Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
CELERI, Marcio José; RUFINO, Daniele Costa; MONTENEGRO JÚNIOR, Clodoaldo Moraes. Entre Campos e Lixões: retratos do
cotidiano dos espaços de invisibilidade da Baixada Maranhense. Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 13, nº 26, e132605, 2026.
Submissão em: 16/06/2025. Aceito em: 13/04/2026.
ISSN: 2316-8544
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SEÇÃO VISUALIDADES
Entre Campos e Lixões:
retratos do cotidiano dos espaços de invisibilidade da Baixada Maranhense
Between Fields and Dumps:
portraits of daily life in Spaces of invisibility in the Baixada Maranhense
Entre Campos y Vertederos:
retratos de la vida cotidiana em espacios de invisibilidade em la Baixada Maranhense
Marcio José Celeri
1
Universidade Federal do Maranhão
(UFMA),
Maranhão, Brasil
e-mail: marcio.celeri@ufma.br
Daniele Costa Rufino
2
Universidade Federal do Maranhão
(UFMA),
Maranhão, Brasil
e-mail: danielerufino4@gmail.com
Clodoaldo Moraes Montenegro
Júnior
3
Universidade Federal do Maranhão
(UFMA),
Maranhão, Brasil
e-mail: clodoaldo.mjr@hotmail.com
Justificativa
A Baixada Maranhense é um espaço repleto de singularidades e complexidades, ímpar
no estado do Maranhão, a microrregião abrange 21 municípios (Figura 1) marcados por
extensas planícies fluviais, sazonalmente inundadas durante o período chuvoso (dezembro-
junho), dando origem aos extensos lagos interligados, que tomam conta da paisagem, fazendo-
1
Doutorado, Mestrado e Licenciatura pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Coordenador do Laboratório
de Extensão, Pesquisa e Ensino em Geografia (LEPENG). Docente da Graduação e Pós-Graduação em Geografia
(PPGGEO) e Mestrado Profissional em Geografia (PROFGEO), na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
2
Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Mestranda pelo Programa de Pós-
Graduação em Geografia da Universidade Federal do Maranhão (PPGGEO/UFMA). Integrante do Laboratório de
Extensão, Pesquisa e Ensino em Geografia (LEPENG).
3
Licenciado em Geografia e Mestre em Geografia pelo Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade
Federal do Maranhão (PPGGEO/UFMA). Integrante do Laboratório de Extensão, Pesquisa e Ensino em Geografia
(LEPENG).
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se semelhante ao Pantanal Matogrossense (Farias Filho, 2013; Feitosa, 2013). Por essas
características e pela relação intrínseca existente entre a população e esse meio, o Decreto
Estadual 11.900/1991 cria, no Estado do Maranhão, a Área de Proteção Ambiental da
Baixada Maranhense. A isso se soma uma rica biodiversidade, o que garantiu à Baixada
Maranhense o título de Sítio Ramsar, através do Decreto 1.905/1996, que estabelece a
Conservação sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional, especialmente como “Habitat”
de Aves Aquáticas (Brasil, 1996).
Figura 1 Localização da Baixada Maranhense. Fonte: Acervo da pesquisa, 2024.
Esse espaço é notável pelos seus campos inundáveis que durante o período chuvoso se
encontram com os diversos meandros da região e abastece os lagos. Entretanto, durante a
estiagem (julho a novembro), são planícies que servem como pastagem e abrigo para outras
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formas de vida (Montenegro Júnior, 2025). A pesca é a principal atividade realizada nesses
municípios, sendo fonte de renda e subsistência.
Contudo, a Baixada Maranhense vai além dos campos inundáveis. Esse espaço é
marcado por uma das grandes mazelas socioambientais contemporâneas: a disposição incorreta
dos resíduos sólidos, o que serve de metabolizador das inquietações acadêmicas que enfocam
essa região. A justificativa deste estudo é a conscientização e sensibilização da comunidade a
partir dos produtos iconográficos sobre uma porção do território brasileiro tão rica, mas
invisibilizada e fragilizada.
