Preclaridades da noção de representação

Marianne Lacomblez

Resumo


Pretende-se neste artigo contribuir para o esclarecimento da noção de “representação” no campo da Psicologia do trabalho e da Ergonomia da atividade, situando-a no quadro de duas abordagens. A primeira abordagem, que é tributária da noção de “imagem operativa”, está associada à categoria de análise das “representações para a ação” e à proposta metodológica de “trabalho de representação”. A segunda é relativa ao estudo das representações ditas “sociais” que resultam de processos de interação social no campo da construção de opiniões, crenças e atitudes. Os dois paradigmas assim envolvidos evidenciam potencialidades e limites em relação à compreensão das “questões vivas” das atividades de trabalho. Estudos empíricos sustentam a argumentação deste artigo que propõe uma abordagem alternativa, baseada, nomeadamente, nos contributos de Yves Schwartz e, igualmente, de Alessandra Re. Privilegia-se então a distinção entre várias formas de saber – saberes instituídos e saberes investidos – que, no debate e na controvérsia, tendem, na análise do real das atividades de trabalho, a construir uma linguagem comum.


Palavras-chave


psicologia do trabalho; ergonomia da atividade; noção de representação; atividade de trabalho

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DOI: https://doi.org/10.22409/1984-0292/v30i2/5923

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