Visões da morte na história dos francos de Gregório de Tours

Ana Cristina Campos Rodrigues

Resumo


Não temos como negar a importância apaziguadora, para o ser humano, dos rituais e símbolos que cercam a morte. Além de o distinguir dos demais animais, a ritualização e a apropriação do momento em que o corpo deixa de funcionar é um traço característico que ajuda a demarcar as sociedades e estabelecer suas diferenças. O homem da Alta Idade Média vivia em constante intimidade com a Dama Negra devido às precárias condições de sua existência, a sua concepção cristã do mundo. Preparavase para ela, para uma morte domesticada que era um acontecimento público. Havia, no entanto, ocasiões terríveis em que a morte, sorrateira, negava o aviso prévio. Tratava-se da morte súbita, ou devida às doenças e aos desastres, que espalhava o pânico, menos por significar o fim da vida do que por impedir a ritualização tão necessária à bem sucedida passagem da vida terrena à vida eterna. A História dos Francos, de Gregório de Tours, está repleta de referências a mortes de reis, abades, bispos e demais homens santos, além de referências a diversos acontecimentos desastrosos. Iremos usar passagens dessa História para podermos observar como era o morrer na Alta Idade Média e o seu impacto na sociedade.

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