Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
ARAÚJO, Michele Alves de; ROCHA, Vanessa Tamiris Rodrigues; BARTOLO, Carlos Alexandre de; GOMES, Pedro Ivo Jorge.
Criminalidade e verticalização urbana em Montes Claros (Minas Gerais/Brasil). Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 13, nº 26, e132606, 2026.
Submissão em: 27/03/2025. Aceito em: 21/01/2026.
ISSN: 2316-8544
Este trabalho está licenciado com uma licença Creative Commons
1
SEÇÃO ARTIGOS
Criminalidade e verticalização urbana em Montes Claros (Minas Gerais/Brasil)
Crime and urban verticalization in Montes Claros (Minas Gerais/Brazil)
Crimen y verticalización urbana en Montes Claros (Minas Gerais/Brasil)
DOI: https://doi.org/10.22409/z6hp5j03
Michele Alves de Araújo
1
Universidade Estadual de Montes
Claros (Unimontes),
Minas Gerais, Brasil
e-mail: michellealara99@gmail.com
Vanessa Tamiris Rodrigues
Rocha
2
Universidade Estadual de Montes
Claros (Unimontes),
Minas Gerais, Brasil
e-mail: vanessatamiiris@gmail.com
Carlos Alexandre de Bartolo
3
Universidade Estadual de Montes
Claros (Unimontes),
Minas Gerais, Brasil
e-mail: carlos.bortolo@unimontes.br
Pedro Ivo Jorge Gomes
4
Universidade Estadual de Montes
Claros (Unimontes),
Minas Gerais, Brasil
e-mail: pedroivojorge@yahoo.com.br
Resumo
Este trabalho analisa a relação entre a verticalização urbana de Montes Claros (Minas Gerais/Brasil) e seus índices
de criminalidade. O estudo parte da compreensão de que os processos de crescimento vertical e expansão urbana
interferem diretamente nas dinâmicas sociais e espaciais, impactando na segurança pública e na organização
territorial. Para alcançar esse objetivo, utilizou-se como metodologia a combinação entre revisão bibliográfica,
coleta de dados secundários do Centro Integrado de Informações de Defesa Social (CINDS), órgão da Secretaria
de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP) de Minas Gerais, de janeiro de 2019 a agosto de 2024; dados
primários coletados em atividades de campo realizadas em janeiro de 2026; tabulação e discussão dos resultados
e levantamento cartográfico. Considera-se que o bairro Centro apresenta os maiores índices de criminalidade em
Montes Claros e, também, é o que mais destaca-se quanto à presença de edifícios verticais, demonstrando uma
íntima relação entre a verticalização urbana e a busca por segurança.
Palavras-chave
Segregação socioespacial; Violência; Securitização urbana.
1
Possui graduação em Geografia (2021) e mestrado em Geografia pela Universidade Estadual de Montes Claros
(Unimontes) (2024).
2
Mestra pela Unimontes (2025). Licenciada em Geografia pela Unimontes (2022).
3
Professor efetivo no Departamento de Geociências da Unimontes. É doutor em Geografia pela Universidade
Estadual de Maringá (UEM), mestre em Geografia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), graduado no
curso de licenciatura (2008) e bacharelado (2011) em Geografia pela Universidade Estadual Paulista Julio de
Mesquita Filho (Unesp).
4
Doutor em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) (2016), mestre em Desenvolvimento
Social (2010) e graduado em Geografia e Ciências Sociais pela Unimontes.
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Abstract
This work analyzes the relationship between the urban verticalization of Montes Claros (Minas Gerais/Brazil) and
its crime rates. The study starts from the understanding that the processes of vertical growth and urban expansion
directly interfere with social and spatial dynamics, impacting public safety and territorial organization. To achieve
this objective, the methodology used combined a literature review, collected secondary data from the Integrated
Center for Social Defense Information (CINDS), an agency of the State Secretariat of Justice and Public Security
(SEJUSP) of Minas Gerais, from January 2019 to August 2024; primary data collected in field activities carried
out in January 2026; tabulation and discussion of the results and cartographic survey. It is considered that the
Centro neighborhood presents the highest crime rates in Montes Claros and is also the one that stands out most in
terms of the presence of vertical buildings, demonstrating a close relationship between urban verticalization and
the search for security.
Keywords
Socio-spatial segregation; Violence; Urban securitization.
Resumen
Este trabajo analiza la relación entre la verticalización urbana de Montes Claros (Minas Gerais/Brasil) y sus índices
de criminalidad. El estudio parte de la comprensión de que los procesos de crecimiento vertical y expansión urbana
interfieren directamente en la dinámica social y espacial, impactando la seguridad pública y la organización
territorial. Para lograr este objetivo, la metodología empleada combinó una revisión bibliográfica, recopilación de
datos secundarios del Centro Integrado de Información de Defensa Social (CINDS), organismo de la Secretaría de
Estado de Justicia y Seguridad Pública (SEJUSP) de Minas Gerais, de enero de 2019 a agosto de 2024; datos
primarios recopilados en actividades de campo realizadas en enero de 2026; tabulación y discusión de los
resultados y levantamiento cartográfico. Se considera que el barrio Centro presenta las tasas de delincuencia más
altas en Montes Claros y es también el que más destaca en cuanto a la presencia de edificaciones verticales, lo que
demuestra una estrecha relación entre la verticalización urbana y la búsqueda de seguridad.
Palabras clave
Segregación socioespacial; Violencia; Securitización urbana.
Introdução
A sensação de insegurança ou o medo da criminalidade nas cidades brasileiras tem se
intensificado ao longo dos anos, tornando-se uma preocupação central tanto para os moradores
quanto para as autoridades públicas. O medo, enquanto um sentimento imaterial e não palpável,
é capaz de influenciar a organização sica e social das cidades, moldando-as de maneira
concreta e visível.
Sposito (2003), no âmbito de sua filiação à Geografia Crítica e ao referencial do
materialismo histórico-dialético, compreende a produção do espaço como um processo
essencialmente dialético, no qual sociedade e espaço se constituem mutuamente. Embora o
autor destaque que o espaço é produzido pela ação humana e, portanto, indissociável da vida
social, essa produção não ocorre de forma unilateral: o espaço historicamente produzido
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também passa a condicionar práticas, relações e percepções sociais. A materialização do medo
nas cidades expressa de maneira clara essa relação dialética, uma vez que o sentimento de
insegurança, socialmente construído, orienta a criação de dispositivos espaciais considerados
seguros como barreiras físicas, zonas de exclusão e sistemas de vigilância, que, por sua vez,
passam a reorganizar o uso do espaço urbano, as formas de convivência e as dinâmicas sociais,
retroalimentando processos de fragmentação e controle na cidade.
Isto posto, Melgaço (2010), em seus estudos sobre as paisagens urbanas, discute o
conceito de securitização urbana como as transformações que ocorrem no espaço urbano e nas
relações sociais em busca da segurança. Essas transformações são um reflexo direto de um
sentimento imaterial que, ao ser vivido, deixa marcas no território. A segurança, nesse caso,
não é apenas uma questão de políticas públicas e infraestrutura, mas também de como as
percepções de perigo e a construção social do medo alteram a própria configuração da cidade.
A securitização está intimamente relacionada à construção social do medo e à forma
como este medo é gerido e transformado em uma estratégia de controle social e territorial. Este
processo, no entanto, não resolve a questão da violência, mas reforça um modelo de segregação
socioespacial. Além disso, resulta em uma urbanização voltada para a segurança do patrimônio
e de determinados grupos sociais, ao invés de promover uma segurança mais ampla, que
envolva a proteção contra a violência e a melhoria das condições de vida para todos os cidadãos
(Melgaço, 2010).
Em Montes Claros cidade média localizada na Região Geográfica Intermediária de
Montes Claros, em Minas Gerais/Brasil , o fenômeno da securitização torna-se evidente. O
medo da criminalidade tem levado a população e o poder público a adotarem diversas medidas
de segurança, como câmeras de vigilância, cercas elétricas, reconhecimento facial; a população
busca residir cada vez mais em apartamentos em prédios etc. Nesse contexto, o fenômeno da
securitização emerge, acentuando ainda mais a segregação socioespacial existente na cidade.
