Ação-formação: uma leitura das contribuições da Ergonomia da Atividade

Mary Yale Rodrigues Neves, Denise Alvarez, Ana Cláudia Barbosa da Silva Roosli, Thiago Drumond Moraes, Letícia Pessoa Masson, Vicente Aguilar Nepomuceno de Oliveira

Resumo


Este artigo objetiva refletir acerca das interações entre formação e ação ergonômica, especificamente, na perspectiva da Ergonomia da Atividade. Seu ponto de partida é a trajetória histórica dessa interface, sinalizando dilemas e alternativas pautadas nas relações entre análise do trabalho e ações formativas. Seus desdobramentos são explorados a partir do “paradigma da formação de atores na e pela análise do trabalho, para e pela ação”, ancorado na interdependência entre formação e transformação das condições de trabalho. Conclui-se que este paradigma abre novas vias de análise sobre a sustentabilidade da ação ergonômica e sobre a luta pela saúde.


Palavras-chave


Ergonomia e formação; psicologia e ergonomia; pesquisa-ação-formação; análise do trabalho

Texto completo:

PDF

Referências


BERTHELETTE, D.; LACOMBLEZ, M.; TEIGER, C. La conception de programmes de formation à et par l’analyse du travail: réflexions sur des travaux en cours em ergonomie, psychologie du travail et en recherche évaluative. Deuxièmes Journées Recherche et Ergonomie. Toulouse: Université Toulouse le Mirail, 1998. p. 123-130.

BORGES-ANDRADE, J. E.; ABBAD, G. S.; MOURÃO, L. (Org.). Treinamento, desenvolvimento e educação em organizações e trabalho: fundamentos para a gestão de pessoas. Porto Alegre: Artmed, 2006.

CANGUILHEM, G. (Org.). A saúde: conceito vulgar e questão filosófica. In: ______. Escritos sobre a medicina. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005. p. 35-48.

CHAMPY-REMOUSSENARD, P. Les théories de l’activité entre travail et formation. Savoirs, v. 2, n. 8, p. 9-50, 2005.

COSTA, C.; SILVA, C. Análise do trabalho, formação contextualizada e acção de transformação das condições de trabalho no sector de saneamento de um serviço municipal. Laboreal, v. 6, n. 2, p. 27-46, 2010.

COUTAREL, F. et al. Orientações para a avaliação das intervenções visando a prevenção dos problemas músculo-esqueléticos ligados ao trabalho. Laboreal, v. 5, n. 2, p. 95-108, 2009.

CRU, D.; DEJOURS, C. Saberes de prudência nas profissões da construção civil: nova contribuição da Psicologia do Trabalho à análise da prevenção de acidentes na construção civil. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 15, n. 59, p. 30-34, 1987.

CZERESNIA, D. Os sentidos da saúde e da doença. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2013.

DANIELLOU, F. (Org.). Introdução: questões epistemológicas acerca da Ergonomia. In: ______. A Ergonomia em busca de seus princípios: debates epistemológicos. São Paulo: Edgard Blucher, 2004. p. 1-18.

DE KEYSER, V. Works analysis in French language ergonomics: origins and current research trends. Ergonomics, v. 34, n. 6, p. 653-669, 1991.

DEJOURS, C. Inteligência operária e organização do trabalho: a propósito do modelo japonês de produção. In: HIRATA, H. (Org.). Sobre o ‘modelo’ japonês. São Paulo: EdUSP, 1995. p. 281-309.

DEJOURS, C. Trabalho vivo. Brasília: Paralelo 15, 2012.

DELGOULET, C.; VIDAL-GOMEL, C. O desenvolvimento das competências: uma condição para a construção da saúde e do desempenho no trabalho. In: FALZON, P. (Org.). Ergonomia construtiva. São Paulo: Blucher, 2016. p. 35-54.

FALZON, P. (Org.). Ergonomia. São Paulo: Edgar Blucher, 2007.

FALZON, P. (Org.). Ergonomia construtiva. São Paulo: Bluchered, 2016.

FALZON, P.; TEIGER, C. Ergonomia e formação. In: CARRÉ, P.; CASPAR, P. (Org.). Tratado das ciências e das técnicas da formação. Lisboa: Piaget, 2001. p.161-178.

FAVERGE, J.-M.; LEPLAT, J.; GUIGUET, B. L’adaptacion de la machine à l’homme. Paris: PUF, 1958.

GUÉRIN, F. et al. Compreender o trabalho para transformá-lo: a prática da ergonomia. São Paulo: Edgar Blücher, 2012.

LACOMBLEZ, M. et al. Marianne Lacomblez e a construção de uma Psicologia da Atividade de Trabalho. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, v. 19, n. 1, p. 121-133, 2016.

LACOMBLEZ, M.; TEIGER, C. Ergonomia, formações e transformações. In: FALZON, P. (Org.). Ergonomia. São Paulo: Blucher, 2007. p. 587-601.

LACOMBLEZ, M.; TEIGER, C.; VASCONCELOS, R. A Ergonomia e o “paradigma da formação dos atores”: uma parceria formadora com os protagonistas do trabalho. In: BENDASSOLLI, P. F.; SOBOLL, L. A. P. (Org.). Métodos de pesquisa e intervenção em Psicologia do trabalho: clínicas do trabalho. São Paulo: Atlas, 2014. p.159-183.

LACOMBLEZ, M.; VASCONCELOS, R. Análise ergonómica da actividade, formação e transformação do trabalho: opções para um desenvolvimento durável. Laboreal, v. 5, n. 1, p. 53-60, 2009.

LAVILLE, A. Ergonomia. São Paulo: EPU, 1977.

LEPLAT, J. Analyse du travail et formation. Bulletin du CERP, v. 4, n. 4, p. 393-409, 1955.

