Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
ROSSI, Breno Serodio de Castro. O URBANO NEOLIBERAL: analisando a participação do capital internacional no Porto Maravilha do Rio
de Janeiro. Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 9, nº 19, pp. 12-38, set-dez de 2022.
Submissão em: 04/07/2022. Aceito em: 23/09/2022.
ISSN: 2316-8544
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O projeto se estruturou em torno de uma Parceria Público-Privada (PPP), com valor
inicial aproximado de 7.609 bilhões de reais, com prazo de quinze anos, sendo renováveis por
mais quinze anos, e no seu lançamento foi utilizado o slogan “A maior PPP do Brasil”
(WERNECK, 2016). A Lei Complementar também regulamentou as diretrizes da parceria e
associou a gestão pública municipal, via Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região
do Porto (CDURP), a três construtoras, via Concessionária Porto Novo, para o gerenciamento
do projeto. Essas diretrizes envolviam a prestação de serviços urbanos como saneamento,
iluminação e coleta de lixo (SARUE, 2016).
A concessionária era formada por três construtoras de grande relevância no cenário
imobiliário brasileiro: Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia. As participações acionárias
dessas empresas na concessionária eram: Odebrecht: 37,5%; OAS: 37,5% e Carioca
Engenharia: 25,00% (MARTINS, 2017).
O arranjo financeiro do projeto está ligado sobretudo à venda dos Certificados de
Potencial Adicional de Construção, os CEPACs. O CEPAC é instituído juridicamente pela Lei
Federal do Estatuto da Cidade em seu artigo 34 e é regulamentado pela Lei Municipal
Complementar nº101/2009. Os CEPACs foram criados a fim de conceder permissão para a
possibilidade de financiamento de obras no contexto de Operações Urbanas sem afetar as verbas
do tesouro municipal. Ou seja, os CEPACs são os principais financiadores da OUC e a
Prefeitura não injeta recursos no projeto diretamente (PINHO, 2016).
Por ser componente do mercado de valores mobiliários, o CEPAC é registrado pela
Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Sendo assim, esses certificados são títulos usados
pela administração pública para viabilizar recursos de forma antecipada, a fim de arcar com os
custos da Operação Urbana (WERNECK, 2017). Entretanto, a contrapartida apresentada aos
compradores desses certificados é a permissão de alteração de padrões edilícios dos
empreendimentos dentro da AEIU (SARUE, 2016). Em outras palavras, os CEPACs são
certificados que os compradores utilizam como permissão para construírem fora dos padrões
urbanísticos previamente estabelecidos.
Nessa dinâmica financeira, foram emitidos aproximadamente quatro milhões de metros
quadrados de potencial de construção, que foram comercializados no mercado. O proprietário
que deseja construir e investir em empreendimentos na área deve associar os CEPACs ao