Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
Abreu, Edson de Jesus. Espacial ou socioespacial? relações espaço-sociedade no processo de renovação da Geografia. Ensaios de Geografia.
Niterói, vol. 12, nº 26, e122602, 2026.
Submissão em: 25/03/2025. Aceito em: 23/01/2026.
ISSN: 2316-8544
Este trabalho está licenciado com uma licença Creative Commons
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SEÇÃO ARTIGOS
Espacial ou socioespacial?:
relações espaço-sociedade no processo de renovação da Geografia
Spatial or sociospatial?:
space-society relations in the critical renewal of Geography
¿Espacial o socioespacial?:
relaciones espacio-sociedad en el proceso de renovación de la Geografía
DOI: https://doi.org/10.22409/t5kjmx50
Edson de Jesus Abreu
1
Universidade Federal da Bahia (UFBA),
Bahia, Brasil
e-mail: edsonabreu11@gmail.com
Resumo
Este ensaio tem por objetivo discutir o modo como os diferentes conceitos de espaço, surgidos da renovação crítica
da Geografia, incorporam a sociedade em sua interpretação da realidade, a partir da noção de “tradução”
apresentada por Milton Santos (1996). Para isso, em um primeiro momento, realizou-se uma discussão sobre
questões relacionadas aos conceitos utilizados na disciplina. Em um segundo momento, foi realizado um breve
histórico do uso e importância do conceito de espaço na Geografia. A seguir, foram analisados diferentes processos
de “tradução conceitual” realizados ao longo deste último período da Geografia que se iniciou com a Renovação.
É possível perceber, assim, que um descompasso entre o que se entende por espacial em conceitos como
“formação socioespacial” ou “diferenciação sócio-espacial” e o que alguns dos próprios autores que os utilizam
definem como espaço ou espacial, reduzindo o espaço a mero espaço físico e diminuindo, com isso, o seu poder
explicativo.
Palavras-chave
Tradução conceitual; Renovação crítica da Geografia; Espaço; Sociedade
1
Licenciado e bacharel em Geografia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mestrando em Geografia pela
UFBA
.
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Abstract
This essay aims to discuss the way in which the different concepts of space, that were created after critical
renovation of geography, incorporate society in their interpretation of reality, following the notion of “translation”
presented by Milton Santos (1996) to do so. To do so, at first a discussion was made about the questions related to
the concepts used in the discipline. Secondly, a brief history of the use and importance of the concept of space in
geography was made. Later, we analyzed different processes of “conceptual translation” made in the course of this
last period of geography that started at the Renovation. With that, it is possible to see that there is an inconsistency
between what is understood as spatial in concepts such as “sociospatial formation” and “socio-spatial
differentiation”, and what some of the authors that use them define as space or spatial, diminishing the space to
mere physical space and, with that, its explicative capacity.
Keywords
Conceptual translation; Critical renovation of geography; Space; Society
Resumen
Este ensayo pretende discutir cómo diferentes concepciones del espacio, surgidas a partir de la renovación crítica
de la geografía, incorporan a la sociedad en su interpretación de la realidad, a partir de la noción de “traducción”
presentada por Milton Santos (1996). Para ello, inicialmente se realizó una discusión sobre temas relacionados con
los conceptos utilizados en la disciplina. En segundo lugar, se proporcionó una breve historia del uso y la
importancia del concepto de espacio en geografía. A continuación, se analizaron diferentes procesos de “traducción
conceptual” llevados a cabo a lo largo de este último período de la geografía iniciado con la Renovación. Es posible
percibir, por tanto, que existe un desfase entre lo que se entiende por espacial en conceptos como “formación
socioespacial” o “diferenciación socioespacial” y lo que algunos de los autores que los utilizan definen como
espacio o espacial, reduciendo el espacio a mero espacio físico y reduciendo así su poder explicativo.
Palabras clave
Traducción conceptual; Renovación crítica de la geografía; Espacio; Sociedad
Os mal-estares da renovação
De mal-estar em mal-estar, a Geografia passou, entre 1940 e 1980, por um intenso
período de debates. As respostas dadas aos questionamentos feitos nesse período sempre
pareciam insuficientes, mal se estabeleciam e logo eram questionadas. Questionava-se a
Geografia regional clássica: ruma-se em direção à Geografia zonal mais física que alça
voo nos anos 50 e morre nos anos 70. Com a Geografia quantitativa
2
, de periodização similar,
tenta-se reforçar o aspecto humano da disciplina e compreender a interação social de um ponto
de vista geográfico, mas essa nova Geografia se dedicava mais aos métodos de análise, à
estatística, à modelização e à testagem do que às questões que a fizeram surgir, ela também cai
em meados da década de 1970 (Claval, 2014). Vem a renovação da Geografia no Brasil para
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Também chamada, por alguns autores, de Geografia aplicada, Geografia teorética ou Geografia pragmática
(Moro, 1999).
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injetar um conteúdo mais social e crítico à disciplina e, quase cinquenta anos depois,
3
ela ainda
está de pé. Finalmente a Geografia encontra uma base sólida para a construção de seu edifício
teórico.
