EDUCAÇÃO E CULTURA: A FESTA DE SÃO PEDRO COMO PATRIMÔNIO DA COMUNIDADE PESQUEIRA DE LONCURA, CHILE.

Juan Francisco Bacigalupo Araya, Alexandre Brasil Fonseca

Resumo


O texto apresenta reflexões resultantes de uma pesquisa etnográfica que investigou as expressões culturais e conhecimentos produzidos na cidade pesqueira de Quintero, Chile. A cultura dos pescadores é produto da sua forma de vida e da relação com o mar, que ultrapassa a funcionalidade e o uso de seus recursos, por meio dos quais elaboram diversos modos de apropriação social, econômica e cultural ligados ao ambiente marinho. Apesar da riqueza cultural do grupo investigado, a sociedade globalizada tenta conglomerar de uma forma homogênea valores e culturas, não deixando espaço para as singularidades de povos que têm toda uma história de saberes e vivências nas suas comunidades, uma vez que seu modo de vida difere do modo de vida padrão. A escola reproduz a hierarquização de culturas, um modelo colonial que por meio de uma estrutura curricular e pedagógica que refletem práticas e saberes hegemônicos, os quais afirmam as desigualdades e amparam a dimensão ideológica da educação única, autoritária e eurocêntrica, compreendendo os elementos das culturas tradicionais como exóticos e folclóricos. No entanto, observamos que a festa do padroeiro dos pescadores, São Pedro, se configura como espaço de resistência cultural em que a escola poderia estar presente de forma qualificada. Essa experiência nos faz concluir que a possibilidade de emancipação dos grupos subordinados poderá ter maiores possibilidades quando o sistema escolar considerar uma educação intercultural; e fomentar a consciência política, como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica.


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DOI: https://doi.org/10.22409/resa2019.v12i1.a21638

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