A ANÁLISE DE GÊNEROS DISCURSIVOS NA LINGUÍSTICA FORENSE: UM ESTUDO SOBRE OS GOLPES DO FALSO SEQUESTRO

Welton Pereira e Silva, Mônica Santos de Souza Melo

Resumo


Os crimes de extorsão chamados de Golpes do Falso Sequestro são uma modalidade criminal que surgiu há poucos anos no Brasil. Como uma nova prática social, atrelado a ela, surgiu também um novo gênero discursivo. No presente artigo, nos propomos a analisar e descrever esse gênero tomando por base a teoria Semiolinguística de Patrick Charaudeau. Nosso corpus de análise foi constituído por quatro gravações de golpes do falso sequestro interceptadas pela polícia civil do Rio de Janeiro e disponibilizadas na modalidade online pela revista Veja. Notamos que as situações comunicativas dos textos que compunham nosso corpus eram orientadas para a finalidade comum de convencer as vítimas a efetuarem o pagamento do falso resgate, já que tanto as visadas discursivas quanto os modos de organização do discurso corroboravam para esse fim. A visada discursiva do fazer-acreditar consiste, nos textos analisados, em fazer com que a vítima acredite nos argumentos dos supostos sequestradores e, através de coerções, ameaças e mesmo instruções, os criminosos procuram fazer com que as vítimas façam o pagamento solicitado (fazer-fazer). Notamos também que o modo argumentativo de organização do discurso é o mais proeminente, sendo auxiliado pelos modos narrativo e descritivo. Tendo, portanto, uma finalidade específica, uma ancoragem social na prática criminal homônima e possuindo, inclusive, identidades próprias dos sujeitos participantes do contrato interacional (sequestrador, sequestrado, vítima-familiar), notamos que os golpes do falso sequestro podem ser considerados como um gênero discursivo próprio.


Palavras-chave


Língua Portuguesa; Teoria e análise linguística

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DOI: https://doi.org/10.22409/gragoata.2015n38a33301

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