Fractal: Revista de Psicologia https://periodicos.uff.br/fractal <p><em>Fractal: Revista de Psicologia </em>é uma publicação vinculada ao Programa de Pós-graduação Strito Sensu em Psicologia da Universidade Federal Fluminense. Tem como objetivo a divulgação e discussão da produção acadêmica e científica, reconhecendo a necessidade de coexistência entre as diferentes vertentes de pesquisa no campo da psicologia, alimentando o debate e estimulando o diálogo com diferentes áreas do conhecimento, cujos temas acusem atravessamentos com os estudos da subjetividade.<br /><span style="font-size: 100%;"><strong>ISSN:</strong> 1984-0292</span></p> ABEC pt-BR Fractal: Revista de Psicologia 1984-0292 <p>Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:</p> <p> </p> <ol> <li>Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a <a href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" target="_new">Creative Commons Attribution License</a> que permitindo o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista.</li> <li>Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.</li> </ol> <p><a href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" rel="license"><img style="border-width: 0;" src="https://i.creativecommons.org/l/by/4.0/88x31.png" alt="Creative Commons License" /></a><br />This work is licensed under a <a href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" rel="license">Creative Commons Attribution 4.0 International License</a>.</p> <p> </p> <p><a href="http://creativecommons.org/publicdomain/zero/1.0/" rel="license"> <img style="border-style: none;" src="http://i.creativecommons.org/p/zero/1.0/88x31.png" alt="CC0" /> </a> <br />Na medida do possível segundo a lei, a <a href="https://periodicos.uff.br/fractal/about/submissions#copyrightNotice" target="_blank" rel="noopener">Fractal: Revista de Psicologia</a> renunciou a todos os direitos autorais e direitos conexos às Listas de referência em artigos de pesquisa. Este trabalho é publicado em: Brasil.</p> <p>To the extent possible under law, <a href="https://periodicos.uff.br/fractal/about/submissions#copyrightNotice" rel="dct:publisher"> Fractal: Revista de Psicologia</a> has waived all copyright and related or neighboring rights to Reference lists in research articles. This work is published from: Brasil.</p> Errata v. 32, n. 2 (2020) https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/55612 Copyright (c) 2022 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-08-16 2022-08-16 34 em 16/08/2022 em 16/08/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/55612 Linguística e produção de subjetividade: relações esboçadas https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/5771 <p>No presente artigo buscamos realizar uma discussão a respeito de duas concepções de linguagem: a formalista e a pragmática, em algumas de suas vertentes. A partir dessa contraposição, teremos como objetivo traçar algumas possíveis consequências dessas concepções para a forma como compreendemos e abordamos a literatura e seu vínculo com a produção de subjetividade. Assim, em um primeiro momento, procuraremos explicitar um tipo abordagem da língua feita por Saussure e suas consequências para o entendimento da relação autor-obra. Em seguida, nos dedicaremos à pragmática de Austin, procurando contrastá-la à proposta saussuriana. Por fim, veremos a pragmática de Deleuze e Guattari, bem como suas implicações na forma como compreendemos o processo de escrita literária e seus efeitos sobre a produção de subjetividade. Dessa forma, buscamos indicar que o próprio processo de escrita é criador, engendrando a produção da língua, do mundo e da subjetividade do próprio escritor a um só tempo.</p> Veronica Gurgel Copyright (c) 2022 Veronica Gurgel https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-06-02 2022-06-02 34 em 02/06/2022 em 02/06/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/5771 Entre o esbelto e o obeso: narrativas de mulheres que fizeram cirurgia bariátrica https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/5835 <p>A proposta deste artigo é refletir sobre os sentidos de si construídos por pessoas que fizeram cirurgia para redução de peso. Apresentaremos um estudo no campo de abordagem narrativista, utilizando o conceito de posição para auxiliar a compreensão da construção de sentidos de si. Duas adultas que fizeram cirurgia em hospital da Região Metropolitana do Recife fazem parte do estudo. Entrevistas narrativas foram usadas como técnicas disparadoras das narrativas e a análise de posicionamento foi a estratégia analítica empregada. Sugerimos que os sentidos de si construídos tratam de posições em que (1) as participantes posicionam a si e às pessoas obesas como socialmente constrangidas, que sentem o olhar intimidador, o nervosismo, o vexame, a inadequação, como as que não podem dançar, não podem vestir certas roupas; (2) ao mesmo tempo que são sujeitos de constrangimento, reconhecem o corpo magro como “o padrão” e fortalecem a narrativa dominante de valor ao contorno esbelto como normal; por fim, (3) a cirurgia bariátrica serve como um instrumento de mudança e conquista, que promove a transformação nos sentidos de si mesmo construídos: de estar à margem na sociedade, para o pertencimento social e aceitação pessoal.