Testemunho e construção: sobre o ensino da psicanálise na universidade

Nuria Malajovich Muñoz, Daniela Costa Bursztyn

Resumo


O presente artigo aborda o ensino da clínica na universidade, visando apontar os limites e as possiblidades de transmissão do saber psicanalítico na experiência de estágio de graduação em psicologia. A construção analítica é retomada em suas aproximações com a função do testemunho em psicanálise, indicando o modo de operar com o saber parcial e lacunar da experiência clínica como uma pista interessante para inspirar metodologias de trabalho, tanto para o ensino universitário quanto para a prática de profissionais com percursos heterogêneos. O testemunho é por sua vez pensado em relação com uma crise na verdade, aproximando os campos da literatura e da psicanálise a partir da constatação da impossibilidade de sua plena representação. Essa perspectiva abre uma via de acesso que leva a experimentar os limites do saber em circunscrever o valor sempre inédito da experiência clínica. Concluímos sobre a possibilidade de pensar o ensino e a transmissão da psicanálise através do que se testemunha na posição de aprendizes da clínica.

Palavras-chave


psicanálise; universidade; clínica; testemunho; construção

Texto completo:

PDF

Referências


ANSERMET, François. A clínica como método. In: ______. A clínica da origem: a criança entre a medicina e a psicanálise. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2003. p. 7-18.

BERENGUER, Enric. Testemunho: ensino irônico. Opção Lacaniana – Revista Internacional de Psicanálise, São Paulo, n. 54, p. 67-74, 2009.

BROUSSE, Marie-Hèléne. A transferência nos dispositivos de psicanálise aplicada. Entrevários: Revista de Psicanálise e Saúde Mental, São Paulo, n. 4, p. 19-41, abr. 2009.

BURSZTYN, Daniela Costa. A política do sintoma e a construção do caso clínico: modos de transmissão da psicanálise na prática coletiva em Saúde Mental. 2010. Tese (Doutorado em Psicanálise) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010.

CALAZANS, Roberto; BASTOS, Angélica. Urgência subjetiva e clínica psicanalítica. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, São Paulo, v. 11, n. 4, p. 640-652, 2008. http://dx.doi.org/10.1590/S1415-47142008000400010

FELMAN, Shoshana. Educação e crise ou as vicissitudes do ensino. In: NETROVSKI, Arthur; SELIGMANN-SILVA, Márcio (Org.). Catástrofe e representação: ensaios. São Paulo: Escuta, 2000. p. 13-71.

FIGUEIREDO, Ana Cristina. Psicanálise e universidade: reflexões sobre uma conjunção ainda possível. Fractal: Revista de Psicologia, Niterói, v. 20, n. 1, p. 237-252, 2008. http://dx.doi.org/10.1590/S1984-02922008000100022

FIGUEIREDO, Ana Cristina; VIEIRA, Marcus André. Sobre a supervisão: do saber sobre a psicanálise ao saber psicanalítico. Cadernos Ipub – UFRJ, Rio de Janeiro, v. 9, p. 25-30, 1997.

FREUD, Sigmund. A interpretação dos sonhos (1900). In: SALOMÃO, Jayme (Org.). Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1987. v. 7, p. 11-650. Edição Standard Brasileira.

FREUD, Sigmund. Análise de uma fobia em um menino de cinco anos (1909). In: SALOMÃO, Jayme (Org.). Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. 2. ed. Rio de Janeiro: Imago, 1987. v. 10, p. 13-156. Edição Standard Brasileira.

FREUD, Sigmund. Construções em análise (1937). In: SALOMÃO, Jayme (Org.). Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. 2. ed. Rio de Janeiro: Imago, 1987. v. 23, p. 289-304. Edição Standard Brasileira.

LACAN Jacques. O Seminário: o avesso da psicanálise (1969-1970). Rio de Janeiro: J. Zahar, 1992. livro 17.

LACAN Jacques. Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise (1953). In:______. Escritos. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1998. p. 238-324.