A partir disso, é possível observar a dialética da relação sociedade e natureza. Conforme
Smith (1988), compreender a natureza é uma tarefa complexa, na qual é necessário considerar
uma realidade material e simbólica, que revela as relações de poder e desigualdades presentes
no espaço. Em uma escala estadual, mais de 70% dos domicílios do estado do Maranhão ainda
utilizam lixões para disposição final dos resíduos sólidos (SINISA, 2024). Dos 21 municípios
da Baixada Maranhense, apenas 5 indicam uma disposição ambientalmente adequada, enquanto
os demais ainda utilizam lixões (SNIS, 2022). A partir disso, consideramos a centralidade dos
lixões como espaços de invisibilidades, que vão expressar as desigualdades presentes nesses
municípios.
Esse ensaio fotográfico é resultante do acúmulo de projetos de iniciação científica,
monografia e dissertação, com a realização de visitas de campo, aos lixões dos municípios de
Pinheiro, Peri-Mirim, São Bento e Presidente Sarney (Figura 2), localizados na Baixada
Maranhense, durante o mês de maio de 2024. O projeto foi empreendido por um grupo de
pesquisadores que estudam problemas ambientais com enfoque para os resíduos sólidos a partir
da ótica da Geografia, logo, buscando entender a relação Sociedade/Natureza a partir das
contribuições geográficas, como Rodrigues (1998), ao considerar os problemas ambientais
frutos da ação humana no meio.
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Figura 2 Localização dos municípios onde foram realizados os registros fotográficos na Baixada Maranhense.
Fonte: Acervo da pesquisa, 2024.
A princípio, a fotografia foi usada apenas como um instrumento de apoio à pesquisa que
estava sendo realizada. Entretanto, após o campo, com as análises desses materiais imagéticos,
foi considerado a possibilidade de trabalhar a questão dos resíduos sólidos por outras
perspectivas. As fotografias expostas buscam elucidar a Baixada Maranhense não a partir do
enfoque tradicional, mas do que é invisível de um problema que é comum no estado do
Maranhão, que são os lixões.
A terceira imagem capta o exato momento que um baixadeiro está realizando uma
prática cotidiana, a travessia no campo de Pinheiro (Figura 3). Essa fotografia representa esse
espaço singular da Baixada Maranhense, a qual é repleta de simbolismo, mas não somente isso.
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Figura 3 Campo inundável de Pinheiro com a presença de um pescador. Fonte: Acervo da pesquisa, 2024.
Em seguida, na Figura 4, centraliza-se um sofá que, em paradoxo, podemos associar à
comodidade do estado em relação à gestão dos resíduos sólidos, sendo que a maioria dos
municípios ainda realizam uma disposição inadequada dos resíduos.
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Figura 4 Sofá na entrada do lixão de Presidente Sarney - MA. Fonte: Acervo da pesquisa, 2024.
As fotografias seguintes mostram como a paisagem da Baixada tem sido transformada
pelos resíduos, o que demonstra o contraste entre o natural e o antrópico, além de evidenciar as
inconformidades em relação a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010
PNRS), a qual institui princípios, objetivos e instrumentos para a gestão e o gerenciamento
4
dos
resíduos sólidos, condenando veemente a utilização de lixões para disposição final dos resíduos
sólidos. O Decreto Federal N° 10.936/2022 regulamenta a PNRS, e a Lei N° 11.445/2007, um
marco que estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico.
Os lixões são locais que recebem resíduos a céu aberto, nos quais não possuem nenhum
tipo de tratamento adequado, nesses espaços não existe o controle de entrada ou saída de
4
Entende-se por gestão: conjunto de ações que buscam soluções para os resíduos sólidos, considerando a dimensão
política, econômica, ambiental, cultural e social, sob a premissa do desenvolvimento sustentável; gerenciamento:
como o conjunto de ações direta ou indiretamente exercidas durante as etapas de coleta, transporte, transbordo,
tratamento e destinação final (Brasil, 2010).
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pessoas, sendo comum a presença de catadores informais de materiais recicláveis e reutilizáveis
(SINISA, 2025).
