
Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
GONÇALVES, Thiago Andrade; ROMÃO, Vithoria Sampaio. Propostas educativas de Geografia no Parque da Independência na cidade de
São Paulo: Horto Botânico e jardins do Museu Paulista. Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 13, nº 26, e132605, 2026.
Submissão em: 20/07/2025. Aceito em: 10/01/2026.
ISSN: 2316-8544
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Ihering” (Raimundo, 2004, p. 7). O zoólogo, ao organizar o novo espaço formado por catorze
salas, se preocupou em comportar tanto visitantes como estudiosos. “Em virtude da
inexistência de universidades ou escolas que formassem professores de história natural, o
então diretor do museu, procurou durante os vinte e dois anos que esteve no comando da
instituição imprimir nela um caráter profissional” (Raimundo, 2004, p. 7).
Assim, pode-se compreender que o museu funcionou como um espaço de formação e
profissionalização naturalista diante da falta de equipamentos como universidades e escolas
voltados para esses conhecimentos no Brasil do final do século XIX.
Nos terrenos anexos do museu também se torna evidente o caráter profissional e
científico através da criação do Horto Botânico, atual bosque. O Horto foi iniciado pelo
próprio Ihering e, acredita-se que em 1898 ele já tivesse feito os primeiros cultivos,
especialmente de embaúbas, — com a finalidade de estudar uma espécie de formiga que
morava nessas árvores — na área que se encontra a sul do museu, paralela à avenida Nazaré, e
compreendia 60 mil m² (Bocchi; Pataca, 2023, p. 7).
Rodolpho von Ihering, filho de Hermann von Ihering, zoólogo e funcionário do
museu, mencionou o cuidado especial que estavam recebendo os terrenos anexos ao museu
entre 1905 e 1907. Se na área da frente, a norte do edifício, permanecia uma “praça deserta e
desoladora”, os terrenos dos fundos estavam sendo cuidados com os próprios recursos do
museu, se achando representados ali os principais tipos da nossa flora (Ihering, 1907, p. 11).
“Entre 1906 e 1909, muitos serviços de plantação, abertura de caminhos e amanho do terreno
foram realizados” (Bocchi; Pataca, 2023, p. 8). Chamado de parque botânico, sua finalidade
foi explicitada nas páginas da revista institucional do museu: “constituir um horto botânico
onde procuraremos reunir todos os representantes da flora do Estado de S. Paulo, admittindo
ainda, em alguns casos, vegetaes de outros Estados do Brasil, quando a sua cultura fôr de
especial interesse biologico ou econômico [sic]” (Ihering, H.; Ihering, R., 1911, p. 5).
Até 1918, “cerca de cinquenta espécies de plantas cultivadas no Brasil estavam
presentes no local” (Bocchi; Pataca, 2023, p. 9), e embora o horto permanecesse fechado para
o público, o jardineiro contratado Hermann Luederwaldt tinha planos para a abertura na qual
argumentava ser necessário concluir a organização definitiva. A entrada seria permitida
apenas a crianças e rapazes que estivessem em companhia dos pais ou tutores pois, em suas
palavras, um “horto botanico não é um logar de divertimento, e sim, um campo de instrucção