Não significa, com isso, que a renovação o criou seus próprios mal-estares. A
renovação trouxe novos ares imprescindíveis para a continuação da disciplina, mas trouxe
novos incômodos que não podiam ser previstos enquanto ela acontecia. Incômodos que, apesar
de não serem tão grandes quanto os antigos não fazem colapsar constantemente a disciplina
merecem ser discutidos. Especialmente o incômodo que aqui se apresenta: a conceituação
de espaço. Conceito-chave da Geografia pós-1950 (Carlos, 2018, Corrêa, 2000, Haesbaert,
2010, Santos, 1996, 2000, Sposito, 2004), as diferentes noções de espaço, mais do que uma
discussão meramente semântica, implicam no modo como é feita a Geografia contemporânea
(Unwin, 2000). Esta que, para autores como Moreira (2020) e Santos (1996), perde parte da sua
forma e de seu conteúdo no período após a renovação, devido a, entre outras coisas, o modo
como constrói seus conceitos.
O objetivo deste ensaio é discutir as relações entre os conceitos de espaço e sociedade
oriundos da renovação da Geografia a partir da noção de “tradução conceitual” o processo
pelo qual um autor reconstrói um conceito de outra disciplina nas bases de sua própria disciplina
de Milton Santos (1996), por meio da análise das concepções relativas ao
espacial/socioespacial surgidas ao longo do período pós-renovação. Como o texto se trata de
um ensaio, o levantamento não se pretendeu exaustivo ou sistemático, apenas ilustrativo. A
escolha dos textos principais, contudo, não é aleatória e seguiu três critérios: 1) pertencer a um
autor(a) reconhecido por seu impacto no processo de renovação crítica da Geografia brasileira
(Pedrosa, 2015); 2) representar diferentes momentos na trajetória do conceito de espaço, e; 3)
propor um novo debate ou caminho teórico, como o fazem explicitamente Milton Santos
(1977)
4
e Ana Fani Alessandri Carlos (2018)
5
ou fazê-lo, ainda que sem o desejo explícito,
3
49 ou 45 anos, a depender de como se conte. A renovação brasileira se faz sentir desde 1974 e começa, mais
apropriadamente, em 1978 (Moreira, 2020, p. 24).
4
Não é nosso propósito engrossar ainda mais o debate semântico sobre as F.E.S. [Formação Econômica e Social],
porém sugerir uma nova dimensão que nos parece essencial e que seria uma alternativa no quadro desta nova
corrente de pensamento da qual nos fala S. Barrios (Santos, 1997, p. 82)
5
Quando me refiro à metaGeografia não pretendo, com isso, fundar outra Geografia, nem tão pouco criar uma
nova subdivisão, mas, antes, propor um caminho teórico-metodológico de superação do estado de crise em que se
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como em Marcelo Lopes de Souza (2007, 2009) (Catalão, 2011). Este último critério se pela
abordagem hermenêutica do ensaio, calcada numa hermenêutica da linguagem que busca
demonstrar a estrutura de significado
6
desses textos que, por seu pioneirismo, tendem a expor
de forma mais detalhada o processo de construção de seus argumentos.
A Geografia que não é
Como ponto de partida, uma observação de Ruy Moreira:
Houve uma época em que o fazer geográfico consistia em saber empregar os
princípios lógicos da localização, distribuição, distância, extensão, densidade,
conexão, delimitação, escala no estudo dos territórios e das paisagens. de algum
tempo esses princípios foram abandonados. Por isso, antes tínhamos uma Geografia
com forma e sem conteúdo, hoje temos uma Geografia com conteúdo e sem forma.
(Moreira, 2020 [1987], p. 118).
Moreira inquietava-se com a falta de forma geográfica, inquietação válida, mas com um
leve problema: para Moreira a forma poderia até não ser mais geográfica, mas o seria o
conteúdo. Talvez, se estes estivessem separados. A separação entre forma e conteúdo é uma
concepção muito criticada, e seu oposto a união indissociável entre eles é quase um
truísmo a este ponto. A linguagem, mostra Merleau-Ponty, é ela mesma significação. As
palavras e o sentido, o sinal e o significado, a forma e o conteúdo estão ligados de tal forma que
separá-los é esvaziá-los (Merleau-Ponty, 1974). A ausência de forma geográfica era um sinal
de ausência de conteúdo geográfico que, naquele ponto, em 1987, pouco menos de uma década
do início da renovação, era de difícil identificação.
O que leva a Milton Santos. Ele também se refere à falta de forma, mas seu foco é na
falta de conteúdo:
É que um conceito elaborado numa disciplina ou numa área do saber, para outra área
do saber raramente é um conceito também. A maioria das vezes os conceitos
elaborados numa disciplina são metáforas elaboradas para as outras disciplinas.
Isto quer dizer que a apropriação de um conceito, de uma elaboração, busca dar conta
da estrutura da realidade vista por um especialista. O especialista apenas um
aspecto da realidade. Esta apropriação tem que ser feita como uma tradução, generosa
e rigorosa ao mesmo tempo. A Geografia padece muito deste problema porque, com
encontra a disciplina... A metaGeografia propõe, assim, uma nova inteligibilidade...” (Carlos, 2018, p. 147, grifos
da autora).
6
Em oposição às “análises de significado” de filósofos anglo-saxões, que buscam a “intenção” dos autores
(Giddens, 1993). Crê-se aqui, portanto, naquilo que Paul Ricoeur chama de autonomia do texto (Ricoeur, 1991).
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frequência, nós tomamos de outras disciplinas conceitos de forma crua, sem
reelaboração. Isto resulta, frequentemente, em um equívoco no tratamento das
questões a partir desta apropriação e numa carência epistemológica decorrente desta
apropriação tão simples (Santos, 1996, p. 33-34).
Os geógrafos tomariam emprestado os conceitos de outras disciplinas como são, sem
reelaborá-los, sem traduzí-las ao ponto de vista geográfico.
E uma ciência não é nada senão seu ponto de vista.
O olhar do geógrafo é um olhar espacial, o que não quer dizer que ele seja o único a
abordar o espaço, que seja o cientista ou especialista deste,
7
mas que mesmo com todas as
divergências entre as diferentes Geografias, “um ponto de partida aparece como inequívoco a
todos os geógrafos: é possível construir uma análise da realidade a partir do espaço” (Carlos,
2018, p. 22). É do espaço que partem os geógrafos quando vão observar o real. A Geografia
pós renovação parece esquecer-se disso às vezes. Os princípios abandonados de que fala Ruy
Moreira são todos princípios espaciais cuja falta se faz sentir em muitos estudos, e os conceitos
utilizados, como afirma Milton Santos, povoam esses estudos com quase nenhum retrabalho.
Abandonando princípios que lhe são próprios e adotando em massa conceitos de outras
disciplinas, pouco sobra de Geografia na Geografia.
A renovação trouxe uma importante ampliação dos horizontes e das possibilidades dos
geógrafos. A velha frase: “é interessante, mas não é Geografia (Claval, 2014, p. 280) é mais
uma vítima do período, mas ao contrário daquela época, quando os professores barravam as
pesquisas de jovens geógrafos porque os temas e objetos estudados eram considerados
impróprios à disciplina, o problema pós renovação é não mais sobre o que é abordado, mas
como se aborda. O que fazer quando se sente que o olhar espacial vira uma metáfora na própria
Geografia?
Sendo “novos” na teoria social, pegando o carro em movimento, os geógrafos foram
obrigados a tomar empréstimos de outras disciplinas para alcançá-las e se manterem
atualizados. A renovação ocorre num clima agridoce: de entusiasmo com o renascer da
7
Para o sociólogo Anthony Giddens (2003 p.418-433) os geógrafos e os historiadores não seriam os especialistas
do espaço e do tempo, não haveria diferenças lógicas e metodológicas entre estes e os sociólogos e todos
compartilhariam da teoria social. Concorda-se com ele, aqui, neste ponto. Não se concorda, contudo, quando ele
diz que a diferença entre as disciplinas seja nenhuma, ou ao menos nenhuma defensável, é justamente a diferença
no olhar que dá o caráter particular dessas disciplinas.
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disciplina e de vontade de mostrar que ela faz parte do cânone da teoria social tanto quanto as
outras. A Geografia humana sempre fez parte das ciências sociais, mas nunca gozou do mesmo
prestígio que a história, a sociologia e a antropologia. O sociólogo Anthony Giddens, num texto
de 1984, que Milton Santos mais tarde irá chamar de “virulento” (Santos, 2000, p. 87), afirma
isso sem nenhum rodeio
8
. Os geógrafos precisaram se adaptar a esse cenário e traduzir os
discursos de outras disciplinas para serem levados a sério como cientistas sociais.
São dessas tentativas de tradução, mesmo as mais “generosas e rigorosas”, que vêm,
acredita-se aqui, essa sensação de falta de forma e conteúdo geográficos e, portanto, de falta
de Geografia identificada por esses autores. Essas traduções servirão como ponto de partida
das análises empreendidas daqui para a frente.
O espaço na Geografia
Antes, é necessário esclarecer o que se entende por espaço na Geografia moderna, em
geral, e neste trabalho, em particular, para melhor compreender o que seria este “olhar espacial”.
O conceito de espaço nem sempre foi um conceito-chave na disciplina (Sposito, 2004,
Corrêa, 2000, Haesbaert, 2010). Poucos do passado definiriam a Geografia como uma ciência
que parte do espaço para analisar a realidade, como o faz Ana Fani Carlos. O que não faz com
que a autora deixe de ter razão, o sentido moderno de espaço guarda intenções bastante similares
às definições e sentidos das Geografias clássicas. Os termos e métodos se modificaram, mas o
objetivo da Geografia permanece.
Ruy Moreira (2021) vai diferenciar três períodos da Geografia, cada um regido por um
paradigma. O mais recente, o paradigma holista da hipermodernidade, sucede o paradigma
fragmentário da modernidade industrial e o paradigma holista da baixa modernidade. Sendo
este último o fundador da Geografia moderna (Moreira, 2021, p.13).
8
“A Geografia é desde há muito um assunto menos afeito no plano intelectual, do que a história e, na literatura,
muito menos estudos sobre a relação entre Geografia e sociologia do que sobre história e sociologia... Isso deve-
se provavelmente não apenas à diferença de prestígio intelectual da história e da Geografia, mas também à maior
transparência que o conceito de espaço parece ter em comparação com o de tempo” (Giddens, 2003, p. 427).
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A Geografia, nesta época, com Kant, estava relacionada à percepção espacial dos
fenômenos. É ele, junto com J.H. Forster, que irá lançar as bases da disciplina. Mas os reais
precursores da Geografia moderna são Humboldt e Ritter:
Se para Ritter o objeto de estudo da Geografia é a superfície terrestre vista a partir das
individualidades regionais, para Humboldt é a globalidade do planeta, vista a partir
da interação entre esfera inorgânica, orgânica e humana holisticamente realizada pela
ação intermediadora da esfera orgânica (Moreira, 2021, p. 21).
Ritter, que vai do todo à parte, e Humboldt, que vai da parte ao todo, ambos têm uma
visão holista e têm como tema “o mundo (natural-humano) do homem e não se pensa o homem
e a natureza em dissociado, por que, para ambos, a referência da Geografia é a superfície
terrestre e o homem o ser que vive na superfície terrestre” (Moreira, 2021, p. 24). É esta
indissociabilidade entre o homem e a natureza, o homem e o meio, os objetos e as ações ou
tantas outras formulações e concepções ao longo da história da Geografia que exprimem a
indissociabilidade entre o material e o humano que marca o olhar espacial.
E assim também o era, ao menos em intenção, mesmo na época do paradigma
fragmentário da Geografia. A noção de Geografia como “ciência de síntese” é criada justamente
com a intenção de integrar o então crescente número de especializações na Geografia que iam
afastando-a desse objetivo ideal de indissociabilidade (Moreira, 2021, p. 117). Intenção
malograda, a concepção reafirmava “o
naturalismo mecanicista em que a natureza e o espaço
são externos ao homem por decorrência do homem estar fora da natureza e do espaço, situados
assim numa relação de estranhamento” (Moreira, 2021, p. 122). A Geografia da síntese
terminou, não como uma síntese verdadeira, mas como uma colcha de retalhos. Mostra,
contudo, a força da ideia que governa a Geografia e o olhar do geógrafo, mesmo quando a
especialização e fragmentação do positivismo reinavam sem questionamentos em outras
ciências, os geógrafos buscavam, ainda que sem sucesso, o holismo que lhes é característico.
Este holismo do paradigma atual da Geografia e da Geografia em si afeta as duas
grandes escolas de pensamento da Geografia moderna. No campo fenomenológico, por
exemplo, afirma Dardel: “Colocar-se fora da Terra e do espaço concreto para conhecê-los do
exterior, é esquecer que, por sua própria existência, o homem está comprometido como ser
espacial e como ser terrestre” (Dardel, 2015 [1990], p. 89) E no campo dialético, temos a
conhecida formulação de Henri Lefebvre, relativa ao espaço social (Lefebvre, 1991 [1974]). O
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paradigma fragmentário que expulsava o homem do espaço é, assim, rechaçado, ao menos
discursivamente, da Geografia. Contudo, como visto acima, embora o objetivo da Geografia de
síntese tenha sido a indissociabilidade do homem com o meio, esta fracassou. É necessário um
trabalho de operacionalização, que pode falhar, para concretizar esses objetivos holistas.
9
Para
isso, tem de se transformar o espaço (objeto) em diferentes conceitos espaciais, tirados da
realidade e tornados capazes de utilização sobre essa mesma realidade (Santos, 2020). É o que
tenta Milton Santos, com sua definição de espaço geográfico como um conjunto indissociável
de sistema de objetos e sistema de ações, pois, a partir dela, pode-se reconhecer suas categorias
analíticas internas, que, por sua vez, são os instrumentos de análise que constituem a
centralidade do método (Santos, 2020, p.21-22).
Para Santos (2020):
Os objetos não têm realidade filosófica, isto é, não nos permitem o conhecimento, se
os vemos separados dos sistemas de ações. Os sistemas de ações também não se dão
sem os sistemas de objetos.
Sistemas de objetos e sistemas de ações interagem. De um lado, os sistemas de objetos
condicionam a forma como se dão as ações e, de outro lado, o sistema de ações leva
à criação de objetos novos ou se realiza sobre objetos preexistentes. É assim que o
espaço encontra a sua dinâmica e se transforma (Santos, 2020, p. 63).
Os objetos, como dados sociais ou seja, considerados para além de sua pura
materialidade derivam sua significação de sua existência relacional na sociedade em que
estão inseridos. A sociedade, por sua vez, é criadora e criatura destes objetos. Juntos, ambos
formam o espaço (Santos, 2020). Em outras palavras, o espaço merece a alcunha de
geográfico quando pessoas a sociedade e o mundo. A sociedade, sem o seu espaço
físico, era matéria da sociologia, antes focada sobremaneira no tempo (Giddens, 2003). O mero
espaço físico, o sistema de objetos, sem quem os habita, é matéria da arqueologia, domínio dos
mortos (Santos, 2020). O espaço, que no senso comum é visto como palco ou como espaço
físico (o sistema de objetos) para a sociedade (o sistema de ações) é, na Geografia, interação,
indissociabilidade e holismo entre eles. O olhar espacial não se refere a qualquer espaço, mas a
este espaço geográfico em suas múltiplas formulações no decorrer da história.
9
Não se quer afirmar, aqui, que Dardel e Lefebvre não realizaram este trabalho de operacionalização. Apenas quer
se realçar a noção de que apenas novos conceitos e definições não são o suficiente.
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Uma das primeiras traduções
Começando com Milton Santos em sua adaptação do conceito de formação social para
o de formação socioespacial, tem-se em mãos um dos primeiros textos da renovação brasileira.
A escolha de Milton Santos é intencional, se deu para mostrar que ainda que rigoroso, como ele
mesmo diz que é necessário, o processo de retrabalho de conceitos traz certos problemas à
Geografia.
“O espaço, ele mesmo, é socialdiz Milton Santos, em 1977 (p. 82). O objetivo de
Sociedade e Espaço: A Formação Social Como Teoria e Método, é auxiliar na formação de
uma teoria válida do espaço que, à época, era visto como um “teatro” das ações humanas
(Santos, 1977, p. 81-82). A categoria Formação Social seria, para Santos, a mais adequada a
esses objetivos, e “Aceitá-la deveria permitir aceitar o erro da interpretação dualista das relações
Homem-Natureza. Natureza e Espaço são sinônimos, desde que se considere a Natureza como
uma natureza transformada, uma segunda Natureza, como Marx a chamou” (Santos, 1977, p.
82).
O espaço, nessa fase da obra de Milton Santos era a natureza transformada, a
materialidade, a “matéria trabalhada por excelência”. Dos objetos sociais o que mais se imporia
sobre as pessoas e o que mais estaria presente no cotidiano dos indivíduos (Santos, 1977, p.
92). É, em resumo, o que Milton Santos mais tarde denominaria de sistema de objetos. O espaço
da “formação socioespacial” não é o indissociável sistema entre sociedade e objetos que viria
a ser no autor, mas apenas o espaço físico. Ainda herdeiro do paradigma fragmentário, as
pessoas, apesar da intenção de acabar com dualismos, continuavam expulsas do conceito, agora
com a diferença de que este não seria mais apenas um teatro inativo, e sim um efeito e condição
da sociedade, em uma relação dialética com ela (Santos, 1977, p. 89).
Esse conceito de espaço ainda não admitia as pessoas como parte constituinte de si
mesmo, é por isso que sobre o papel do espaço na totalidade social, é isto que Milton Santos
tem a dizer:
Entretanto, esse papel do espaço passa freqüentemente (sic) despercebido ou não é
analisado em profundidade. Deveríamos perguntarmos, como Sartre (1960:202), a
respeito da materialidade, por que “não se tentou absolutamente estudar esse tipo de
ação passiva que exerce a materialidade como tal sobre os homens e sobre sua história,
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devolvendo-lhes uma praxis voltada sob a forma de uma contrafinalidade” (counter-
finality) (Santos, 1977, p.92).
Nesta época, a sociedade trabalhava a materialidade, a modificava e era modificada por
ela, mas dela ainda estava estranhada, ainda lhe era negada a integração e a indissociabilidade
que adquirirá posteriormente, apesar da aparência de unidade que tinha em sua criação.
Para Corrêa, por exemplo, quase vinte anos depois:
O mérito do conceito de formação sócio-espacial ou simplesmente formação espacial,
reside no fato de se explicitar teoricamente que uma sociedade se torna concreta
através de seu espaço, do espaço que ela produz e, por outro lado, o espaço é
inteligível através da sociedade. Não há, assim, por que falar em sociedade e espaço
como se fossem coisas separadas que nós reuniríamos a posteriori, mas sim de
formação sócio-espacial (Corrêa, 2000 [1995], p. 26).
Aparência que se desfaz, entretanto, quando se retoma a formulação atual de espaço de
Santos. Retornando à citação de Corrêa: o espaço é inteligível através da sociedade
(Corrêa, 2000, p. 26), e comparando com Santos: “Os objetos não têm realidade filosófica, isto
é, não nos permitem o conhecimento, se os vemos separados dos sistemas de ações(Santos,
2020, p. 63). E continuando: “a sociedade só se torna concreta através de seu espaço, do espaço
que ela produz” (Corrêa, 2000, p. 26); “Os sistemas de ações também não se dão sem os
sistemas de objetos… De um lado, os sistemas de objetos condicionam a forma como se dão as
ações e, de outro lado, o sistema de ações leva à criação de objetos novos ou se realiza sobre
objetos preexistentes” (Santos, 2020, p. 63). Vemos, novamente, que o espaço da formação
socioespacial nada mais é que o espaço físico, o sistema de objetos.
Social socioespacial espacial
As primeiras traduções carregam a marca da Geografia e das ciências sociais de seu
tempo. Do mesmo modo que Moreira afirma que o ser humano foi expulso do espaço, o espaço
e o tempo, segundo Giddens (2003, p.418), foram reprimidos da teoria sociológica. Poder-se-
ia afirmar que o problema central envolvendo essas primeiras traduções viria das conceituações
fragmentadas da época e, por isso, o problema se resolveria automaticamente devido aos
conceitos mais holísticos de hoje em dia. O conceito de espaço atual é diferente do existente no
início da renovação, o ser humano não estaria mais fora do espaço e isto seria o suficiente para
tornar as traduções modernas adequadas às sensibilidades atuais. Contudo, o espaço suprimido
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Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
Abreu, Edson de Jesus. Espacial ou socioespacial? relações espaço-sociedade no processo de renovação da Geografia. Ensaios de Geografia.
Niterói, vol. 12, nº 26, e122602, 2026.
Submissão em: 25/03/2025. Aceito em: 23/01/2026.
ISSN: 2316-8544
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pelos sociólogos não foi o moderno espaço geográfico, mas o espaço físico material, restando
em sua ótica as ações sociais. O processo de retrabalho e o conceito retrabalhado partem da
ótica original sob a qual foi constituída e que, fragmentada, guia o processo de tradução
10
. O
conceito de espaço precisa se adequar a esta primeira ótica terminando, ele também,
fragmentado.
O processo de tradução conceitual se em etapas. Milton Santos (1977), por exemplo,
após uma breve introdução, irá explicar o conceito de formação social no tópico “A categoria
de formação social”, para depois explicar o que do espaço físico foi suprimido do conceito em
“Formação sócio-econômica ou formação espacial?” e sintetizar o pensamento em “Espaço e
totalidade”.
A formação socioespacial de Sociedade e Espaço preserva a ótica sociológica que a
constituiu inicialmente. Utilizando a terminologia miltoniana, continua a partir do sistema de
ações. A consideração ao espaço físico o sistema de objetos vem depois, é um adicional
e, assim, não se integra totalmente, indissociavelmente, como deve ser.
Com David Harvey (1980), em Justiça social e a cidade, o processo é semelhante, no
capítulo Valor de Uso, Valor de Troca e a Teoria do Uso do Solo Urbano, ele começará com
uma explicação destes conceitos para daí realizar um exame minucioso de como eles se dão no
solo urbano. O processo, ainda que com críticas, adequações e reelaborações preserva a ótica
original na qual o conceito foi elaborado e adiciona a ela as considerações que se julgam
adequadas. A reelaboração permite o uso adequado de conceitos de outra disciplina não ao
realizar uma mudança no olhar, mas ao adicionar naquela ótica particular neste caso, a
sociológica elementos importantes à ótica geográfica. As traduções sempre carregam em si
o processo de sua criação, o valor de uso do solo urbano de Harvey continua a ser, pela
demonstração do próprio autor, aquele mesmo conceito explicado por Adam Smith e
aprofundado por Karl Marx. É o valor de uso. Do solo. É uma sociologia que lembra que o
espaço (físico) existe.
10
Ainda que em autores como Giddens, tenha se testemunhado uma tentativa de reinserir o espaço e o tempo na
teoria social, eliminando essa fragmentação, a sociologia e a história guardam um potencial a-espacial que não
pode, por razões obvias, existir na Geografia. Isto não é demérito algum a essas disciplinas. São, novamente, óticas
diferentes, que tem limites e potencialidades diferentes. É esse potencial, às vezes mais que as próprias formulações
dos autores em si, que fragmentará a maioria dos conceitos oriundos dessas disciplinas.
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Os conceitos retrabalhados se situam nas fronteiras entre as diferentes disciplinas,
diferenças que, vale lembrar, não existem na realidade, apenas no olhar. Daí que o medo ou
esperança de alguns, de que a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade acabariam com
as disciplinas nunca se concretizou, porque os esquemas conceituais das disciplinas que
domesticam os olhares dos especialistas foram constituídos historicamente de formas
diferentes, e assim ainda permanecem. São uma “espécie de prisma por meio do qual a realidade
observada sofre um processo de refração” (Oliveira, 2000, p. 15). A Teoria Social, como é
chamada por Giddens, permanece uma, mas é abordada de diferentes ângulos. A tradução,
como o próprio nome indica, preserva o sentido de uma mensagem, modificando a maneira que
é dita para torná-la acessível a um novo público.
A moderna concepção holística de espaço não muda o ponto de partida da formação
social ou do valor de uso, mesmo após o retrabalho que as transformaram em formação
socioespacial e valor de uso do solo. Resulta disso que o espacial de socioespacial pode ser
somente o espaço físico fragmentado: o socio se encarrega unicamente das ações, o espacial
unicamente dos objetos. Reinserir o que “faltava” a esses conceitos recupera o que neles está
suprimido, o espaço físico, não importando muito, com isso, a concepção particular de espaço
do renovador. O “espacial” no fim de muitos desses conceitos não é o mesmo “espacial” do
espaço geográfico que se refere tanto às ações quanto aos objetos inseparavelmente, o que
prejudica a precisão conceitual dos textos que utilizam os dois de forma intercambiável, como
o próprio A natureza do espaço de Milton Santos (2020). O que seria a formação socioespacial
nesse livro onde o espacial é definido como conjunto indissociável do sistema de ações sociais
e sistema de objetos? Uma formação sociosocioobjetal?
Neste ponto vale perguntar-se, como faz Unwin (2000) em sua crítica a Lefebvre
11
, se
não é tudo apenas questão de semântica? Os sistemas conceituais [espaço (objetos-ações)] e
[formação socioespacial (espaço-sociedade)] são essencialmente os mesmos e tratam das
mesmas coisas. Por que insistir no primeiro e não no segundo? Porque conceitos nunca vêm só,
estão sempre mergulhados em relações com outros conceitos (Haesbaert, 2010). E o espaço,
apesar da similaridade dos sistemas conceituais acima, ocupa posições diferentes, e, portanto,
11
A qual não se está endossando neste artigo
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significa coisas diferentes, em ambos. Contudo, sendo o conceito principal da disciplina
(Carlos, 2018, Corrêa, 2000, Haesbaert, 2010, Santos, 1996, 2000, Sposito, 2004), a quem os
outros conceitos fazem referência, os significados diferentes criam diferentes metáforas e
desenrolares de pensamento por toda a Geografia. Sugerem caminhos, turvam outros, impedem
a concretização de certas reflexões independentemente das intenções de quem escreve. A
própria linguagem é uma das ferramentas de investigação do cientista (Tavares; Hissa, 2011) e
a intencionalidade por detrás da criação de uma ferramenta de influenciar nas ações que
podem ser feitas com ela (Santos, 2020).
A similaridade entre os sistemas é o que os aproxima, é este ponto em comum que
possibilitou a inserção destes conceitos no discurso geográfico. A diferença entre eles é que o
que é privilegiado na ótica geográfica são estes dois elementos em sua indissociabilidade, o que
é privilegiado na ótica socioespacial continua a ser, como na sociológica, a ação social.
Sem as traduções a Geografia atual estaria em total descompasso com a teoria social
mais ampla, mas estas não podem tornar-se o foco da disciplina sem desfigurar as
particularidades de seu olhar.
Um debate em torno de um termo: socioespacial ou sócio-espacial?
O debate avança, as primeiras traduções foram só o começo de um processo maior que
se tornaria parte importante da Geografia. Em 2007, Marcelo Lopes de Souza inaugura o debate
em torno da grafia do termo socioespacial. Termo associado não à formação, mas à
diferenciação socioespacial como a diferenciação das áreas, que definiria a “essência” da
Geografia para Hartshorne (Souza, 2007, p. 107). O debate interessa aqui, portanto, menos pelo
que ele propõe discutir a presença ou não do hífen em socioespacial e mais devido à
importância dada ao termo e ao conceito de espaço nele presente.
No último parágrafo deste artigo de 2007 o autor sintetizará o debate da seguinte
maneira:
Apesar disso, parece ser esse o caminho para a passagem do exame da “diferenciação
socioespacial” (ou seja, da diferenciação do espaço social) para a “diferenciação
sócio-espacial” em sentido mais pleno (ou seja, da diferenciação das relações sociais
e do espaço social, e dos vínculos entre ambos)
13
(Souza, 2007, p. 112).
Nota de rodapé n
o
13:
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O adjetivo socioespacial significa: referente ao espaço social; o adjetivo sócio-
espacial quer dizer: referente ao espaço social e às relações sociais (Souza, 2007, p.
112).
Catalão (2011, p. 176), analisando este debate, aponta que o que Souza chama de espaço
social é contemplado pelo termo espaço/espacial visto que o espaço, já sendo “forçosamente
social”, torna o adjetivo social redundante. Este espaço social ou espaço de Souza (2007)
é, como o de Milton Santos em 1977 unicamente o material, o sistema de objetos, também
condicionante e não mais palco, mas ainda somente material. As pessoas ainda não estão no
conceito de espaço, relacionam-se com ele, mas a separação e o estranhamento são
constantemente reafirmados. É possível observar este caráter material do espaço e a reafirmação
da separação em Souza, em outro texto onde comenta novamente sobre a presença do hífen:
“Socioespacial”, sem hífen, se refere somente ao espaço social (por exemplo, tomando-o do
ponto de vista do resultado de sua produção em determinado momento histórico, real ou
potencial, como em um plano de remodelação urbanística); de sua parte, “sócio-espacial”, com
hífen, diz respeito às relações sociais e ao espaço, simultaneamente (abrangendo, diretamente, a
dinâmica da produção do próprio espaço, no contexto da sociedade concreta como totalidade)...
ou seja, como se o espaço social, inflacionado em seu conteúdo a ponto de tornar desnecessário
o conceito de sociedade, abarcasse, sem maiores sutilezas, do substrato espacial material aos
próprios seres humanos, passando pelas relações sociais (Souza, 2009, p. 24-25).
O espaço social o espaço é o resultado (material) da produção e sócio-espacial
serviria para se referir a este espaço e às relações sociais que o animariam. Souza (2007) rejeita
categoricamente a ideia de que o espaço material e os próprios seres humanos possam estar sob
o conceito de espaço social e considera, por um motivo não muito claro, que um conceito de
espaço que abarque esses dois é uma premissa absurda, “inflacionada”, que tenta substituir o
conceito de sociedade. Como se pudesse existir um espaço ‘social’ sem os “próprios seres
humanos” ou as “relações sociais”, sem que este se tornasse um mero sítio arqueológico,
matéria morta de uma época passada.
O espaço geográfico é espaço geográfico quando pessoas, é o que o difere do
espaço físico da geomorfologia, da pedologia ou da geologia. Não faz sentido retirá-las deste
conceito que existe porque matéria sendo modificada por alguém e alguém sendo
modificado pela matéria. Separar o meio físico dos seres humanos e considerar apenas o
primeiro como o espaço da Geografia ainda que chamando-o de espaço social devido a
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interação que esta sociedade em separado teria com ele é sinal da herança de um
esquartejamento positivista da realidade criticado pelo próprio Souza (2007, p.105).
A necessidade do hífen, para Souza (2007), vem da necessidade de separação. Catalão
(2011, p.179) argumenta que o hífen não seria necessário, que o espacial remeteria a este
espaço social de Souza e que o socio sem hífen serviria para indicar a referência às
relações sociais na análise. Indaga-se aqui se o próprio termo socioespacial/sócio-espacial,
enquanto sinal da expulsão do ser humano do conceito de espaço, deve ser utilizado. No início
da renovação, com o conceito fragmentário de espaço herdado do período anterior da Geografia
e o conceito de sociedade atemporal e a-espacial das ciências sociais, o casamento que resultou
em “socioespacial” era perfeito: dois fragmentos buscando se completar. Atualmente, no
entanto, levanta-se novamente a questão: O que seria esse “socioespacial” em uma ciência em
que o espacial já é, por definição, social?
Uma tradução recente
A “ótica socioespacial” evolui, mas mantém a fragmentação que lhe parece inescapável.
Das obras mais recentes temos o ambicioso livro de Ana Fani Alessandri Carlos, A condição
espacial, de 2018, livro já citado neste ensaio. Foi a partir dele que se afirmou que o geógrafo,
se quiser analisar a realidade, tem de partir do espaço. No decorrer do livro, entretanto, esse
deixa de ser o caso e o espaço deixa de ser o ponto de partida. Por quê?
Deve-se, primeiramente, procurar o que para a autora seria geográfico:
que entendo ser especificamente geográfico baseia-se no raciocínio segundo o qual as
relações sociais se realizam concretamente enquanto relações espaciais. É através da
e na prática sócio-espacial que o indivíduo se realiza enquanto tal ao longo da história
(Carlos, 2018, p.10).
A grafia da palavra sócio-espacial com hífen é explicada em uma nota de fim:
Optou-se aqui por utilizar “sócio-espacial” no lugar de socioespacial para enfatizar as
relações sociais e ao espaço, simultaneamente, levando em conta a articulação
dialética de ambos no contexto da totalidade social, mas preservando a
individualidade de cada um
(Carlos, 2018, p.12).
