Ensino, Saude e Ambiente https://periodicos.uff.br/ensinosaudeambiente <p><em>Ensino, Saúde e Ambiente</em> é uma publicação do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ensino de Ciências da Natureza da Universidade Federal Fluminense. O objetivo é a divulgação de artigos científicos resultantes de pesquisas e de relatos de experiências originais sobre temas que envolvem o Ensino de Ciências em espaços formais e não formais. Sem perder de vista, evidentemente, a precípua finalidade de integração de pesquisadores que atuam na interface ensino, saúde e ambiente.<br /><strong>ISSN</strong> 1983-7011</p> ABEC pt-BR Ensino, Saude e Ambiente 1983-7011 <p>Os autores que publicam nesta Revista concordam com os seguintes termos:</p><p>1. Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito da primeira publicação.</p><p>2. Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicado nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e da publicação inicial nesta revista.</p><p> </p> Despatriarcalização do currículo e as abordagens de gêneros e sexualidades: relato de experiência em um espaço educativo do Nordeste https://periodicos.uff.br/ensinosaudeambiente/article/view/57117 <p>Nos últimos anos o currículo escolar tornou-se território de disputa entre conservadores e progressistas. O tensionamento foi acirrado quando educadoras/es inseriram debates de gêneros, sexualidades e diversidades humanas na educação básica. As tentativas de desconstrução do currículo heteropatriarcal ainda são tímidas no Brasil. Isso é justificado, pelo recrudescimento político intensificado no período de 2016 a 2022. A legitimação das perseguições as/os profissionais da educação contribuíram para que muitas/os recuassem na discussão das pautas de diversidades de gêneros e sexualidades. No entanto, as lutas imputadas pela permanência dos debates foram responsáveis pela construção de uma escola mais afetiva e acolhedora das diversidades. A compreensão da importância dessa luta por um currículo acolhedor motivou a escrita do artigo. O objetivo do texto é refletir sobre as percepções observadas no decorrer da realização da palestra intitulada Inclusões e Diversidades. A palestra aconteceu no dia 07 de julho de 2022, em uma escola pública no estado do Ceará e teve como público-alvo estudantes do 9º ano do ensino fundamental. Como resultados, verificou-se a importância desses debates para estudantes: (1) que sofrem os preconceitos por dissidirem da sexualidade normalizada; (2) a reprodução da heteropatriarcalidade no ambiente escolar; (3) as violências institucionalizadas na sociedade; (4) o silenciamento diante da LGBTQIAPNfobia.</p> Stelina Moreira de Vasconcelos Neta Ana Paula Miranda Guimarães Copyright (c) 2024 Stelina Moreira de Vasconcelos Neta, Ana Paula Miranda Guimarães https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2024-04-11 2024-04-11 em 11/04/2024 em 11/04/2024 10.22409/resa2024.v17.a57117 Interseccionalidade e escrevivência: diálogos possíveis entre deficiência e raça https://periodicos.uff.br/ensinosaudeambiente/article/view/60188 <p>O texto faz uma costura entre interseccionalidade e escrevivência, em uma relação que é feita a partir de minha experiência vivida enquanto uma pessoa negra e autista. Pensar as aproximações entre os dois conceitos nos possibilita compreender interseccionalidade e escrevivência como ferramentas potentes, produtoras de conhecimento e de formação subjetiva, rompendo com um modo de fazer acadêmico que supõe uma neutralidade científica. Falar de uma experiência concreta nos permite acessar histórias, criando conexões e trocas importantes com elas, além de abrir caminhos para pensar outros futuros, vozes e corpos dentro da academia, sobretudo no que diz respeito aos modos de produzir conhecimento dentro da psicologia.