Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
Trochez, Enuar Yesid Calambas; Rocha, Marcelo Augusto. Educação Pública Paranaense: entre a prescrição do Estado e a autonomia docente.
Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 13, nº 26, e132608, 2026.
Submissão em: 13/08/2025. Aceito em: 28/01/2026.
ISSN: 2316-8544
Este trabalho está licenciado com uma licença Creative Commons
1
SEÇÃO ARTIGOS
Educação Pública Paranaense:
entre a prescrição do Estado e a autonomia docente
Public Education in Paraná:
between State prescription and teacher autonomy
Educación pública paranaense:
entre la prescripción estatal y la autonomía docente
DOI:
https://doi.org/10.22409/w57b4134
Enuar Yesid Calambas Trochez
1
Universidade Federal da Integração Latino-Americana
(UNILA),
Paraná, Brasil
e-mail: eyc.trochez.2019@aluno.unila.edu.br
Marcelo Augusto Rocha
2
Universidade Federal da Integração Latino-Americana
(UNILA),
Paraná, Brasil
e-mail: marcelo.rocha@unila.edu.br
Resumo
Esta pesquisa investigou como as políticas públicas educacionais neoliberais, têm interferido na autonomia docente
de professores de geografia do município de Foz do Iguaçu PR. Motivado por experiências vivenciadas durante
estágios supervisionados e pelas inquietações acerca dos limites impostos à atuação docente, o estudo teve como
objetivo geral, compreender os impactos dessas políticas na prática pedagógica dos professores. A metodologia de
pesquisa do trabalho incluiu uma revisão bibliográfica fundamentada em autores críticos da plataformização e do
controle curricular e a aplicação de um questionário a docentes atuantes na rede pública estadual. Os resultados
revelaram que a autonomia docente tem sido sistematicamente comprometida por práticas de padronização do
currículo, imposições de plataformas digitais, exigência de cumprimento de metas e centralização da avaliação.
Tais mecanismos resultam em sobrecarga burocrática, esvaziamento do papel crítico do professor e precarização
das condições de trabalho, criando condições que podem afetar a sua saúde física e mental, bem como o papel do
professor e a função social da escola. O trabalho foi estruturado em três seções: revisão bibliográfica, metodologia,
análise e apresentação dos resultados. Ao final, concluiu-se que a autonomia docente é condição essencial para
uma educação democrática e significativa, sendo urgente sua defesa frente ao avanço de políticas neoliberais que
desconsideram as complexidades da prática pedagógica e os direitos dos profissionais da educação.
Palavras-chave
Limitação da liberdade pedagógica; Neoliberalismo e políticas educacionais; Precarização do trabalho docente.
1
Licenciado em Geografia pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA).
2
Doutor em Ensino de Ciências pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Atualmente é docente permanente
e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação Mestrado Profissional (PPGEDU) da Universidade
Federal da Integração Latino-Americana (UNILA).
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Abstract
This study investigated how neoliberal public education policies have interfered with the professional autonomy
of geography teachers in the municipality of Foz do Iguaçu, Paraná, Brazil. Motivated by experiences during
supervised teaching placements and by concerns regarding the limits imposed on teachers’ professional practice,
the study’s overarching objective was to understand the impacts of these policies on teachers’ pedagogical work.
The research methodology comprised a literature review grounded in critical scholarship on platformization and
curricular control, as well as the administration of a questionnaire to teachers working in the state public-school
system. The findings indicate that teacher autonomy has been systematically undermined through curriculum
standardization practices, the imposition of digital platforms, requirements to meet performance targets, and the
centralization of assessment. These mechanisms generate bureaucratic overload, erode teachers’ critical role, and
contribute to the precarization of working conditions, thereby creating circumstances that may affect teachers’
physical and mental health, as well as the teaching profession and the school’s social function. The study was
organized into three sections: literature review, methodology, and analysis and presentation of results. In
conclusion, teacher autonomy was identified as an essential condition for democratic and meaningful education,
and its defense is urgent in the face of the expansion of neoliberal policies that disregard the complexities of
pedagogical practice and the rights of education professionals.
Keywords
Restriction of pedagogical freedom; Neoliberalism and educational policies; Deterioration of teachers.
Resumen
Esta investigación examinó cómo las políticas públicas educativas de orientación neoliberal han interferido en la
autonomía profesional de docentes de Geografía del municipio de Foz do Iguaçu, en el estado de Paraná, Brasil.
Impulsado por experiencias vividas durante prácticas supervisadas y por inquietudes respecto de los límites
impuestos al ejercicio docente, el estudio tuvo como objetivo general comprender los impactos de dichas políticas
en la práctica pedagógica del profesorado. La metodología incluyó una revisión bibliográfica sustentada en autores
críticos de la plataformización y del control curricular, así como la aplicación de un cuestionario a docentes en
ejercicio en la red pública estatal. Los resultados evidenciaron que la autonomía docente ha sido comprometida de
manera sistemática mediante prácticas de estandarización curricular, imposición de plataformas digitales,
exigencias de cumplimiento de metas y centralización de la evaluación. Estos mecanismos generan sobrecarga
burocrática, vacían el papel crítico del profesorado y contribuyen a la precarización de las condiciones de trabajo,
creando escenarios que pueden afectar la salud física y mental de las y los docentes, así como la profesión docente
y la función social de la escuela. El trabajo se estructuró en tres secciones: revisión bibliográfica, metodología y
análisis y presentación de resultados. En síntesis, se concluyó que la autonomía docente constituye una condición
esencial para una educación democrática y significativa, por lo que resulta urgente su defensa frente al avance de
políticas neoliberales que desconsideran las complejidades de la práctica pedagógica y los derechos de las y los
profesionales de la educación.