Novamente, seguindo a mesma linha de raciocínio de Souza (2007), ao invés do
conceito de espaço conter em si mesmo uma articulação dialética entre as relações sociais e o
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espaço físico, de conter o ser humano ao invés de expulsá-lo, ele se destaca da sociedade e é
considerado separadamente em articulação a ela. Mesmo quando se busca integração, mantém-
se a fragmentação do paradigma anterior, fragmentação que se afirmará cada vez mais à medida
que se avança no livro.
Citando Pierre George, que afirmava que “para poder reivindicar um objeto próprio, a
Geografia deverá colocar no centro dessas relações (de fatos e movimentos) a preocupação com
a existência dos homens...” (George, 1972 apud Carlos, 2018, p.20), Carlos mostra a
importância do ser humano na Geografia. Contudo, devido à ótica sócio-espacial da autora, o
ser humano não está em seu conceito de espaço que, para ela, é o ponto central da Geografia
, fazendo-se necessário encontrá-lo para dar algum rumo à disciplina. O que leva à
necessidade de um deslocamento do foco
12
a um conceito auxiliar que contenha o ser humano,
o conceito de produção, e que termina por eclipsar o espaço. O conceito de produção, que é
definido como:
Em sua dupla determinação: a) filosófica o pensamento que não concebe apenas a
produção material, mas também o conjunto de processos e relações sociais, e, com
isso, engloba a produção das relações sociais em todas suas dimensões envolvendo
suas possibilidades; e b) material a produção de objetos, produtos, mercadorias, o
que significa dizer que o processo de produção produz o mundo objetivo (Carlos,
2018, p. 33).
É no conceito de produção que se encontram as relações sociais “em todas suas
dimensões envolvendo suas possibilidades”, nele também vai se encontrar parte da
materialidade, o espaço físico, que geralmente sobrava ao espaço das formulações
socioespaciais/sócio-espaciais. O espaço, agora sem muito a oferecer, passa a ser mero
acompanhante desse conceito que vai ser, daqui para frente, o verdadeiro ponto de partida para
a análise da realidade
13
. No início do livro, o ponto de partida dos geógrafos era o espaço
(Carlos, 2018), no final o “ponto de partida” se torna “o entendimento da produção do espaço
como momento da construção da humanidade do homem” (Carlos, 2018, p. 147). Mudança
12
“Os termos acima assinalados constroem o caminho que permite deslocar o foco do espaço para a produção do
espaço” (Carlos, 2018, p. 20).
13
Unwin (2000) chega, através de outros argumentos, a uma conclusão similar em sua crítica a Lefebvre: “An
important feature of this quotation, is that for Lefebvre it is the production of space rather than space itself that
becomes the fundamental object of interest” (Unwin, 2000, p. 23).
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compreensível nessa perspectiva, que o conceito de espaço, no decorrer de A condição
espacial, se torna pouco mais que um penduricalho teórico.
Viva a Geografia?
“A Geografia está em crise. Viva a Geografia!”. O título do artigo de Carlos Walter
Porto Gonçalves, de 1978, se tornou uma frase recorrente nos livros de história do pensamento
geográfico brasileiro. Ela celebrava este momento que era a renovação. A crise que a Geografia
passava na época era “altamente instigante e salutar” porque possibilitava “a elaboração de uma
Geografia da Crise, engajada com a sua superação e comprometida com a afirmação de uma
teoria do espaço que seja do e para o homem e não com o espaço da sua opressão” (Gonçalves,
1978, p. 25-26).
No entanto, alguns desses esforços resultaram, não em uma teoria do espaço do e para
o homem, mas de um esvaziamento do conceito de espaço e um prolongamento da ótica
fragmentária que, agora vestida de dialética, mantém e em casos aprofunda a separação entre
homem e meio, necessitando de outros conceitos para dar uma aparência de integração e
unidade, não muito diferente da colcha de retalhos de outrora.
Estes esforços socioespaciais, sejam na forma de conceitos isolados ou como projetos
intelectuais maiores A condição espacial, por exemplo, propõe a sua metaGeografia como
um “caminho teórico-metodológico de superação do estado de crise em que se encontra a
disciplina, nos termos aqui desenvolvidos” (Carlos, 2018, p. 147) , se multiplicam e vão, aqui
e ali, inutilizando o conceito de espaço, aqui e ali substituindo o olhar geográfico,
transformando-o numa metáfora, distante e pálida em sua própria disciplina.
Milton Santos (2020), resgatando a fala das metáforas em A natureza do espaço, vai
tentar defender os geógrafos da acusação de Anthony Giddens, de que eles não contribuiriam o
suficiente com a teoria social e que se contentariam em acolher e utilizar a produção teórica dos
sociólogos. Se defende dizendo que os conceitos de uma disciplina são metáforas em outras,
que não se dão em sistemas nem permitem teorizações, que precisam de adequação antes de
serem utilizados pelos geógrafos e que os conceitos de espaço dessas disciplinas não podem
passar automaticamente para a disciplina geográfica (Santos, 2020, p. 87). Contudo, viu-se que
o próprio processo de adequação traz seus problemas, que a separação entre social e material
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dessas disciplinas condicionou o conceito de espaço resultante da tradução e que o pensamento
socioespacial, suficientemente desenvolvido, se em sistema e se pretende como caminho
teórico-metodológico da disciplina.
É “à Geografia que cabe elaborar seus próprios conceitos”, continua Milton Santos
(2020, p. 87). Sim, nada mais justo. Mas onde estão esses conceitos próprios quando tudo que
se vê são empréstimos?
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