</p> Aline Tavares de Souza Rodrigues Copyright (c) 2024 Aline Tavares de Souza Rodrigues https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2024-04-19 2024-04-19 em 19/04/2024 em 19/04/2024 10.22409/resa2024.v17.a60188 “Eu tenho a fama de ser um pouco transgressora!”: perspectivas interseccionais de enfermeiras negras https://periodicos.uff.br/ensinosaudeambiente/article/view/58932 <p>Este estudo utilizou o referencial teórico-metodológico dos feminismos interseccionais, concebendo a necessidade de problematizar as discriminações e opressões de gênero, raça, classe, formação profissional e outras, como fenômenos do campo da psicologia social. O objetivo deste trabalho foi analisar a percepção de enfermeiras que se autodeclaram negras com relação às hierarquias de saberes e poderes no trabalho de cuidado na saúde. Foram entrevistadas sete profissionais de enfermagem que atuam/atuaram em unidades hospitalares do SUS do Estado do Rio de Janeiro desde março de 2020 até o momento da realização do campo. Os resultados foram divididos em duas categorias analíticas: 1. “O Médico é o semideus!” e o “Doutor sem doutorado!”; 2. Hierarquias de saberes-poderes e relações raciais na saúde. Os resultados mostraram que, segundo a percepção das mesmas, a categoria médica ainda exerce uma hegemonia discursiva, principalmente em hospitais gerais e hospitais psiquiátricos. As enfermeiras que exercem posição de chefia/liderança relataram experiências de discriminação ligada a gênero, raça, classe profissional entre outras, e que reagem a estas por meio de uma postura de confrontação e combate às estruturas racistas e sexistas. A pesquisa mostrou a necessidade de se problematizar a divisão sociossexual e racial do trabalho na saúde e suas implicações, de reconhecer o protagonismo das mulheres negras nas pesquisas, e também a importância da atuação destas mulheres no cuidado em saúde no SUS.</p> Paolla Pinheiro Mathias Amana Rocha Mattos Copyright (c) 2024 Paolla Pinheiro Mathias, Amana Rocha Mattos https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2024-04-22 2024-04-22 em 22/04/2024 em 22/04/2024 10.22409/resa2024.v17.a58932 Corpas políticas: arte, trabalho e enfrentamento nas tessituras da vida racializada https://periodicos.uff.br/ensinosaudeambiente/article/view/59047 <p>As marcas contemporâneas da experiência de um mundo pós-pandemia têm sido expressas em corpos políticos cujas interseccionalidades resistem a um estado necropolítico. Este artigo busca, a partir de um assentamento epistêmico e teórico, dialogar com experiências narrativas de mulheres em diferentes contextos brasileiros agenciadas pelas interseccionalidades e pela amefricanidade. Para tanto, seguimos rastros sensíveis de narrativas produzidas ao longo de teses de doutorado desenvolvidas junto a corpas-políticas femininas e feministas, aquilombadas em um grupo de pesquisa que se coloca como trincheira no universo acadêmico. Para Dialogamos com mulheres intelectuais, do teatro, do rap, da pesca e das rendas, mulheres que enfrentam a experiência do racismo e do machismo em suas relações com a vida e fazem da arte e do trabalho suas vias de resistência e enfrentamento. Para um feminismo negro situado, falar de interseccionalidade e amefricanidade contribui para desconstruir práticas discursivas, propondo outras epistemologias cujas tessituras em rede permitam afirmar outras vias identitárias sustentadas na igualdade política, racial, econômica e de gênero.</p> Samira Lima da Costa Beatriz Akemi Takeiti Eliana Nunes Ribeiro Regina Carmela Emília de Resende Elaine Araújo de Vasconcelos Thayllany Mattos dos Santos Claudia Reinoso Araujo de Carvalho Copyright (c) 2024 Samira Lima da Costa, Beatriz Akemi Takeiti, Eliana Nunes Ribeiro, Regina Carmela Emília de Resende, Elaine Araújo de Vasconcelos, Thayllany Mattos dos Santos, Claudia Reinoso Araujo de Carvalho https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2024-05-07 2024-05-07 em: 07/05/2024 em: 07/05/2024 10.22409/resa2024.v17.a59047 Saúde, cultura e raízes ancestrais: fitoterapia indígena como prática de cuidado histórico pela biografia das plantas https://periodicos.uff.br/ensinosaudeambiente/article/view/59437 <p>Este texto traz o diálogo entre uma Pajé, da etnia Potiguara, e uma antropóloga sobre saúde e cultura ancestral a partir da fitoterapia indígena. Trata-se de um relato de experiência do curso feito com a Pajé Amanacy, no município da Baía da Traição, na Paraíba, junto a um relato biográfico da Pajé, cuja história com a pajelança e as plantas de cura são rememoradas e trazidas para o presente. O diálogo entre as experiências das duas autoras traça um caminho em que a biografia das plantas rege as aberturas do encontro médico entre a biomedicina e a etnomedicina, nas políticas públicas de saúde oficiais e como a fitoterapia tem sido implantada no Sistema Único de Saúde (SUS). Ao acompanhar a história dos Potiguara, na Baía da Traição; a transformação de uma indígena em Pajé, curandeira e professora; a experiência de uma antropóloga com a cultura da terra, refletimos sobre o retrato biográfico que as plantas nos apresentam e de que modo a etnomedicina mobiliza raízes ancestrais para o centro das políticas de saúde.