Formação, saúde mental e trabalho: um patrimônio e uma estratégia

Wladimir Ferreira Souza, Jussara Cruz Brito, Milton Raimundo Cidreira Athayde

Resumo


Este artigo propõe-se a tratar da formação no campo da Saúde do Trabalhador, com foco nas relações entre Saúde Mental e Trabalho, buscando colaborar para o desenvolvimento da orientação clínica do trabalho. Considera-se a pertinência de um processo de formação continuada que opere efetivamente de acordo com o patrimônio da Psicologia da Atividade de Trabalho e da démarche ergológica, envolvendo diferentes tipos de atores e organizações, a partir de questões que emergem das situações de trabalho. Apresenta-se uma estratégia empreendida, privilegiando as contribuições da abordagem Psicodinâmica do Trabalho (PdT), uma vez que se trata de uma referência incontornável para a análise das relações entre o trabalho, os processos de subjetivação e a saúde mental.


Palavras-chave


formação; saúde mental e trabalho; atividade; ergologia

Texto completo:

PDF

Referências


ATHAYDE, M. Saúde ‘mental’ e trabalho: questões para discussão no campo da Saúde do Trabalhador. In: MINAYO-GOMES, C.; MACHADO, J. M. H.; PENA, P. G. L. (Org.). Saúde do trabalhador na sociedade brasileira contemporânea. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2011. p. 345-367.

ATHAYDE, M.; BRITO, J. Ergologia e Clínica do Trabalho. In: BENDASSOLLI, P.; SOBOLL, L. A. (Org.). Clínicas do Trabalho. São Paulo: Atlas, 2011. p. 258-281.

ATHAYDE, M.; SOUZA, P. C. Z.; BRITO, J. Intervenção e pesquisa em Psicologia: uma postura ergológica. In: BENDASSOLLI, P.; SOBOLL, L. A. (Org.). Métodos de Pesquisa e Intervenção em Psicologia do Trabalho: Clínicas do Trabalho. São Paulo: Atlas, 2014. p. 129-158.

ATHAYDE, M.; SOUZA, W. F. Saúde do Trabalhador. In: BENDASSOLLI, P. F.; BORGES-ANDRADE, J. E. (Org.). Dicionário de Psicologia do Trabalho e das Organizações. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2015. p. 597-605.

ATHAYDE, M. et al. A perspectiva da Ergologia e o campo da Saúde Mental e Trabalho. In: GLINA, D.; ROCHA, L. (Org.). Saúde Mental no Trabalho: da teoria à prática. São Paulo: Roca, 2010, p. 229-247.

BAKHTIN, M. Problemas da poética de Dostoiévski. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008.

BÉGUIN, P. Stratégies de formation et de développement de l´ergonomie en entreprise: vers des modalités specifiques de intervention. Performances Humaines et Thecniques, n. especial: Analyse ergonomique du travail et changements dans les situations de travail, p. 69-72, 1998.

BOYER, R. (Dir.). La théorie de la regulation: une analyse critique. Paris: La Découverte, 1986.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: atualizada até a Emenda Constitucional nº 56, de 20/12/2007. São Paulo: Escala, 2008.

BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso em 6 dez. 2017.

BRASIL. Portaria n. 2.728 de 11 de novembro de 2009. Dispõe sobre a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2009/prt2728_11_11_2009.html. Acesso em: 6 dez. 2017.

BRASIL. Portaria n. 1.823 de 23 de agosto de 2012. Institui a Política Nacional da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2012/prt1823_23_08_2012.html. Acesso em: 6 dez. 2017.

BRITO, J. A. Ergologia como perspectiva de análise: a Saúde do Trabalhador e o trabalho em saúde. In: MINAYO-GOMES, C.; MACHADO, J. M.; PENA, P. G. (Org.). Saúde do trabalhador na sociedade brasileira contemporânea. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2011. p. 479-494.

BRITO, J. A. Documento técnico contendo a caracterização geral dos produtos gerados no âmbito dos Cursos de Especialização em Saúde do Trabalhador, oferecidos pela ENSP/FIOCRUZ. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública-Fundação Oswaldo Cruz; Coordenação Geral de Saúde do Trabalhador (CGST)-MS/OPAS, 2015.

BRITO, J. A; ATHAYDE, M. Trabalho, educação e saúde: o ponto de vista enigmático da atividade. Educação, Saúde e Trabalho, v. 1, n. 2, p. 63-89, 2003.