Palabras clave
Restricción de la libertad pedagógica; Neoliberalismo y políticas educativas; Precarización del trabajo docente.
Introdução
A motivação para esta pesquisa se a partir das diversas limitações impostas aos
professores da Educação Básica observadas em sala de aula durante a realização dos estágios
supervisionados na cidade de Foz do Iguaçu PR. As angustias geradas neste período formativo
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proporcionaram distintos questionamentos a respeito da profissão docente. Este estudo dedica-
se a responder um destes: em que medida as políticas públicas educacionais neoliberais e os
agentes da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED-PR), subdivididos nos diversos
Núcleos Regionais de Educação (NRE) espalhados pelo Estado, tem interferido no nível de
autonomia dos professores da Educação Básica do Estado do Paraná?
O objeto geral da pesquisa foi investigar como as atuais políticas educacionais têm
interferido na autonomia dos professores da Rede Estadual de Educação do município de Foz
do Iguaçu PR. Investigar a autonomia dos professores tem se mostrado necessário a partir da
intensificação de normativas governamentais na área da educação pública, alinhadas ao
neoliberalismo, criadas com o discurso de inovação tecnológica e pedagógica para garantir a
melhoria da qualidade educacional oferecida pelo Estado. Ocorre que, na prática, estudos como
os de Gomes, (2021); Melo (2022); Pacheco e Silva (2023); Pasini (2021); Ribeiro e Tavares
(2024); Silveira (2025); Andrade Oliveira (2022); Santos (2022); Contreras (2002), entre
outros, analisam e discutem como o avanço dessas políticas tem gerado diferentes formas de
cerceamento da autonomia docente, de controle curricular, do avanço da plataformização e de
como as avaliações em larga escala estão transformando a função social da escola e o fazer
docente na atualidade.
Nos últimos anos, diversos autores têm se dedicado a estudar os impactos do avanço
neoliberal na educação pública. Pacheco e Silva (2023), por exemplo, destacam como as
avaliações padronizadas, realizadas em larga escala, têm imposto limitações a autonomia dos
professores na educação básica. Freitas (2021), discute a influência econômica de empresas
especializadas em plataformas na educação pública, tecendo novos arranjos e desafios para os
professores. Maya (2022), aponta como as plataformas de aprendizagem online têm agido na
reconfiguração do trabalho docente. Santos e Ribeiro (2023), relacionam o uso de plataformas
digitais com o controle e o poder, discutindo as consequências da governança algorítmica em
ambientes virtuais de aprendizagem. Silva e Almeida (2024), ampliam a análise a respeito de
como a plataformização tem se estruturado principalmente depois da pandemia e quais as
implicações disso para a autonomia docente no ensino remoto.
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Na mesma linha de investigação, Oliveira (2023), analisa como políticas conservadoras
vêm cerceando o direito à práxis pedagógica livre, impondo diretrizes gidas e controle
ideológico sobre o trabalho dos professores. Melo (2022), enfatiza os vieses da mercantilização
e do controle na nova face da gestão escolar com características neoliberais e tecnicistas e seus
efeitos, na autonomia dos professores. Santos (2022), examina especialmente a Base Nacional
Comum Curricular (BNCC) como instrumento de padronização e vigilância, apontando seu
papel no esvaziamento da autonomia didática. Gomes (2021), corrobora esta análise, apontando
os impactos da BNCC na práxis docente, como o aumento do controle curricular e o desmonte
da autonomia dos professores.
Este estudo vem se somar aos demais, dando sua contribuição para, nas palavras de
Freire (1980), denunciar e anunciar o atual estado de abuso de poder e opressão político-
administrativa-pedagógica, comparável, no nível das decisões políticas, ao que ficou conhecido
na História como Doutrina do Choque
3
(Klein, 2008). Busca-se denunciar, ao identificar e
criticar a realidade opressora com a qual convive hoje, o corpo de professores das escolas
públicas do Estado do Paraná. Ao mesmo tempo, ao se ampliar a anunciação desses fatos às
entidades da sociedade civil organizada, para além dos professores, dos profissionais da
educação e de toda a comunidade escolar, incluindo pais e responsáveis, busca-se também
contribuir dando suporte para os princípios da pedagogia da libertação, subsidiando possíveis
formas de enfrentamento por parte dos professores. Estas ações se fazem necessárias por serem
expressão da esperança e da possibilidade de mudanças reais no atual cenário educacional
paranaense.
O trabalho está dividido em três partes, sendo que o primeiro elenca pesquisas que tem
investigado como as políticas educacionais neoliberais têm afetado a autonomia docente nas
últimas décadas, com mais ênfase no pós-pandemia. A segunda parte trás o detalhamento da
metodologia da pesquisa pontuando o passo a passo em cada fase do estudo. A terceira parte
apresenta a análise dos dados e os resultados da pesquisa.
3
A Doutrina do Choque (The Shock Doctrine) é um documentário de 2009, baseado no livro homônimo da autora
e ativista canadense Naomi Klein, publicado em 2007. A tese principal da autora é que a imposição de regimes
econômicos neoliberais é precedida de um estado de choque coletivo.
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Políticas Educacionais Neoliberais X Autonomia Docente
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO),
vem décadas cumprindo um papel de destaque na formulação de diretrizes globais sobre
educação, ciência e cultura, alinhadas ao mercado e sob a influência de princípios neoliberais.
Entre os mecanismos de controle, cita-se a definição de metas para o programa Educação para
Todos (EFA) e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 4
(Educação de Qualidade). Da mesma forma, a Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE) influencia na criação de indicadores e de avaliações
internacionais como o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA). Por meio dos
resultados, utiliza de comparações internacionais para influenciar políticas públicas em países
em desenvolvimento a reformarem seus currículos para se alinhar as avaliações em larga escala
para melhorar seu desempenho no PISA.
O Banco Mundial (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento BIRD),
por sua vez, financia projetos educacionais, especialmente em países em desenvolvimento.
Neste processo, estimula políticas de gestão por resultados, padronização curricular e
avaliações externas. A rigor, promove a mercantilização da educação e enfraquece a autonomia
docente. Do mesmo modo, o Fundo Monetário Internacional (FMI), embora não atue
diretamente na educação, influencia políticas fiscais que afetam o financiamento da educação
pública, recomendando cortes de gastos ou austeridade, o que acaba por resultar na redução
de investimentos em educação e dos direitos dos trabalhadores da área educacional. A
Organização Mundial do Comércio (OMC), defende a liberalização dos serviços, incluindo a
educação. Mais recentemente, tem pressionado por ampliar ainda mais a abertura de mercado
para instituições privadas, inclusive internacionais, no setor educacional, favorecendo grupos
financeiros interessados na exploração de atividades como a plataformização e a entrada de
grandes empresas de tecnologia no campo educacional.
Diversos autores como Libâneo (2016), Torres Santomé (2005), Arroyo (2012), entre
outros, analisam o caráter neoliberal dessas influências, destacando a imposição de modelos
padronizados de ensino, o avanço de avaliações internas e externas em larga escala, o incentivo
à privatização indireta por meio de parcerias público-privadas e de plataformas digitais e o
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enfraquecimento da autonomia dos sistemas educacionais nacionais e locais. Este modelo de
exploração não é novo, apenas está sendo adaptado para a área educacional. A padronização
dos currículos e sistemas de ensino, bem como da homogeneização e redução do trabalho
docente, é uma jogada para reduzir os custos e aumentar a produção, como se fez nos com os
modelos fordista e taylorista. Ao adaptarem aspectos desse modelo para a realidade escolar,
transformam a prática docente à posição de consumidores e não como criadores de
conhecimento. Dessa forma, o professor tem visto seu papel profissional ser cada vez mais
reduzido ao de um técnico, aplicador de programas e pacotes curriculares, diante do grau de
detalhamento dos currículos (Contreras, 2002).
Enquanto Freire (1996) relaciona a autonomia docente à ética e à liberdade, destacando
que esta se constrói no exercício cotidiano da prática em sala de aula, na reflexão crítica e no
compromisso com a transformação social, Contreras (2002) enfatiza que a autonomia não se
reduz a uma liberdade individual do professor, mas envolve a possibilidade de tomar decisões
fundamentadas em diálogo com o contexto social e institucional. Libâneo (2012) engloba os
dois conceitos ao compreender a autonomia docente como parte essencial da identidade
profissional do professor, estando vinculada ao domínio do conhecimento pedagógico e
didático, ao compromisso com a função social da escola e à capacidade crítica de resistir a
imposições burocráticas ou meramente técnicas. Em outras palavras, o professor autônomo não
é aquele que “faz o que quer”, mas aquele que toma decisões orientadas por princípios
pedagógicos e sociais, em defesa de uma educação de qualidade e democrática.
A autonomia, como se vê, é essencial ao trabalho docente, pois refere-se à liberdade de
ensinar e aprender. Neste universo, é o docente quem tem condições de gerir os processos de
ensino e de aprendizagem. Para Oliveira (2023) ao atacar a autonomia docente, se enfraquece
a capacidade dos professores de pensar e refletir criticamente e de planejar e executar seu
trabalho de forma criativa e contextualizada, como se espera de um bom ambiente de
aprendizagem. Esses ataques corroboram ainda para a desintelectualização do trabalho docente
e o esvaziamento de sentido da sua atividade.
Campanhas realizadas pelos defensores de propostas como a escola sem partido e contra
a chamada “ideologia de gênero”, assim como os simpatizantes da militarização das escolas
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públicas, representam ameaças substantivas à autonomia docente e ao desempenho do processo
educativo. Esses movimentos abriram caminho para a proliferação das políticas neoliberais na
educação, ampliando e diversificando ainda mais os ataques à autonomia docente. Esses grupos,
ao incitarem os estudantes a denunciarem seus professores quando estes assumem uma posição
político-ideológica diferente da deles, ou quando abordavam assuntos concernentes a gênero e
sexualidade, levavam os alunos a produzirem instrumentos de intimidação para promover o
constrangimento desses profissionais (Oliveira, 2023).
