Anos proibidos: veto, resiliência e resistência de mulheres no futebol (1941–1979)

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Resumo

Este artigo analisa as dinâmicas que envolveram as mulheres diante das restrições ao espaço futebolístico, instituídas moralmente e legalmente no Brasil durante o século XX. A partir das trajetórias de duas figuras fundamentais — a jornalista Cléo de Galsan, a dirigente Carlota Rezende -- e grupos de futebolistas que atuaram antes e durante a vigência da proibição. Investigamos como essas mulheres confrontaram discursos moralizantes, repressão estatal e estruturas patriarcais que buscaram excluí-las do campo esportivo. Com base em fontes hemerográficas, documentais e bibliográficas, argumentamos que a prática do futebol por mulheres não desapareceu durante a proibição: persistiu em circuitos clandestinos, comunitários e periféricos, sustentados por redes locais de apoio e por gestos cotidianos de resistência. A análise mostra como discursos morais, biomédicos e jornalísticos contribuíram para reforçar desigualdades de gênero, ao mesmo tempo em que evidencia as estratégias de subversão mobilizadas por essas mulheres. O artigo busca, assim, contribuir para a história das mulheres brasileiras, destacando trajetórias que foram apagadas da chamada memória oficial desse esporte no país.

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Biografia do Autor

  • Carmen Rial, Universidade Federal de Santa Catarina

    Professora Titular do Departamento de Antropologia da UFSC (1982), atua no Doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas. Coordena o Instituto de Estudos do Futebol Brasileiro, integra o Instituto de Estudos de Gênero (IEG) e coordena o o Núcleo de Antropologia Audiovisual e Estudos da Imagem (Navi) e o Grupo de Antropologia Urbana e Marítima. Foi presidente da Associação Brasileira de Antropologia (2013-2015), do Conselho Mundial de Associações Antropológicas (WCAA,2018-2021) e co-cordenadou a União Mundial de Antropologia (WAU, 2019-2021). Atualmente, integra o Advisory Board da Wenner Gren Foundation, do dicionário Anthropen, e do Open Anthropology Research Repository da American Anthropological Association. Realizou pós-doutorado no Laboratoire d'Anthropologie Sociale (Collège de France/CNRS), na École des Hautes Études en Science Sociale (EHESS), na Université de Toulouse e Estágio Sênior no Exterior/CAPES na City University of NY. Recebeu a Medalha Roquete Pinto (2016) e o Premio Pierre Verger (2002) da Associação Brasileira de Antropologia.

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Publicado

2025-12-30

Edição

Seção

Dossiê