NOVAS CONSTRUÇÕES, NOVAS OCUPAÇÕES E NOVOS DESABAMENTOS: A VELHA “MALANDRAGEM” NA DINÂMICA IMOBILIÁRIA DA LAPA.

Flavio Sampaio Bartoly

Resumo


Este artigo tem como objetivo principal debater o processo de “revitalização” da Lapa através da “recente” valorização imobiliária de um bairro histórico repleto de sem tetos, de antigas construções condenadas e, agora, de grandes e novos empreendimentos residenciais e comerciais. Em meio à fama turística internacional, as referências à histórica boemia do bairro tornaram-se armas fundamentais para a retomada da visibilidade da Lapa, agora como um local “de retorno às raízes culturais” da cidade. Esta questão torna-se, portanto, parte das discussões acerca da mundialização dos lugares, o que, por conseguinte, coloca a geografia no centro dos debates. A Lapa apresenta-se como um bairro de grande valorização imobiliária, impulsionada pela enorme quantidade de cariocas e turistas do Brasil e do mundo, que buscam diversão em ambientes “originalmente” cariocas, que expressem o “verdadeiro jeito carioca de ser”. Neste sentido, em meio aos sérios problemas relativos à coleta de lixo, transportes, segurança, desabamentos de construções antigas totalmente degradadas, milhões de reais estão sendo investidos em empreendimentos residenciais, comerciais e turísticos na Lapa. Parece haver um sentido de “espetacularização” na revitalização da Lapa, um processo de transformação de relações sociais e significados em mercadoria, como atrativo fundamental para o consumo do lugar. Assim, a ideia do Lugar do espetáculo se apresenta como uma via de compreensão de uma das dimensões da Lapa atual, quando o local é vendido a partir da manipulação de sentidos atribuídos ao lugar. Da mesma forma, não podemos esquecer que as prioridades do Estado enquanto gestor fundamental do espaço público nem sempre deveriam coincidir com aquelas da iniciativa privada, especialmente quando se pretende conceituar um processo de “revitalização”. As consequências dessa relação entre os interesses privados e as prioridades de atuação do poder público no espaço urbano explicam parte dessa condição aparentemente paradoxal de uma Lapa que atualmente está no auge sem perder a decadência.


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