DOI e Chamadas Abertas Edições 2020

(Vol 14, nº 2)  Dossiê- Jornalismo e literatura: paradigmas e novas dimensões   

O processo de demarcação das propriedades específicas da linguagem jornalística sempre oscilou por movimentos de aproximação e de distanciamento da literatura, como mostra a retomada constante da questão sobre as fronteiras entre literatura e jornalismo. A reportagem, por exemplo, simboliza historicamente uma forma a partir da qual se afirmou a identidade jornalística. No entanto, a afirmação dessa identidade nunca abriu mão de alianças ocasionais com a literatura. Assim, a literatura pode ser considerada uma “alteridade estilística” preferencial para distinguir a boa e a má expressão jornalística, como se pode observar nos manuais de redação, que começaram a circular no Brasil com a chegada do lead, em meados do século passado. Por um lado, a literatura deve ser negada, para a afirmação do jornalismo com características próprias; por outro, fornece referências e base para o trabalho de qualidade.

Também, desde os anos 1940, ambas viveram, de maneira relativamente vitoriosa, lutas por autonomização (de alguma forma, “viraram as costas” uma para outra). Atualmente, trata-se de constatar que os relatos de autonomia a respeito das áreas jornalística e literária, construídos ao longo do século XX, em termos profissionais e/ou acadêmicos, vêm sendo redimensionados. E os contatos que, na verdade, sempre existiram na prática, ganham novas visibilidades, materialidades e mesmo formalizações e ensaiam novas relações no cotidiano, incluindo toda uma cadeia de novas perguntas feitas sobre o passado.

O atual dossiê, portanto, convida autores a contribuírem com textos que possam refletir sobre os atravessamentos, as tensões e as reconfigurações relacionados ao jornalismo e à literatura, a partir de sua presença cotidiana, na contemporaneidade e/ou em diferentes momentos históricos. Alguns tópicos de sugestão a serem analisados poderão se referir, de maneira entrecruzada, entre outros, a:

- Contornos e fronteiras ético-estéticas relacionados a movimentos literários que atuem na formação de paradigmas vigentes para a prática e a reflexão jornalísticas em determinados momentos históricos;

- Práticas editoriais que se relacionam ao universo jornalístico e literário e suas relações na produção de livros, periódicos e outras publicações: passados, presentes e futuros.

- A crítica literária em jornais e/ou revistas: o crítico como agente de articulação das redes comunicacionais em que se encontram a presença da imprensa periódica e a do livro; o entrecruzamento de saberes.

- Reflexões sobre o hibridismo das construções textuais e as tensões entre realismos e ficcionalidades no âmbito das relações entre jornalismo e literatura.

- Reconfigurações e influências históricas da materialidade dos suportes no fazer textual jornalístico e literário: tensões e contornos entre o analógico e o digital;

- Jornalismo e literatura como formas de leitura analítica do cotidiano: potencialidades, lacunas e contribuições para a elaboração de um pensamento sobre a vida social.

Editores convidadosRachel Bertol (UFF) e Fred Tavares (UFOP)

Prazo para submissão: até 31 de março de 2020

Data da Publicação: Maio de 2020

 

(Vol. 14, nº 3) Dossiê: Mídia e (neo)conservadorismo: aspectos teóricos, dilemas éticos e questões práticas

Estudos recentes apontam que, depois de um período de avanço no reconhecimento dos direitos das chamadas minorias sociais e de liberalização dos costumes, o mundo atravessa uma era de entressafra nas liberdades individuais e coletivas. O surgimento de expressivas lideranças conservadoras em países importantes e/ou periféricos é apenas uma das decorrências deste período marcado por conflitos e polarizações de toda natureza. A relativização do conhecimento científico, a incompreensão do papel das instituições de ensino e uma aparente descrença nos atores midiáticos tradicionais – movimentos fomentados pelo poder político conservador – contribuem para a construção de narrativas individuais e grupais que fomentam o ódio, o preconceito, o divisionismo e a descrença na democracia.

Neste cenário beligerante, no qual ganhou vida a expressão “guerras culturais”, este dossiê busca refletir a respeito do papel dos meios de comunicação enquanto mediadores privilegiados do sistema social. Em especial nos campos do jornalismo, das artes visuais e das redes sociais digitais, há espaços para resistir ao retrocesso em territórios que se julgava conquistados? Com o agravante da crise financeira que tem levado ao desaparecimento de importantes atores midiáticos, seria adequado falar em aggiornamento dos meios de comunicação, como propõe Wolton para o campo do jornalismo? Como superar a fragmentação e o personalismo do espaço público midiatizado em função do bem comum? O ideal da comunicação, termo cuja raiz se localiza na ideia de partilha, de comunhão, estaria obsoleto?

Essas e outras questões correlatas norteiam a proposta deste dossiê temático “Mídia e (neo)conservadorismo: aspectos teóricos, dilemas éticos e questões práticas”. A expectativa é a de acolher trabalhos que se configurem enquanto contribuições substantivas para o campo da comunicação social, enfatizando, particularmente, as relações entre mídia(s) e questões do cotidiano, o escopo maior desta Publicação.  

Editores convidadosLarissa Morais (UFF) e Carlos Alberto Zanotti (PUC/Campinas)

Prazo para submissão: até 15 de julho de 2020

Data da Publicação: Setembro de 2020

 

AVISO: As normas completas para submissão de artigos podem ser encontradas no site da revista, neste link: http://periodicos.uff.br/midiaecotidiano/about/submissions#authorGuidelines

A submissão de artigos é realizada online, através do sistema OJS: http://periodicos.uff.br/midiaecotidiano/index

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