
Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO - UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZE A SEGUINTE REFERÊNCIA:
ALMEIDA, Fernanda Oliveira de. A paisagem urbana e os resíduos perigosos: uma regionalização da fumaça. Revista Ensaios de
Geografia. Niterói, vol. 8, nº 15, pp. 69-75, setembro-dezembro de 2021.
Submissão em: 02/04/2021. Aceite em: 02/11/2021.
ISSN: 2316-8544
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atmosférica (DICIO, s.d.), por vezes considerada sinônimo de progresso
, representa uma
ameaça à sociedade em termos socioambientais, já que produz gases nocivos à saúde
planetária em geral (OMS, 2018). Considerando os efeitos da fumaça sobre a vida humana
e planetária na qualidade de resíduo industrial, questionamos sua localização, que aponta
para uma regionalização estratégica. Geralmente encontrada em áreas industriais, longe
de grandes centros urbanos, a fumaça em forma de poluição, afeta de maneira mais
intensa as áreas periféricas (OMS, 2018). Paradoxalmente, o que é produzido em lugares
periféricos, normalmente é consumido em maior escala em centros urbanos, o que nos
remete à questão da justiça ambiental (CARRUTHERS, 2008). Onde se concentram os
gases tóxicos provenientes da combustão? Quem eles afetam?
Conhecida por ser uma zona de baixos índices socioeconômicos e marcada por
uma população de baixa renda (INSEE), as fotografias de Aubervilliers aqui apresentadas
– tiradas entre outubro e novembro de 2020 - mostram que a fumaça
proveniente de uma
indústria é parte inerente de uma paisagem marcada por uma regionalização desigual de
resíduos perigosos. Independente do horário e do dia, a fumaça sempre está presente, de
maneira mais visível ou não. A presença ininterrupta da fumaça sentida, vivida e
percebida desde a janela de um apartamento em uma zona periférica e de baixo interesse
político, confirma que os lugares menos interessantes, do ponto de vista socioeconômico,
se apresentam mais expostos à resíduos perigosos. Trata-se de uma regionalização
estratégica em que a produção industrial para os centros urbanos (neste caso Paris), se
encontra em suas periferias, marcando não só paisagens e imaginários urbanos, mas
também uma questão social e sanitária.
A fumaça pode ser considerada sinônimo de progresso já que é resultado/consequência de atividades que
mobilizam capital, como a indústria (POCHMANN, 2016).
Assim como definida pela Organização Mundial de Saúde, American Lund Association, the United States
Environmental Protection Agency entre outras instituições, consideramos a fumaça proveniente da
combustão de materiais industriais como resíduo perigoso, já que quando expostos de maneira exagerada
ao fenômeno, o ar tóxico da fumaça pode levar a graves problemas de saúde, tais como câncer, má formação
fetal, entre outros. Disponível em: <https://www.lung.org/clean-air/outdoors/what-makes-air-
unhealthy/toxic-air-pollutants>. Acesso em: 10 jun. 2021.