LEPLAT, J. Quelques aspects de la complexité en ergonomie. In: DANIELLOU, F. (Org.). L’ergonomie en quête de ses príncipes. Toulouse: Octarès, 1996. p. 57-76.

MUNIZ, H. et al. Ivar Oddone e a sua contribuição para o campo da Saúde do Trabalhador no Brasil. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 38, n. 128, p. 280-291, 2013.

ODDONE, I.; RE, A.; BRIANTE, G. Redécouvrir l´expérience ouvrière: vers une autre psychologie du travail? Paris: Messidor/Éditions Sociales, 1981.

OMBREDANE, A.; FAVERGE, J. L’analyse du travail: facteur d’économie humaine et de productivité. Paris: PUF, 1955.

PETIT, J. A intervenção ergonômica como dinâmica de aprendizagem: estudo de caso. Laboreal, v. 4, n. 2, p. 37-46, 2008.

SCHWARTZ, Y. De l’inconfort intellectuel, ou: comment penser les activités humaines? In: COURS-SALIES, P. (Org.). La liberté du travail. Paris: Syllepse, 1995. p. 99-149.

SCHWARTZ, Y. Os ingredientes da competência: um exercício necessário para uma questão insolúvel. Educação & Sociedade, v. 19, n. 65, p. 101-140, 1998.

SCHWARTZ, Y. A comunidade científica ampliada e o regime de produção de saberes. Trabalho e Educação, n. 7, p. 38-46, jul/dez 2000.

SCHWARTZ, Y. Anexo ao capítulo 7. Uso de si e competência: exposição de Yves Schwartz e comentários sobre os esquemas 5, 6 e 7. In: SCHWARTZ, Y.; DURRIVE, L. (Org.). Trabalho & ergologia: conversas sobre a atividade humana. Niterói: EdUFF, 2010. p. 205-221.

SCHWARTZ, Y.; ABDERRAHMAN, F.; ADRIANO, R. Revisitar a actividade humana para colocar as questões do desenvolvimento: projecto de uma sinergia franco-lusófona. Laboreal, v. 4, n. 1, p. 10-22, 2008.

SCHWARTZ, Y.; DURRIVE, L. (Org.). Trabalho e ergologia: conversas sobre a atividade humana. Niterói: EdUFF, 2010.

SILVA, E. et al. A promoção da saúde a partir das situações de trabalho: considerações referenciadas em uma experiência com trabalhadores de escolas públicas. Interface (Botucatu), v. 13, n. 30, p. 107-119, 2009.

TEIGER, C.; LACOMBLEZ, M. L’ergonomie et la trans-formation du travail et/ou des personnes (1). Education Permanente, v. 165, p. 9-28, 2005.

TEIGER, C.; LACOMBLEZ, M. L’ergonomie et la trans-formation du travail et/ou des personnes (2). Education Permanente, v. 166, p. 9-28, 2006.

TEIGER, C.; LACOMBLEZ, M. (Org.). (Se) Former pour transformer le travail: dynamiques de constructions d’une analyse critique du travail. Laval: Presses de l’Université Laval, 2013. p. 764. Collection Santé et sécurité du travailed.

TEIGER, C.; LAVILLE, A. L’apprentissage de l’analyse ergonomique du travail, outil d’une formation pour l’action. Travail et emploi, v. 1, n. 47, p. 53-62, 1991.

TEIGER, C.; LAVILLE, A.; DURAFFOURG, J. Trinta anos depois: reflexão sobre uma história das relações entre pesquisa em ergonomia e ação sindical na França (o caso das operárias do setor eletrônico entre 1965 e 1975). In: FIGUEIREDO, M. et al. (Org.). Labirintos do trabalho: interrogações e olhares sobre o trabalho vivo. Rio de Janeiro: DP&A, 2004. p. 135-160.

TEIGER, C.; MONTREUIL, S. The foundations and contributions of ergonomic work analysis in training programmes. Safety Science, v. 23, n. 213, p. 81-95, 1996.

VASCONCELOS, R. O papel do psicólogo do trabalho e a tripolaridade dinâmica dos processos de transformação: contributo para a promoção da segurança e saúde no trabalho. 2008. Tese (Doutorado)‑Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto, Porto, 2008.

VASCONCELOS, R.; LACOMBLEZ, M. Entre a auto-análise do trabalho e o trabalho de auto-análise: desenvolvimento para a psicologia do trabalho a partir da promoção da segurança e saúde no trabalho. In: FIGUEIREDO, M., et al. (Org.). Labirintos do trabalho. Rio de Janeiro: DP&A, 2004. p.161-187.

VIDAL, M. Guia para análise ergonômica do trabalho (AET) na empresa: uma metodologia realista, ordenada e sistemática. Rio de Janeiro: EVC, 2003.

VOGEL, L. A atualidade do modelo operário italiano nas lutas pela saúde no trabalho. Laboreal, v. 12, n. 2, p. 10-17, 2016.

WEILL-FASSINA, A.; RABARDEL, P.; DUBOIS, D. (Org.). Représentations pour l’action. Toulouse: Octarès, 1993.

WISNER, A. A inteligência no trabalho: textos selecionados de ergonomia. São Paulo: Fundacentro, 1994.

WISNER, A. Questões epistemológicas em Ergonomia e em análise do trabalho. In: DANIELLOU, F. (Org.). A Ergonomia em busca de seus princípios: debates epistemológicos. São Paulo: Edgar Blücher, 2004. p. 29-56.




DOI: https://doi.org/10.22409/1984-0292/v30i2/5872

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


URL da licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Creative Commons License
Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

 

Apoio:



Indexadores:



Arquivamento:



Facebook: