Agentes do Demônio no Arcebispado de Braga: as Mulheres Acusadas de “Feitiçaria” e Suas Interações Com a Comunidade no Âmbito das Relações de Gênero

Juliana Torres Rodrigues Pereira, Marcus Vinícius Reis

Resumo


Este artigo tem como objetivo refletir sobre a associação entre o temor e o reconhecimento social de que eram alvo as mulheres tidas por suas comunidades como feiticeiras, levando-nos a analisar o modo como as relações de gênero se delimitaram e influenciaram nesse processo. Tomamos como recorte espaço-temporal a Arquidiocese de Braga da segunda metade do século XVI, mais especificamente o período correspondente à atuação do dominicano D. Frei Bartolomeu dos Mártires como antístite, de 1559 a 1582. Os registros do policiamento sobre as práticas mágico-religiosas, tanto os da vigilância episcopal quanto da inquisitorial, permitem analisar o tênue limiar entre o medo que estas mulheres vistas como agentes dos demônios no mundo terreno inspiravam e o destaque que alcançavam em meio a sua comunidade, insuflado ainda pelo próprio sistema de perseguição e punição aos delitos contra a fé, que as expunha publicamente. Um sistema misógino de normatização dos comportamentos que as tornava temidas e reconhecidas como agentes do sobrenatural, mas não isoladas socialmente

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