
Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
ROCHA, Pedro Henrique; TRINDADE, Helena; NEVES, Rafaela Pinheiro de Almeida; ROMÃO, Elinton Fábio; LIMA, Laiza.
COVID-19: uma reflexão geográfica sobre as diferenciações patológicas. Revista Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 6, nº 12, pp.
133-160, setembro-dezembro de 2020.
Submissão em: 21/07/2020. Aceite em: 12/11/2020.
ISSN: 2316-8544
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e NL63; e betacoronavírus OC43, HKU1, SARS-CoV, MERS-CoV e agora SARS-
CoV2). Ainda de acordo com Wu et al (2020):
novos coronavírus parecem emergir periodicamente em humanos,
principalmente devido à alta prevalência e vasta distribuição de coronavírus, à
ampla diversidade e à frequente recombinação de seus genomas, e ao aumento
das atividades de interface humano-animal (WU et al., 2020:1. tradução
programa de voluntariado acadêmico da UFPR).
Posto de outra maneira, o coronavírus que se apresenta hoje para nós e todos os
outros presentes em sua família não são uma novidade para a humanidade. De acordo
com Wolfe; Dunavan e Diamond (2007), as doenças infecciosas mais importantes das
populações humanas modernas seguem o mesmo padrão, exposto por Wu et al (2020)
sobre o coronavírus, e têm em comum o surgimento nos últimos 11.000 anos e suas
origens estão ligadas aos animais não humanos. Obviamente, as 25 doenças de alto
impacto evolutivo apresentadas por Wolfe, Dunavan e Diamond (2007) - Difteria,
Hepatite B, Influenza A, Sarampo, Caxumba, Coqueluche, Praga, Rotavírus A, Rubéola,
Varíola, Sífilis, Tétano, Tuberculose, Febre tifóide, Tifo, AIDS, Doença de Chagas,
Cólera, Dengue hemorrágica, Doença do sono no Leste da África, Malária falciparum,
Leishmaniose visceral, Malária vivax, Doença do sono no Oeste da África e Febre amarela
- mais a família coronavírus, possuem diferenças nos seus ciclos biológicos de reprodução
e transmissão, sendo umas mais especializadas em infectar humanos e outras não.
Independente dessas diferenças biológicas, a nós interessa o princípio de salto
viral dos animais não humanos para os animais humanos, que acaba respondendo a
origem da COVID-19 e também o enquadrando em uma categoria de patologia
importante para esse trabalho. As literaturas sobre o assunto expõem que a base para a
transmissão viral passa pela aglomeração (de animais humanos e animais não humanos)
e uma frequência de encontro entre as espécies (CHUANG, 2020; ANDERSEN et al,
2020; QIU et al, 2020; WALLACE, 2020; WALLACE et al, 2020) ou nas palavras de
Wolfe; Dunavan e Diamond (2007):
[...] a probabilidade por unidade de tempo ( p) da infecção de um indivíduo
de uma nova espécie hospedeira (isto é, nova receptora) aumenta com a
abundância do hospedeiro existente (ou seja, doador existente), com a fração