Os manuais de medicina popular de Chernoviz na sociedade imperial

Maria Regina Cotrim Guimarães

Resumo


Poderíamos imaginar que, no século XIX, para a imensa maioria da população do Brasil - dispersa pelos vastos  interiores - estivesse interditado o acesso ao conhecimento de ciências em ascensão, como as leis, a medicina e a engenharia, já que a elite dos profissionais vivia em menos de meia dúzia de centros urbanos. No entanto, muito mais do que o contato direto com os próprios profissionais, uma literatura de tipo auto-instrutivo facilitou, aos indivíduos interessados, a proximidade com os mais variados assuntos. Vamos encontrar, nesse período, por exemplo, manuais de culinária, de boas maneiras, de direito e de medicina, visando à divulgação de códigos de elegância, de ciências, de higiene, e de regras sociais fundamentais para se construir o que os autores de tais obras idealizavam como “civilização”. O presente trabalho se dedica à análise dessas obras auto-instrutivas produzidas por médicos - os manuais de medicina popular - dentre as quais priorizamos as do Dr. Chernoviz1, e sua interação com a medicina acadêmica, com as práticas populares de cura e com a sociedade senhorial marcada pela rentabilidade do trabalho escravo.

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