BRITO, J. A.; ATHAYDE, M.; NEVES, M. Y. (Org.). Programa de formação em saúde, gênero e trabalho nas escolas: Caderno de método e procedimentos. João Pessoa: UFPB, 2003a.

BRITO, J. A.; ATHAYDE, M.; NEVES, M. Y. (Org.). Programa de formação em saúde, gênero e trabalho nas escolas: Caderno de textos. João Pessoa: UFPB, 2003b.

CANGUILHEM, G. O normal e o patológico. 5. ed. rev. e aum. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000.

CENTRO DE REFERÊNCIA TÉCNICA EM PSICOLOGIA E POLÍTICAS PÚBLICAS. Saúde do trabalhador no âmbito da saúde pública: referências para a atuação do psicólogo. Brasília, DF : Conselho Federal de Psicologia, 2008.

CLOT, Y. Le problème des catachrèses en psychologie du travail: un cadre d´analyse. Le Travail Humain, v. 60, n. 2, p. 113-129, 1997.

CLOT, Y. Le travail à coeur: pour en finir avec les risques psichosociaux. Paris: La Découverte, 2010.

CLOT, Y. Le métier comme opérateur de santé. Bulletin de Psychologie, n. 511, p. 31-38, 2011.

CLOT, Y.; LHUILIER, D. (Dir.). Agir en clinique du travail. Paris: Érès, 2010.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA/CFP. Psicologia crítica do trabalho na sociedade contemporânea. Brasília, DF: Conselho Federal de Psicologia, 2010.

DEJOURS, C. Note de travail sur a notion de souffrance. In: ______. (Dir.) Plaisir et souffrance dans le travail. Séminaire interdisciplinaire de psychopatologie du travail. Orsay: AOCIP, 1988. p. 115-124. v. 1.

DEJOURS, C. Repressão e subversão em psicossomática: pesquisas psicanalíticas sobre o corpo. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1991.

DEJOURS, C. Subjetividade, trabalho e ação. Produção, v. 14, n. 3, p. 27-34, 2004.

DEJOURS, C. Trabalho vivo. Brasília: Paralelo 15, 2012. v. 2.

DURRIVE, L. Formação, trabalho, juventude: uma abordagem ergológica. Pro-Posições, v. 13, n. 3(39), p. 19-30, sept./dez. 2002.

DURRIVE, L. O formador ergológico ou “Ergoformador”: uma introdução à ergoformação. In: SCHWARTZ, Y.; DURRIVE, L. (Org.). Trabalho & Ergologia: conversas sobre a atividade humana. 2. ed. ampliada. Niterói: EdUFF, 2010a. p. 295-307.

DURRIVE, L. Pistas para o ergoformador animar os encontros sobre o trabalho. In: SCHWARTZ, Y.; DURRIVE, L. (Org.). Trabalho & Ergologia: conversas sobre a atividade humana. 2. ed. ampliada. Niterói: EdUFF, 2010b. p. 309-318.

FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. 29. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

GUÉRIN, F. et al. Compreender o trabalho para transformá-lo: a prática da ergonomia. São Paulo: Edgard Blücher, 2001.

GOMES, G. C. Apresentação. Em extensão, v. 13, n. 2, p. 5-6, 2014.

JOBERT, G. Dire, penser, faire. À propos de trois métaphores agissantes en formation des adultes. Éducation Permanente, n. 143, p. 7-28, 2000.

LACOMBLEZ, M. Analyse du travail et élaboration des programmes de formation professionnelle. Relations Industrielles/Industrial Relations, v. 56, n. 3, p. 543- 578, 2001.

LACOMBLEZ, M. et al. Marianne Lacomblez e a construção de uma Psicologia da Atividade de Trabalho. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, v. 19, n. 1, p. 121-133, 2016.

LIMA, M. E. Saúde Mental e Trabalho: limites, desafios, obstáculos e perspectivas. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho (USP), São Paulo, v. 16, p. 91-98, 2013.

MASSON, L. P.; BRITO, J.; ATHAYDE, M. Dimensão relacional da atividade de cuidado e condições de trabalho de auxiliares de enfermagem em uma Unidade Neonatal. Physis, Revista de Saúde coletiva, v. 21, p. 879-898, 2011. doi: 10.1590/S0103-73312011000300007

MINAYO-GOMES, C.; MACHADO, J. M. H.; PENA, P. G. L. (Org.). Saúde do trabalhador na sociedade brasileira contemporânea. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2011.

MOLINIER, P. O trabalho e a psique: uma introdução à psicopatologia do trabalho. Brasília: Paralelo 15, 2013.