O lixão é uma das expressões de desigualdade social. Para as comunidades que vivem
próximas e para os sujeitos que dependem dos materiais recicláveis e reutilizáveis que se
encontram nele, a catação ainda é um trabalho invisibilizado, que costuma ser visto como algo
subalterno. Em muitos momentos os catadores precisam dividir o mesmo espaço com animais,
fumaça e carcaças, pois os lixões desses municípios recebem todos os tipos de materiais, restos
e tudo aquilo que é considerado inutilizável pela sociedade. A partir das fotografias, é possível
observar os impactos ambientais que esses espaços estão sofrendo, além de representar um local
com diversos riscos sanitários.
Uma das iniciativas da PNRS é o incentivo à logística reversa e a responsabilidade
compartilhada, mas, em campo não se observou a efetivação desse processo nos municípios,
além de ser evidente através das fotografias o acúmulo excessivo de materiais que poderiam ser
reaproveitados (como os papelões, plásticos e vidros, observados em profusão nas figuras 5 e
6), demonstrando o descaso do poder público no que se refere a aplicação da PNRS.
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Figura 5 Plano aberto do lixão de Presidente Sarney queima de resíduos de poda, sacolas plásticas de
resíduos domiciliares, água parada e a presença de vegetação do tipo Mamonas MA. Fonte: Acervo da pesquisa,
2024.
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Figura 6 Lixão do Município de Peri-Mirim, grande quantidade de caixas de papelão, sacolas plásticos e
mamonas ao fundo MA. Fonte: Acervo da pesquisa, 2024.
Em relação à formulação do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos
(PMGIRS), todos os municípios apresentados nesta pesquisa o possuem, com exceção de São
Bento, que ainda não formulou até o presente momento (SNIS, 2022). Vale ressaltar que mesmo
com os municípios afirmem possuir o PMGIRS, somente o de Pinheiro foi localizado nas bases
de busca.
A ausência dos instrumentos estabelecidos pela PNRS multiplica a precariedade na
gestão de resíduo e, em conjunto com as fragilidades socioeconômicas, resultam em retratos
como o capturado na Figura 7, onde o ser humano se torna o “Bicho”, tal qual aquele que
estupeficou o eu lírico do poema de Manuel Bandeira (e enunciados como aquelas aves
destacadas na Figura 8), mas sem, necessariamente, a situação daquele ser pasmar aqueles que
deveriam atuar na erradicação, tanto do cenário, quanto do papel imposto por aqueles
indivíduos.
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Figura 7 Catador de materiais recicláveis e reutilizáveis de São Bento MA. Fonte: Acervo da pesquisa, 2024.
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Figura 8 Urubus, carcaça de animais mortos, pneu e água parada no lixão de Pinheiro MA. Fonte: Acervo da
pesquisa, 2024.
Por mais que os registros evidenciem o desamparo que os catadores de materiais
recicláveis e reutilizáveis vêm sofrendo por parte dos municípios por conta da inaplicabilidade
da PNRS, eles incentivam a formalização e integração dos catadores de materiais recicláveis,
além de considerá-los os principais agentes da cadeia de reciclagem. Entretanto, o não
cumprimento da Lei induz os catadores a continuarem atuando nos lixões de forma precarizada,
tendo sua força de trabalho desvalorizada e marginalizada.
A manutenção dos lixões representa não só uma aparente fragilidade econômica de um
estado, mas também o enaltecimento de uma estrutura político-administrativa que relega aos
seus espaços naturais às mazelas, do mesmo modo que as sobrepõe à recortes específicos da
segregação socioespacial: sobre os menos favorecidos e invisibilizados nos rincões do
Maranhão e nas vias paralelas de suas sedes administrativas, políticas e econômicas.
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Não possibilidades de harmonizar depósitos degradantes com o modo de vida
desenvolvido na Baixada Maranhense, onde a população, como no caso do pescador da Figura
3, tem as águas como meio indissociável das suas vivências. O primeiro passo para a
erradicação desse cenário se iniciaria pela implementação da PNRS, da estruturação dos
instrumentos institucionais e erradicação dos lixões.
Essas medidas por si só não resultariam em uma solução, pois a geração de resíduos se
atrela ao modelo de consumo e como a sociedade se manifesta em função desses aspectos. A
consideração sobre a relevância da Educação Ambiental e efetivação prática garantiria uma
revisão dos hábitos. Equipamentos e iniciativas de coleta seletiva e valorização dos catadores
auxiliariam a valorização desses agentes e garantiriam um meio de renda, o que se fortaleceria
com o fomento de indústrias locais de reciclagem, como garantia de uma planta comercial e
industrial que mitigaria os impactos dos intermediários na comercialização dos materiais pelos
catadores.
