COGNIÇÃO E PROCESSAMENTO LINGUÍSTICO: O CASO DAS RELATIVAS DE ENCAIXAMENTO CENTRAL E RECURSIVO

Eduardo Kenedy

Resumo


Neste texto, são apresentados resultados experimentais de pesquisa acerca do encaixamento central e recursivo de orações relativas. Relativas desse tipo são intrigantes porque, diferentemente do que se passa com as relativas de encaixe recursivo à direta, o encaixe central recursivo é linguisticamente improcessável em qualquer língua natural. As razões para essa impossibilidade psicolinguística são ainda alvo de debate na literatura especializada (ver, por exemplo, INGVE, 1960; MILLER & CHOMSKY, 1963; MACDONALD ET AL., 1994; GIBSON, 2001 e GORDON et al., 2001, para uma perspectiva histórica). Os dados experimentais off-line e on-line aqui apresentados e discutidos convergem em favor da hipótese de que o processamento psicolinguístico – e a consequente sensação de (in)aceitabilidade – de relativas encaixadas ao centro, sendo seu encaixe único ou recursivo, é fortemente influenciado por fatores extralinguísticos, notadamente, o custo de manutenção na memória de diferentes entidades do discurso (SNs plenos, nomes próprios, pronomes dêiticos). Tais achados compõem evidência de que a inaceitabilidade universal das relativas de encaixe central recursivo provavelmente decorra das restrições que memória de trabalho humana impõe ao parser, e não de fatores de natureza puramente linguística.

Palavras-chave: Encaixamento de orações, orações relativas, recursividade, encaixe central.


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