Saúde Mental e Gênero: Facetas Gendradas do Sofrimento Psíquico

Valeska Zanello, Gabriela Fiuza, Humberto Soares Costa

Resumo


A partir das contribuições do estudo de Zanello & Bukowitz (2011) acerca da participação dos valores e ideais de gênero presentes no sofrimento psíquico de pacientes em crise, internados em um hospital psiquiátrico, o presente trabalho teve como escopo investigar o modo como se dava esta participação em usuári@s de um Centro de Atenção Psicossocial em Brasília. A partir da análise de conteúdo de 15 entrevistas semiestruturadas, os resultados apontam que a experiência do adoecimento psíquico é gendrada e coloca em xeque de maneiras distintas homens e mulheres em processo de tratamento em saúde mental: enquanto a fala delas é marcada sobretudo pelo sofrimento em não conseguir maternar e dar conta dos afazeres domésticos, além de um lugar de silenciamento; na deles destacou-se o sofrimento em não poder trabalhar e prover a família, além da importância e dificuldade em se manter em uma sexualidade masculina hegemônica de "comedor".

Palavras-chave


Saúde Mental; Gênero; Sofrimento Psíquico; Loucura; CAPS

Texto completo:

PDF

Referências


ANDRADE, A. P. M. O gênero no movimento da reforma psiquiátrica brasileira. In: MALUF, S. W.; TORNQUIST, C. S. (Org.). Gênero, saúde e aflição: abordagens antropológicas. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2010.p. 273-293.

ANDRADE, A. P. M. (Entre)laçamentos possíveis entre gênero e saúde mental. In: ZANELLO, V. ANDRADE, A. P. M. (Org.). Saúde mental e gênero: diálogos, práticas e interdisciplinaridade. Curitiba: Appris, 2014. p. 59-77.

AZIZE, R. L.; ARAÚJO, E. S. A pílula azul: uma análise das representações sobre masculinidades em face do viagra. Antropolítica, Niterói, v. 14, p. 133-151. 2003.

BADINTER, E. XY De l’indentité masculine. Paris: Odile Jacob, 1992.

BARDIN, L. A análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.

BORDO, S. O corpo e a reprodução da feminidade: uma apropriação feminista de Foucault. In: JAGGAR, A. M.; BORDO, S. R. (Org.). Gênero, corpo, conhecimento. Rio de Janeiro: Rosa dos tempos, 1997. p. 19-41.

BUTLER, J. Actos performativos y constitución del género: un ensayo sobre fenomenología y teoría feminista. In: CASE, S.-H. (Org.). Performing feminisms: feminist critical theory and theatre. Baltimore: Johns Hopkins, 1990. p. 296-314.

BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.

CASARES, A. M. Antropologia del gênero: cultura, mitos e estereótipos sexuales. Madri: Cátedra, 2008.

FOUCAULT, M. A microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1977.

GARCIA, C. C. Ovelhas na névoa: um estudo sobre as mulheres e a loucura. Rio de Janeiro: Rosa dos tempos, 1995.

MATHIEU, N. C. (Org.). Quand ceder n’est pas consentir. In: ______. L’Arraisonement des femmes. Paris: L’École dês Hautes Etudes en Sciences Sociales, 1985.p. 169-245.

NICHOLSON, L. Interpretando o gênero. Revistas de Estudos Feministas, Santa Catarina, v. 8, n, 2, p. 8-41, 2000.

NOVAES, J. V. O intolerável peso da feiura: sobre as mulheres e seus corpos. Rio de Janeiro: PUC-Rio/Garamond, 2006.

PERROT, M. Os silêncios do corpo da mulher. In: MATOS, M. I. S.; SOIHET, R. (Org.). O corpo feminino em debate. São Paulo: UNESP, 2003. p. 13-27.

SANTOS, A. M. C. C. Articular saúde mental e relações de gênero: dar voz aos sujeitos silenciados. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 14, n. 4, p. 1177-1182, 2009.

SCOTT, J. Gênero: uma categoria útil para análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 15, n. 2, p. 71-99. 1990.

SWAIN, T. N. Entre a vida e a morte, o sexo. Revista Labrys Estudos Feministas, 2006. Disponível em: Acesso em: 21 set. 2014.

SWAIN, T. N. Diferença sexual: uma questão de poder. In: SIMPÓSIO DE GÊNERO E LITERATURA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 1., Fortaleza. 2011. Disponível em: Acesso em: 21 setembro 2014.

WELZER-LANG, D. Les hommes et Le masculin. Paris: Payot, 2004.

ZANELLO, V. A saúde mental sob o viés do gênero: uma releitura gendrada da epidemiologia, da semiologia e da interpretação diagnóstica. In: ZANELLO, V.; ANDRADE, A. P. M. (Org.). Saúde mental e gênero: diálogos, práticas e interdisciplinaridade. Curitiba: Appris, 2014a.p. 41-58.

ZANELLO, V. Saúde mental, mulheres e conjugalidade. In: STEVENS, C.; OLIVEIRA, S.; ZANELLO, V. (Org.). Estudos feministas e de gênero: perspectivas e articulAÇÕES. Florianópolis: Mulheres, 2014b. p. 108-118.

ZANELLO, V.; BUKOWITZ, B. Loucura e cultura: uma escuta das relações de gênero nas falas de pacientes psiquiatrizados. Revista Labrys Estudos Feministas. v. 20-21, 2011. Disponível em: Acesso em: 21 set. 2014.

ZANELLO, V.; BUKOWITZ, B.; COELHO, E. Xingamentos entre adolescentes em Brasília: linguagem gênero e poder. Interacções, v. 7, n. 17, p. 151-69, 2011.

ZANELLO, V,; CAMPOS, L.; HENDERSON, G. Saúde mental, gênero e velhice na instituição asilar. Psicologia: Teoria e Pesquisa. No prelo.

ZANELLO V.; GOMES, T. Xingamentos masculinos: a falência da virilidade e da produtividade. Caderno Espaço Feminino, v. 23, n. 1/2, p. 265-80, 2010.

ZANELLO V.; ROMERO, A. C. “Vagabundo” ou “vagabunda”? Xingamentos e relações de gênero. Revista Labrys Estudos Feministas, jul.-dez. 2012. Disponível em: Acesso em: 21 set. 2014.

ZANELLO, V.; SILVA, R. M. Saúde mental, gênero e violência estrutural. Revista Bioética, v. 20, n. 2, p. 267-79, 2012.

ZANELLO, V.; SOUSA, G. Mais música, menos haldol: uma experiência entre música, pharmakon e loucura. Mental, Barbacena, v. 7, n. 13.2009. Disponível em: . Acesso em: 14 set. 2014.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Creative Commons License
Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

 

Apoio:



Indexadores:



Arquivamento:



Facebook: