Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
BRINCO, Lucian Armindo da Silva; BATISTA, Natália Lampert; WERLANG, Mauro Kumpfer; Ben, Franciele Delevati; MORO, Caroline.
Um estudo de caso sobre as percepções de docentes do Ensino Superior de Santa Maria/RS sobre a utilização do livro didático de Geografia
na contemporaneidade. Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 10, nº 23, e102325, 2025.
Submissão em: 11/01/2024. Aceito em: 01/07/2025.
ISSN: 2316-8544
Este trabalho está licenciado com uma licença Creative Commons
SEÇÃO ARTIGOS
Um estudo de caso sobre as percepções de docentes do Ensino Superior de Santa
Maria/RS sobre a utilização do livro didático de Geografia na contemporaneidade
A case study on the perceptions of Higher Education teachers in Santa Maria/RS about
the use of the Geography textbook in contemporary times
Un estudio de caso sobre las percepciones de los docentes de Educación Superior de
Santa Maria/RS sobre el uso del libro de texto de Geografía en la contemporaneidad
Lucian Armindo da Silva
Brinco1
Universidade Federal de Santa
Maria (UFSM),
Rio Grande do Sul, Brasil.
E-mail: lucianbrinco@gmail.com
Natália Lampert Batista2
Universidade Federal de Santa
Maria (UFSM),
Rio Grande do Sul, Brasil.
E-mail: natalia.batista@ufsm.br
Mauro Kumpfer Werlang3
Universidade Federal de Santa
Maria (UFSM),
Rio Grande do Sul, Brasil.
E-mail: wermakwer@gmail.com
Franciele Delevati Ben4
Universidade Federal de Santa
Maria (UFSM),
Rio Grande do Sul, Brasil.
E-mail:
francielidelevattiben@gmail.com
Caroline Moro5
Universidade Federal de Santa
Maria (UFSM),
Rio Grande do Sul, Brasil.
E-mail:
morocaroline836@gmail.com
1
Possui Graduação e Mestrado em Geografia pela UFSM. No momento, é doutorando no Programa de Pós-
graduação em Geografia (PPGGeo) da UFSM.
2
Professora Adjunta do Departamento de Geociências do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE) da UFSM.
É der do Grupo de Pesquisa Laboratório de Ensino e Pesquisas em Geografia e Humanidades (LEPGHU) da
UFSM. Atua como docente credenciada/colaboradora no Mestrado Profissional em Ensino de Geografia em Rede
Nacional, vinculada ao polo do Instituto Federal Catarinense (IFC), Brusque/SC.
3
Professor Titular do Departamento de Geociências do CCNE da UFSM.
4
Possui Graduação em Geografia pela UFSM. Atualmente, é mestranda no PPGGeo da UFSM.
5
cnica em Meio Ambiente pela UFSM e Técnica em Geoprocessamento - EAD pelo Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais. No momento, é graduanda em Geografia pela
UFSM.
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AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
BRINCO, Lucian Armindo da Silva; BATISTA, Natália Lampert; WERLANG, Mauro Kumpfer; Ben, Franciele Delevati; MORO, Caroline.
Um estudo de caso sobre as percepções de docentes do Ensino Superior de Santa Maria/RS sobre a utilização do livro didático de Geografia
na contemporaneidade. Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 10, nº 23, e102325, 2025.
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Resumo
Pensar a respeito da utilização do livro didático de Geografia no contexto educacional vigente é importante e, ao
mesmo tempo, necessário. Emergem, atualmente, discussões bastante controversas em torno do uso desse material,
envolvendo as suas possibilidades, limitações e/ou repercussões para a Educação Geográfica. Assim, o foco do
presente artigo foi analisar as percepções de professoras do Ensino Superior, de uma Universidade pública e outra
privada, localizadas no Rio Grande do Sul, sobre a utilização do livro didático como recurso nas aulas de Geografia
na contemporaneidade. Com isso, fez-se a revisão bibliográfica, a aplicação de entrevistas e foi utilizada a
abordagem qualitativa para a análise dos resultados. Desse modo, verificou-se que, na visão das docentes, esse
instrumento metodológico pode ser um recurso bastante favorável para a Geografia Escolar, e para muitas
realidades escolares, ele torna-se indispensável, como é o caso de instituições com uma infraestrutura precária. No
entanto, ele deve ser usado como meio para potencializar as aulas e não como o único recurso utilizado. Por outro
lado, muitos professores de Geografia precisam lecionar em outro componente curricular, fazendo com que vários
deles fiquem dependentes desse recurso para o planejamento de suas atividades. Além disso, os professores
resgataram a importância de trabalhar a noção espacial dos alunos, sobretudo com as questões locais, suprindo as
lacunas do livro. Por fim, destaca-se que, na percepção das docentes, os livros didáticos, assim como qualquer
outro recurso de ensino, podem corroborar significativamente para o desenvolvimento das aulas, a depender
bastante da forma como o professor de Geografia conduz sua aula.
Palavras-chave
Educação Básica; Ensino de Geografia; Livro Didático.
Abstract
Thinking about the use of Geography textbooks in the current educational context is important and, at the same
time, necessary. Currently, there are quite controversial discussions surrounding the use of this material, involving
its possibilities, limitations, and/or repercussions for Geographic Education. Thus, the focus of this article was to
analyze the perceptions of professors in Higher Education, from a public and a private university located in Rio
Grande do Sul, regarding the use of textbooks as a resource in Geography classes. To achieve this, a literature
review was conducted, interviews were carried out, and a qualitative approach was used to analyze the results. It
was found that, in the views of the teachers, the textbook can be a highly favorable resource for School Geography,
becoming indispensable for many school realities, such as institutions with poor infrastructure. However, it should
be used as a means to enhance classes and not as the sole resource. On the other hand, many Geography teachers
need to teach in another curricular component, making many of them dependent on this resource to plan their
activities. It was also emphasized the importance of working on students’ spatial awareness, especially concerning
local issues, filling in the gaps left by the textbook. Finally, it is highlighted that, in the perception of the teachers,
textbooks, like any other teaching resource, can significantly contribute to the development of classes, depending
largely on the how the Geography teacher conducts their class.
Keywords
Basic education; Geography teaching; Textbook.
Resumen
Pensar en el uso del libro de texto de Geografía en el contexto educativo actual es importante y necesario.
Actualmente, surgen discusiones bastante controvertidas en torno al uso de este material, que involucran sus
posibilidades, limitaciones y/o repercusiones para la Educación Geográfica. Así, el foco de este artículo fue
analizar las percepciones de profesoras de Educación Superior, de una universidad pública y otra privada, ubicadas
en Rio Grande do Sul, sobre el uso de libro de texto como recurso en las clases de Geografía. Para ello, se realizó
una revisión bibliográfica, se aplicaron entrevistas y se utilizó un enfoque cualitativo para analizar los resultados.
Se encontró que, en la visión de las docentes, el libro de texto puede ser un recurso muy favorable para la Geografía
Escolar, volviéndose indispensable en muchas realidades escolares, como es el caso de instituciones con
infraestructura precaria. Sin embargo, debe usarse como un medio para potenciar las clases y no como el único
recurso utilizado. Por otro lado, muchos profesores de Geografía necesitan impartir docencia en otro componente
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curricular, lo que hace que muchos de ellos dependan de este recurso para planificar sus actividades. También se
destacó la importancia de trabajar la noción espacial de los estudiantes, especialmente con las cuestiones locales,
supliendo las lagunas del libro. Por último, se destaca que, en la percepción de las docentes, los libros de texto, al
igual que cualquier otro recurso enseñanza, pueden contribuir significativamente al desarrollo de las clases,
dependiendo en gran medida de la forma en que el profesor de Geografía conduce su clase.
Palabras clave
Educación básica; Enseñanza de Geografía; Libro de texto.
Introdução
No século XVII surgiram os primeiros livros didáticos como materiais impressos,
destinados ao processo de ensino-aprendizagem e formação acadêmica. Porém, foi somente em
meados do século XIX que o volume de trabalhos aumentou significativamente nas escolas,
devido ao aprofundamento teórico da época, à sistematização das ciências, inclusive da
Geografia, bem como pelo desenvolvimento do capitalismo na sociedade, mas, sobretudo, pela
difusão da imprensa (Tavares; Cunha, 2011). Ressalta-se, todavia, que os primeiros livros
foram desenvolvidos nos países colonizadores e tinham como foco levar suas visões de mundo
aos povos colonizados (Albuquerque et al., 2021). Hoje, após discussões sobre os livros
didáticos, o processo de produção e confecção deles é muito distinto.
Hodiernamente, Tonini e Goulart (2017) enfatizam que o livro didático tem uma forte
repercussão sobre muitas das práticas pedagógicas brasileiras. É um material utilizado tanto em
instituições educativas públicas como privadas. Assim, torna-se um recurso que abrange
diferentes escalas de tempo e espaço. Por isso, pode-se dizer ainda que o mesmo faz parte da
cultura escolar, dando conteúdo-forma às várias disciplinas que são trabalhadas na Educação
Básica, principalmente como manual de estudo (Azambuja, 2014).
Nesse sentido, ressalta-se que o livro didático de Geografia (e das demais disciplinas)
sempre foi e continua sendo alvo de debates e “[...] questionamentos, se fazendo também assim
um objeto de estudo e pesquisas em diversas áreas do conhecimento” (Firmino; Martins, 2017,
p. 103). Tonini e Goulart (2017, p. 260), no entanto, também enfatizam que o material
elaborado/distribuído em pleno século XXI, mesmo que concorra com tamanhos avanços
tecnológicos, acompanha o desenvolvimento do trabalho pedagógico na Educação Básica.
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Calado (2012, p. 16), a respeito do material, também comenta: esse instrumento metodológico
“[...] ainda é o meio, em muitas escolas, mais viável e mais acessível aos alunos”.
Por se constituir como um veículo portador de valores e ideologias, o livro didático
tende a reproduzir concepções, ideias e preconceitos característicos do contexto histórico em
que foi produzido. Bitencourt (2008, p. 14), referência nas discussões sobre essa temática no
Brasil, o define como uma “complexa teia de relações e representações”. Nesse sentido, torna-
se fundamental a análise desse material, considerando o período histórico, as intencionalidades
e os discursos que o atravessam sobretudo por se tratar de um instrumento praticamente
onipresente nas instituições de ensino brasileiras, como observa Gaudio (2020) (informação
verbal)
6
.
Alain Choppin, renomado professor e pesquisador francês (19482009), considerado
um dos principais historiadores do livro didático, afirmava que “[...] o livro escolar é
primeiramente um objeto, cuja fabricação evolui de acordo com o progresso das técnicas do
livro, das transformações do mundo da edição, dos contextos econômico, político e legislativo”
(Choppin, 1980, apud Bittencourt, 2014, p. 44). Em seus estudos, o autor buscava demonstrar
que, embora o livro didático assuma um caráter ideológico, deve ser compreendido também
como suporte para o trabalho com os conteúdos educativos e como instrumento pedagógico
relevante para a história da educação, da escola, dos alunos e dos professores (Choppin, 1980,
apud Bittencourt, 2014).
O material em análise serve como fonte de orientação e de planejamento para muitos
docentes. Ele “[...] é referência para a maioria das ações pedagógicas, conforme se pode
depreender das falas dos próprios professores ou mesmo da análise dos planos de estudo que
circulam na maioria das escolas.” (Tonini; Goulart, 2017, p. 260). De acordo com os
pesquisadores anteriormente citados, alguns professores se reportam às listas dispostas nos
sumários dos livros didáticos até quando questionados sobre a relevância de determinadas
temáticas a serem trabalhadas em sala de aula. De mesmo modo, atualmente, reforçam-se as
6
GEOGRAFIA Acadêmica, Geografia Escolar e pesquisa em Livros Didáticos. (2020). 1h. e 24 min. Palestrante:
Professora Dr. Rogata Soares Del Gaudio (UFMG). Transmissão do canal Geografia CCM. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=MTZbyt8URKY. Acesso em: 04 out. de 2024.
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discussões em torno da utilização do livro didático de Geografia, de suas limitações e, ao
mesmo tempo, das possibilidades de abordagem.
Destaca-se, por outro lado, que o Programa Nacional do Livro e do Material Didático
7
(PNLD) vem mudando muitos parâmetros referentes a esse recurso e, por vezes, contribuindo
para se ter mais equidade no acesso a certas informações pedagógicas. Isto porque “[...] nesse
Brasil extenso, diverso e desigual são os livros didáticos que chegam a locais onde a internet e
outros materiais impressos não chegam com a mesma facilidade” (Copatti; Santos, 2022, p. 7).
Diante de tais apontamentos, o intento do presente artigo foi analisar a percepção de
professores atuantes no curso de Licenciatura em Geografia do Ensino Superior de uma
instituição de ensino pública e outra privada, localizadas no Município de Santa Maria, Rio
Grande do Sul (RS), a respeito da utilização do livro didático como recurso pedagógico nas
aulas de Geografia na contemporaneidade. Assim sendo, ressalta-se que a pesquisa contribui
para o aprofundamento das discussões da Geografia Escolar, principalmente trazendo
experiências, vivências e pontos de vista de três docentes que trabalham com exceção de uma
delas, recentemente aposentada na área de ensino, em cursos de Graduação e Pós-graduação.
A pesquisa corrobora as discussões que envolvem a formação docente, no diálogo a respeito do
uso do objeto, especialmente do componente curricular Geografia e, dessa forma, também com
os processos de ensino e aprendizagem na contemporaneidade.
Livros Didáticos nas Aulas de Geografia: Embasamento Teórico
O livro didático de Geografia pode ser tanto um instrumento complementar e de apoio,
como se tornar o único dispositivo utilizado pelos docentes (Crescêncio; Azevedo, 2021; Rosa,
2017). O processo educativo, segundo Andrade (2016, p. 113), envolve uma construção
conjunta de saberes, na qual dialogam sujeitos, objetivos, objetos, contextos e materiais
didáticos, que podem ser “[...] entendidos como as ferramentas que auxiliam na eficácia do
processo, sendo o livro didático seu exemplar mais comum e acessível”. No entanto, o autor
coloca que isso não significa que o objeto seja o responsável pelo sucesso ou pelo fracasso das
7
É importante frisar que o PNLD não será objeto de análise deste artigo.