No estado do Paraná, o processo de privatização da educação, de maior arrocho e
controle dos processos de ensino, de precarização de direitos e de ataques a autonomia dos
professores, teve início ainda no primeiro mandato do governador Carlos Roberto Massa Júnior
(Ratinho Junior PSD-PR), mas foi intensificado e potencializado com o advento da pandemia
da covid-19. De para cá, outras políticas têm se somado aos ataques a educação pública
paranaense, intensificando as cobranças por resultados quantitativos, distantes da realidade
educacional. Nessa mesma linha, a rotina escolar, sua gestão e os demais processos seguem
submetidos à lógica da gestão privada, que vai na contramão da autonomia pedagógica.
Nuances desse mesmo panorama preocupante na Educação Pública vem se repetindo em outros
estados da federação, para além do Paraná, não por acaso, nos estados governados por políticos
de extrema-direita da política nacional, mais especificamente: Romeu Zema (Novo-MG),
Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Cláudio Castro (PL-RJ), Ronaldo Caiado (União Brasil
GO), Jorginho Mello (PL-SC), Wilson Lima (União Brasil-AM) e Mauro Mendes (União-
MT).
Os valores e princípios defendidos pela direita são a expressão de uma realidade que
vem ganhando força junto à população, sobretudo por meio da divulgação de informações falsas
nas redes sociais e por maquiagem nos dados oficiais da educação. A visão conservadora e as
vezes cínica ou alienada dos fatos sugere que a solução para os desafios da educação é simples,
e que esses problemas podem ser superados soluções padronizadas, como se a escola fosse uma
fábrica. O uso exagerado de tecnologia, seja por meio de softwares, plataformas ou aplicativos,
é um bom exemplo disso.
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A forma apressada e agressiva com que as ações de desconfiguração da educação
pública percorrem toda a sua extensão, desde o topo até a base, tem feito com que o principal
efeito seja a submissão da comunidade escolar aos interesses de setores privados. Junto com o
peso das medidas impostas pelo governo, ocorre o discurso da melhoria da qualidade da
educação e da gestão escolar por meio do aprofundamento da relação do poder público com
instituições privadas; entretanto, o que se observa, a bem da verdade, é a transferência da lógica
de mercado do setor privado para as escolas e, consequentemente, de recursos públicos para
empresas (Oliveira, 2023).
O ideário neoliberal e conservador busca redefinir as relações entre o público e o
privado, controlar os conteúdos escolares e impedir a livre circulação de ideias no ambiente
escolar, com propostas de formação de empreendedores, educação domiciliar, militarização das
escolas e competências socioemocionais enfatizadas na BNCC. O resultado prático desse
processo tem sido que os professores e os alunos, são levados a repensar a necessidade de se
adaptar ao mundo do individualismo, da competição e da responsabilização não apenas no que
diz respeito ao processo produtivo, mas no sentido da responsabilização por sua condição de
empregabilidade.
A constituição federal de 1988, no artigo 206, II, garante a liberdade de ensinar,
aprender, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber, protegendo o professor contra
censura ou imposições ideológicas (Brasil, 1988). A lei de diretrizes e bases da educação
nacional, lei 9.394 de 1996, deveres ao professor de planejar, participar do projeto da escola,
avaliar alunos, garantindo liberdade pedagógica, mas ao mesmo tempo limita o professor
porque exige dele que siga o projeto pedagógico da escola e as diretrizes da rede (Brasil, 1996).
Embora os Parâmetros Curriculares também norteassem o trabalho docente, estes eram
tidos, na prática, apenas como indicadores. Daí a importância do atual projeto neoliberal de se
criar uma lei na qual o professor ficasse efetivamente refém do currículo imposto a todos os
estados da federação. A BNCC surge nesse interim, e é um dos principais pilares da
precarização do trabalho docente, possibilitando aos estados, em certa medida, atacar os direitos
e a autonomia dos professores.
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Metodologia
Optou-se por adotar uma perspectiva quali-quantitativa, buscando articular a
profundidade da análise qualitativa com a objetividade da análise quantitativa por compreender
que esse tipo de abordagem é mais adequada para a compreensão dos significados, experiências
e subjetividades contidas no contexto estudado. Essa abordagem envolve um conjunto de
práticas interpretativas e procedimentos em um mesmo estudo de forma complementar ou
sequencial a fim de compreender um fenômeno com maior profundidade e abrangência.
Esse tipo de pesquisa é caracterizado por ser descritiva, indutiva e centrada no processo,
valorizando os significados atribuídos pelos participantes (Bogdan; Biklen, 1994). A escolha
por essa metodologia também se justifica pelo interesse em compreender as dinâmicas
interculturais presentes nas práticas pedagógicas e curriculares, o que exige uma escuta atenta,
uma postura reflexiva e uma análise contextualizada.
Entre as metodologias de coleta de dados empregadas na pesquisa, destaca-se a pesquisa
bibliográfica (Gil, 2019). Esta fase da pesquisa iniciou-se pela utilização de palavras chave
como precarização do trabalho docente; controle do trabalho docente; mercantilização da
educação; privatização da educação; pejotização da educação”; uberização da educação”;
políticas educacionais neoliberais; autonomia docente; “flexibilização de direitos dos
professores; entre outras, em plataformas como o Google Scholar (Google Acadêmico),
CAPES Periódicos, a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), e a SciELO
Brasil. Nesse processo, buscou-se por pesquisas que investigassem os impactos que as atuais
políticas educacionais neoliberais têm causado na educação pública.
Para a coleta de dados empíricos, optou-se pela utilização do Google Formulários, uma
ferramenta digital que possibilita a criação e aplicação de questionários online de forma prática,
segura e acessível, garantindo agilidade no processo de envio e retorno das respostas. Ao optar
pela coleta de dados de forma remota, foi necessário também aprimorar a forma de dispersão
do link que direcionou os sujeitos da pesquisa para o questionário online. Para isto, foram
utilizadas redes de referência por meio de grupos de WhatsApp e listas de endereços de e-mail
visando os professores da Educação Básica na esfera pública estadual. A ideia em si levou em
conta o fato de que, ao se identificar com o tema da pesquisa, os próprios professores
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compartilhassem entre si o link para o questionário. Neste sentido, a técnica conhecida como
“Bola de Neve”, foi adaptada para atender a este objetivo.
O procedimento da Bola de Neve, ou snowball sampling, em inglês, consiste em uma
pesquisa social na qual os participantes em si impulsionam a expansão da amostragem. Os
atores sociais são indicados pelos seus pares, formando uma rede social em que um membro
reconhece o outro, configurando uma forma de
amostra não probabilística utilizada em pesquisas sociais onde os participantes iniciais
de um estudo indicam novos participantes que por sua vez indicam novos
participantes e assim sucessivamente, até que seja alcançado o objetivo proposto (o
“ponto de saturação”). O “ponto de saturação” é atingido quando os novos
entrevistados passam a repetir os conteúdos já obtidos em entrevistas anteriores, sem
acrescentar novas informações relevantes à pesquisa (Baldin; Munhoz, 2011, p. 332).
Ao todo, a pesquisa atingiu 27 professores de Geografia que lecionam na Educação
Básica em escolas de Foz do Iguaçu PR. Conforme Gil (2019), a utilização de instrumentos
digitais na pesquisa qualitativa tem se mostrado eficaz na obtenção de dados quando o objetivo
é captar percepções, opiniões e experiências dos sujeitos em relação a um fenômeno social.
Além disso, o uso do formulário eletrônico respeitou os princípios éticos da pesquisa,
assegurando o anonimato dos respondentes e a confidencialidade das informações, conforme
orientações da Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde.
O questionário aplicado aos professores contém questões relacionadas à sua experiencia
como docentes nos colégios públicos com foco na autonomia ou falta desta. Neste estudo,
considerando a limitação de páginas, utiliza-se apenas parte dos resultados alcançados. Todos
participaram de maneira livre e esclarecida de acordo com o consentimento do participante do
termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE). As informações obtidas no questionário
foram processadas pela própria plataforma formulário do Google, gerando gráficos que
auxiliaram as análises dos dados.
Para a etapa de análise interpretativa dos dados, utilizou-se, apenas de forma
complementar, o instrumento de inteligência artificial, ChatGPT (OpenAI, 2025), com o
objetivo de explorar possibilidades de organização textual, para a identificação de padrões
linguísticos e para a elaboração de reflexões iniciais sobre os conteúdos examinados. Ressalta-
se que todas as interpretações foram validadas criticamente pelos autores, preservando-se o
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rigor acadêmico e a autoria da análise. A ferramenta foi empregada como apoio técnico, não
substituindo a análise humana, de acordo com as informações do Quadro 1 a seguir:
Quadro 1 – Registros de uso de inteligência artificial.
Etapa da
Pesquisa
Ferramenta
Usada
Objetivo
Resultados Gerados
Comandos Prompt
Mapeamento
de Artigos.
Leitura e
Fichamento
ChatGPT
(OpenAI,
2025)
Buscar referenciais
teóricos atualizados sobre
o tema da pesquisa.
Todas as pesquisas
dos últimos cinco
anos citadas na
introdução e na
metodologia do
trabalho.
Indique pesquisas
recentes, dos últimos
cinco anos a respeito de
autonomia docente, com
foco no Estado do
Paraná.
Auxiliar na
construção do
resumo do
trabalho
Identificar no texto da
pesquisa, os pontos mais
relevantes incluindo:
objetivo, método,
resultados alcançados e
conclusões. E, a partir
disso, produzir uma
síntese textual para
apresentar a pesquisa.
Foi gerado um texto
próximo do que se
usa atualmente no
estudo, no entanto,
parte deste foi
alterado para se
adequar melhor as
etapas e resultados
alcançados na
pesquisa.
Identifique as
informações essenciais
do texto em anexo e
produza um resumo de
artigo científico
contendo: o objetivo da
pesquisa, a metodologia
utilizada, os principais
resultados e conclusões
da pesquisa.
Redação e
edição de
texto
Auxiliar no
aperfeiçoamento da
escrita acadêmica e
corrigir erros de escrita e
de português, devido a
língua materna Dos
Autores ser o espanhol
falado na Colômbia.
Apresentação do
texto mais próximo
do que se espera de
um documento
advindo de pesquisa
científica.
Corrija os erros de
português e de
concordância no texto a
seguir, aproximando-o
da escrita acadêmica de
acordo com as normas
da ABNT.
Referências
Revisar o texto final a fim
de examinar equívocos
ou lacunas na
apresentação das
referências
bibliográficas.
Esta ação
possibilitou a entrega
de um material
textual mais
consistente e
eficiente do ponto de
vista das normas da
ABNT.
Com base nas normas da
ABNT, analise o texto
anexo, buscando por
inconsistências nas
referências
bibliográficas
reorganizando-as, se for
o caso, do início ao final
do texto.
Fonte: Autores, adaptado de Scussel (2025).
O uso ético e responsável de Inteligência Artificial Generativa (IAG) como instrumento
de apoio a pesquisas científicas e a práticas pedagógicas por professores pesquisadores tem se
tornado cada vez mais comum. Autores como Scussel (2025); Lima‑Lopes (2025); Sousa
(2024); Vicari et al. (2023), entre outros, têm realizado estudos para compreender melhor como
os profissionais da educação tem feito uso consciente de IAG.
Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
Trochez, Enuar Yesid Calambas; Rocha, Marcelo Augusto. Educação blica Paranaense: entre a prescrição do Estado e a autonomia docente.
Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 13, nº 26, e132608, 2026.
Submissão em: 13/08/2025. Aceito em: 28/01/2026.
ISSN: 2316-8544
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Neste estudo, defende-se o uso ético e responsável de IAG como instrumentos auxiliares
no processo formativo e na mediação do pensamento crítico. Do ponto de vista ético, o uso da
IAG foi declarado, conforme registros do Quadro 1, de forma ética e transparente, seguindo os
princípios de integridade científica definidos pelo CNPq (2011). Reconhece-se, deste modo, a
autoria humana como ponto central na produção do conhecimento a partir das sucessivas
revisões realizadas a fim de não comprometer a originalidade ou autonomia epistemológica do
estudo.
Analise dos Dados e Resultados Alcançados
A primeira questão analisada trata do uso de slides com conteúdos prontos,
disponibilizados pela SEED-PR aos professores. Quando questionados se sofrem pressão para
utilizá-los, 44,4% dos professores, quase metade dos respondentes, afirmam que sim, às vezes,
enquanto 37 % responderam sim, com frequência e apenas 18,5 % responderam não, nunca
(Gráfico 1):
Gráfico 1 – Uso de slides com conteúdos prontos, disponibilizados pela SEED-PR
Fonte: Autores (2025).
As duas porcentagens mais altas responderam sim, às vezes e sim, com frequência. Isso
pode ser corroborado na resolução da SEED 2.857, de 2021 (Paraná, 2021), a qual enfatiza
que todo procedimento dos professores dentro da aula deve ser monitorado pelo diretor ou
diretor auxiliar, ou seja, os professores são obrigados a cumprirem todas as regras impostas pelo
estado, dando prioridade a questões como frequência dos alunos, lista do RCO, slides prontos,
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sendo tudo documentado e reportado pelo relatório mensal de frequência, restando pouco tempo
para o exercício do magistério, efetivamente.
Na segunda questão, perguntou-se aos professores, a respeito dos slides com conteúdos
prontos disponibilizados pela SEED-PR, se esses se sentiram substituídos do seu trabalho
intelectual. A maioria, 51,9% responderam sim, com frequência; 22,2% sim, às vezes; e 25,9%
disseram que não, nunca se sentem assim (Gráfico 2). Ao responderam que sim, que se sentem
substituídos com frequência, os professores estão fazendo alusão ao fato de serem
condicionados ao uso arbitrário dos materiais prontos, e por conta do excesso do uso das
plataformas digitais impostas pelo estado.
Gráfico 2 – Sentimento de ser substituído do seu trabalho intelectual
Fonte: Autores (2025).
No trabalho de Contreras (2002), há fortes indícios de que o trabalho dos professores do
Estado do Paraná, sofreu, e vem sofrendo, processos muito parecidos com o processo contínuo
de desqualificação, produto da crescente regulação, tecnicidade e controle a que se encontram
submetidos nos países anglo-saxões.
Na terceira questão, a respeito dos slides com conteúdos prontos disponibilizados pela
SEED-PR, quando inqueridos a respeito de como classificam o nível pedagógico desses
materiais oferecidos, 85,2% dos professores responderam que, pedagogicamente, em sua
maioria, deixam a desejar, enquanto 14,8% responderam que são, em sua maioria, bons
materiais pedagógicos (Gráfico 3).
Um dos fatores pelos quais, segundo os professores, os materiais disponibilizados são
insuficientes e não correspondem às suas expectativas, para além do fato de conterem conteúdos
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simplistas, deve-se ao fato de eles mais excluírem do que incluírem e por serem padronizados,
desconsiderando as limitações de aprendizagem e as especificidades cognitivas dos alunos,
como se todos estivessem no mesmo patamar de conhecimento e aprendessem da mesma forma.
Para Saviani (2008), esta pedagogia oficial com características tecnicistas e conservadoras que
se tenta generalizar é inconsistente e passível de contestação, pois atende aos interesses de
grupos econômicos, auxiliando sua tentativa imposição hegemônica sobre a sociedade.
Gráfico 3 – Slides com conteúdos prontos, disponibilizados pela SEED-PR
Fonte: Autores (2025).
Os equívocos da padronização dos processos de ensino e aprendizagem ficam aclarados,
na fala de Fernandes, et al (2023, p. 3), quando atestam que uma questão essencial revelada por
professores durante as atividades do seu projeto de extensão é que, “o planejamento que tem
vindo pronto nem sempre corresponde à realidade da turma, não sendo possível trabalhar todo
o conteúdo previsto pelo excesso ou inadequação de atividades’’.
Na quarta questão, que indaga qual a média de alunos por sala com os quais os
professores têm trabalhado atualmente, em sua maioria, 77,8% responderam de 30 a 40 alunos
por turma, 18,5% responderam de 25 a 30 alunos por turma e 3,7% responderam até 25 alunos
por turma (Gráfico 4). A superlotação de alunos em sala de aula é algo bastante comum nos
colégios paranaenses. Não há, atualmente, uma lei estadual em vigor no Paraná que fixe limite
mínimo obrigatório de alunos por sala na educação básica.
Em 2005 a Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (2005), aprovou o Projeto de
Lei 486/2005, com tetos (Educação Infantil: 1ª série: 20; 2ª-4ª: 25; Educação Fundamental: 5ª-
8ª: 30 e Ensino Médio: 35), mas o projeto foi vetado pelo Executivo em 2006 e não virou lei.
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Desde 2012, a quantidade mínima e máxima de estudantes por turma nas escolas da rede
estadual do Paraé fixada pela Resolução 4527/2011. O documento estabelece de 25 a 30 para
5ª e 6ª séries, 30 a 35 para 7ª e 8ª e 35 a 40 alunos(as) no ensino médio.
Nas últimas décadas, houve uma tendência de se normalizar a questão da superlotação
das salas de aulas, mesmo havendo pesquisas indicando as limitações pedagógicas e cognitivas
deste modelo de ambiente de ensino e de aprendizagem. Segundo Costa (2025, s/p), ‘a
superlotação não é apenas um problema pedagógico, mas também um ataque à dignidade dos
professores e estudantes’’. Na mesma linha, o autor aponta que não é raro ouvir de professores,
pais e alunos relatos de que “frequentemente, turmas com mais de 40 estudantes em uma
sala de aula, realidade que também se repete em relatos de docentes em fóruns e grupos de
discussão Brasil afora”. A Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato, 2023), tem
dado visibilidade a diversas manifestações de educadores de todas as regiões do estado,
denunciando a superlotação das salas de aula e as dificuldades enfrentadas no cotidiano escolar.
Gráfico 4 – Média de alunos por sala com os quais os professores têm trabalhado atualmente.
Fonte: Autores (2025).
Em reportagem da BBC News Brasil, Fernandes (2018) afirma que, de acordo com a
OCDE, as escolas públicas do Brasil têm, em média, 37 alunos por sala de aula no primeiro ano
do ensino médio, além de um dos números mais elevados de alunos por professor 22 em
média. Na mesma linha investigativa, em reportagem realizada para a Folha de S. Paulo,
Palhares (2023), afirma que o excesso de estudantes e de carga de trabalho dificulta a melhoria
dos baixos resultados educacionais, e que a média Brasileira de estudantes por professor é 50%
superior à de países com melhores indicadores educacionais, como Estados Unidos, Japão e
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França, em que os docentes trabalham com 200 alunos por ano. No Brasil, esta realidade é
bastante diferente, chegando com frequência a 500 alunos por professor/ano, número acima da
recomendação do Conselho Nacional de Educação de no máximo 300 estudantes. Ainda de
acordo com a Fundação Carlos Chagas, “20% dos professores trabalham em mais de uma
escola, enquanto nos três países analisados essa proporção não supera 5%. Além disso, 61%
trabalham em mais de uma etapa da educação e 30% em redes de ensino diferentes”, situação
que não ocorre nos demais países analisados” (Palhares, 2023, s/p).
Gráfico 5 – Classificação da autonomia docente
Fonte: Autores (2025).
A questão 5 interroga como os professores classificam a sua autonomia docente
atualmente. Mais da metade dos professores, cerca de 51,9% responderam, classificam sua
autonomia como baixa; 33,3% responderam intermediária; e 14,8% responderam que
praticamente não possuem qualquer autonomia, marcando a opção “inexistente”. Cabe ressaltar
que nenhum dos professores considerou indicar como opção possuir autonomia alta, lecionando
exatamente de jeito que se quer, sem limitações (Gráfico 5).
Parte dos fatores que contribuem para esse contexto profissional precarizado tem relação
com a aprovação e implementação da BNCC e do Currículo da Rede Estadual Paranaense
(CREP). Na visão de Santos (2022), a proposta da BNCC visa estabelecer parâmetros para as
escolas com conteúdos pré-definidos, engessando o trabalho docente. Segundo Freitas (2015),
a BNCC visa responsabilizar escolas, punir ou premiar professores e diretores, facilitar a
produção padronizada dos livros e outros materiais didáticos, aumentando o processo de
privatização do ensino, e engessando a formação de professores. O autor aponta ainda que
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é por isso que cada um dos objetivos de aprendizagem constantes do “Catálogo
Nacional de Objetivos” ou base nacional comum, nasce com uma sigla (por
exemplo: LILP1FOA002) Esta é a sigla de um objetivo que “perseguirá” cada escola
brasileira para “ver” como ela está se saindo. Cada uma destas siglas será convertida
em outras amarrando a ela descritores de aprendizagem, em seguida a itens que
comporão o banco nacional de itens das avaliações nacionais. Bases de dados (big
data) serão construídas para registrar e acompanhar cada sala de aula em cada escola.
Uma política educacional baseada em “controle” vai emergir para atormentar a vida
de pais, alunos, professores e diretores. Pressão de escolarização antecipada sobre a
educação infantil (Freitas, 2015, s/p.).
Paralelamente ao avanço das políticas neoliberais e do aumento do controle em
função da padronização dos processos de ensino e de aprendizagem, ocorre a influência
econômica de empresas especializadas em plataformas na educação pública. Tais métodos de
gestão têm gerado, diariamente, diferentes ataques à autonomia docente. Autores como Pasini
(2021); Freitas (2021); Maya (2022); Santos e Ribeiro (2023); Silva e Almeida (2024), entre
outros, têm estudado e denunciado essas ações nos últimos anos, alertando sobre os efeitos
catastróficos para a sociedade a curto, médio e longo prazo.
Para Contreras (2002), a proletarização de professores oferece uma perspectiva
adequada para entender o tema em estudo. Segundo o autor, a tese básica da “proletarização de
professores é que o trabalho docente sofreu uma subtração progressiva de uma série de
qualidades que conduziram os professores à perda de controle e sentido sobre o próprio
trabalho, ou seja, à perda da autonomia” (Contreras, 2002, p. 33).
Considerações finais
Esta pesquisa buscou contribuir para a análise do nível da autonomia docente e o seu
papel na educação paranaense atual. Ao analisar os relatos dos professores e elencar os ataques
à sua autonomia, percebe-se o tamanho dos desafios que estes enfrentam cotidianamente. As
tensões geradas entre as tentativas de se libertarem das exigências por parte dos órgãos
superiores, o excesso de burocracias e a padronização dos currículos e das avaliações m
afetado não apenas a profissão docente, mas a própria função social da escola na medida em
que esta parece não estar mais preocupada com a formação de cidadãos críticos e sim com
dados quantitativos frios, de eficiência duvidosa para fins políticos.
Considerando a conjuntura, fruto da análise dos dados, a adoção de dispositivos de
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regulação (padrões curriculares, testes em larga escala e metas de desempenho) tem alterado os
espaços de decisão da escola e dos docentes, afetando a autonomia pedagógica em diferentes
contextos. Enquanto os políticos falam em educação de qualidade e de projetos educacionais
inovadores, o trabalho dos professores está refém de parâmetros quantitativos e exigências
impossíveis de se alcançar com o atual modelo educacional tecnicista deficiente, de
infraestrutura precarizada, mantido por cláusulas e artigos de normativas perversas que atam a
livre maneira de se ensinar e de se aprender.
Para além das observações iniciais no estágio, os dados da pesquisa evidenciam que os
professores da rede estadual do Paraná residentes na região da cidade de Foz do Iguaçu
vivenciam um cenário de intensas restrições à sua autonomia docente, marcado por imposições
curriculares, pressões institucionais e burocracias excessivas. Embora o estudo tenha sido
realizado com professores desta região do estado, todas as situações abstrusas geradas e
relatadas pelos participantes da pesquisa foram provocadas a partir da aplicação de políticas
públicas e instruções normativas estaduais publicadas pela SEED-PR e postas em prática pelos
NRE, o que dá indícios de que essas situações estejam ocorrendo em outras regiões do estado.
Os dados demonstraram que a utilização de slides padronizados, a centralização dos
processos avaliativos e o controle sobre as práticas pedagógicas têm provocado a sensação de
substituição do trabalho intelectual docente e o esvaziamento de sua função crítica e criativa.
Além disso, constatou-se que o excesso de alunos por sala, somado à exigência de cumprimento
de metas e registros em plataformas digitais, compromete a qualidade das aulas, afetando o
planejamento, o acompanhamento da aprendizagem e a saúde mental dos docentes. Nesse
contexto, defende-se a autonomia docente como elemento essencial para a adaptação
pedagógica, para a valorização profissional e para a promoção de um ensino significativo.
A ausência da autonomia, por outro lado, ligada a diversos outros fatores limitadores
encontrados nas falas dos professores respondentes, pode gerar situações de adoecimento, com
elevadas doses de estresse e ansiedade. Assim, reafirma-se que a autonomia docente não é
apenas uma aspiração legítima, mas uma condição estruturante para a efetivação de uma escola
pública democrática, plural e comprometida com as reais necessidades dos estudantes.
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Ensaios de Geografia
Essays of Geography | POSGEO-UFF
AO CITAR ESTE TRABALHO, UTILIZAR A SEGUINTE REFERÊNCIA:
Trochez, Enuar Yesid Calambas; Rocha, Marcelo Augusto. Educação blica Paranaense: entre a prescrição do Estado e a autonomia docente.
Ensaios de Geografia. Niterói, vol. 13, nº 26, e132608, 2026.
Submissão em: 13/08/2025. Aceito em: 28/01/2026.
ISSN: 2316-8544
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