
Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
CELERI, Marcio José; RUFINO, Daniele Costa; MONTENEGRO JÚNIOR, Clodoaldo Moraes. Entre Campos e Lixões: retratos do
cotidiano dos espaços de invisibilidade da Baixada Maranhense. Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 13, nº 26, e132605, 2026.
Submissão em: 16/06/2025. Aceito em: 13/04/2026.
ISSN: 2316-8544
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formas de vida (Montenegro Júnior, 2025). A pesca é a principal atividade realizada nesses
municípios, sendo fonte de renda e subsistência.
Contudo, a Baixada Maranhense vai além dos campos inundáveis. Esse espaço é
marcado por uma das grandes mazelas socioambientais contemporâneas: a disposição incorreta
dos resíduos sólidos, o que serve de metabolizador das inquietações acadêmicas que enfocam
essa região. A justificativa deste estudo é a conscientização e sensibilização da comunidade a
partir dos produtos iconográficos sobre uma porção do território brasileiro tão rica, mas
invisibilizada e fragilizada.
A partir disso, é possível observar a dialética da relação sociedade e natureza. Conforme
Smith (1988), compreender a natureza é uma tarefa complexa, na qual é necessário considerar
uma realidade material e simbólica, que revela as relações de poder e desigualdades presentes
no espaço. Em uma escala estadual, mais de 70% dos domicílios do estado do Maranhão ainda
utilizam lixões para disposição final dos resíduos sólidos (SINISA, 2024). Dos 21 municípios
da Baixada Maranhense, apenas 5 indicam uma disposição ambientalmente adequada, enquanto
os demais ainda utilizam lixões (SNIS, 2022). A partir disso, consideramos a centralidade dos
lixões como espaços de invisibilidades, que vão expressar as desigualdades presentes nesses
municípios.
Esse ensaio fotográfico é resultante do acúmulo de projetos de iniciação científica,
monografia e dissertação, com a realização de visitas de campo, aos lixões dos municípios de
Pinheiro, Peri-Mirim, São Bento e Presidente Sarney (Figura 2), localizados na Baixada
Maranhense, durante o mês de maio de 2024. O projeto foi empreendido por um grupo de
pesquisadores que estudam problemas ambientais com enfoque para os resíduos sólidos a partir
da ótica da Geografia, logo, buscando entender a relação Sociedade/Natureza a partir das
contribuições geográficas, como Rodrigues (1998), ao considerar os problemas ambientais
frutos da ação humana no meio.