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práticas educativas. Ele é um instrumento, que traz consigo marcas contextuais e características
específicas, que vão desde seus pressupostos teóricos às crenças e métodos, devendo ser
escolhido e utilizado conforme a realidade da escola.
Na visão de Andrade e Storto (2016), o livro utilizado em sala de aula, mesmo que não
seja completo e alcance todas as expectativas do professor e do aluno, é um recurso que pode
ser considerado uma das peças centrais na realidade educacional brasileira. Porém, Verceze e
Silvino (2008) colocam que ele não deve ser considerado como única fonte de conhecimento
disponível para o estudante, mesmo que seja utilizado de maneira correta, pois o professor deve
ter consciência da necessidade de um trabalho diversificado e, para tanto, é preciso buscar, em
outras fontes, informações ou conteúdo que venham a complementar e enriquecer o material.
O conhecimento pode ser dito como infinito. Sendo assim, cabe ao professor
desenvolver atividades, buscar metodologias ativas, e entre outros inúmeros recursos
disponíveis para o aprimoramento de suas aulas. Dessa forma, o livro didático deve ser visto
como um complemento. Deve-se lembrar, também, que ele é um objeto inanimado, não é ele
que retira a autonomia do docente de Geografia. É a metodologia adotada pelo profissional,
com base na sua utilização enquanto único instrumento, que limita o professor, no que diz
respeito aos conteúdos produzidos, as imagens mobilizadas e a forma das atividades. A carga
horária excessiva e a falta de infraestrutura adequada, por exemplo, são fatores que acabam
resultando em maior utilização dos livros didáticos e, dessa forma, acabando interferindo na
docência. Além disso, destaca-se que ainda há locais que, pelas características distintas do país,
o livro é a fonte de consulta e de pesquisa que pode ser utilizada para buscar diversificar o olhar,
na ausência de outras ferramentas, para além do espaço vivido.
A respeito do uso do material em análise nas aulas de Geografia, Tavares e Cunha (2011,
p. 2) levantam outra questão que deve ser pensada: ao nos depararmos com um livro didático
devemos nos perguntar, até que ponto o mesmo é suficiente para a apreensão dos conteúdos
pelos alunos?”. Além do mais, os autores colocam que, infelizmente, alguns livros didáticos
trazem em sua essência os interesses da classe dominante, logo mascarando a real situação em
que estamos vivendo tão quanto a realidade vivenciada pelos alunos” (Tavares; Cunha, 2011,
p. 2). Ou seja, como os livros são elaborados para atender a uma escala nacional, acabam
desconsiderando muitas vezes as peculiaridades locais e as realidades vivenciadas pelos
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estudantes. É importante refletir que os livros têm um local de produção, que representa
espacialmente as abordagens de suas origens, focadas, por exemplo, em autores paulistas, o que
pode trazer visões muito mais alinhadas com o Sudeste do que às outras regiões do Brasil.
Assim, percebe-se que os livros didáticos podem reproduzir, muitas vezes, padrões
estabelecidos, realidades que não convergem com as que os alunos vivenciam ou estão
inseridos. Contudo, questiona-se: por que os livros seriam isentos de uma visão direcionadora
se nenhum material pedagógico ou currículo é? Freire (1989) destacava que não existe
neutralidade pedagógica. Cada contexto e cada realidade precisará descortinar as discussões
contidas no livro, perceber as intencionalidades dos discursos contidos no material de apoio
pedagógico e utilizar o que for relevante e adequado para a sala de aula em questão. Por tal
motivo, a autonomia e a criticidade docente são tão relevantes.
O livro didático de Geografia não é um produto naturalmente estruturado, mas sim
algo histórico, que envolve questões políticas, sociais, ambientais, econômicas e espaciais que,
através da interferência do grande capital. Como todo e qualquer outro produto educacional,
ele acaba privilegiando dados conteúdos, realidades, objetos de estudo. Por isso, o professor
deve sempre analisar, de modo crítico-reflexivo, o que que está sendo (im)posto pelo recurso.
Santos, Costa e Júnior (2019, p. 770) argumentam a respeito da importância do
professor de Geografia para “[...] identificar aspectos ocultados dos livros didáticos e tentar
criar novas metodologias de ensino que tornem possível demonstrar a realidade dos fatos”. Por
meio de uma análise de livros didáticos de Ensino Fundamental de coletâneas distintas, tais
autores apontam que muitos desses materiais reproduzem, em figuras e recortes de textos, uma
visão eurocêntrica do continente africano, fazendo com que seja prorrogado um discurso único,
que enaltece elementos negativos da África, como, a poluição, precariedade e analogias à
escravidão. Assim, nota-se, a partir desse exemplo, a relevância do professor desconstruir essas
visões, que muitas vezes estão presentes nesse objeto.
Caso o docente de Geografia resolva trazer o livro didático para suas aulas, ele precisa
contextualizar e problematizar cada assunto abordado junto com os conhecimentos prévios dos
estudantes, com as suas vivências e/ou experiências. Lembra-se que não adianta realizar um
trabalho organizado, seguindo uma ordem lógica se a finalidade for apenas à reprodução do
conteúdo que está posto, sem a mínima análise crítica ou aproximação deste com os alunos”
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(Tavares; Cunha, 2011, p. 3). Como um profissional pensante, o docente de Geografia não deve
limitar-se à superficialidade muitas vezes presente em alguns livros didáticos. Precisa construir
e desconstruir, muitas vezes, os discursos expostos no material.
Rosa (2017, p. 12) comenta que nem sempre os conteúdos mais importantes serão
abrangidos no livro didático”. Desse modo, compreende-se que ele até pode ser algo que
colabore na escolha dos assuntos que serão abordados nas aulas de Geografia em escala
nacional. No entanto, deve-se lembrar sempre das individualidades do lugar, ou seja, cada
espaço é uma realidade social, econômica, política e ambiental. Por isso, é relevante que o
docente desse componente curricular conduza o aluno a entender as dinâmicas do espaço
geográfico de maneira sistêmica. O profissional precisa ir além da visão generalista que muitos
livros didáticos de Geografia trazem. É preciso aprofundar-se nas discussões, procurando
sempre fazer suas análises juntamente com os alunos das diferentes escalas geográficas, isto é,
que vão do local ao global.
Nesse sentido, Costella (2017) também percebe que muitos dos livros aprovados pelo
PNLD apresentam seus conteúdos sempre da mesma forma, considerando as orientações da
política educacional de produção dos livros. Observa-se que a sua grande maioria apresenta
uma enorme fragmentação do espaço geográfico e uma tênue relação entre os elementos que o
compõem. No entanto, diante de tais problemas, surgem o que a autora chama de “consciência
das entrelinhas”, esse termo expõe que “não há como um professor trabalhar com seus alunos,
de forma a desenvolver potencialidades e reflexões, se obedecer à lógica separatista dos
assuntos didaticamente colocados nos manuais” (Costella, 2017, p. 179). Desse modo, entende-
se que o professor precisa atentar-se para as entrelinhas, que são os processos de aprendizagem,
superando o conteúdo em si e a abordagem simplista dos conceitos geográficos.
É necessário que o professor de Geografia não utilize o objeto em análise como se ele
fosse um “receituário”, sobretudo com o “repasse” de conteúdos e aplicação de atividades
prontas. Copatti, sobre o livro didático, salienta:
[...] nas mãos de um profissional que desenvolve suas potencialidades e emprega seus
conhecimentos sobre/no trabalho docente, tende a contribuir de modo significativo, a
partir de informações diversificadas, contextualizadas, que abrangem diferentes
escalas de análise, uma grande diversidade de linguagens, atividades e propostas de
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interação em sociedade, dentre outras contribuições que traz na contemporaneidade
(Copatti, 2017, p. 174).
Portanto, diante da argumentação da autora, entende-se que um elemento relevante
quando se fala na utilização do livro didático é a autonomia do docente. Diante da qualidade do
material e da maneira como o docente de Geografia trabalha os conteúdos que nesse escrito
estão contidos, é provável que possa ocorrer o desenvolvimento da aprendizagem da maior
parte dos estudantes.
Castrogiovanni e Goulart (1988) são enfáticos ao defenderem que a seleção do livro
didático de Geografia deve ser algo que também passe por um constante debate. Deve-se fazer
permanentes e profundas análises e reflexões a respeito da qualidade do material a ser
escolhido. No Quadro 1 foram expostos alguns critérios e suas explanações que, segundo os
autores supracitados, precisam ser levados em consideração para que essa escolha do livro possa
gerar resultados positivos em sala de aula, e que ela venha a ocorrer de maneira consciente e
satisfatória por parte do docente.
Quadro 1 Critérios e suas explanações para seleção de um bom livro didático de Geografia
Critérios de escolha do livro
didático de Geografia
Explicações dos Critérios
a) Fidedignidade das
Informações
Conceitos específicos, dados, gráficos, ilustrações, mapas, por
exemplo, devem ser fiéis à realidade estudada.
O livro deve tratar das questões sociais, políticas, econômicas e
ambientais de modo mais coerente possível com o que se observa
no espaço geográfico.
b) Estímulo à Criatividade
O material não pode trazer textos e exercícios que passem ideias e
discussões prontas, fechadas e/ou limitadas.
É preciso que o objeto favoreça elementos que estimulem a
observação, interpretação, reflexão e análise do aluno, de maneira
que ele compreenda a relação entre a sociedade e a natureza de
modo crítico, fazendo com que o estudante se perceba como um
agente transformador do espaço.
c) Correta Interpretação
Cartográfica
Os produtos cartográficos devem ser apresentados de maneira
clara, exata e de qualidade. Os mapas precisam ser adequados ao
nível de escolaridade dos alunos.
d) Uma Abordagem que
Valorize a Realidade
É necessário que o material oportunize a reformulação de ideias,
conceitos e discussões já realizadas anteriormente a partir da
realidade, do quotidiano do aluno e do professor.
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A partir disso, eles poderão associar as suas visões, experiências
e/ou vivências, colaborando com o desenvolvimento da Geografia
enquanto uma ciência engajada com a transformação do mundo,
em suas diferentes escalas de aplicabilidade.
e) O enfoque do Espaço
Geográfico como uma
Totalidade
O instrumento deve ser construído de maneira que aluno e
professor compreendam as diferentes dinâmicas espaciais, sociais,
econômicas, enfim, de maneira sistêmica.
Fonte: Sistematizado de Castrogiovanni e Goulart (1988, p. 18-19). Organização: Dos autores (2023).
Desse modo, percebe-se que, no Quadro 1, elementos que devem fazer parte da
constituição do livro didático de Geografia. No entanto, Castrogiovanni e Goulart (1988, p. 20)
deixam bem claro que “[...] um livro didático perfeito, onde todos os aspectos mencionados
estejam de acordo com as maiores exigências, não existe. Assim sendo, afirma-se que, além
da responsabilidade do PNLD na elaboração e promoção de materiais didáticos que atendam às
demandas do professor e do próprio componente curricular, o docente de Geografia precisa
sempre buscar outros recursos didático-pedagógicos para suprir as deficiências que o livro
apresenta. A maneira como o docente conduzirá suas aulas também é algo que precisa ser
considerado dentro desse processo. É ele que faz da sua aula interessante ou não, construtiva
ou uma mera reprodução de conteúdo.
Tonini e Goulart (2017, p. 264) comentam que desenvolver práticas pedagógicas
utilizando o livro didático de Geografia requer que o docente ultrapasse a “[...] homogeneidade
dos processos, dos conceitos e das representações e inclua os devires que atravessam a vida de
nossos estudantes [...]”. O papel do professor é justamente atentar-se para as singularidades e
complexidades do mundo. Quem decide se utiliza ou não o objeto em análise é o professor de
Geografia. Independente da escolha que ele fizer, é necessário sempre fazer com que a sua
autonomia prevaleça.
Percurso Metodológico
Para alcançar o objetivo deste artigo, fez-se a utilização da revisão bibliográfica, da
pesquisa de campo, virtual e presencial e da abordagem qualitativa para a análise e discussão
Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
BRINCO, Lucian Armindo da Silva; BATISTA, Natália Lampert; WERLANG, Mauro Kumpfer; Ben, Franciele Delevati; MORO, Caroline.
Um estudo de caso sobre as percepções de docentes do Ensino Superior de Santa Maria/RS sobre a utilização do livro didático de Geografia
na contemporaneidade. Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 10, nº 23, e102325, 2025.
Submissão em: 11/01/2024. Aceito em: 01/07/2025.
ISSN: 2316-8544
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dos resultados obtidos. Através do uso de entrevistas semiestruturadas
8
, ou seja, que se
caracterizam pela presença de questões fechadas e abertas (Lima; Moreira, 2015; Matos;
Pêssoa, 2013), foi possível que o trabalho trouxesse a percepção de 3 (três) docentes de
Geografia que lecionam ou trabalharam em instituições públicas e privadas de Ensino
Superior do Estado do RS. As perguntas feitas para as docentes de Geografia foram expostas
no Quadro 2, sendo que, nas quatro primeiras, procurou-se traçar um perfil dos entrevistados e,
nas quatro últimas, buscou-se discutir sobre as percepções e experiências e vivências das
professoras em relação ao uso do livro didático de Geografia.
Quadro 2 Questões realizadas nas entrevistas
Para traçar um perfil:
1) Quantos anos de carreira docente você
possui?
2) Já trabalhou na Educação Básica?
Quantos anos? Quais os lugares que já
trabalhou?
3) Quais as experiências que possui em
relação ao ensino de Geografia?
orientação de estágios, TCCs e
dissertações, supervisão de aulas,
disciplinas que trabalhou no Curso de
Geografia, por exemplo, etc.
4) Qual a sua formação acadêmica?
Fonte: Entrevistas com as docentes (2022). Organização: Dos autores (2023).
Escolher professores universitários que lecionaram ou ainda trabalham na educação
básica, que desenvolvem disciplinas da área de ensino, que orientam estágios supervisionados
e/ou que participam do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) e/ou
no Programa Residência Pedagógica (RP) nos Cursos de Geografia (Licenciatura Plena) foram
os critérios levantados para escolha dos participantes. Além disso, foram 2 (duas) docentes de
Geografia de uma universidade pública e 1 (uma) professora aposentada do mesmo nível de
ensino que aceitaram participar do estudo. Os docentes foram escolhidos arbitrariamente, por
8
As entrevistas foram concedidas nos dias 17 e 18 de outubro de 2022, na cidade de Santa Maria.
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terem histórico de produções e de orientações envolvendo livros didáticos, por terem trabalhado
na seleção de livros didáticos escolares e por se tratar de um estudo de caso. Vale ressaltar que
uma docente da instituição pública, assim como a docente da instituição privada lecionaram na
Educação Básica e participaram de seleções de livros didáticos escolares.
Vale lembrar que, como as entrevistas semiestruturadas geralmente permitem
discussões e respostas mais extensas em torno do objeto de estudo, sendo apropriadas para uma
amostra pequena de indivíduos (Santos, 2020), o que justifica o número de professores
escolhidos para participarem do presente estudo de caso. As entrevistas também foram
realizadas de modo presencial com as 2 professoras da universidade pública e com a docente
da instituição privada fez-se através de reuniões pelo Google Meet. Além do exposto, ressalta-
se que na parte de discussões dos resultados foi preservada a identidade dos respondentes,
tratando-os, ao longo do texto, por pseudônimos (professora A, professora B e professora C).
Resultados e Discussão
Sujeitos da Pesquisa
A primeira docente de Geografia (professora A) que aceitou participar da entrevista é
aposentada. Ela tem experiência tanto na Educação Básica como no Ensino Superior. A
professora A trabalhou, primeiramente, em uma universidade privada, no curso de Agronomia,
lecionado 4 (quatro anos) e depois ingressando na Geografia em outra instituição de ensino
privado, aposentou-se no ano de 2021. Além disso, a educadora comentou a respeito da
importância que foi para ela manter a atuação docente de forma concomitante o Ensino Superior
e a Educação Básica, enriquecendo sua formação de profissional da educação, adquirindo
vivências nas diferentes modalidades de ensino.
A segunda docente entrevistada (professora B) lecionou apenas no Ensino Superior.
Segundo ela, nunca trabalhou na Educação Básica, mas aplica projetos e orienta estágio nas
escolas. Ela tem 4 (quatro) anos e meio de magistério. No momento da entrevista, ela lecionava
em uma disciplina presencial e outra pela Educação à Distância, lembrando que a profissional
também orienta os trabalhos de conclusão de curso e os estágios supervisionados. Essa docente
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trabalha com disciplinas, dentro do curso de Licenciatura Plena, que são diretamente ligadas à
Educação Geográfica, cujos nomes foram omitidos para preservar a participante.
A terceira docente (professora C) ministrou aulas na Educação Básica do sexto ao
nono ano, trabalhando neste nível de ensino por 4 anos. No entanto, atualmente trabalha apenas
com o Ensino Superior. Suas pesquisas centram-se nas discussões do ensino de Geografia,
formação docente e cartografia escolar. Atua tanto na graduação em Geografia (Licenciatura
Plena) presencial como na Educação à Distância e nos mestrados acadêmicos em Geografia e
profissional de ensino de Geografia.
O Quadro 3 expõe o perfil dos professores entrevistados. A estrutura apresenta o tempo
de magistério, as horas semanais em sala de aula, níveis de ensino que tais docentes
trabalharam e a formação acadêmica deles.
Quadro 3 Perfil dos Docentes das Universidades que aceitaram participar das entrevistas
Fonte: Entrevistas com as docentes (2022). Organização: Dos autores (2023).
Desse modo, observa-se, no Quadro 3, que o presente trabalho abordará, no próximo
tópico, as visões a respeito do livro didático de Geografia de uma professora que é aposentada
(Professora A) e duas docentes que iniciaram a carreira no ensino superior mais recentemente
(Professora B e Professora C). Além disso, nota-se que, das três docentes universitárias, apenas
a Professora B não chegou a trabalhar na Educação Básica, sendo que todas elas também são
Licenciadas em Geografia.
Tempo de
Magistério
Horas
Semanais em
Sala de aulas
Níveis de Ensino
que já atuou ou
trabalha
Formação Acadêmica
Professora A
Aposentada
(25 anos)
Aposentada
Educação Básica
(Ensino
Fundamental) e
Ensino Superior
Licenciada em
Geografia, Bacharela em
Geografia e Especialista
em Interpretação de
Imagens Orbitais.
Professora B
4 anos e meio
8 horas
Ensino Superior
Bacharela, Licenciada,
Mestra e Doutora em
Geografia
Professora C
2 anos
12 horas
Educação Básica
(Ensino
Fundamental) e
Ensino Superior
Licenciada, Mestra e
Doutora em Geografia.
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O uso do Livro Didático de Geografia de acordo com as percepções de docentes universitárias
Diante das visões que os teóricos apresentam em relação ao uso do livro didático de
Geografia em sala de aula, torna-se importante ampliar as discussões acerca da utilização desse
material na contemporaneidade, ainda mais diante dos avanços das geotecnologias, que podem,
de certa forma, “competir” com esse recurso que vem desde o século XVII. Nesse sentido,
na busca por saber qual a percepção que os docentes de Geografia de duas universidades
situadas no estado do RS apresentam a respeito do uso desse objeto, averiguou-se, através das
entrevistas, que a professora A nunca o utilizou quando lecionava nas graduações dos cursos
de Geografia. Não trabalhava com disciplinas que fossem exclusivas da área de ensino, e, por
isso, acabou não usando-o. No entanto, a profissional ressaltou que sempre foi adepta ao
material, uma vez que o utilizava muito na Educação Básica.
Segundo a professora B, o que ela falava mais em sala de aula era a relação do livro
didático de Geografia e a questão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC),
principalmente na disciplina de Cartografia Escolar. Dentro do projeto que ela tem com os
acadêmicos do curso de Geografia (Licenciatura), faz o levantamento dos livros didáticos para
saber o que é abordado sobre Educação Polar nesse material. Essa busca, de acordo com a
docente, envolve livros do Ensino Fundamental e Ensino Médio para saber o que é trabalhado
a respeito dessa problemática, sobretudo a respeito de temas que envolvem a Antártida.
A professora B ressaltou que ela apoiou a utilização do livro nas aulas Geografia
durante um estágio supervisionado, pois a docente regente da disciplina, do Ensino
Fundamental, trabalhava e destacava a importância dele. A professora B e sua estagiária
acabaram aderindo-o, mas sempre buscam trazer novas atividades para aproximar os alunos do
espaço vivido. O livro é muito generalista, mas é sempre importante que o professor encontre
um meio de aproximar com o estudo do lugar, explicou a docente. Assim, nota-se que a
profissional destacou a importância de se trabalhar com uma categoria de análise muito
pertinente para a Educação Geográfica, tal como ressaltam Callai (2013) e Robaina e Menezes
(2015), que é a de lugar.
Esse entrelaçamento entre o material e o conhecimento prévio do aluno corrobora na
expansão da abordagem do livro didático e valoriza o saber que o aluno carrega consigo nas
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aulas de Geografia. Isso também vai ao encontro do que destacam Tonini e Goulart (2017, p.
262): “É fundamental que as singularidades dos cotidianos, vividas pelos estudantes, sejam
contempladas nas propostas de ensinar/aprender Geografia”, de modo que tal conhecimento
seja explorado e articulado com cada tema que o livro de Geografia traz.
Nesse sentido, no entender da professora A, o livro didático é um recurso didático-
pedagógico fundamental no processo de ensino e aprendizagem. Ao aprofundar a discussão, ela
coloca: “Eu até diria, mas isso é uma opinião minha, que ele é insubstituível”. Na sua visão,
podem ter outros materiais muito importantes e que trazem facilidades, como é o caso das
tecnologias na educação. Entretanto, substituir o recurso, seja ele impresso ou digital, não é
possível. Ela considera o livro didático um excelente material e utilizava-o frequentemente.
Destacou que a primeira escola que trabalhou tinha e tem até hoje um material didático de
qualidade, que a equipe da instituição organizava, disponibilizando-o para o professor. Nesse
local, o recurso era pensado por semestre e por conteúdo. Assim, vale destacar que os
materiais apontados pela docente tratam-se de recursos disponíveis no âmbito privado, que
fogem dos processos avaliativos e das normas do Estado. Portanto, entende-se que materiais de
circulação nacional apresentam outras características.
A professora C destacou que utilizou o objeto como material de apoio quando atuava
na educação básica, mas trazendo-o sempre como mais um recurso disponível e não como
roteiro de aulas. Assim, reconhece que o livro tem papel importante e mesmo indispensável,
especialmente em escolas com infraestruturas precárias, sendo, em muitos casos, o único
recurso disponível para a ilustração de conteúdo. Com isso, nota-se que a argumentação da
docente vai ao encontro do que Castrogiovanni e Goulart (1988) apontam: Diante de muitas
condições de trabalho que o professor de Geografia enfrenta, o livro didático torna-se um
instrumento indispensável. Além disso, ressalta-se que, assim como a docente entrevistada, os
autores também comentam que o recurso deve “[...] ser utilizado apenas como um dos materiais
entre tantos disponíveis” (Castrogiovanni; Goulart, 1988, p. 17).
Nessa perspectiva, a professora C também salientou que o recurso didático da análise
do presente artigo pode ser bastante útil, na visão dela, desde que utilizado adequadamente
pelos docentes. No Ensino Superior, a docente busca trazer essas discussões para suas
disciplinas voltadas ao ensino, bem como promover análises de livros didáticos e de políticas
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curriculares recentes (Andreis; Copatti, 2022), especialmente, sobre a BNCC e seus impactos
na escola e na produção dos recursos didáticos escolares, como os livros didáticos. Muitas
questões pedagógicas mudaram com a Base e, por vezes, os livros colaboram com a articulação
dos conhecimentos geográficos e curriculares. Todavia, é indispensável que outras
metodologias de ensino e recursos didáticos se façam presente para não dar um olhar de vertente
única às discussões geográficas, destacou a Professora C.
Outra questão importante, conforme a professora A menciona, é que o docente de
Geografia deve fazer uma adaptação regional, porque o livro didático é pensado para todo o
Brasil. Porém, é relevante o entendimento de que o fato do recurso ser desenvolvido para todo
o país, de certa forma, facilita para famílias que se transferem de um lugar para outro. Na
interpretação dela, a criança que sai do estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, e vai para
São Paulo encontra nesse território o mesmo conteúdo apresentado no objeto. Além do mais,
destacou a importância dos professores fazerem as adaptações locais. A docente salientou que
é importante estudar as questões globais e como elas se manifestam no lugar. E daí para
perceber como o professor entra para fazer as adaptações”. Por isso, ressaltou que sempre viu
o livro como um instrumento indispensável e que os resultados de cada aula são frutos de como
o professor acaba fazendo tais mediações no processo de ensino e aprendizagem. A professora
C também traz essa questão e destacou que os conteúdos do livro são uma abordagem mais
genérica e globalizada, justamente por serem pensados para todo o território nacional. Por esse
motivo, “o ensino não pode parar no livro didático, precisa ir além e conciliar, caso se adote o
livro, suas abordagens como outras ferramentas e com as realidades específicas de cada escola”,
sinalizou a última docente.
A professora B também ressaltou que a carga horária alta do professor, de seu trabalho
docente, na Educação Básica deve ser pensada. O livro didático é bastante usado e importante
diante do tempo disponível para que os profissionais desenvolvam suas aulas, pois acaba sendo
uma boa opção para auxiliar no planejamento, mas que também não pode se tornar o único
material utilizado. Desse modo, percebe-se que o relato da professora reafirma o que Mota
(2015) aponta: existe uma forte relação entre a carga horária dos docentes e a maior
dependência do livro didático. A falta de tempo dos profissionais faz com que muitos utilizem
apenas tal recurso, deixando de construírem novas propostas e sequências didáticas. Assim,
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nota-se, através do que foi exposto, que o tempo de trabalho docente deve ser problematizado.
Embora os docentes sejam responsáveis pelas suas aulas, buscando estratégias e ferramentas
para a sala de aula, não se pode negar que a alta carga horária que muitos profissionais
enfrentam de fato pode comprometer o desenvolvimento de suas práticas.
Segundo a professora B, os livros didáticos que eles analisaram trazem conteúdos
relevantes, contextualizados, com indicações de filmes, que mostram avanços na maneira de
trabalhar a Geografia. Destaca-se, todavia, que o respeito ao tempo adequado de planejamento
escolar pressupõe práticas pedagógicas mais adequadas e um uso do livro mais coerente com
cada realidade, como fonte de consulta e não receituário. A professora C acrescenta que “corre-
se o risco de uma padronização e de um ensino prescritivo, caso adotemos um livro didático
como a única fonte de planejamento. Para finalizar a sua fala, ela colocou:
Todavia, isso acontece, muitas vezes, pela falta de condições adequadas de trabalho e
planejamento docente ou, ainda, por uma falaciosa busca e pressão por um ensino sem
qualquer ideologia, isto é, pautado apenas no discurso contido no livro e sem qualquer
análise crítica.
Um relato significativo que a professora A também trouxe foi que no período em que
ela trabalhou na rede de ensino estadual, quando começou a lecionar na década de 1990, havia
naquela época um Governo Federal que era contra o livro didático, que correspondeu ao
mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (Governo FHC). Assim, esse momento
foi, na compreensão da docente, um período bastante difícil para os professores, dada a
precariedade de muitas instituições de ensino do país, principalmente para as escolas de
periferia, como era o caso de uma instituição que ela lecionava. A esse respeito, a professora A
salientou: “Imagina o que é não ter um atlas para trabalhar uma aula de Geografia e agora a
falta do livro didático também. Eu dava aula no ano e era muito difícil trabalhar assim”. A
entrevistada comentou que não era proibido o professor utilizar o recurso em sala de aula, mas,
diante das condições econômicas dos alunos, ele era algo relativamente caro.
Perante o cenário político da época, a professora A ressaltou que ocorreram
mobilizações, através de campanhas das escolas, que permitiram que as instituições
adquirissem alguns livros didáticos de Geografia. Contudo, a escola estipulava que fossem
feitas cópias do material, deixando o livro didático sem sentido para o aluno, uma vez que as
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reproduções eram no formato preto e branco. Para tanto, a profissional entrevistada comentou
que quando terminou aquele período e o objeto apareceu novamente, os docentes começaram a
receber muitos livros. Os professores recebiam, em um primeiro momento, os materiais de
várias editoras e, nesse caso, eles escolhiam o livro didático que iriam trabalhar. Sobre isso, ela
sinalizou: “Na nossa escola, os professores se reuniam, debatendo em busca de se chegar ao
senso comum, escolhendo um mesmo material”. Em sua percepção, tal processo foi
democrático e muito benéfico para a educação. Além do professor de Geografia ter acesso antes,
podia ler, sugerir ideias para o livro. Em face disso, ela salientou:
Isso me libertou muito e trouxe muita coisa legal, que eu notei depois em sala de aula.