Melgaço (2010) destaca que a securitização contribui para a segregação e a
autossegregação (comumente associada às camadas de maior poder aquisitivo, que tendem a se
isolar do restante da cidade em resposta a diferentes fatores), pois cria espaços de exclusão para
as populações mais vulneráveis, ao mesmo tempo em que fortalece a ideia de que a segurança
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está associada à privacidade e ao controle sobre o espaço, muitas vezes à custa da convivência
social e da coesão comunitária.
Nos últimos anos, foi possível observar projetos de renovação urbana sendo executados
através do reordenamento de praças, parques e afins na cidade de Montes Claros e seu intenso
processo de verticalização. A verticalização e, até mesmo, a valorização ou precarização do
solo urbano podem estar associados ao contexto da securitização urbana, pois, a nova forma de
habitação em condomínios verticais tem estado associada a medidas de controle e vigilância
criando uma comunidade de indivíduos que comungam de uma realidade social parecida.
Ademais, quanto mais aparatos de segurança o empreendimento oferecer, maior será o valor
cobrado para que um indivíduo possa morar nele, favorecendo a manutenção das desigualdades
socioespaciais, com condomínios direcionados a uma população de maior poder aquisitivo.
Em Montes Claros, é possível observar a espacialização de cada vez mais condomínios
horizontais, verticais e habitações sociais sendo construídos. De acordo com Costa (2014), este
desenvolvimento está associado ao dinamismo econômico e a posição estratégica que a cidade
possui para a região em que está inserida, tendo uma crescente demanda pela criação de
moradias dos mais diversos tipos para acomodar a população que cresce na cidade, refletindo a
lógica do capitalismo. No entanto, os autores explicam que paralelamente a esta dinâmica é
possível verificar outros aspectos que marcam a cidade, como o aumento da violência, do
trânsito, da saúde precária etc. Neste sentido, o objetivo deste trabalho é analisar a relação entre
a verticalização urbana de Montes Claros (Minas Gerais/Brasil) e seus índices de criminalidade.
Procedimentos metodológicos
A metodologia adotada incluiu, inicialmente, a revisão bibliográfica pautada em autores
como Mendes (1992); Sposito (2003); Tuan (2006); Bauman (2008); Melgaço (2010); Caiado
(2013); Costa (2014); França e Almeida (2015) e Queiroz e Costa (2017). Os critérios de
seleção incluíram, a saber: relevância acadêmica, relação com os eixos temáticos do estudo e
disponibilidade em bibliotecas digitais como Google Scholar, Scielo e Portal da Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). A seleção do material foi orientada
por descritores como: verticalização urbana, securitização, segurança, criminalidade, violência,
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medo e segregação socioespacial. Tal etapa viabilizou a construção de uma fundamentação
teórica sólida que dialoga diretamente com os objetivos da pesquisa.
Complementarmente, realizou-se a seleção e análise de dados secundários coletados do
Centro Integrado de Informações de Defesa Social (CINDS) órgão da Secretaria de Estado
de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP) de Minas Gerais; que objetiva produzir estatísticas e
relatórios analíticos sobre a criminalidade no Estado. Os dados foram coletados no ano de 2024
e, referem-se ao período correspondente a janeiro de 2019 a agosto de 2024, visando identificar
as áreas (bairros) com maiores e menores ocorrências de criminalidade violenta em Montes
Claros. Com base nos dados analisados, as áreas com maiores índices de criminalidade violenta
foram comparadas às áreas onde a verticalização urbana faz-se mais presente na cidade.
Os dados passaram por uma triagem, na qual optamos por não considerar os bairros
classificados como inválidos, tendo em vista que alguns bairros não foram cadastrados
corretamente no sistema ou não foram reconhecidos, como bairros construídos recentemente;
as áreas rurais com menor densidade de dados; registros de crimes em rodovias ou até erros de
digitação no momento do registro. Entretanto, a exclusão desses dados não comprometeu a
qualidade da análise, visto que correspondem a uma pequena fração do total de bairros.
A metodologia compreendeu, ainda, o levantamento cartográfico com o uso
do software QGIS 3.26, além da análise de dados coletados em trabalhos/exercícios de campo
realizados no mês de janeiro de 2026, com a aplicação de questionários para uma amostra
composta por dez pessoas residentes em edifícios verticais do bairro Centro em Montes Claros,
área escolhida devido a maior concentração de registros de criminalidade violenta e presença
significativa de edificações verticais.
Nesse sentido, buscou-se priorizar a heterogeneidade dos participantes, incluindo
indivíduos de diferentes faixas etárias, gêneros e razões para morarem nesses edifícios. Ainda
que o número de entrevistados possa ser considerado reduzido, tal recorte é adequado para
investigações qualitativas e exploratórias, nas quais a profundidade interpretativa prevalece
sobre a representatividade numérica.
O questionário foi estruturado em cinco questões, com a finalidade de compreender de
forma integrada os fatores que influenciaram a escolha pela moradia em edifícios verticais, a
percepção de segurança no bairro e a relação entre verticalização, criminalidade e uso do espaço
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urbano. O instrumento é composto exclusivamente por perguntas fechadas, com alternativas
pré-definidas, de modo a facilitar a organização, a tabulação e a análise dos dados coletados.
Antes da aplicação definitiva, foi realizado um pré-teste com três participantes, com a
finalidade de avaliar a clareza das questões, a adequação da linguagem e o tempo médio de
resposta, o que permitiu ajustes na redação e na organização do instrumento. Os questionários
foram aplicados presencialmente a moradores de edifícios verticais localizados no bairro
selecionado, sendo abordados de forma voluntária no momento de entrada ou saída dos
edifícios, em áreas externas às portarias.
Por meio do instrumento, investigou-se o tempo de residência dos respondentes nos
edifícios, os principais motivos que orientaram a escolha pela moradia vertical, o peso atribuído
à segurança urbana nessa decisão, a percepção sobre a criminalidade no entorno e a influência
de dispositivos de controle e vigilância (portaria, câmeras, controle de acesso) no cotidiano.
Durante os trabalhos de campo, foi utilizado um diário de bordo, destinado ao registro
das observações realizadas, bem como à descrição das interações estabelecidas com os
participantes. Esse instrumento possibilitou o registro de impressões relativas ao contexto
urbano, às dinâmicas de circulação, à presença de dispositivos de segurança e às percepções
manifestadas espontaneamente pelos entrevistados. Conforme destaca Hammouti (2002), o
diário de bordo constitui uma ferramenta relevante para a sistematização das vivências e
reflexões do pesquisador, contribuindo para a construção de análises mais consistentes e
fundamentadas. Posteriormente, os dados primários obtidos por meio dos questionários e das
observações de campo, bem como os dados secundários referentes aos registros de
criminalidade, foram sistematizados em tabelas e gráficos elaborados no Microsoft Excel
(versão 2.93.25011023), sendo submetidos a procedimentos estatísticos simples, expressos em
frequências absolutas e relativas.
Convém destacar que todos os entrevistados foram informados sobre os objetivos da
pesquisa, o caráter voluntário da participação e o direito de desistência a qualquer momento.
Portanto, a coleta de dados ocorreu mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE) garantindo o anonimato, o sigilo das informações prestadas e a
utilização dos dados exclusivamente para fins científicos.
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O trabalho foi desenvolvido em cinco etapas: a primeira concentrou-se numa revisão
bibliográfica sobre os conceitos de medo e segurança. Na segunda etapa discute-se o termo
verticalização e aborda-se seu vínculo com a busca por segurança. A terceira etapa consistiu na
apresentação dos aspectos socioeconômicos do município de Montes Claros. A quarta etapa
visa apresentar a discussão dos dados obtidos a partir da pesquisa sobre a criminalidade violenta
de Montes Claros e sua verticalização. E, por fim, naturalmente, temos as considerações finais.
Dessa forma, apresentamos a seguir, a discussão da pesquisa.
Medo e segurança: uma análise conceitual
O medo é conceituado pelo Dicionário da Língua Portuguesa Virtual Michaelis como
“estado psíquico provocado pela consciência do perigo, real ou apenas imaginário, ou por
ameaça”. É possível compreender o medo como um sentimento instintivo, que reflete a
percepção de ameaça, mesmo que não haja um risco real iminente. Tuan (2006) expõe a
complexidade deste sentimento, apontando a imaginação como um fator que aumenta sua
intensidade.