LACAN, Jacques. O Seminário: as psicoses (1955-1956). Rio de Janeiro: J. Zahar, 2002. livro 3.

LACAN, Jacques. Prefácio à edição inglesa do Seminário 11(1976). In: ______. Outros Escritos. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2003. p. 567-569.

LACAN, Jacques. O Seminário: ... ou pior (1971-1972). Rio de Janeiro: J. Zahar, 2012. livro 19.

LAURENT, Éric. O relato de caso, crise e solução. Almanaque de Psicanálise e Saúde Mental, Belo Horizonte, ano 6, n. 9, p. 69-76, nov. 2003.

LAURENT, Éric. O delírio de normalidade. In: ______. Loucuras, sintomas e fantasias na vida cotidiana. Belo Horizonte: Scriptum, 2011. p. 45-53.

MACEDO, Lucíola Freitas de. Lacan, o relâmpago obscuro. Opção Lacaniana [online], ano 1, n. 1, mar. 2010. Disponível em: http://www.opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_1/Lacan_o_relampago_obscuro.pdf. Acesso em: 12 out. 2016.

MALENGREAU, Pierre. Notas sobre a construção do caso. Almanaque de Psicanálise e Saúde Mental, Belo Horizonte, ano 6, n. 9, p. 11-16, nov. 2003.

MANDIL, Ram. Literatura e Psicanálise: modos de aproximação. Aletria: Revista de Estudos de Literatura, Belo Horizonte, v. 12, p. 42-48, 2005. http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.12.0.42-48

MILLER, Jacques-Alain. Marginália de ‘construções em análise’. Opção Lacaniana, São Paulo, n. 17, p. 92-107, nov. 1996.

NAPARSTEK, Fabián. Do pai Universal ao pai singular. Revista Curinga, Belo Horizonte, n. 12, p. 41-53, 2005.

PINTO, Jeferson Machado. Psicanálise, feminino, singular. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.

RECALCATI, Massimo. A questão preliminar na época do Outro que não existe. Latusa [online], Rio de Janeiro, ano 1, n. 7, jul. 2004. Disponível em: http://www.latusa.com.br/pdf_latusa_digital_7_a2.pdf. Acesso em: 21 jan. 2016.

SELIGMANN-SILVA, Márcio. Literatura, testemunho e tragédia: pensando algumas diferenças. In: ______. O local da diferença: ensaios sobre memória, arte, literatura e tradução. São Paulo: Ed. 34, 2005. p. 81-104.

SELIGMANN-SILVA, Márcio. Narrar o trauma: a questão dos testemunhos de catástrofes históricas. Revista de Psicologia Clínica, Rio de Janeiro, v. 20, n. 1, p. 65-82, 2008. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-56652008000100005

TARRAB, Mauricio. La insistência del trauma. In: BELLAGA, Guillermo. (Org.). La urgencia generalizada: ciência, política y clínica del trauma. Buenos Aires: Grama, 2005. v. 2, p. 59-62.

UHR, Deborah; MUÑOZ, Nuria Malajovich. Grupos de recepção: uma porta de entrada para a experiência de análise? Revista Latusa, Rio de Janeiro, n. 18, p. 97-104, ago. 2013.

VIGANÒ, Carlo A construção do caso clínico. Revista Opção Lacaniana [online], n. 1, 2010. Disponível em http://www.opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_1/A_construcao_do_caso_clinico.pdf. Acesso em: 12 out. 2017.

VIGANÒ, Carlo. Novas Conferências. Belo Horizonte: Scriptum, 2012.

VILANOVA, Andréa. Fé na Imagem. Revista Latusa, Rio de Janeiro, n. 17, p. 139-146, out. 2012.

ZENONI, A. Qual instituição para o sujeito psicótico? Abrecampos – Revista de Saúde Mental do Instituto Raul Soares, Belo Horizonte, ano 1, n. 0, p. 12-31, 2000.




DOI: https://doi.org/10.22409/1984-0292/v31i2/5606

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


URL da licença: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Creative Commons License
Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

 

Apoio:



Indexadores:



Arquivamento:



Facebook: