Revisitando o mito de Stalin, de herói mundial a vilão comunista: o ocidente e sua necessidade de criar monstros
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.20561570Resumo
Este artigo, orientado pelo materialismo histórico-dialético, investiga como a narrativa burguesa ocidental demonizou Josef Stalin para deslegitimar o socialismo. Na Parte 1, reconstitui-se o “Stalin histórico”: industrialização acelerada, coletivização, mobilização total e papel decisivo da URSS na derrota do nazismo, culminando em Berlim. Na Parte 2, analisa-se a Guerra Fria como guerra de narrativas: imprensa, cinema, literatura e relações públicas fabricaram um inimigo absoluto, aplicando técnicas de propaganda que exageram episódios, omitem contextos e distorcem causalidades. Na Parte 3, discutem-se disputas historiográficas: leituras liberais moralizantes e leituras marxistas críticas; o revisionismo pós-1956 e reavaliações recentes (Losurdo, entre outros) que destacam conquistas em educação, ciência, indústria e soberania. Conclui-se que a figura de Stalin funciona, ainda hoje, como atalho semântico para disciplinar o debate público e manter a hegemonia capitalista, convertendo “socialismo” em sinônimo de tirania. Defende-se, por fim, uma revisão crítica da memória do século XX e uma crítica sistemática à mídia e ao controle narrativo do capitalismo sobre o passado, no Brasil e no mundo contemporâneo.