Melgaço (2010) salienta que as pessoas têm projetado no espaço sentimentos que, por
sua vez são desproporcionais aos riscos verdadeiros. Um exemplo disso é observar a crescente
instalação de dispositivos de segurança em bairros em que as taxas de criminalidade estejam
regredindo, ou a mudança de comportamento dos indivíduos, por exemplo, alterar o caminho
para evitar passar por determinadas vias que consideram perigosas devido à baixa iluminação,
pouca circulação de pessoas etc., sem uma confirmação racional da autenticidade do perigo.
Convém complementar a discussão anterior com uma abordagem interseccional, porque
a percepção da segurança no espaço urbano não é uniforme varia de acordo com o lugar social
que cada indivíduo ocupa (Collins, 2019). A exemplo, um trajeto noturno em uma rua mal
iluminada pode ser considerado relativamente seguro por um homem, todavia, extremamente
ameaçador por uma mulher, sobretudo em um contexto de cultura do medo relacionado à
violência de gênero. Portanto, é perceptível que a experiência urbana é atravessada por diversos
marcadores como gênero, raça, classe, idade e orientação sexual.
A evolução contínua da sociedade está em concomitância à da criminalidade, fazendo
com que as noções de segurança e medo sejam reformuladas. Tuan (2006) discute o medo desde
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a infância até a terceira idade, sendo possível compreender a complexidade desse fenômeno em
cada fase da vida, assim como em cada período da sociedade.
Medos que a sociedade possuía em determinada época, como o de fenômenos da
natureza, foram se extinguindo à medida que o homem aumentou o seu poder sobre o meio.
Todavia, o crescimento urbano desordenado tem gerado um caos nas cidades e assusta os
recém-chegados por meio da paisagem, do movimento e, principalmente, em razão da presença
de cada vez mais pessoas. Isso exprime que, com o passar do tempo, o maligno foi deixando de
ser associado à natureza e passou a ser um atributo da humanidade (Tuan, 2006). Entende-se,
então, que o medo do crime é difuso e irracional, considerando que inúmeras variáveis que
podem influenciar no mesmo, como o contexto em que o indivíduo está inserido, o caráter da
pessoa e a sua própria vulnerabilidade. Esse medo possui também uma base material que o
sustenta, relacionada às desigualdades socioespaciais, às condições concretas de vida e às
dinâmicas históricas de produção do espaço urbano (Caiado, 2013).
Dessa forma, o medo não é estático; ele se transforma de acordo com os desafios que
cada geração enfrenta, seja no campo tecnológico, urbano ou social. A paisagem urbana
contemporânea, marcada pela desigualdade e pela insegurança reforça essa noção de medo, e
cabe às cidades e suas políticas de segurança compreenderem essas variações para responder
de forma eficaz a essa questão complexa e diversificada.
Bauman (2008) também aborda diferentes medos da humanidade de acordo com o
período em que estavam vivendo, evidenciando que a modernidade seria um grande salto à
frente, distanciando a população do medo e aproximando-a de um mundo livre. Todavia, à
medida em que os tempos avançam, é possível acompanhar também a violência se tornando
cada vez mais complexa e, consequentemente, observar um desvio na rota em direção a este
“mundo livre”.
Diante do exposto, fica evidente que ao invés de nos libertarmos do medo, a
modernidade trouxe incertezas quanto ao futuro, onde as ameaças são menos previsíveis e mais
difusas. Dessa forma, o desvio na rota em direção a este “mundo livre” se manifesta na
incapacidade de lidar com os problemas emergentes, como a crescente desigualdade social, a
precarização das relações de trabalho e a sensação de vulnerabilidade em ambientes urbanos
que parecem menos seguros e mais caóticos. O sonho de uma sociedade livre de medo se afasta,
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substituído por uma realidade marcada pela insegurança constante e a sensação de que o perigo
pode estar em qualquer lugar (Bauman, 2008).
O sentimento de insegurança pode ser considerado, subjetivo, uma vez que se
fundamenta na forma particular que cada um tem de perceber a realidade. Como consequência,
a insegurança pode ser encarada como medo ou preocupação, o medo do crime no domicílio,
na rua ou em comportamentos cautelares (Caiado, 2013).
Com as novas configurações do medo, também a discussão acerca da segurança,
tendo em vista que a sensação que a população possui de insegurança pode influenciar nas
paisagens, comportamentos, interação entre os indivíduos, saúde etc.; levando aos indivíduos a
cobrarem cada vez mais a presença do Estado como promotor de segurança para todos.
A segurança, enquanto tema central de debates acadêmicos e sociais, apresenta
múltiplas interpretações que variam de acordo com o contexto histórico, social, econômico e
geográfico em que está inserida. Não se trata apenas de uma questão objetiva, relacionada à
proteção contra ameaças físicas ou à prevenção de crimes, mas também de um conceito
subjetivo que envolve a percepção individual e coletiva de bem-estar e de estabilidade.
De acordo com o exposto pelo Dicionário da Língua Portuguesa Michaelis, pode-se
afirmar que a segurança é o “Estado do que se acha seguro ou firme; estabilidade, solidez” ou
“Aquilo que protege de agentes exteriores; abrigo; proteção; resguardo.” Desta forma, é
possível compreender a segurança, assim como o medo, como um sentimento instintivo,
também associado à percepção de perigo.
A busca por segurança está presente ao longo de toda a história da humanidade. Desde
os tempos antigos, as pessoas têm sentido a necessidade de se proteger contra ameaças externas,
sejam elas fenômenos naturais, predadores ou mesmo outros seres humanos. Tuan (2006)
afirma que com o passar do tempo, as sociedades foram se desenvolvendo e assim as ameaças
foram se tornando cada vez mais complexas. Na contemporaneidade, as abordagens acerca da
segurança têm sido crescentes no espaço mundial, uma vez que sua ausência tem impactado
diretamente em várias esferas na vida da população, estando associada a diversos fatores -
invasões, roubos e criminalidade de modo geral.
Para Caiado (2013), a segurança é um dos temas mais importantes do mundo atual. E, o
atentado de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, foi um evento marcante que alterou
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tragicamente a forma como as pessoas enxergam a segurança. Antes desse ataque, a segurança
era vista de forma mais simples e direta, focada principalmente na proteção contra ameaças
físicas. No entanto, o ataque às Torres Gêmeas mostrou que a segurança passou a ser algo muito
mais complicado, envolvendo não apenas a proteção física, mas também a estabilidade
econômica, social e política.
O Estado é o responsável pela organização e funcionamento das sociedades
democráticas contemporâneas. Dito isto, a segurança é vista como uma questão do Estado, ou
seja, um “Bem Público”, mas não dependente somente do Estado, à medida que o indivíduo
que possui condições para se auto proteger, elevará o nível de segurança para si (Caiado, 2013).
Ao consultar a Constituição Federal de 1988 é possível obter sua confirmação, pois encontra-
se no Art. 144 a disposição do direito à segurança pública como um dever do Estado, direito e
responsabilidade de todos.
Caiado (2013) enfatiza a importância de uma abordagem integrada que conecte os
órgãos de segurança pública a todos os outros setores da sociedade, incluindo o setor
urbanístico. Essa integração é crucial, dado que a securitização dos espaços urbanos, muitas
vezes resultado do crescente sentimento de insegurança entre os habitantes, tende a favorecer a
segregação socioespacial (Sposito, 2013).
Ao separar grupos sociais por meio de medidas de segurança, como barreiras físicas e
vigilância constante, cria-se um ambiente que não apenas divide a população, mas também
pode, paradoxalmente, contribuir para um aumento da criminalidade. Em vez de proporcionar
maior proteção, essa dinâmica pode reforçar tensões sociais e criar zonas de exclusão que
intensificam os desafios de segurança e coesão social. Por isso, Caiado (2013) aponta que
políticas de segurança eficazes devem considerar o impacto mais amplo das estratégias urbanas
na estrutura social e trabalhar de forma colaborativa com diversos setores para criar soluções
que promovam tanto a segurança quanto a inclusão. A seguir, discutiremos o termo
verticalização e abordaremos seu vínculo com a busca por segurança.
A verticalização urbana e a busca por segurança
A urbanização não seguiu um padrão homogêneo, ou seja, não ocorreu de maneira
linear ou simultânea em todas as áreas do mundo, pois dependeu de uma série de fatores
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Criminalidade e verticalização urbana em Montes Claros (Minas Gerais/Brasil). Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 13, nº 26, e132606, 2026.
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específicos, tais como as particularidades sociais, políticas, ambientais e culturais em que
estavam inseridas. Enquanto algumas áreas experimentaram um rápido crescimento urbano,
impulsionado pela industrialização, globalização e avanços tecnológicos, outras passaram por
um processo de urbanização mais lento, condicionado por limitações econômicas ou por
legislações que controlaram o uso do solo de forma mais rígida. Além disso, o contexto
ambiental de cada lugar também desempenhou um papel crucial na forma como a urbanização
ocorreu, influenciando a disponibilidade de recursos naturais e as necessidades de adaptação
às condições climáticas.
Embora esse processo tenha ocorrido de maneiras e em épocas diferentes nas mais
variadas partes do planeta, é válido ressaltar que o século XIX foi um marco para a história
da urbanização, uma vez que se expandiu de forma significativa por várias áreas do globo.
França e Almeida (2015) denotam que a partir deste período, a urbanização ganha impulso e
começa a se expandir de forma mais acelerada para novas áreas, criando diferentes dinâmicas
urbanas e sociais, como por exemplo, as cidades médias que desempenham papéis
importantes nas áreas em que estão inseridas.
Quanto ao desenvolvimento das cidades, é necessário considerar que este não se reduz
às aglomerações de casas, prédios, ruas e avenidas: as cidades também são espaços que
carregam significados e interações entre as pessoas. Santos (2011) aponta que a cidade pode
ser entendida como um conjunto de elementos que são criados com diferentes propósitos e
significados e destaca que a mesma envolve dois tipos de produção: a material (que podemos
ver através de objetos físicos, como as construções, as infraestruturas e os equipamentos que
usamos e que circulam na cidade) e a produção simbólica (que seria a mais abstrata e está
relacionada à forma como as pessoas interpretam e atribuem significado ao ambiente ao seu
redor).
Nesse processo, a subjetividade não pode ser compreendida como estritamente pessoal
ou individual, pois ela é socialmente condicionada e historicamente produzida. As percepções,
valores e interpretações que os indivíduos constroem sobre a cidade refletem as condições
sociais, culturais, econômicas e espaciais da sociedade em que estão inseridos.
Isto posto, o processo de verticalização das cidades, fenômeno que tem se intensificado
nas últimas décadas, causando transformações nas paisagens urbanas, se torna não apenas uma
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solução prática para acomodar mais pessoas em espaços limitados, mas também, um símbolo
das mudanças sociais e econômicas que moldam a vida urbana. Os edifícios altos e os
condomínios fechados não são apenas construções sicas eles carregam consigo muitos
desejos como segurança, status e/ou isolamento. Ao abordar a definição de verticalização nas
áreas urbanas, Queiroz e Costa (2017, p. 33) afirmam que “é um processo espacial que produz
como formas espaciais os edifícios altos e os arranha-céus, que são espaços verticais com
funções residenciais ou terciárias (de comércios e serviços)”.
Para Mendes (1992), a verticalização pode ser entendida como a construção de
edifícios com quatro ou mais pavimentos, sendo considerada um processo intensivo de
reprodução do solo urbano, decorrente da produção e apropriação de diferentes formas do
capital. Ademais, é possível caracterizar este processo como uma forma de aproveitar ao
máximo o espaço disponível nas áreas urbanas, através da construção sob pavimentos ao invés
de optar por um crescimento horizontal.
De acordo com Mendes (1992), o desenvolvimento de prédios mais altos está
relacionado a interesses econômicos como o da maximização do uso do solo, com a finalidade
de obter maiores lucros. A forma de habitação dos edifícios verticais reflete como o capital
tem poder de influência na organização e na transformação do espaço urbano. Esta mudança
na forma de moradia não altera apenas a questão da segurança física, mas sim, a estrutura e as
dinâmicas sociais e culturais de uma vida urbana em comunidade, já que os residentes desses
enclaves muitas vezes, acabam se distanciando das interações que caracterizam a vida nos
bairros mais tradicionais.
Bauman (2003) percebe que, na evolução do capitalismo moderno, ocorreram duas
mudanças importantes, a saber: i) a tentativa de substituição do modo de vida tradicional das
comunidades, pautado em ritmos e rotinas naturais por um sistema de regras e hábitos criados
e controlados de forma artificial e, ii) a mudança para tentar recriar um “sentimento de
comunidade” adaptado à nova lógica de poder do capitalismo moderno, onde a vida cotidiana
é marcada pela impessoalidade, pela dinâmica repetitiva de produção, tendo o foco na
organização do trabalho e a relação impessoal entre pessoas e máquinas.
Diante disso, entende-se que as tarefas diárias refletem também, as novas formas de
vida urbana, onde o individualismo e a separação dos espaços tornam-se características das
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relações humanas na modernidade. A busca pela segurança em espaços verticalizados e
separados, embora ofereçam um alívio no que tange a sensação de segurança, ainda assim, é
alvo de muitos debates, pois a longo prazo, gera um impacto significativo nas relações sociais
e na configuração da cidade, levando em consideração que esses espaços fechados e
protegidos contribuem para a segregação urbana.
Rolnik (2015) aborda como o capital financeiro apropria-se de diversos setores da
sociedade para se reproduzir, incluindo o setor de moradia - fenômeno que ocorre em diversas
áreas no mundo. Como consequência, fica a herança de mazelas sociais que irão gerar a
“guerra dos lugares”. Ao se tornarem alvos de investimentos financeiros e imobiliários, as
cidades acabam sendo palcos de construções verticais, que as transformam e padronizam,
resultando/culminando na “mimetização” dos lugares, ou seja, bairros e cidades ao redor do
mundo que adotam estratégias semelhantes de ocupação do solo, criando uma uniformidade
arquitetônica e econômica.
Compreende-se, portanto, que a verticalização expressa a lógica do capitalismo na
produção do espaço urbano, na medida em que este é continuamente reorganizado para atender
às demandas do mercado. Esse processo tem contribuído para a fragmentação das cidades por
meio da proliferação de espaços residenciais fechados, caracterizados por muros, controle de
acesso e sistemas de vigilância.
Conforme discutem Goés e Sposito (2013), tais empreendimentos não se restringem
mais às elites, estendendo-se também aos estratos de renda média, o que evidencia a difusão da
lógica da exclusão, da separação socioespacial e da securitização como elementos estruturantes
da urbanização contemporânea. Ademais, embora esses edifícios possam gerar uma sensação
de segurança no curto prazo, a longo prazo tendem a impactar negativamente as relações
sociais, ao reduzir a interação comunitária, enfraquecer os vínculos de vizinhança e reforçar
processos de exclusão e isolamento de determinados grupos sociais.
É importante ressaltar que a verticalização demanda conhecimento técnico e
participação de diferentes grupos, como os donos de terras, empresas imobiliárias, o governo
e até mesmo pessoas “excluídas”. Antes, esse processo era restrito às cidades grandes, todavia,
tem se espacializado cada vez mais nas cidades médias e até mesmo nas pequenas (Morigi e
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Bovo, 2016). Posto isto, apresentaremos na próxima seção os aspectos socioeconômicos do
município de Montes Claros, área desse estudo.
Caracterização da área de estudo
O município de Montes Claros localiza-se na Região Geográfica Intermediária de
Montes Claros, a quase 450 km da capital, possui 3.568,941 km² de unidade territorial (IBGE,
2022) e dispõe de um dos mais importantes entroncamentos rodoviários do país além de
representar grande relevância como polo educacional, político, comercial e de saúde. Assim,
milhares de pessoas se deslocam diariamente de suas cidades natais em busca dos serviços
prestados neste.
No último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
no ano de 2022, o município de Montes Claros contava com uma população de 414.240
habitantes. A cidade foi elevada à condição de cidade mais populosa de Minas Gerais,
ficando atrás apenas de Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem e Juiz de Fora, respectivamente.
Tal característica faz com que Montes Claros seja enquadrada como município de porte médio,
pois, de acordo com a classificação de porte populacional defendida pelo IBGE, são
configuradas por cidades que contenham entre 100 e 500 mil habitantes (IBGE, 2022).
Contudo, Sposito (2006) aponta que o conceito de cidade média precisa ir além da
dimensão populacional, envolvendo também outros aspectos fundamentais como o grau de
centralidade, a capacidade de articulação regional da cidade e a complexidade de suas funções.
Diante de tais fatores, Montes Claros é reconhecida como uma cidade média.
Sua população é formada por 52% de mulheres (215.465) e 48% de homens (198.775).
Quanto à cor/raça, 248.666 pessoas se titulam pardas; 119.362, brancas; 45.347, pretas; 442,
indígenas e 417, amarelas (IBGE, 2022).
Montes Claros faz divisa com Bocaiúva, ao sul, Francisco Sá, ao norte, Glaucilândia, a
leste, e Mirabela, a oeste (Figura 1). Esta localização proporciona a Montes Claros um papel
central na rede urbana da Região Geográfica Intermediária de Montes Claros, facilitando o
acesso e a interconexão com outras localidades. O perímetro urbano do município de Montes
Claros já fora dividido de distintas formas; atualmente, é dividido em 160 bairros.
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Figura 1 Mapa de localização do município de Montes Claros (Minas Gerais/Brasil).
Fonte: IBGE, 2023. Org.: Autores, 2025.
Em 1970, o governo federal brasileiro, por meio de políticas públicas de ordenamento
territorial, incentivou a criação de novos polos de desenvolvimento em regiões periféricas com
a finalidade de conter a migração em direção às metrópoles, que enfrentavam diversos
problemas sociais (violência, ausência de moradia digna e desemprego), oriundos do acelerado
crescimento de sua população urbana. Impulsionar o desenvolvimento de cidades pequenas e
médias pode ser considerado um contraponto ao acelerado crescimento da população urbana
das metrópoles (França, 2007).
Montes Claros está inserida na área de atuação de Belo Horizonte (MG) e configura-se
como um dos principais centros urbanos dessa rede, sendo classificada como Centro Sub-
regional A. A cidade recebe fluxos significativos de bens e serviços da capital, o que lhe confere
elevado nível de centralidade. Dessa forma, exerce papel de comando sobre a região
circunvizinha, estabelecendo relações próprias e articulando o espaço regional (França, 2007).
Sua área de atuação abrange diversos centros urbanos do Norte de Minas Gerais,
destacando-se Janaúba (Centro Sub-regional B); Januária, Pirapora e Salinas (Centros de Zona
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A): Itacarambi, Manga, Porteirinha, São Francisco, Taiobeiras e Várzea da Palma (Centros de
Zona B). No que tange à estrutura etária, a população entre 16 e 69 anos é majoritária,
representando 73% (301.976), enquanto os habitantes menores de 15 anos correspondem a
86.617 habitantes (21%), e aqueles com mais de 70 anos alcançam apenas 25.647 pessoas,
equivalente a 6% (IBGE, 2022).
De acordo com os dados sociodemográficos do Censo Demográfico de 2022, Montes
Claros possui um perfil notadamente jovem, onde 27% dos moradores têm entre 15 e 29 anos,
faixa etária reconhecida como mais vulnerável à vitimização e à associação com delitos (Beato,
1998). Além disso, observa-se que 60% dos indivíduos se autodeclaram pardos e 11%, pretos,
configurando um quadro racial que precisa ser considerado à luz dos debates sobre seletividade
do medo, desigualdade no acesso à segurança e à percepção dos sujeitos sobre a temática,
considerando seus respectivos lugares sociais (Collins, 2019).
A expansão da agropecuária foi fundamental no processo de povoamento e formação de
Montes Claros. Segundo Gomes (2007), no período compreendido entre os séculos XVII e ao
início do século XX, Montes Claros foi considerada uma cidade agrária. diversos
acontecimentos que marcaram a trajetória da formação de Montes Claros, como a inauguração
da Estrada de Ferro Central do Brasil em setembro de 1926, que favoreceu o comércio e a
comunicação e evidenciou a posição do município como um importante centro urbano e
comercial além de possibilitar a ligação entre o Nordeste e o Centro-Sul do Brasil, sendo que,
na região Norte, a ferrovia é bem concentrada. Essa foi a primeira via que uniu por terra as
cidades do Rio de Janeiro e São Paulo com o interior de Minas Gerais e Bahia, na década de
1950 (Canan, 2014).
O grande aumento da rede viária intra e inter-regional (rodovias) a partir dos anos 1970
e 1980, que ligou Montes Claros às demais regiões e mercados brasileiros (França et al., 2009),
impulsionou o crescimento econômico e populacional de Montes Claros. O entroncamento
rodoviário de Montes Claros liga o nordeste ao sudeste do Brasil, destacando a cidade como
um centro de mobilidade socioespacial na região. Através dos deslocamentos pendulares, uma
quantidade expressiva de pessoas vai à cidade, diariamente, seja por meio do transporte público
regular de passageiros ou pelo transporte informal. Conforme ilustra a pesquisa realizada pela
Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Montes Claros (ACIMOC):
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O município de Montes Claros possui uma malha viária de 4.600 km de estradas
cortando os seus 3.576 km² interligando os diversos distritos e comunidades com a sede
do município servindo como canal de escoamento da produção rural, transporte da
população e escolar para atendimento ao sistema de nucleação. Quanto às rodovias
federais o município possui um dos maiores entroncamentos rodoviários do país servido
pelas Rodovias BR-135 que corta o município no sentido Bocaiúva/Mirabela; BR-365
Pirapora/Triangulo Mineiro; BR-251 sentido Francisco Sá […] que também permitem
a ligação com outros modais rodoviários (BR-040, BR-116) (ACIMOC, 2012, p. 16-
22).
A industrialização ocorreu a partir da década de 1960 com a intervenção da
Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), e, segundo Leite e Pereira
(2005, p. 46): “entre as cidades da área mineira da SUDENE, Montes Claros foi a que atraiu
mais investimentos, em virtude da localização geográfica, da posição como centro comercial e
do fato de possuir boa infraestrutura”.
A indústria se instalou na Região Geográfica Intermediária de Montes Claros, tendo
como sede Montes Claros, que reunia as principais condições para abrigar tal atividade (França,
2007). A implantação do Distrito Industrial incentivou a migração rural-urbana, o que
contribuiu para o crescimento da população urbana e para a expansão da área
construída/ocupada da cidade. Convém destacar que antes da SUDENE existiam as indústrias
têxtil e de alimentos, e no pós-SUDENE, há os médios e grandes empreendimentos industriais.
A indústria trouxe a necessidade de mão de obra qualificada, o que impulsionou os
investimentos na infraestrutura educacional, tanto de ensino técnico quanto superior, atraindo
a população da região. Para Rigotti e Campos (2009, p. 15):
[] municípios contidos na categoria de Cidades Médias do Nível Superior como
Montes Claros, Pouso Alegre, Sete Lagoas, Divinópolis, Uberaba, Varginha, Poços de
Caldas, Passos, nesta ordem. Portanto, estes municípios tiveram importante papel de
absorvedores não apenas de sua população rural, mas também de outras localidades,
muito provavelmente, de seus entornos.
Após a década de 1990, o setor de comércio e de serviços, especialmente aqueles
relacionados à saúde e à educação, os quais começaram a se destacar, tornando a maior parte
da economia municipal, tendo em vista que nas cidades médias, o dinamismo do setor terciário
é um fator/elemento relevante. Uma vez que sua dinâmica pode beneficiar a economia
significativamente, assim como também impõe desafios, tais como a necessidade de
infraestrutura adequada, serviços públicos de qualidade e gestão sustentável do crescimento
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urbano. Portanto, entender tais interações é fundamental para que os gestores públicos possam
desenvolver políticas que não apenas atendam à demanda por espaço e serviços, mas também
promovam a qualidade de vida dos habitantes e a sustentabilidade das cidades médias (França
et al., 2009).
