Narrativas da imprensa sobre a participação da seleção feminina nos mundiais da FIFA
Resumen
Este artigo analisa as transformações nas narrativas midiáticas sobre as derrotas da seleção brasileira feminina de futebol, tomando como marco comparativo as Copas do Mundo de 2007 e 2023 e os Jogos Olímpicos de 2008. Parte-se da compreensão de que a Copa do Mundo de 2023 ocupa um lugar singular na história da relação entre mídia e futebol feminino no Brasil, em razão da ampla cobertura promovida por grandes conglomerados de comunicação, especialmente o Grupo Globo. O estudo tem como objetivo examinar como os significados atribuídos às derrotas da seleção feminina foram construídos e modificados ao longo do tempo. Para tanto, analisa-se a cobertura dos jornais O Globo e Folha de São Paulo, veículos tradicionais de circulação nacional, considerando aspectos como enquadramentos narrativos, acionamento das emoções e a valorização do talento individual das jogadoras, em especial de Marta. Os resultados indicam que, em 2007 e 2008, as derrotas foram predominantemente narradas a partir de uma perspectiva denunciativa, associada à precariedade estrutural do futebol feminino no país, mobilizando sentimentos como medo e desalento. Já em 2023, observa-se uma recepção menos tolerante diante do insucesso esportivo, sugerindo mudanças nos significados atribuídos à seleção feminina e à própria modalidade no contexto da cultura esportiva brasileira.