A Ambivalência de ser conciliador: como eles se veem e são vistos

Victor Cesar Torres de Mello Rangel

Resumo


Busco nesse artigo descrever e analisar as motivações que levam estudantes de Direito e advogados trabalharem como conciliadores em um Juizado Especial Criminal (JECrim). Escrevo a partir da experiência que tive como conciliador em um juizado localizado na região central da cidade do Rio de Janeiro que pode ser pensada como uma “participação observante” (WACQUANT: 2008). O artigo enfoca o cotidiano das relações entre conciliadores, funcionários e usuários, especialmente os advogados, supostas vítimas e acusados. Procuro também analisar como os conciliadores são vistos pelos diversos atores que compõem o juizado e, principalmente, como eles próprios veem sua função.


Palavras-chave


Conciliação; Autoridade; Sujeição

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DOI: https://doi.org/10.22409/conflu15i2.p324

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