</p> Beatriz Brandão Sanderline Ribeiro dos Santos Copyright (c) 2024 Beatriz Brandão, Sanderline Ribeiro dos Santos https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2024-05-13 2024-05-13 em 13/05/2024 em 13/05/2024 10.22409/resa2024.v17.a59437 As diversas faces do racismo: uma análise interseccional sobre os impactos da necropolítica no Brasil durante a pandemia de Covid-19 https://periodicos.uff.br/ensinosaudeambiente/article/view/58638 <p>Esse artigo pretende apresentar reverberações do racismo a partir de uma análise interseccional que se configura de modo específico na pandemia de Covid-19, no Brasil, sob um recorte racial, de classe e gênero. Partindo de análises do contexto político e socioeconômico do país, foi realizado um levantamento bibliográfico, e uma análise de mídia sobre dados de saúde no contexto pandêmico voltado para a população negra. Para tanto, foram utilizados conceitos de filósofos como Foucault e Mbembe, assim como falas de personalidades midiáticas para embasar os impactos da necropolítica no Brasil. Foi possível concluir que esta parcela da sociedade sofre ainda mais com o sucateamento de aparelhos públicos que assegurariam a manutenção de direitos básicos de cidadania. Com isso, dispositivos como o poder coercitivo do Estado, ação policial e judicialização da vida se tornam agentes que atuam a favor do racismo de Estado. Nesse sentido, foi possível vislumbrar como a pandemia se tornou mais uma ferramenta de fazer morrer, produzindo uma articulação com o conceito de necropolítica de Mbembe. Somado a isso, temos a omissão do governo então vigente em relação às necessidades da população, com políticas que priorizam a economia em detrimento do bem-estar social. Assim, é possível levantar questões sobre quais práticas estão sendo produzidas no campo psi: se estão alinhadas a uma atuação com compromisso ético, aterradas em seu contexto sociopolítico, econômico e social a fim de promover práticas atreladas à garantia de direitos, ou, a serviço de um funcionamento excludente, corroborando com um fazer necropolítico.</p> Mariana de Castro Moreira Beatriz Perkles de Mello Camila Gonçalves da Costa Copyright (c) 2024 Mariana de Castro Moreira, Beatriz Perkles de Mello, Camila Gonçalves da Costa https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2024-06-08 2024-06-08 em 8/6/2024 em 8/6/2024 10.22409/resa2024.v17.a58638 Descolonizar a educação de trabalhadores/trabalhadoras: corpo e território nos dispositivos da educação profissional https://periodicos.uff.br/ensinosaudeambiente/article/view/58955 <p>O artigo problematiza o lugar do corpo e do território na formação de trabalhadores/trabalhadoras, analisando o processo de produção de dispositivos de ensino de psicologia na Educação Profissional e Tecnológica (EPT). O campo desenvolveu-se no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) Campus Niterói, em atividades pedagógicas desenvolvidas pela primeira autora no contexto de sua pesquisa de doutorado. A metodologia utilizada inspirou-se na pesquisa-intervenção e nas epistemologias feministas e teve como objetivo: desenvolver e analisar os efeitos de alterar os dispositivos educacionais no sentido da valorização do local, da interculturalidade e dos saberes de trabalhadores/trabalhadoras em formação. Alguns conceitos chave do campo teórico das Epistemologias do Sul - ecologias de saberes, artesania das práticas, linhas abissais - e do feminismo interseccional são utilizados para se repensar as práticas educacionais na EPT em um sentido decolonial. Conclui-se que os dispositivos escolares performam sujeitos e mundos e, por isso, são um campo estratégico de luta contra as diferentes opressões do colonialismo, do capitalismo e do patriarcado.</p> Etiane Araldi Ronald João Jacques Arendt Marcia Oliveira Moraes Copyright (c) 2024 Etiane Araldi, Ronald João Jacques Arendt, Marcia Oliveira Moraes https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2024-06-08 2024-06-08 em 8/6/2024 em 8/6/2024 10.22409/resa2024.v17.a58955