As ressaltadas belezas da Baixada Maranhense são postas em questão pelo crescimento
urbano desordenado e pela fragilidade das políticas públicas supracitadas. A conjuntura
socioeconômica e política da região evidencia uma contraditoriedade, uma população
dependente das suas características naturais, das águas e seus frutos, envenena-se sob a
supervisão do poder público, o que perpetua a comodidade suscitada pelo móvel da Figura 4,
encaminhando todo um povo em direção ao decaimento ilustrado pela queima dos resíduos da
Figura 9 e a tragédia anunciada pela Figura 10, dos restos mortais em meio ao potencial
descartado.
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Figura 9 Queima de resíduos sólidos (restos de poda de arvores e sacolas plásticas) sendo realizada no lixão de
Presidente Sarney MA. Fonte: Acervo da pesquisa, 2024.
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Figura 10 Carcaças de animais em meio ao lixão de Peri-Mirim MA. Fonte: Acervo da pesquisa, 2024.
Por fim, a última fotografia (Figura 11) simboliza o fim de um processo que é realizado
diariamente: os caminhões completam a manutenção de um círculo institucionalmente vicioso,
trazendo não materiais descartados, mas despejando potencial econômico e as sementes da
contaminação dos seres vivos e do meio ambiente.
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Figura 11 Caminhão do tipo caçamba basculante em logística de destinação inadequada de resíduos sólidos no
lixão de Presidente Sarney - MA. Fonte: Acervo da Pesquisa, 2024.
Referências
BRASIL. Decreto 1.905, de 16 de maio de 1996. Promulga a Convenção sobre Zonas
Úmidas de Importância Internacional, especialmente como habitat de aves aquáticas
(Convenção de Ramsar, 02 fev. 1971). Diário Oficial da União: Seção 1, p. 8520, 17 maio 1996.
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1996/d1905.htm. Acesso em:
20 de jan. 2026.
BRASIL. Lei 12.305, de 02 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos
Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. DF. Casa
Civil, 2010. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007
2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 20 de jan. de 2026.
FARIAS FILHO, M. S. O espaço geográfico da Baixada Maranhense. São Luís: EDUFMA,
2013.
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16
FEITOSA, A. C. Potencialidades do relevo do estado do Maranhão. In: LIMA, R. M. B. de F.;
FERREIRA, A. J. de A. (Org.). Estudos de Geografia do Maranhão. - São Luís: EDUFMA,
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MONTENEGRO JÚNIOR, C. M. Panorama da gestão e gerenciamento de resíduos sólidos
na Baixada Maranhense: subsídios geográficos para a implementação de um consórcio
público intermunicipal. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Programa de Pós-Graduação
em Geografia, Universidade Federal do Maranhão, São Luís, 2025.
RODRIGUES, A. M. Produção e consumo do e no espaço: problemática ambiental urbana.
São Paulo: Hucitec, 1998.
SMITH, N. Desenvolvimento desigual. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1988.
SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÕES EM SANEAMENTO BÁSICO - SINISA.
Relatório dos Serviços de Limpeza Urbana e Manejo de Resíduos Sólidos - SINISA 2024.
- Brasília, DF: Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, 2025.
SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÕES EM SANEAMENTO BÁSICO - SINISA.
Painel de saneamento básico - Resíduos Sólidos, 2024. Disponível em:
https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiNDU1ZmM4ZjYtNTU0YS00YjFkLWE5NzYtMjNk
ZThjYjg3YzVmIiwidCI6IjFmMWJlODA0LWViZGYtNDJmNC1iZGExLTdmMjlhYmU2Z
DQ3YSJ9&pageName=344bbd2d217999c8e747. Acesso em: 04 jun. 2025.
SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÕES SOBRE SANEAMENTO - SNIS. Série
Histórica - Resíduos Sólidos, 2022. Disponível em: http://app4.mdr.gov.br/serieHistorica/.
Acesso em: 04 jun. 2025.