MODELO ECOLÓGICO DE GERAÇÃO DO CRIME: UM CAMINHO PARA A (IN)SEGURANÇA PÚBLICA BRASILEIRA

Maurício Paraboni Detoni

Resumo


O cenário brasileiro encontra-se notadamente marcado pelo empirismo na condução das políticas de segurança pública, tendo o “medo do crime”, fomentado pelos meios de comunicação, como respectivo balizador, implicando em uma estratégia equivocada de hiperencarceramento. Tais práticas fizeram com que o Brasil alcançasse níveis alarmantes de criminalidade no ano de 2016, onde sete pessoas foram assassinadas por hora e um carro roubado ou furtado por minuto. Como alternativa, apresentou-se o Modelo Ecológico de Geração do Crime, o qual objetiva trabalhar o contexto das comunidades, através de sua dinamicidade social e temporal, considerando a natureza multifacetada da violência, apontando medidas saneadoras para cada nível de influência sobre o comportamento. Em síntese, buscou-se compreender os fatores que levam a ocorrência dos delitos, permitindo adoção de estratégias de prevenção à violência de forma direcionada e aprimorada.


Palavras-chave


Modelo Ecológico de Geração do Crime – empirismo – hiperencarceramento

Texto completo:

PDF

Referências


º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. 2017. São Paulo: Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Disponível em: . Acesso em: 16 Mar. 2018.

ADORNO, Sérgio. 2002. “Crime e violência na sociedade brasileira contemporânea”. Jornal de Psicologia-PSI, Abril/Junho, pp. 7-8.

ALMEIDA, Maria da Graça Blaya. 2010. “Alguém para odiar”. A violência na sociedade contemporânea. Organizadora Maria da Graça Blaya Almeida. Porto Alegre: EDIPUCRS. Disponível em: . Acesso em: 23 Mar. 2018.

ASSIS, Simone Gonçalves. 1999. Traçando caminhos numa sociedade violenta. A vida dos jovens infratores e seus irmãos não infratores. Rio de Janeiro: Fiocruz.

BEATO, Cláudio. 2012. Crime e cidades. Belo Horizonte: UFMG.

BECCARIA, Cesare. 2000. Dos delitos e das penas. São Paulo: EDIPRO.

BOURDIEU, Pierre. 1997. Sobre la televisión. Tradución de Thomas Kauf. Barcelona: Anagrama.

BRASIL. 2018. Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos. Custos Econômicos da Criminalidade no Brasil.

CAPALDI, Deborah; CHAMBERLAIN, Patti; PATTERSON, Gerald. 1997.“Ineffective discipline and conduct problems in males: Association, late adolescente outcomes and prevention”. Agression and Violent Behavior. v. 2 , pp. 343- 353. Disponível em: . Acesso em: 06 Jun. 2018.

CARVALHO, Mello-Silva, Ana Cláudia, et al. 2012. “Qualidade de vida e trauma psíquico em vítimas da violência por arma de fogo”. Texto & Contexto Enfermagem. v. 21, n. 3, pp. 558-565. Disponível em . Acesso em: 19 Abr. de 2018.

DAHLBERG, Linda L.; KRUG, Etienne G. 2006. “Violência: um problema global de saúde pública”. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 11, supl. pp. 1163-1178. Disponível em . Acesso em: 30 Mar. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232006000500007.

DETONI, Maurício Paraboni. 2014. Formação Policial: Contribuições Pedagógico-Filosóficas. Curitiba: CRV.

D’ÁVILA, Fabio Roberto. 2013. “Liberdade e Segurança em Direito Penal. O problema da expansão da intervenção penal”. Revista Eletrônica de Direito Penal: Rio de Janeiro, v. 01, n.1, pp. 65-73. Disponível em: . Acesso em: 06 Abr. 2018.

GIAMBERARDINO, André Ribeiro. 2015. “A construção social do medo do crime e a violência urbana no Brasil”. Revista Brasileira de Ciências Criminais: São Paulo, v. 23, n. 115, jul./ago, pp. 221-253.

KRUG, E.G. et al., 2002. World report on violence and health. Geneva, World Health Organization. Disponível em: . Acesso em: 15 Mar. 2018.

DEPARTAMENTO PENITENCIÁRIO NACIONAL. 2017. Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias. Brasília: Ministério da Justiça e Segurança Pública.

MALDONADO, Daniela Patrícia Ado; WILLIAMS, Lúcia Cavalcanti de Albuquerque. 2005. “O comportamento agressivo de crianças do sexo masculino na escola e sua relação com violência doméstica”. Psicologia em Estudo: Maringá, v. 10, p. 353-362.

MARICATO, Ermínia. 2003. “Planejamento urbano no Brasil: as idéias fora do lugar e o lugar fora das idéias”. In: Arantes OB, Maricato E, Vainer C, organizadores. A cidade do pensamento único: desmanchando consensos. Rio de Janeiro: Vozes, p.121-192.

