Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
CUNHA, Angélica Paula Rodrigues Palhares da; FERREIRA, Joyce Clara Vieira. Relação Entre o Meio Ambiente e a Sociedade no Açude
Público José Teodoro (Açude Velho) de Angicos-RN, Brasil. Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 11, nº 24, e112411, 2024.
Submissão em: 29/12/2023. Aceito em: 28/04/2024.
ISSN: 2316-8544
Este trabalho está licenciado com uma licença Creative Commons 1
SEÇÃO ARTIGOS
Relação Entre o Meio Ambiente e a Sociedade no Açude Público José Teodoro (Açude
Velho) de Angicos-RN, Brasil
Relationship Between the Environment and Society at the José Teodoro Public Dam
(Açude Velho) in Angicos-RN, Brazil
Relación entre Ambiente y Sociedad en la Presa Pública José Teodoro (Açude Velho) en
Angicos-RN, Brasil
DOI: https://doi.org/10.22409/eg.v11i24.61292
Angélica Paula Rodrigues Palhares da Cunha1
Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN),
Rio Grande do Norte, Brasil
e-mail: angelicapaula.afonso@hotmail.com
Joyce Clara Vieira Ferreira2
Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN),
Rio Grande do Norte, Brasil
e-mail: joyceclara@hotmail.com
Resumo
O presente trabalho teve por objetivo analisar as condições ambientais do açude público José Teodoro (Açude
Velho) localizado em Angicos-RN. Para tanto, foi realizado um levantamento bibliográfico e trabalhos de campo,
posteriormente, foi aplicada a Metodologia Espontânea (AD HOC) e a Listagem Descritiva checklist(lista de
checagem). Em termos de estudo ambiental, compreender as condições do açude José Teodoro é fundamental para
avaliar o estado de saúde desse ecossistema aquático e os impactos que ele sofre, sejam eles de origem natural ou
decorrentes da atividade humana. Diante desses desafios, é essencial desenvolver estratégias eficazes para mitigar
a poluição hídrica no açude Velho. Isso pode envolver a implementação de políticas de gestão ambiental mais
rigorosas, campanhas de conscientização pública, investimentos em infraestrutura de tratamento de esgoto e
resíduos, Assim, como resultados, observou-se que o açude Velho registrou impactos ambientais de natureza física,
antrópica e biológica.
Palavras-chave
Meio Ambiente; Poluição Hídrica; Impactos Ambientais; Angicos-RN.
1
Bacharela em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), especialista em Educação
Ambiental e Geografia do Semiárido pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), especialista em
Políticas Públicas da Assistência Social pela Faculdade Católica Nossa Senhora das Vitórias (FCNSV). Liderança
Educacional formada pelo Centro Lemann.
2
Doutora, mestra, especialista e bacharela em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN) e técnica em Geologia e Mineração pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN). Atualmente,
desempenha atividades de ensino e pesquisa no curso de especialização em Educação Ambiental e Geografia do
Semiárido no IFRN e atua como pesquisadora externa na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Possui interesse em pesquisas e trabalhos nas áreas de geografia física, geomorfologia, geomorfologia costeira e
marinha, pedologia, sedimentologia, geodiversidade, educação ambiental e energias renováveis.
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CUNHA, Angélica Paula Rodrigues Palhares da; FERREIRA, Joyce Clara Vieira. Relação Entre o Meio Ambiente e a Sociedade no Açude
Público José Teodoro (Açude Velho) de Angicos-RN, Brasil. Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 12, nº 24, pp. X-X, 2024.
Submissão em: 29/12/2023. Aceito em: 28/04/2024.
ISSN: 2316-8544
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Abstract
The present work aimed to analyze the environmental conditions of the public reservoir José Teodoro (Açude
Velho) located in Angicos-RN. To this end, a bibliographical survey and fieldwork were carried out, subsequently,
the Spontaneous Methodology (AD HOC) and the Descriptive Checklist were applied. In terms of environmental
studies, understanding the conditions of the José Teodoro dam is essential to assess the health status of this aquatic
ecosystem and the impacts it suffers, whether of natural origin or resulting from human activity. Faced with these
challenges, it is essential to develop effective strategies to mitigate water pollution in the Velho reservoir. This
may involve the implementation of more rigorous environmental management policies, public awareness
campaigns, investments in sewage and waste treatment infrastructure. Thus, as a result, it was observed that the
Velho dam recorded environmental impacts of a physical, anthropic and biological nature.
Keywords
Environment; Water Pollution; Environmental Impacts; Angicos-RN.
Resumen
El presente trabajo tuvo como objetivo analizar las condiciones ambientales del embalse blico José Teodoro
(Açude Velho) ubicado en Angicos-RN. Para ello se realizó un levantamiento bibliográfico y trabajo de campo,
posteriormente se aplicó la Metodología Espontánea (AD HOC) y la Lista de Verificación Descriptiva. En
términos de estudios ambientales, comprender las condiciones de la presa José Teodoro es fundamental para
evaluar el estado de salud de este ecosistema acuático y los impactos que sufre, ya sean de origen natural o
resultantes de la actividad humana. Frente a estos desafíos, es fundamental desarrollar estrategias efectivas para
mitigar la contaminación del agua en el embalse de Velho. Esto puede implicar la implementación de políticas de
gestión ambiental más rigurosas, campañas de concientización pública, inversiones en infraestructura de
alcantarillado y tratamiento de residuos. Como resultado, se observó que la presa Velho registró impactos
ambientales de naturaleza física, antrópica y biológica.
Palabras clave
Medio ambiente; La contaminación del agua; Impactos ambientales; Angicos-RN.
Introdução
Os impactos ambientais negativos nos recursos hídricos apresentam incontáveis
consequências econômicas, sociais e ambientais, além de gerar problemas de saúde pública e a
deterioração dos recursos naturais, segundo Martinelli (2009). A problemática que permeia os
recursos hídricos não está restrita apenas aos grandes centros urbanos. No semiárido nordestino,
essa discussão precisa ganhar mais enfoque, principalmente, se observarmos às condições
climáticas, as quais nos revelam baixos índices pluviométricos associados às altas temperaturas.
Somado a isso, não podemos ignorar o processo de urbanização desordenada nas cidades do
semiárido que, em grande parte, contribui para degradação dos ecossistemas locais.
A Lei Federal 6.938, de 31 de agosto de 1981, dispõe sobre a Política Nacional de
Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação no Brasil. Nela, o meio
ambiente é definido como: “O conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem
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física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas” (Brasil,
1981, p. 1). Phlippi Júnior e Malheiros, 2005, p. 3 destacam que:
As modificações ambientais decorrentes do processo antrópico de ocupação dos
espaços de urbanização, que ocorrem em escala global, especialmente as que vêm
acontecendo desde os séculos XIX e XX, impõem taxas incompatíveis com a
capacidade dos ecossistemas naturais. (Phlippi Júnior.; Malheiros, 2005, p. 3).
O comprometimento do meio ambiente, nos dias atuais, está associado a ausência de
cuidados que vem ocorrendo muitos anos, e da mesma forma, as nossas ações, hoje,
comprometem a qualidade ambiental do planeta para as gerações futuras. Segundo Flores e
Medeiros (2013), por mais que as problemáticas e valores sejam globais, é na escala local que
muitos impactos se manifestam e onde as ações podem ser efetivas, visando a melhoria
ambiental.
De acordo com Nascimento (2015), o crescimento da população humana e sua
concentração nas cidades podem gerar graves impactos ambientais negativos como, por
exemplo, as doenças de veiculação hídrica que são a segunda maior causa de morte na infância,
atrás, apenas, das infecções respiratórias. Essas doenças são aquelas em que a água atua como
veículo de agentes infecciosos. Os microrganismos patogênicos atingem a água através de
excretas de pessoas ou animais infectados, causando problemas, principalmente, no aparelho
intestinal do homem. Essas doenças podem ser causadas por bactérias, fungos, vírus,
protozoários e helmintos.
De acordo com o Manual de Saneamento Básico (2004) a compreensão do processo
“saúde versus doença” transcende a dimensão pessoal e social e aponta para uma visão
abrangente, incorporando a dimensão ecológica, que depende do saneamento e da preservação
do ambiente. Não é possível manter a saúde de uma população quando esta respira ar poluído
e ingere água e alimentos contaminados. O controle das substâncias químicas perigosas, o
manejo adequado dos recursos hídricos e dos resíduos sólidos, o controle de ruídos, das
vibrações e das radiações, entre outros, são essenciais à proteção do ambiente natural e
modificado, onde vive e trabalha o homem.
Inserida no semiárido potiguar, em um contexto de urbanização, carente de um
saneamento básico eficiente, destaca-se o município de Angicos/RN. O açude público José
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Teodoro (Açude Velho), localizado em Angicos, apresenta problemas ambientais relacionados
ao processo de urbanização desordenado da cidade e à poluição de suas águas.
Metodologia
O presente trabalho foi elaborado em três etapas, a primeira delas se deu através do
aprofundamento bibliográfico sobre a temática, que determinou os caminhos a serem seguidos
durante a investigação. Em seguida, a segunda etapa, pautou-se na pesquisa de campo, onde
foram realizadas visitas in loco, no mês de setembro de 2023.
Posteriormente, a terceira etapa, após o levantamento dos impactos ambientais
negativos, foi realizada sua classificação e caracterização qualitativa, utilizando-se a
Metodologia Espontânea (AD HOC) que é um método baseado no conhecimento empírico do
especialista do assunto e\ou da área em questão. Além disso, concatenado com a metodologia
supracitada, utilizou-se a Listagem Descritiva check-list (lista de checagem). A Listagem
Descritiva consiste na identificação e enumeração dos impactos, a partir de uma descrição
minuciosa ambiental realizada por especialistas da área ambiental.
O objetivo principal desta etapa foi identificar, documentar e avaliar os agentes
poluidores e os problemas decorrentes das atividades humanas (ações antrópicas) na área de
estudo, bem como, colher registros fotográficos da área, objeto da pesquisa.
A Listagem Descritiva checklist foi aplicada para guiar a identificação sistemática dos
impactos, garantindo a abrangência e consistência na análise.
Foram aplicados questionários estruturados e entrevistas para coletar dados sobre o uso
da terra, atividades econômicas locais, percepções da comunidade sobre os impactos ambientais
e expectativas em relação à gestão do açude. Durante as visitas, foram coletadas informações
relevantes sobre os tipos de impactos ambientais presentes, suas características físicas, químicas
e biológicas, bem como sua extensão e gravidade.
Esses procedimentos metodológicos adicionais ampliam ainda mais a abordagem da
pesquisa, avaliações socioeconômicas e modelagem ambiental para fornecer uma compreensão
mais completa e integrada dos impactos ambientais no açude José Teodoro em Angicos, RN.
Essa abordagem multidisciplinar ajuda a identificar soluções eficazes para os desafios
ambientais enfrentados pela comunidade local e pelos gestores ambientais.
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A seguir, apresenta-se um quadro contendo os fatores de degradação identificados no
açude e as consequências para os meios físico, biológico e antrópico conforme apontamentos
de Costa (2008) (Quadro 1):
Quadro 1 Degradação ambiental e consequências para os meios físico, biótico e antrópico.
FATOR DE DEGRADAÇÃO
POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS PARA OS MEIOS
FÍSICO, BIÓTICO E ANTRÓPICO
Remoção da mata ciliar
Danos à microbiota do solo, em virtude da maior
exposição do solo às intempéries;
Instabilidade das margens causando erosão e
assoreamento;
Aumento das inundações;
Alterações e desequilíbrios microclimáticos;
Diminuição da biodiversidade da região (fauna e flora).
Lançamento de efluentes
doméstico (in natura)
Poluição da água;
Diminuição da qualidade estética e paisagística do corpo
hídrico;
Crescimento excessivo de algas;
Eutrofização;
Odor;
Doenças de veiculação hídrica.
Construções de imóveis as
margens do açude público José
Teodoro (Açude velho)
Impermeabilização do solo e consequente aumento na
frequência de inundações;
Aumento da poluição devido ao lançamento de esgoto
sanitário e resíduos sólidos gerados pelos moradores;
Degradação das margens (erosão e sedimentação);
Diminuição da seção transversal do corpo hídrico;
Depreciação da qualidade física, química e biológica da
água superficial, pelo lançamento de efluentes.
Disposição inadequada de
resíduos sólidos
Poluição do solo, água e ar;
Poluição visual;
Proliferação de vetores,
Odor;
Comprometimento da qualidade de vida e saúde humana.
Fonte: adaptado de Costa (2008).
Caracterização socioambiental da área de estudo
De acordo com Cunha (1990) e Alves (1921), Angicos é uma cidade do interior do Rio
Grande do Norte, que surgiu de forma não projetada. Sua principal rua, localizada no Centro da
cidade, foi o início do município, o espaço formou-se pela ação do homem através do
desbravamento da terra semiárida. A cidade foi se construindo a partir do rural, onde os
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Público José Teodoro (Açude Velho) de Angicos-RN, Brasil. Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 12, nº 24, pp. X-X, 2024.
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moradores do Sítio dos Angicos, junto ao seu fundador, foram trabalhando e transformando o
sítio em vila e, posteriormente, em cidade.
Segundo o IBGE (2023), o município de Angicos, localizado no estado do Rio Grande
do Norte, possui uma população estimada de 11.632 habitantes e apresenta densidade
demográfica de aproximadamente 15,69 hab/km² em uma área de 741,582 km.
Geograficamente, o município situa-se na Mesorregião Central Potiguar, na zona fisiográfica
Centro-Norte, entre as coordenadas 5° 39’ de latitude Sul e 36° 36’ de longitude Oeste, a
aproximadamente 110 m de altitude em relação ao nível do mar (Figura 1).
Figura 1 Mesorregiões Geográficas do RN.
Fonte: IDEMA (2013).
O município de Angicos forma com os municípios de Afonso Bezerra, Pedro Avelino
e Santana do Matos, a Microrregião homogênea do Sertão de Angicos (Figura 2). Seus limites
intermunicipais são: Ipanguaçu, Afonso Bezerra, Pedro Avelino, Lajes, Itajá e Santana do
Matos. Angicos encontra-se entre as cidades de Fernando Pedroza (Sul) e Itajá (Sul e Oeste),
às margens da BR 304 (IBGE, 2023).
Devido à escassez de água na região, o abastecimento hídrico do município é efetivado
pelo sistema de adutora Sertão Central Cabugi ou adutora Aluízio Alves. Esse sistema foi o
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primeiro dos sete sistemas a entrar em funcionamento no estado do Rio Grande do Norte. Os
benefícios chegaram no ano de 1997 e a captação da água ocorre no canal do Pataxó, abastecido
pela Barragem Armando Ribeiro Gonçalves.
A economia de Angicos é bem diversificada, destacam-se as seguintes atividades:
agricultura, pecuária, pesca, extrativismo vegetal, o comércio em sua maioria varejistas.
Ademais, o município conta com agências bancárias, supermercados, educação, saúde e apenas
uma indústria, a Associação dos Pequenos Agropecuaristas do Sertão de Angicos (APASA).
Figura 2 Microrregiões Geográficas do RN.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Microrregi%C3%B5es_do_Rio_Grande_do_Norte.svg(2024).
Planejado pelo Governo do Estado o açude público José Teodoro (Açude velho) foi
construído em 1859, sob a orientação do tenente-coronel Miguel Francisco da Costa Machado
e José Pedro Xavier da Costa, nomeados pelo presidente da Província, João José de Oliveira
Junqueira. Reformado em 1875, rompeu após 19 anos, em 1894. Refeito após alguns anos, teve
o aumento de sua parede em 1920, e em seu sangradouro em 1931 (ALVES, 1921). Suas águas
banham dois bairros da cidade, o Alto do Triângulo e o Alto da Esperança. Em toda literatura
estudada, não foi encontrada a capacidade de água do referido reservatório.
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Figura 3 Açude José Teodoro.
Fonte: https://earth.google.com/web/search/Angicos,+RN - 2024
Com a expansão da cidade, com o passar dos anos, construções foram erguidas às
margens do açude, fechando completamente os seus limites e impactando na qualidade de suas
águas. Vale salientar que a população angicana não consome as águas deste açude, tendo em
vista que hoje o abastecimento é realizado pela adutora Sertão Central Cabugi, conforme
mencionado, mas existem outros usos para o açude como, por exemplo, a pesca para consumo
dos próprios pescadores e o plantio de hortaliças para o abastecimento da população.
Problemas ambientais identificados no açude público José Teodoro (Açude Velho)
Problemas ambientais relacionados ao meio físico
Ao longo da localidade onde se situa o açude José Teodoro (Açude Velho) e sua Área
de Preservação Permanente (APP), segundo o Código Florestal (Lei 12.651 de 2015), é possível
encontrar muitos pontos de desmatamento susceptíveis à ação da erosão do solo (Figuras 3 e
4). Praticamente, na zona ripária, onde não existe plantação de hortaliças, corre a presença de
imóveis residenciais ou comerciais, construídos de forma irregular na APP do corpo hídrico.
Essa situação potencializa a ocorrência de inundações em períodos chuvosos.