A movimentação das palavras: devir-construção no feminino da escrita

Jimena de Garay Hernández, Flavio Lopes Guilhon

Resumo


O presente trabalho, baseado em uma revisão teórica e em experiências de pesquisa acadêmica e de atuação das autoras junto a pessoas e famílias LGBT e a pessoas em privação de liberdade, levanta algumas possibilidades e desafios presentes na construção da escrita cartográfica. Uma escrita que, no exercício das problematizações do que tem sido naturalizado nas articulações de saber, poder e ética, se constitui enquanto um processo onde se afirmam tanto um novo paradigma ético-estético quanto um ato político e de resistência. A escrita cartográfica, no campo de luta, pode reverberar em revoluções moleculares, produzindo assim novos territórios de existência e táticas de singularização. Apostamos que essa escrita coletiva, atenta, minoritária, pode capturar movimentos sem, no entanto, aprisioná-los, e que esta pode ser entendida como uma máquina de guerra a produzir transformações tanto no próprio sistema linguístico quanto no cotidiano de nossas práticas de pesquisa, profissionais, políticas e de Vida.


Palavras-chave


escrita; revolução molecular; subjetivação; cartografia

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DOI: https://doi.org/10.22409/1984-0292/v31i1/5556

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