No Produto Interno Bruto (PIB) do município de Montes Claros, considerando os
valores deflacionados para preços constantes de 2021, o setor agropecuário apresentou a menor
participação entre 2011 e 2021. O setor industrial apresentou crescimento real ao longo do
período analisado. Em 2011, registrava sua menor participação, equivalente a R$ 2.718.128,79
(valores deflacionados para preços constantes de 2021), atingindo R$ 1.962.105,58 em 2021,
valor nominal utilizado como referência. Apesar da tendência geral de crescimento, ocorreram
duas retrações reais: entre 2014 e 2015, quando o valor passou de R$ 3.138.990,55 para R$
1.512.319,99 e entre 2016 e 2017, de R$ 2.622.143,22 para R$ 1.556.961,75.
O setor de serviços manteve-se como o principal componente do PIB municipal,
apresentando o maior impacto econômico ao longo de toda a série histórica. Em 2011, sua
participação correspondia a R$ 5.600.067,69 (a preços constantes de 2021), enquanto em 2021
atingiu R$ 5.465.198,48. Em termos relativos, observa-se que o setor apresentou apenas uma
retração real entre 2019 e 2020, quando o valor passou de R$ 5.532.391,01 para R$
4.950.216,51, refletindo os impactos econômicos da pandemia, mantendo-se, ainda assim,
como o principal eixo da economia municipal (Gráfico 1).
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Gráfico 1 Produto Interno Bruto do município de Montes Claros (2011-2021), multiplicado
por mil.
Fonte: FJP, 2023. Org.: Autores, 2025.
O decréscimo do PIB em 2020 esteve associado à variação negativa do índice de volume
de boa parte das atividades terciárias e, particularmente, daquelas que dependiam do fluxo e da
circulação de pessoas, afetadas pelas medidas restritivas de isolamento social adotadas como
medidas de contenção do Coronavírus, tais como os serviços de alojamento, hospedagem,
alimentação fora do domicílio, turísticos, prestados às famílias, de transporte de passageiros, a
educação e saúde pública e privada, e parte do comércio associado às vendas de produtos da
cadeia metalmecânica, de tecidos, vestuário e calçados, livros e papelaria, e de combustíveis e
lubrificantes, em consonância com a redução no nível de atividade dos serviços de transporte
(FJP, 2023).
As atividades agropecuárias, industriais e de serviços contribuíram demasiadamente
para o crescimento urbano da cidade abordada. Isto pode ser constatado por meio do percentual
de pessoas residentes em domicílios em situação urbana em relação ao total da população (taxa
de urbanização), conforme disposto na Tabela 1.
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Tabela 1 Crescimento populacional do município de Montes Claros (1960-2022).
Ano
População total
Taxa de urbanização (%)
1960
132.502
35,12%
1970
116.486
73,10%
1980
177.302
87,59%
1991
250.062
91,08%
2000
306.947
94,22%
2010
361.915
95,18%
2022
414.240
-
Fonte: IBGE, 2022. Org.: Autores, 2025.
Em 1960, o município de Montes Claros apresentava uma taxa de urbanização de
35,12%, evidenciando forte ligação com as atividades voltadas à agropecuária, fato esse que se
modificou com a industrialização da cidade. Observa-se que, ao longo das últimas décadas, a
população rural passou a se deslocar progressivamente para a área urbana, movimento que se
intensificou a partir da década de 1970, impulsionado pelos novos investimentos produtivos no
município e pela busca por inserção no mercado de trabalho urbano.
Cabe destacar que esse processo não se restringiu ao município de Montes Claros, mas
integrou uma tendência observada em escala nacional. A migração rural-urbana configurou-se
como um fenômeno marcante no Brasil a partir da década de 1970, decorrente de ltiplos
fatores, como a modernização da agricultura, a concentração fundiária, a expansão da indústria
e dos serviços nos centros urbanos e as políticas de desenvolvimento regional. Destarte, as
transformações demográficas observadas em Montes Claros refletem, em grande medida, a
dinâmica socioeconômica mais ampla vivenciada pelo país nesse período.
Moura (2016) aponta que nos últimos anos a cidade de Montes Claros tem passado por
significativas mudanças devido ao seu crescimento econômico. O autor destaca que indicadores
como: aumento de renda, novos investimentos e o crescimento do número de estudantes nas
Instituições de Ensino Superior (IES), estão entre os mais altos do Brasil. Além disso, a cidade
tem recebido novos investimentos comerciais, o que tem fortalecido sua posição como um
importante polo regional.
O rápido crescimento ocorrido no município acarretou diversos problemas sociais, a
saber: pobreza, fome, desigualdades sociais, concentração de renda, criminalidade, dentre
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outros (Gomes, 2010). Ressalta-se que esses fenômenos são frequentemente apresentados como
fatores potenciais para a incidência da criminalidade.
Assim como é possível identificar vertentes teóricas que associam a criminalidade à
pobreza, também autores que atribuem à riqueza um papel central na explicação do crime.
Nesse sentido, argumenta-se que a riqueza cria oportunidades para a prática criminosa, tornando
o delito compensatório para aqueles que o praticam (Beato, 1998).
De maneira convergente, Sposito e Goés (2013) explicam a criminalidade a partir das
disparidades econômicas, as quais decorrem, sobretudo, da concentração de renda e da
produção desigual do espaço urbano. Na próxima seção, apresentaremos os resultados da
pesquisa.
Resultados e Discussões
De acordo com Gomes (2010), a segregação socioespacial e o crescimento desordenado
da cidade de Montes Claros favoreceram o aumento das taxas de crimes violentos. Uma vez
que a expansão de áreas segregadas gera espaços onde a presença do Estado é mais fraca, dando
possibilidades para a propagação da criminalidade. A ausência ou a ineficiência de políticas de
integração social e de combate à pobreza também contribuiu para o agravamento da violência
na cidade, alimentando um ciclo vicioso de exclusão social e o sentimento de insegurança da
população. No que tange ao aumento da taxa de crimes violentos em Montes Claros, Gomes
(2010) expõe um crescimento bastante expressivo entre o período de 1990 e 2005:
Para que se tenha uma idéia desse crescimento basto analisar os registros oficiais da
Polícia Militar. Até a segunda metade dos anos 1990, a cidade apresentava uma taxa
1,39 crimes violentos para grupo de 1.000 habitantes2 (1995). Dez anos depois, em
2005, o aumento acumulado já era de 700,71%, maior taxa já observada na história da
criminalidade no município (Gomes, 2010, p. 20).
Gomes (2010) destaca ainda que mesmo com a redução das taxas de criminalidade
violenta nos anos seguintes (2006, 2007 e 2008), a busca por segurança e a insatisfação social
permaneceram latentes, sendo, inclusive, noticiada constantemente pelos noticiários, que
destacavam incidentes de violência e a ineficácia da segurança pública. Neste sentido, a mídia
configura-se como um agente que contribui para a construção de um imaginário social em que
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a violência é percebida como um problema constante, independente dos dados estatísticos, os
quais demonstram queda dos índices criminais.
O sentimento de insegurança impacta diretamente na qualidade de vida dos moradores
e até mesmo na confiança da população nas instituições que são responsáveis pela promoção
da segurança pública. Os dados disponibilizados pelo Centro Integrado de Informações de
Defesa Social possibilitam a análise dos índices de criminalidade violenta entre janeiro de 2019
a agosto de 2024, por bairros na cidade de Montes Claros, permitindo relacionar a distribuição
espacial da criminalidade com a presença da verticalização urbana.
É válido destacar quais os tipos de crimes que são considerados violentos nos dados da
Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a saber: roubo consumado e tentado, registros de
homicídio consumado e tentado, estupro consumado e tentado, estupro de vulnerável
consumado e tentado, extorsão mediante sequestro consumado, sequestro e cárcere privado
consumado e tentado e extorsão tentada e consumada (Minas Gerais, 2024).
Após ter acesso aos dados, foi realizada a espacialização da ocorrência dos crimes
considerando a coluna de coordenadas geográficas da tabela fornecida pela PCMG. Em seguida,
foi utilizado o shapefile de bairros da cidade de Montes Claros, fornecido pelo Laboratório de
Geoprocessamento da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). O arquivo
shapefile é referente aos bairros do ano de 2020, por isso, algumas ocorrências de crimes não
foram consideradas, pois extrapolavam o limite do shp ou foram registradas em zonas rurais.
