Corporeidade e violações de direitos humanos: saúde e testemunho

Eduardo Passos, Cristina Rauter

Resumo


Uma reflexão a partir da experiência profissional dos autores como coterapeutas de um grupo, realizado enquanto membros da Equipe Clínico-Grupal Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro. Partindo de uma abordagem na qual a corporeidade é tomada como dimensão fundamental da experiência da violência, abordamos a especificidade da violência praticada por agentes do Estado em suas dimensões ético-estético-políticas. Os efeitos singulares da violência praticada pelo Estado são analisados, construindo-se uma certa concepção de saúde que corresponde à reconexão com o coletivo e com o resgate histórico das lutas de um povo. Na construção dessa abordagem trabalhamos com conceitos das filosofias de Spinoza, Bergson e Merleau-Ponty numa perspectiva transdisciplinar.


Palavras-chave


corporeidade; violência do Estado; clínica transdisciplinar

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DOI: https://doi.org/10.22409/1984-0292/v29i2/2507

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