NEVES, M. Y.; BRITO, J.; ATHAYDE, M. Mobilização das professoras por saúde. In: GLINA, D. M. R.; ROCHA, L. E. Saúde mental no trabalho: da teoria à prática. São Paulo: Roca, 2010. p. 248-270.

PAPARELLI, R.; SATO, L.; OLIVEIRA, F. A Saúde Mental relacionada ao trabalho e os desafios aos profissionais de saúde. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, São Paulo, v. 36, n. 123, p. 118-127, 2011.

PASTRÉ, P. Didactique Professionnelle et développement. Psychologie Française, v. 42, n. 1, p. 89-100, 1997.

PASTRÉ, P.; MAYEN, P.; VERGNAUD, G. La Didactique Professionelle. Revue française de pédagogie, n. 154, p. 145-198, 2006.

POLANYI, K. La grande transformation: aux origines politiques et économiques de notre temps. Paris: Gallimard, 1983.

RAMMINGER, T.; ATHAYDE, M.; BRITO, J. Ampliando o diálogo entre trabalhadores e profissionais de pesquisa: alguns métodos de pesquisa-intervenção para o campo da Saúde do Trabalhador. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 18, p. 3191-3202, 2013.

SANTOS, M.; LACOMBLEZ, M. Discutir o trabalho, fazer sabendo: Projeto de Formação Profissional de Adultos. Cadernos de Consulta Psicológica, n. 17-18, p. 305-311, 2001/2002. Disponível em: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/14782/2/81852.pdf. Acesso em: 12 jun. 2013.

SAVOYANT, A. Une approche cognitive de l’ alternance. CEREQ bref, n. 118, p. 1-4, 1996.

SCHWARTZ, Y. Le paradigme ergologique ou un métier de Philosophe. Toulouse: Octarès, 2000.

SCHWARTZ, Y. Disciplina Epistêmica, Disciplina Ergológica – Paideia e Politeia. Pro-posições. São Paulo, v. 13, n. 37, p. 126-149, 2002.

SCHWARTZ, Y. Ergonomia, filosofia e exterritorialidade. In: DANIELLOU, F. (Coord.). A ergonomia em busca de seus princípios: debates epistemológicos. São Paulo: Edgard Blücher, 2004. p. 141-180.

SCHWARTZ, Y. ; DURRIVE, L. (Org.). Trabalho & Ergologia: conversas sobre a atividade humana. 2. ed. ampliada. Niterói: EdUFF, 2010.

SELIGMANN-SILVA, E. Trabalho e desgaste mental: o direito de ser dono de si mesmo. São Paulo: Cortez, 2011.

SILVA, E. F. et al. A promoção da saúde a partir das situações de trabalho. Interface. Comunicação, Saúde e Educação, v. 13, p. 20-30, 2009.

SOUZA, W. F. Transtornos mentais e comportamentais relacionados ao trabalho: o que a Psicologia tem a dizer e a contribuir para a saúde de quem trabalha? Fractal: Revista de Psicologia, Niterói, v. 25, n. 1, p. 99-108, 2013. doi: 10.1590/S1984-02922013000100007

SOUZA, W. F.; RODRIGUES, A. L.; SANTOS, T. A. Encontros com a atividade: a extensão do diálogo sobre trabalho, gestão e saúde mental. Em extensão, v. 13, n. 2, p. 49-60, 2014.

SOUZA, W. F.; CHRISTO, C. Trabalho, vida e gestão: vias para um ergogerenciamento. In: TAVEIRA, I. M. R.; LIMONGI-FRANÇA, A. C.; FERREIRA, M. C. (Org.). Qualidade de vida no trabalho: estudos e metodologias brasileiras. Curitiba: CRV, 2015. p. 359-375.

SUPRANI, B.; ATHAYDE, V.; ATHAYDE, M. Vida, saúde mental e trabalho: algumas pistas para compreender-transformar. Advir (ASDUERJ), Rio de Janeiro, v. 33, p. 86-98, 2015.

TEIGER, C.; LACOMBLEZ, M. (Org.) (Se) Former pour transformer le travail: dynamiques des constructions d’une analyse critique du travail. Quebec: PUL, 2013.

THÉRY, L. Introduction. In: ______. (Dir.) Le travail intenable: résister collectivement à l’intensification du travail. Paris: La Découverte, 2006. p. 5-16.




DOI: https://doi.org/10.22409/1984-0292/v30i2/5868

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


URL da licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Creative Commons License
Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

 

Apoio:



Indexadores:



Arquivamento:



Facebook: