Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
MOREIRA, Tiago Rodrigues. Paisagens do mundo que existo. Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 9, nº 19, pp. 211-218, set-dez, 2022.
Submissão em: 08/07/2022. Aceito em: 21/10/2022.
ISSN: 2316-8544
Este trabalho está licenciado com uma licença Creative Commons
211
SEÇÃO VISUALIDADES
PAISAGENS DO MUNDO QUE EXISTO
LANDSCAPES OF THE WORLD IN WHICH I EXIST
PAISAJES DEL MUNDO QUE EXISTO
Tiago Rodrigues Moreira
1
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), São Paulo, Brasil
e-mail: t229845@dac.unicamp.br
1
Professor de Geografia e Doutorando em Geografia no Instituto de Geociências IG-Unicamp. Integrante do
Laboratório de Geografia dos Riscos e Resiliência LAGERR; Membro do Grupo de Pesquisa Fenomenologia e
Geografia NOMEAR.
Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
MOREIRA, Tiago Rodrigues. Paisagens do mundo que existo. Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 9, nº 19, pp. 211-218, set-dez, 2022.
Submissão em: 08/07/2022. Aceito em: 21/10/2022.
ISSN: 2316-8544
Este trabalho está licenciado com uma licença Creative Commons
212
ABERTURA
De frente, numa zona fronteiriça, vejo linhas, rabiscos, chapiscos que doem minhas meninas,
as dos olhos castanhos cor de caramelo. Percebo uma parede torta, rugosa, sensível e com
arestas cor de vinho.
Ao leste, rascunho de uma asa ainda que quebrada, dilacerada, deserta, jogada aos abutres;
Ao sul, triângulo pueril que vira e volta, sobe e desce... Movimentado... Lembra-me da
caricatura da vida humana, condição de aviltamento;
No norte, lágrimas suavemente salgadas na cor vermelha, esvaindo, jorrando, um reflexo
esmagado... Soterrado pelas histórias, dias cores de cinza;
No oeste instaura o caos, queda do raio, solapamentos de tecido, fios se desfazendo do próprio
tear da existência. Desmoronamento das falésias;
Ameaçados pelas fissuras do desabamento dessa parede, seres insolentes, a existência em
movimento, paisagens preocupantes...
Musguentas!
Que sinto agora em minhas mãos, ainda, é a esperança do topázio queimado, do abraço do
pássaro que me deixa voar, da queda o que me importa é o impulso de subir, subir como as asas
que me envisca.
Um sonho bastardo!
Abraçando o pássaro com o olhar, o abraço se esvai, se desfez, sinto nos meus a-braços a trágica
perda, o pássaro! Acelero meus punhos, interiorizo a queda, o vento ainda morno me assusta
novamente, me solto do abraço, eu estou indo...