Para gerar o kernel, os arquivos foram inseridos na ferramenta Interpolar do software Qgis 3.26.
Por fim, utilizando uma gradação de cores que varia do verde ao vermelho é possível
observar a distribuição espacial dos registros de criminalidade violenta em Montes Claros no
período analisado. Na Figura 2, indicamos as áreas com maior e menor concentração de
ocorrências criminais na cidade, sendo possível verificar se os bairros com maior densidade de
edifícios (Costa 2014) também concentram criminalidade violenta, de acordo com a lógica da
securitização urbana descrita por Melgaço (2010).
O polígono de maior intensidade (bairro Centro) representa as 218 ocorrências violentas
ocorridas entre janeiro de 2019 a agosto de 2024 (37% de todos os crimes urbanos do período
analisado), justamente onde 60% dos 165 edifícios verticais da cidade se erguem (Costa, 2014);
o anel amarelo (bairro Todos os Santos) reúne 89 crimes e dispõe de 22% dos edifícios. As
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áreas destacadas em vermelho, que aparecem mais ao centro do mapa, representam os pontos
de maior concentração de crimes. Essa concentração sugere que a criminalidade é mais intensa
nas regiões com maior circulação de pessoas - locais onde comércios, bares e serviços que
atraem um fluxo significativo de transeuntes pelo local.
Figura 2 Mapa de densidade da criminalidade violenta em Montes Claros, Minas Gerais
(janeiro de 2019 a agosto de 2024).
Fonte: CINDS, 2024. Org.: Autores, 2024.
As áreas centrais, por serem mais dinâmicas, podem atrair tanto atividades econômicas
quanto ações criminosas, como furtos e roubos, que se beneficiam da maior movimentação. As
regiões em amarelo e laranja ao redor da área central indicam uma densidade intermediária de
ocorrências, que formam uma espécie de zona de transição, nas quais os índices de
criminalidade são menores do que no centro, mas ainda dispõem de uma presença relevante de
eventos criminosos.
Por outro lado, as áreas em verde, localizadas nas extremidades do mapa, indicam áreas
com menor concentração de crimes. Estas áreas são tipicamente mais afastadas do centro
urbano e apresentam características como menor densidade populacional, menos comércio e
atividades públicas, o que reduz as oportunidades para a ocorrência de delitos. A presença mais
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reduzida de crimes nessas regiões pode estar associada a fatores como a ausência de alvos
potenciais ou uma maior vigilância comunitária, típica de bairros periféricos ou rurais.
Para identificar quais bairros de Montes Claros concentraram os maiores registros de
criminalidade violenta nos últimos cinco anos, foram somados os crimes registrados em cada
bairro no período de 2019 a 2024, considerando os dados disponíveis até agosto de 2024. A
partir desse procedimento, os bairros foram classificados em ordem decrescente (do maior para
o menor número de ocorrências), conforme apresentado na Tabela 2. Essa abordagem permite
uma visão geral da distribuição da criminalidade violenta por bairros no município.
Tabela 2 Bairros com maiores registros de criminalidade violenta em Montes Claros entre
2019 e agosto de 2024.
Bairros
Anos
2019
2021
2022
2023
2024
Centro
54
31
38
44
15
Todos os Santos
15
12
20
12
8
Planalto
10
11
16
10
12
Edgar Pereira
29
7
7
9
9
Alto São João
11
11
11
9
13
Carmelo
12
11
14
9
5
São José
5
10
12
10
14
Jardim Palmeiras
3
9
9
11
6
Major Prates
7
10
7
9
4
Santos Reis
7
6
7
6
7
Fonte: Centro Integrado de Informações de Defesa Social CINDS, 2024. Org.: Autores, 2024.
Entretanto, a análise baseada exclusivamente nos totais acumulados pode ocultar
variações importantes ao longo do tempo, gerando ruídos interpretativos. A incorporação de
uma perspectiva temporal evidencia dinâmicas distintas entre os bairros analisados. Observa-
se, por exemplo, que os bairros Centro e Todos os Santos, embora liderem o ranking geral de
ocorrências, apresentaram uma redução significativa no número de registros nos anos mais
recentes do período analisado. Tal queda suscita questionamentos acerca das possíveis causas
dessa diminuição, entre as quais se destacam mudanças na dinâmica urbana, a intensificação de
políticas de segurança pública e eventuais transformações no processo de verticalização dessas
áreas centrais, que podem ter alterado padrões de uso do espaço e de circulação de pessoas.
Por outro lado, o bairro São José apresenta um crescimento gradual no número de
registros de criminalidade violenta ao longo do período, o que pode estar relacionado ao
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aumento da verticalização e ao consequente adensamento demográfico observado nos últimos
anos. Esse processo tende a intensificar fluxos populacionais, ampliar a circulação cotidiana e
redefinir o uso do solo urbano, fatores que podem contribuir para o aumento das ocorrências
criminais. Contudo, essa relação não deve ser interpretada de maneira determinista, pois a
dinâmica da criminalidade é influenciada por um conjunto mais amplo de fatores, entre os quais
se destacam as condições socioeconômicas, a infraestrutura urbana, a oferta de serviços
públicos e a atuação do poder público.
Assim como em outras cidades médias, Montes Claros tem vivenciado um crescimento
urbano que reflete o processo de verticalização, onde a construção de prédios está
transformando a paisagem da cidade, trazendo novas dinâmicas para as relações sociais e
espaciais. Costa (2014) apresenta o número de edifícios verticais na cidade de Montes Claros
distribuídos por décadas de 1970 até o ano de 2019; esses dados fornecem um panorama
temporal que permite identificar as tendências do crescimento, a intensificação e a distribuição
da verticalização ao longo dos anos na cidade.
Os primeiros edifícios da cidade de Montes Claros surgiram em meados de 1970, na
área central, como o Diu Colares, o Rocha Hotel e a Santa Maria Imaculada, chegando a
contabilizar 14 edifícios até a década de 1980, todos com arquitetura simples, utilizados para
fins residenciais, comerciais ou mistos. A partir da década de 1980, este número quase
triplicou, sendo possível identificar 39 edifícios verticais no fim da mesma década (Costa,
2014). Esse salto indica um movimento de urbanização mais acelerado, que segue com
crescimento nos anos seguintes (Tabela 3).
Tabela 3 Número de edifícios verticais construídos em Montes Claros em
1970,1980,1990, 2000 e 2010.
Década
Número de Edifícios
1970
14
1980
39
1990
55
2000
117
2010
165
Fonte: Costa, 2014. Org.: Autores, 2025.
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O Gráfico 2 permite a visualização de um parâmetro do crescimento de edifícios
verticais construídos em Montes Claros ao longo das últimas décadas (1970, 1980, 1990, 2000,
2010). Percebe-se que o crescimento obtido na década de 1990 foi moderado, mas não deixou
de ser contínuo.
Gráfico 2 Parâmetro de crescimento de edifícios verticais em Montes Claros, Minas
Gerais.
Fonte: Costa, 2014. Org.: Autores, 2025.
Os dados acima exibem como o processo de verticalização se intensificou em Montes
Claros até a década de 2010, quando alcançou 165 edifícios verticais. Esse aumento
expressivo sugere uma expansão econômica e populacional na cidade, acompanhada por uma
maior presença de construtoras e imobiliárias que encontraram oportunidades no
desenvolvimento de novos empreendimentos.
Os dados analisados indicam indícios de transformação na estrutura e na paisagem
urbana de Montes Claros, especialmente no que se refere à intensificação do processo de
verticalização em determinados setores da cidade. Essa dinâmica sugere mudanças não apenas
na configuração física do espaço urbano, mas também em aspectos sociais e econômicos, ao
introduzir novos desafios relacionados ao planejamento urbano, à infraestrutura e à organização
espacial (Costa, 2014).
Observa-se, a partir do período recente, um aumento perceptível na presença de
edificações verticais no município. Contudo, é importante destacar que não dados
14
39
55
117
165
Década de 1970 Década de 1980 Década de 1990 Década de 2000 Década de 2010
0
20
40
60
80
100
120
140
160
180
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sistematizados ou estudos oficiais que quantifiquem com precisão o número atual de edifícios
construídos entre 2010 e 2025. Dessa forma, as análises aqui apresentadas não se baseiam em
valores absolutos, mas em tendências observadas a partir da dinâmica urbana e da literatura
especializada, reconhecendo-se os limites empíricos dessa interpretação.
