Ensaios de Geografia
Essays of Geography | PPGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
VARNIER, Macleidi; NASCIMENTO, Ederson. Espacialidades da COVID -19 na cidade de Chapecó, SC. Revista Ensaios de
Geografia. Niterói, vol. 7, nº 13, pp. 69-87, janeiro-abril de 2021.
Submissão em: 08/12/2020. Aceito em: 02/04/2021.
ISSN: 2316-8544
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No entanto, a partir de 27 de março, as medidas começaram a ser flexibilizadas e
atividades do setor hoteleiro e de construção civil voltaram a poder ser realizadas
mediante a apresentação, pelo Governo Estadual, de um plano de retomada das atividades
econômicas. No dia 13 de abril, o setor comercial e os serviços privados foram liberados
para retomarem suas atividades tendo de cumprir medidas que mitigassem a disseminação
da doença. A partir de então, o ritmo normal das cidades catarinenses foi voltando aos
poucos. A Prefeitura de Chapecó chegou a suspender o transporte público em 18 de
março, mas as atividades consideradas essenciais (incluindo atendimento em
supermercados, panificadoras e farmácias, e a linha de produção na indústria
agroalimentar) seguiram normalmente.
Essas e outras medidas de priorização do distanciamento social contribuíram para
manter baixos os níveis de contágio na cidade. Os dados sistematizados na Figura 4
mostram que até a terceira semana de abril o número de casos notificados se manteve
baixo. Entretanto, a partir do final de abril e início de maio, assistiu-se a um progressivo
aumento dos casos de COVID-19, ultrapassando a marca de mil casos na primeira
quinzena de junho. No final desse mês, depois de um período que parecia demonstrar
estabilidade, observou-se um “salto” no número de novos casos, em grande parte
resultado de uma testagem em massa realizada em um grande frigorífico da cidade.
Nos meses de julho e agosto a curva do contágio seguiu crescendo, com o número
de novos casos diários aumentando. Desde o dia 24 de junho, quando houve o registro do
caso de nº 2.000, houve o registro de mil novos doentes em um intervalo de 23 dias. Em
seguida, esse intervalo foi ainda menor, de modo que 19 dias depois, em 5 de agosto, já
haviam sido notificados quatro mil casos, e em 23 de agosto, eram cinco mil (Figura 4).
A curva do contágio seguiu em alta, com um novo “salto” no número de
notificações no início de setembro, oficialmente justificado por adequações entre os
bancos de dados da Prefeitura Municipal e da Secretaria Estadual de Saúde. Depois, entre
meados de setembro e meados de outubro, houve uma leve redução no número médio de
novos casos – foram 37 dias para um acréscimo de mil novos casos, entre 6 de setembro
a 13 de outubro – o que dava a impressão que o avanço da pandemia estava desacelerando.
Mas na última quinzena do mês e no início de novembro, viveu-se novamente um
aumento considerável no número de casos (Figura 4).