Relações Sociais de Sexo e Psicodinâmica do Trabalho: a sexuação das defesas no trabalho de care

Livia Borges Hoffmann Dorna, Hélder Pordeus Muniz

Resumo


Este artigo se propõe a apresentar algumas pesquisas analisadas por Pascale Molinier acerca dos sistemas defensivos contra o sofrimento no trabalho de care. Para ela, se as situações de trabalho que produzem sofrimento não são as mesmas para homens e mulheres, os sofrimentos e, consequentemente os sistemas defensivos para lidar com eles, serão sexuados – alguns são masculinos, outros femininos. Sob o ângulo combinado da Psicodinâmica do Trabalho e das Relações Sociais de Sexo, as pesquisas de Molinier permitem demonstrar que esta tendência à “sexuação” das defesas se dá não em função da “natureza” dos homens e das mulheres, e sim em decorrência da divisão sexual do trabalho. Estas pesquisas evidenciam ainda que certas modalidades da subjetividade classicamente atribuídas à constelação psíquica da feminilidade são, em grande parte, diferenciações contingentes e secundárias à experiência do trabalho.Palavras-chave: Relações Sociais de Sexo; Psicodinâmica do Trabalho; sistemas defensivos; trabalho de care.


Palavras-chave


Relações Sociais de Sexo; Psicodinâmica do Trabalho; sistemas defensivos; trabalho de care

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DOI: https://doi.org/10.22409/1984-0292/v30i2/5870

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