O acolhimento: leituras cruzadas entre a França e o Brasil

Corinne Rougerie, Roberta Carvalho Romagnoli, Cinira Magali Fortuna

Resumo


Este artigo analisa o acolhimento em serviços de saúde e social no Brasil e na França. O acolhimento se apoia em coletas de informações que leva as pessoas a revelarem aspectos íntimos sobre a vida da família, sobre seu cotidiano e sobre os territórios nos quais estão inseridas. Na França esse procedimento é frequentemente atribuído aos agentes do trabalho com menor qualificação profissional, mas com status de agentes administrativos ou formados em animação. Nos dois países analisados, as equipes do setor de saúde e do setor social estão “presas” entre dimensões técnicas e dimensões sociais. Os trabalhadores são divididos em função de suas competências profissionais e também de suas especialidades. Esses trabalhadores têm responsabilidades diferentes e a divisão não é somente ligada ao trabalho, mas é revestida também de um caráter social, reproduzindo a clivagem entre as classes sociais e suas hierarquias no cotidiano de trabalho, em uma atividade pouco valorizada.


Palavras-chave


acolhimento; saúde; serviço social; clivagem socioprofissional; divisão no trabalho

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DOI: https://doi.org/10.22409/1984-0292/v31i2/28577

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