MARTINI, Márcia. 2007. “A seletividade punitiva como instrumento de controle das classes perigosas”. MPMG Jurídico. Belo Horizonte, ano III, nº11, p. 45-47.

MIGUEL, Marco Antonio Alves. 2009. “Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública: conceituação e relevâncias”. Revista LEVS, vol. 66, p. 27-48.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. 2015. Relatório Mundial Sobre a Prevenção da Violência 2014. Tradução do Núcleo de Estudos da Violência, São Paulo.

PACHECO, JANAÍNA BARBOSA. 2004. “A construção do comportamento anti-social em adolescentes autores de atos infracionais: Uma análise a partir das práticas educativas e dos estilos parentais”. 120fl. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento, Porto Alegre.

PARK, Robert. 1915. “The City: Suggestions for the Investigation of Human Behavior in the City Environment”. American Journal of Sociology. Chicago: University Press, v. 20, n. 5, pp. 577-612. Disponível em: . Acesso em: 10 Mar. 2018.

PERES, M.F.T. et al. 2015. “Vitimização fatal de crianças no espaço público em decorrência da violência interpessoal comunitária: um diagnóstico da magnitude e contextos de vulnerabilidade na América Latina”. Revista Brasileira de Segurança Pública, São Paulo v. 9, n. 2, pp. 12-48.

PERRY, Bruce D. 1997. “Incubated in Terror: Neurodevelopmental Factors in the ‘Cycle of Violence’”. In: Children, Youth and Violence: The Search for Solutions. New York: Guilford, pp. 124-148. Disponível em: . Acesso em: 07 Jun. 18.

PRITTWITZ, Cornelius. 2004. “O Direito Penal entre Direito Penal do Risco e Direito Penal do Inimigo: tendências atuais em direito penal e política criminal”. Revista Brasileira de Ciências Criminais: São Paulo, n. 47, pp. 31-45.

ROMAN, Caterina G. et al. 2009. The relation of the perceived environment to fear, physical activity and health in public housing developments: evidence from Chicago. Journal of Public Health Policy, 30, pp. 286-308.

ROXIM, Claus. 1997. Derecho Penal – Parte General. t.1. Madri: Civitas.

SIMON, Jonathan. 2007. Governing through crime: how the war on crime transformed american democracy and create a culture of fear. Oxford: Oxford University Press.

SOUSA, Antonio Francisco. 2016. Manual de Direito Policial. Lisboa: Vida Económica.

UNICEF. 2014. “Children in danger: Act to end violence against children”. United Kingdom, UNICEF. Disponível em: . Acesso em: 19 Abr. 2018.

UNICEF. 2014a. Ending Violence Against Children: Six Strategies for Action – # ENDviolence. New York, UNICEF. Disponível em: < https://www.unicef.org/publications/files/Ending_Violence_Against_Children_Six_strategies_for_action_EN_9_Oct_2014.pdf >. Acesso em: 13 Mar. 2018.

VALLADARES, Lícia do Prado. 2010. “A visita do Robert Park ao Brasil, O “Homem Marginal” e a Bahia como laboratório”. CADERNO CRH, Salvador, v. 23, n. 58, pp. 35-49. Disponível em: . Acesso em: 15 Mar. 2018.

WAINBERG, Jacques A. 2010. “Mídia e violência: a luta contra a desatenção e a sonolência das massas”. A violência na sociedade contemporânea. Organizadora Maria da Graça Blaya Almeida. Porto Alegre: EDIPUCRS. Disponível em: . Acesso em 28 Mai. de 2018.

WINNICOTT, Donald. 1979. Desarollo emocional primitivo. Escritos de pediatria y psicoanálisis. Barcelona: Laia.

WHO. 2004. Handbook for the documentation of interpersonal violence prevention programmes. France: WHO. Disponível em: . Acesso em: 21 Mar. 2018.

WOJCIECHOWSKI, Paola Bianchi. 2015. “A fábrica midiática de inimigos e o risco à democracia: uma análise do papel dos grandes meios de comunicação na elaboração de leis penais casuísticas no Brasil”. Sistema Penal & Violência: Porto Alegre, v. 07, n. 1, pp. 49-65. Disponível em: < http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/sistemapenaleviolencia/article/view/18596/13452>. Acesso em: 15 de Mai. 2018.

WORLD BANK. 2011. Crime and violence in Central America: A development challenge. Washington, DC: World Bank. Disponível em: < https://siteresources.worldbank.org/INTLAC/Resources/FINAL_VOLUME_I_ENGLISH_CrimeAndViolence.pdf>. Acesso em: 14 Mar. 2018.




DOI: https://doi.org/10.22409/conflu.v21i3.34666

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2019 Confluências | Revista Interdisciplinar de Sociologia e Direito



A Revista Confluências é Qualis B1.

Esta revista encontra-se indexada em:

 

Resultado de imagem para bielefeld base