Vinham os livros para a escola e ela distribuía para o aluno. Então, o aluno tinha o
mesmo material que eu tinha, sendo colorido e cheio de mapas, de sugestões
atividades e até de filmes.
Desse modo, o livro didático de Geografia, no entendimento da professora A, tem uma
função enorme, tanto para o professor, que tem um direcionamento pedagógico não que ele
trabalhar aquilo, mas ele tem um delineador e para o aluno, que conseguem melhorar
muito as suas capacidades de compreensão. Ela salientou que o avanço dos alunos é decorrente
de quando os docentes começaram a utilizar o recurso após o Governo FHC. Segundo a
educadora, o uso desse instrumento aprimorou a habilidade de interpretar, aprender e reter o
conhecimento. A docente entrevistada salienta que eles observavam o mapa e, finalmente,
conseguiam se localizar, o que antes era um processo muito difícil.
Na visão da professora B, uma outra questão a se pensar é que o docente de Geografia
muitas vezes precisa dar aula de História, sendo que, devido a sua falta de conhecimento na
área, acaba recorrendo ao livro didático para se embasar. Nesse caso, segundo ela, o livro é um
recurso viável, mas o problema é que os professores acabaram utilizando apenas esse material,
principalmente devido ao tempo que desfrutam para fazerem o planejamento de suas aulas e
buscar conteúdo em uma disciplina no qual eles não são graduados. Isso, de acordo com a
docente entrevistada, é uma realidade muito presente nas escolas.
Sendo assim, nota-se que a professora B sinalizou outra questão importante: Muitas
vezes os docentes se restrinjam apenas ao livro didático de Geografia, justamente por atuar em
um componente curricular que não é de sua formação. Alves (2019) comenta que esse é um
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grande entrave para muitas instituições de ensino do Brasil, pois afeta diretamente a
aprendizagem dos estudantes e compromete o trabalho docente, desqualificando-o.
A professora A, ao falar sobre o livro didático, também comentou que nunca fez
nenhuma pesquisa a respeito do recurso envolvendo a sua importância e/ou o impacto dele.
Tudo o que ela relata é devido às suas vivências, por uma certa luta para recuperar o material.
Afirmou que, na verdade, não orientou muitos estágios supervisionados, visto que, era outra
colega que fazia isso e que, por sinal, estimulava a utilização do objeto na Educação Básica.
Entretanto, a docente comentou: “A minha colega trabalhava bastante com o livro didático, mas
sempre como um instrumento e não como o comandante”. Na compreensão da professora A, o
professor é sempre quem conduz o processo de ensino e aprendizagem, sendo que o livro vai
apenas auxiliá-lo.
Uma experiência interessante da Professora A é que ela acompanhava os relatórios dos
estágios a cada final de semestre no curso de Geografia, tendo um panorama de como se dava
o uso do material. Nesse caso, o primeiro passo que os estagiários deveriam seguir, conforme
estipulava o curso, era de que os acadêmicos precisavam ter o contato com o professor regente
e acompanhar uma ou duas de suas aulas. Após essas intervenções, o graduando deveria dar
sequência à proposta do docente. Com isso, o estagiário acabava usando o livro didático que já
era utilizado pelo professor. Outro ponto importante que era levantado e estimulado junto com
a utilização do recurso nas aulas de Geografia, era de que os acadêmicos elaborassem diferentes
dinâmicas em função dos conteúdos, trazendo práticas mais lúdicas.
Os ganhos na utilização do livro didático de Geografia, conforme expõe a professora
A, é justamente o potencial que ele apresenta para aprimorar as habilidades dos alunos. Ele
chama a atenção do estudante, desenvolvendo sua curiosidade. Todos os livros didáticos
também, na visão da docente, desenvolvem os valores éticos. Nesse sentido, a docente
comentou: “De acordo com os dados disponibilizados pelo livro, de diferentes lugares, eles
conseguem contrapor as informações e fazer uma leitura social das diferentes realidades”. O
professor consegue desenvolver no aluno uma leitura local, de outro país e global. Além disso,
o docente e os discentes muitas vezes não possuem a oportunidade de viajar, mas, por meio do
livro, conhecem a realidade social dos demais lugares, e isso é um mérito do livro, afirmou a
professora A. Ela ainda sinalizou que, sem dúvida, a internet tem muito material de estudo, mas
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o livro didático traz tudo delineado, possibilitando que se abra um leque de discussões em sala
de aula. Para o professor de Geografia, existe um ganho muito importante que são as várias
ideias e propostas que o material levanta. O docente possui um fio condutor, por meio do livro,
do que trabalhar e desenvolver naquele período.
No que se trata de pontos positivos da utilização do livro didático de Geografia, a
professora B enfatizou que ele é um recurso que faz uma síntese dos conteúdos abordados pela
Geografia para os alunos. A docente colocou: “Eu não sou contra a utilização de forma alguma.
Eu acho que dentro dos 50 minutos de aula que o professor tem, ele é um material que o
professor tem acesso e que vai chegar até o aluno de forma resumida e isso é bastante útil”. Por
outro lado, tem que tomar cuidado com a generalização do material. Deve-se pensar a maneira
que, enquanto docente, trabalhar-secom as questões do Brasil, do RS, do município, enfim.
É importante desenvolver essa espacialidade, que vá desde o local até o global e vice-versa. Na
visão da professora, a vantagem do livro é que também é um material que vem pronto. Por isso,
o professor e o aluno devem sempre ser desafiados a desenvolver práticas novas. Ela comentou
que viu livros que estimulam o aluno a fazer gráficos, esquemas, mapas conceituais, mas é
sempre fundamental que o professor pense em novas estratégias. Nas palavras dela, o livro
não é o fim, mas sim o meio. É uma base para o professor da Educação Básica”. Ela também
exs: “O importante é escolher o livro certo. Quando eles surgem no começo do ano, os
professores precisam ter a visão crítica para optar pelo melhor livro”.
Por fim, ressalta-se que a professora A considera que o livro didático apenas é um
“mal” recurso quando ele não é devidamente explorado pelo professor de Geografia. Sobre tal
fato, a docente explica: “Ele, em si, é bom. No entanto, se o livro é utilizado por um professor
preguiçoso, que não explora os conteúdos, aí falta uma engrenagem para o processo de
aprendizagem”. Além disso, pode ocorrer uma escolha errada do objeto, mas isso também não
é um problema do docente. A professora A alerta:
Posso dizer que nunca encontrei um livro ruim, só livros que se encaixassem melhor
com os temas emergentes, temas locais e outros não. A única parte ruim do livro é
quando ele é mal-usado, mas é importante lembrar que isso ocorre com qualquer
recurso de ensino.
Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
BRINCO, Lucian Armindo da Silva; BATISTA, Natália Lampert; WERLANG, Mauro Kumpfer; Ben, Franciele Delevati; MORO, Caroline.
Um estudo de caso sobre as percepções de docentes do Ensino Superior de Santa Maria/RS sobre a utilização do livro didático de Geografia
na contemporaneidade. Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 10, nº 23, e102325, 2025.
