESGARRAMENTO: UM NOVO OLHAR

Aline Ponciano dos Santos Silvestre, Violeta Virgínia Rodrigues

Resumo


Pretende-se, com este trabalho, revisitar o conceito de desgarramento proposto por Decat (2011), analisando prosodicamente cláusulas hipotáticas desgarradas, a fim de propor uma recategorização do fenômeno, objetivando estabelecer uma diferença entre desgarramento inerentemente pragmático e desgarramento cotextual. Para alcançar tal intento, a análise de dados tomará como base os resultados dos trabalhos de Souza (2009, 2010), Rodrigues (2011), Silvestre (2012, 2015), Bastos (2014), Silvestre e Rodrigues (2014) e Souza (2016). Partindo do conceito de unidade informacional, tal como postulado por Chafe (1980), verificaram-se ocorrências de orações adverbiais e adjetivas explicativas que se materializam linguisticamente na modalidade escrita do português do Brasil (PB) como estruturas de desgarramento, constituindo, por si mesmas, unidades de informação à parte. Além dos pressupostos teóricos do Funcionalismo encontrados nos trabalhos de Chafe (1980) e Decat (2011), utilizaram-se, ainda, os princípios da Fonologia Prosódica, encontrados em Nespor e Vogel (1994), para comprovar a hipótese de que há uma marca de ruptura que caracteriza as desgarradas, ainda não estudadas com relação a esse aspecto no PB. A análise instrumental foi realizada no programa computacional PRAAT, para observar o comportamento dos parâmetros prosódicos em toda a extensão dos sintagmas entoacionais (I) dos quais as cláusulas fazem parte. Em termos prosódicos, podemos dizer que uma unidade de informação constitui um sintagma entoacional (I) e que esse constituinte prosódico pode ser percebido pela entoação, pausa ou hesitação. Sendo assim, desejamos contribuir para a descrição das desgarradas, ou seja, das cláusulas que ocorrem isoladas como enunciado independente ou de “maneira solta”, sem vínculo sintático com a oração nuclear. 


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