Histórico do periódico

Há muito tempo o grupo de docentes e pesquisadores das Literaturas Portuguesa e Africanas de Língua Portuguesa da Universidade Federal Fluminense vinha acalentando um sonho: o de divulgar, através de uma revista, sua produção científica, assim como a de colegas de outras instituições e de alunos de Letras dos vários níveis de ensino. O sonho agora se concretiza e Abril ganha corpo, imagem e voz, a nos lembrar outros corpos, imagens e vozes que se alçaram em 25 de abril de 1974, criando o espaço da festa da liberdade em Portugal, espaço este que assegurou também o da outra festa, a da libertação das então colônias de África que, em 1975, se fizeram nações independentes. Desse modo, Abril nasce sob o signo da festa, disseminando-o, com alegria, no plano concreto de nossa vivência acadêmico-institucional.

Se a revista foi fruto de um sonho e de uma realização docente, é bom lembrar que, para a concretude desse mesmo sonho, muito contribuiu o fervor com que um grupo de alunos-pesquisadores do Núcleo de Estudos de Literatura Portuguesa e Africana (NEPA) abraçou a idéia, contribuindo para que a publicação se efetivasse. Abril é, assim, o resultado de uma ação de partilha entre docentes e discentes que sempre buscaram trilhar juntos o caminho da sedimentação do conhecimento. Em representação de todos, nomeia-se, aqui e agora, o então mestrando Diego Ferreira Marques, responsável pelo projeto gráfico-virtual de Abril. A ele e aos demais, agradecemos.

Nesse primeiro número, resgata-se, em forma de dossiê, um conjunto de trabalhos apresentados no V Seminário do NEPA Representações Contemporâneas da Subjetividade, além de ensaios especialmente produzidos por alunos para esse primeiro número, a ser lançado no próximo Seminário, em agosto de 2008, cujo tema será Memória, Paisagem e Escrita. Esperamos ansiosos o momento da festa do lançamento de Abril.

Sabendo, com Helder Macedo, em suas Partes de África, que “festa é festa e essa já ninguém nos tira”, devemos agora relativizá-la, pois nela não teremos a presença física do colega e um dos mentores da revista, José Carlos Barcellos, profissional brilhante e amigo incomparável, que a vida nos levou tão cedo e tão de repente. A ele dedicamos este primeiro número de Abril, como também a Haquira Osakabe, cujo texto instigante e denso se faz a voz de abertura da revista. José Carlos e Haquira, por se terem encantado prematuramente, continuarão a fazer parte de nossa memória, escritos que estão no livro de nossa paisagem afetiva e profissional.

Por fim, queremos reiterar que aqui estamos, esperando de vocês as contribuições para futuros números e sua visita virtual, a consolidar laços mais que puramente acadêmicos.

Niterói, julho de 2008
LAURA CAVALCANTE PADILHA
EDITORA RESPONSÁVEL