Costa (2014), ao analisar os usos dos edifícios em Montes Claros, destaca-se o bairro
Centro como aquele que concentra a maior parte dos empreendimentos verticais, como o
Edifício Montes Claros, um dos mais antigos da cidade, de uso misto (residencial e comercial),
os edifícios Flamboyant, Odete Antunes Coelho, Plazza Center e Hotel Dimas Lessa. Esses
empreendimentos evidenciam a diversidade funcional da verticalização na área central,
associada sobretudo à centralidade urbana, à valorização do solo e à concentração de
atividades econômicas e de serviços.
A relação entre verticalização e criminalidade no bairro Centro não deve ser
compreendida como um vínculo de causalidade direta, no qual a verticalização resultaria do
aumento dos índices criminais ou, inversamente, a criminalidade decorreria automaticamente
da verticalização. O elevado número de registros de criminalidade violenta no Centro está
fortemente relacionado à intensa circulação de pessoas, à concentração de atividades comerciais
e de serviços, bem como ao adensamento populacional característico das áreas centrais, fatores
que ampliam as oportunidades para a ocorrência de delitos.
Além do destaque notório da região central, é relevante apontar a intensa verticalização
ocorrida em outras áreas importantes da cidade, como na Rua Santa Maria (bairro Todos os
Santos) e na Avenida Mestra Fininha (bairro Jardim São Luiz) áreas onde o fenômeno da
verticalização se intensificou, refletindo uma expansão urbana que articulou o centro da cidade
com os bairros adjacentes. Convém destacar que o bairro Todos os Santos ocupa a segunda
posição quanto aos bairros com maiores índices de criminalidade violenta em Montes Claros.
Os espaços residenciais fechados, localizados em áreas mais afastadas do centro urbano,
funcionam como estratégias preventivas associadas à produção de espaços seletivos e à
intensificação da fragmentação socioespacial, contribuindo para a redução relativa dos registros
criminais nessas áreas e para o fortalecimento de práticas de autossegregação.
A expansão urbana supracitada alterou o perfil arquitetônico dessas áreas da cidade além
de promover uma reconfiguração no uso e valorização do solo urbano. O crescimento vertical
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nessas avenidas e ruas principais foi acompanhado por melhorias na infraestrutura e na oferta
de serviços, atraindo novos moradores e investidores, o que contribuiu para a consolidação de
novas centralidades urbanas em Montes Claros.
Embora os dados secundários indiquem redução recente dos registros de criminalidade
em alguns dos bairros analisados, a pesquisa de campo realizada em janeiro de 2026, revelou
que a percepção de insegurança permanece presente no cotidiano dos moradores. No que se
refere ao tempo de residência, constatou-se que, entre os 10 moradores de edifícios verticais
localizados no bairro Centro de Montes Claros, a maioria, composta por 5 entrevistados (50%),
reside nos edifícios um período entre 3 e 5 anos. Em seguida, 3 participantes (30%)
informaram residir no local até 2 anos e, por fim, 2 entrevistados (20%) declararam morar
nesses edifícios há mais de 5 anos, conforme apresentado no Gráfico 3.
Gráfico 3 Distribuição dos entrevistados por tempo de residência nos edifícios verticais do
bairro Centro.
Fonte: Pesquisa direta, 2026.
Quanto aos motivos que orientaram a escolha pela moradia em edifícios verticais, 5
entrevistados (50%) apontaram a segurança como principal fator, 4 entrevistados (40%)
destacaram a localização e a proximidade de serviços como escolas, hospitais, trabalho e
comércio, o que facilita o deslocamento diário; e 1 entrevistado (10%) mencionou outros
50%
30%
20%
3 a 5 anos Até 2 anos Mais de 5 anos
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motivos (Gráfico 4). Esses dados revelam que a segurança ocupa papel relevante na decisão
residencial, embora articulada à centralidade urbana e à funcionalidade do espaço.
Gráfico 4 Distribuição dos entrevistados por principais motivos para a escolha da moradia
em edifícios verticais.
Fonte: Pesquisa direta, 2026.
Em relação à interferência da criminalidade do entorno no cotidiano dos moradores, 5
entrevistados (50%) afirmaram que a criminalidade interfere diretamente em suas rotinas, 3
entrevistados (30%) indicaram interferência parcial e 2 entrevistados (20%) declararam não
perceber interferência (Gráfico 5). Esses resultados indicam que a criminalidade condiciona
práticas espaciais cotidianas, influenciando horários de circulação, formas de deslocamento e
comportamentos de autoproteção. Assim, de acordo com os entrevistados, a escolha pela
moradia em edifícios verticais emerge como uma estratégia para lidar com a sensação de
insegurança no espaço urbano, uma vez que tais empreendimentos oferecem dispositivos de
controle de acesso e vigilância capazes de mitigar, ainda que parcialmente, os efeitos da
criminalidade percebida no entorno.
50%
40%
10%
Segurança Localização e proximidade de serviços Outros motivos
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Gráfico 5 Distribuição dos entrevistados por interferência da criminalidade do entorno em
seus cotidianos.
Fonte: Pesquisa direta, 2026.
Considerações Finais
O presente trabalho teve como objetivo analisar a relação entre a verticalização urbana
de Montes Claros (Minas Gerais, Brasil) e os índices de criminalidade violenta, por meio do
estudo bibliográfico e da análise de dados secundários do Centro Integrado de Informações de
Defesa Social (CINDS), referentes ao período de janeiro de 2019 a agosto de 2024. A violência
urbana nas cidades contemporâneas não apenas incide sobre a realidade objetiva, mas também
influencia a forma como os espaços são percebidos, vivenciados e apropriados pela população.
Essa percepção, frequentemente mediada pelo medo e pela insegurança, contribui para
transformações na organização do espaço urbano e para a intensificação da busca por
mecanismos de proteção. Embora a Constituição Federal de 1988 estabeleça a segurança como
direito de todos e dever do Estado, observa-se que a sensação de segurança se distribui de
maneira desigual no território urbano.
Em Montes Claros, esse cenário se expressa na crescente mercantilização da segurança,
materializada, entre outros aspectos, na expansão de edifícios verticais com sistemas de controle
de acesso e vigilância privada. Tais estratégias, mais do que responder exclusivamente à
criminalidade, refletem dinâmicas mais amplas do mercado imobiliário, da valorização do solo
50%
30%
20%
Sim Parcialmente Não
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urbano e das transformações no uso e na ocupação do espaço, convertendo a segurança em um
atributo diferenciado e seletivo do ambiente construído.
Os resultados da pesquisa indicam que o bairro Centro concentra os maiores índices de
criminalidade violenta no período analisado. Esse dado deve ser compreendido à luz de sua
condição de área mais acessível, articulada e dinâmica da cidade, caracterizada pela intensa
circulação de pessoas, pela concentração de atividades comerciais e de serviços e pelo elevado
adensamento populacional. Esses elementos ampliam as oportunidades para a ocorrência de
delitos, tornando o Centro um espaço particularmente exposto à criminalidade urbana.
De modo semelhante, o bairro Todos os Santos apresenta elevados índices de
criminalidade associados a transformações recentes no uso e na ocupação do solo, incluindo o
aumento do adensamento e da verticalização. Esses processos reforçam a complexidade da
relação entre produção do espaço urbano e criminalidade, indicando que tais fenômenos se
articulam de maneira multidimensional, mediada por fatores econômicos, sociais e
demográficos.
Referências
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CLAROS. Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Montes Claros
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Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
ARAÚJO, Michele Alves de; ROCHA, Vanessa Tamiris Rodrigues; BARTOLO, Carlos Alexandre de; GOMES, Pedro Ivo Jorge.
Criminalidade e verticalização urbana em Montes Claros (Minas Gerais/Brasil). Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 13, nº 26, e132606, 2026.
Submissão em: 27/03/2025. Aceito em: 21/01/2026.
ISSN: 2316-8544
Este trabalho está licenciado com uma licença Creative Commons
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