Submissão em: 11/01/2024. Aceito em: 01/07/2025.
ISSN: 2316-8544
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Ela também apontou, por último, que o único problema que percebe no material é que
alguns deles exageravam nos conteúdos relativos à Geografia Humana, deixando de lado um
pouco a parte física. Existe a necessidade de que os conteúdos sejam apresentados de maneira
igualitária.
Sendo assim, percebe-se que as três docentes são favoráveis a utilização do livro
didático de Geografia. No entanto, apontaram que o professor desse componente curricular não
deve se restringir apenas ao uso de tal material, pois o docente precisa ter autonomia e explorar
as várias possibilidades de análise, interpretação e/ou intervenção, usufruindo do mesmo e de
outros tantos meios e recursos que dinamizam o processo de ensino e aprendizagem. Assim,
através dos argumentos das docentes, nota-se que a postura teórica-metodológica que o
professor de Geografia assume, como afirmam Silva e Araújo (2022), deve ser sempre
considerada quando o assunto é o uso do livro didático. O profissional precisa ter a “[...] clareza
sobre quais concepções teóricas e metodológicas devem nortear o seu fazer pedagógico [...]”
(Silva; Araújo, 2022, p. 36), pois isso implicará, direta ou indiretamente, no retorno, em termos
de aprendizagem dos alunos, de qualquer material que utilizar em sala de aula.
Além disso, nota-se que as percepções da professora A, professora B e professora C
corroboram com o diálogo de Tavares e Cunha (2011), da qual apontam que diante dos vários
recursos disponíveis para a prática docente em Geografia, o livro didático surge como um
referencial, sendo um instrumento fundamental, ou mesmo, indispensável para muitas
instituições e realidades, auxiliando na construção das práticas pedagógicas, mas também
devendo ser empregado como um complemento, diante de tantas outras ferramentas. A visão
das professoras também mostra que o livro didático de Geografia não deve e nem pode ser o
epicentro do processo educativo, tal como afirma Santos (2017). Ele pode servir como ponto
de partida para as infinitas discussões dos temas trabalhados pela Geografia Escolar.
Considerações Finais
Em virtude do exposto, nota-se que o livro didático de Geografia, na visão das três
docentes do Ensino Superior entrevistadas, é um recurso que pode contribuir significativamente
para aulas desse componente curricular, sendo até mesmo indispensável para muitas realidades
escolares. Na percepção das docentes, o livro é um importante instrumento de aprendizagem,
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na contemporaneidade. Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 10, nº 23, e102325, 2025.
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mas que deve também ser utilizado como um recurso para potencializar o processo de ensino e
aprendizagem e não de modo que o professor o utilize como sendo o único material, ainda mais
diante das várias possibilidades de intervenção nas aulas de Geografia.
Por ser um material que geralmente traz várias figuras, mapas, gráficos e sugestões de
atividades, o livro se torna um recurso imprescindível, sobretudo para muitas instituições de
ensino periféricas. Tal recurso, conforme foi relatado pelas professoras A e C, muitas vezes é o
único recurso disponível para ilustrar os conteúdos geográficos, o que faz dele um objeto
fundamental, ainda mais para um componente curricular que trabalha bastante com o sentido
da visão para a compreensão dos conteúdos, como é o caso da Geografia.
Outro desafio, de acordo com a professora B, é que existem muitos docentes que
precisam lecionar em componentes curriculares que não são de sua formação, fazendo com que
muitos fiquem dependentes do livro didático de Geografia. Assim, existe a necessidade de
pensar nessa questão, pois é uma realidade que abrange todo o país. Só o fato de um professor
formado em Geografia precisar lecionar o componente História, por exemplo, é algo que
precisa ser refletido. Quando isso também está atrelado ao uso desse recurso, no caso da
dependência do profissional para desenvolver seus planejamentos com base no mesmo, é
uma questão que precisa ser urgentemente debatida e repensada.
A carga horária alta do docente em sala de aula também é um problema que, mesmo em
pleno século XXI, foi resgatado pelas docentes entrevistadas. Muitos professores, pelas
condições de trabalho que enfrentam, pela falta de tempo para planejarem suas aulas, acabam
restringindo-se apenas ao uso desse material. Com isso, ressalta-se, mais uma vez, a
responsabilidade do professor na construção de suas aulas, mas também é preciso lembrar que
tais profissionais precisam de condições adequadas de trabalho, para que melhor possam
desenvolver cada aula de Geografia, ainda mais diante das várias demandas da escola.
Um aspecto relevante também foi levantado pela professora A sobre o uso do livro
didático de Geografia: existe a necessidade que o recurso distribua melhor os temas debatidos,
não focando apenas na Geografia Humana. A docente ainda expôs a dificuldade que foi ficar
sem esse recurso durante o Governo FHC para trabalhar com uma realidade escolar que
apresentava uma infraestrutura bastante precária. Por isso, a fala dela expressou uma luta pela
garantia desse recurso.
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Tanto a professora B como a professora C, que são as profissionais que no momento
estão em atuação no Ensino Superior em universidades públicas, discutem a respeito do uso do
livro didático nas disciplinas que lecionam do curso de Geografia (Licenciatura Plena). O
debate, segundo elas, envolve principalmente a BNCC e as suas repercussões na produção desse
recurso didático.
Uma questão também levantada pelas docentes entrevistadas foi a respeito do professor
fazer as adaptações regionais e locais para cada conteúdo geográfico trabalhado, desenvolvendo
o raciocínio espacial nos alunos e de forma que cada abordagem valorize o conhecimento prévio
dos estudantes. Sabe-se que o livro não consegue trazer as inúmeras questões locais, justamente
por ser um material pensado para o território nacional, sendo que a quantidade de municípios
que existem em um país como o Brasil impossibilita mais ainda que os infinitos aspectos de
cada local sejam abordados pelo recurso. Existem dificuldades até mesmo do material abranger
as questões na escala regional, principalmente devido à quantidade de temas abordados pela
Geografia Escolar e pelo número de páginas do livro.
Por isso, destaca-se que o conhecimento, propriamente dito, é algo infinito, sendo
que, quando é pensado nas diferentes escalas geográficas, torna-se ainda mais complexo. Assim
sendo, compreende-se que, segundo as professoras que aceitaram participar do estudo, o
profissional docente é o responsável por sua aula.
O educador pode basear-se no livro didático de Geografia, de modo que ele seja um
complemento para cada aula e que o professor sempre atue de forma autônoma dentro do
processo educativo. Além do mais, deve-se pensar que os autores e organizadores desse
material possuem uma responsabilidade inegável na escrita, elaboração e/ou confecção do livro,
assim como o PNLD na avaliação do recurso. No entanto, também é sempre importante lembrar
o papel do professor frente ao uso dele, procurando aprofundar os temas, trabalhando e/ou
articulando-os com o estudo do lugar, com diferentes metodologias de ensino para a Geografia
e pensando na construção de sequências didáticas condizentes, significativas e de qualidade.
Por fim, considera-se que, nas visões das docentes, o livro didático de Geografia, é,
independente da época, relevante, tal como para contemporaneidade. Diante de tamanhas
transformações sociais, de outros recursos didáticos-pedagógicos e da atual conjuntura de
educação, ele se consolida dentro do processo de ensino e aprendizagem.
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