</p> Janaide Moreno Ana Karina Moutinho Copyright (c) 2022 Janaide Moreno, Ana Karina Moutinho https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-06-02 2022-06-02 34 em 02/06/2022 em 02/06/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/5835 Acessibilidade no ensino superior: percepções de funcionários com deficiência https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/5843 <p>O presente estudo teve por objetivo verificar as condições de acessibilidade de uma instituição pública de ensino superior, localizada no Paraná, a partir da percepção de funcionários com deficiência. Participaram da pesquisa sete funcionários da respectiva instituição que se declararam com deficiência. Para a coleta de dados foi utilizado um roteiro de entrevista semiestruturado. Os dados foram trabalhados mediante análise de conteúdo e discutidos a partir de autores que teorizam sobre a temática ou que se vinculam à Teoria Histórico-Cultural. Os resultados mostraram que, na percepção dos participantes, a instituição ainda se apresenta com muitas barreiras quanto à acessibilidade; todavia, segundo eles, esta tem procurado eliminá-las, sobretudo as que se relacionam à arquitetônica, realizando adaptações e construções como rampas, vagas de estacionamento, banheiros adaptados, entre outros. Concluímos que há necessidade de aprimoramento da política de acessibilidade na instituição e de um acompanhamento efetivo dos funcionários, de acordo com suas necessidades. </p> Ana Paula Siltrão Bacarin Nilza Sanches Tessaro Leonardo Copyright (c) 2022 Ana Paula Siltrão Bacarin, Nilza Sanches Tessaro Leonardo https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-06-02 2022-06-02 34 em 02/06/2022 em 02/06/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/5843 Epistemologia e formação do psicólogo: discussões contemporâneas https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/5859 <p>Este ensaio teórico discute a formação do psicólogo a partir de seu campo epistemológico e de seus desafios contemporâneos. O tema é problematizado a partir da constituição histórica e teórica da psicologia até as complexas demandas da formação e da atuação profissional, considerando as diretrizes da graduação e da pós-graduação. Para isso, são apresentados aspectos relativos à constituição epistemológica da psicologia – a sua história, a associação de seus pressupostos teóricos e a configuração atual, cujos limites são determinados nos espaços de intersecção com outras áreas da ciência –, bem como relativos à formação profissional. Aspectos históricos e políticos, abordagens, ênfases, áreas, interfaces, objetos, teorias, pressupostos, prática, complexidade, disciplinaridade, paradigmas e interdisciplinas são elementos que atravessam essa discussão. A psicologia se caracteriza como uma ciência de epistemologia plural, de currículo integrador, que visa a formar um profissional generalista. Espera-se que as provocações apresentadas subsidiem outras pesquisas sobre as conexões entre a formação e as formas de pensamento emergentes nas ciências. </p> George Moraes De Luiz Thiago Araújo Bezerra de Sousa Copyright (c) 2022 George Moraes De Luiz, Thiago Araújo Bezerra de Sousa https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-06-02 2022-06-02 34 em 02/06/2022 em 02/06/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/5859 Formação generalista: a percepção de egressos de Psicologia https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/5887 <p>A formação em Psicologia é alvo de discussões desde a sua regulamentação como profissão. O presente estudo teve como objetivo identificar a percepção dos egressos de um curso de graduação em Psicologia, numa universidade federal nordestina, acerca da formação generalista, considerando a sua história “recente” junto à expansão universitária no Brasil e a conformidade com as Diretrizes Curriculares Nacionais. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, cujos dados foram obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas individuais, com oito psicólogos egressos, atuantes no mercado de trabalho. A análise dos resultados ocorreu com base na Análise de Conteúdo de Bardin (1977), pela qual se observou uma compreensão pouco assertiva quanto ao conceito de formação generalista e certa dificuldade em nomear-se um profissional como generalista, ainda que essa postura faça parte da prática diária. Além disso, percebeu-se a existência de críticas referentes à matriz curricular e ao relacionamento com os docentes. No entanto, sobressai uma avaliação positiva. </p> Fabrício Magalhães Santana Geusa de Amorim Sousa Marcelo Silva de Souza Ribeiro Copyright (c) 2022 Fabrício Magalhães Santana, Geusa de Amorim Sousa, Marcelo Silva de Souza Ribeiro https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-06-02 2022-06-02 34 em 02/06/2022 em 02/06/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/5887 Práticas em psicologia, formação e resistência da vida https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/5924 <p>Neste artigo busco pensar possibilidades de resistência da vida na universidade e no processo de formação dos estudantes, a partir de duas práticas desenvolvidas no Curso de Psicologia da Universidade Federal de Catalão/UFCAT: o Sarau Psi (ação de extensão e cultura) e a Roda de Cantoria no CAPS (atividade do estágio supervisionado específico). O sarau é apreendido como espaço-tempo de experimentação de outras maneiras de estar juntos na universidade, suscitando pequenos acontecimentos em defesa de uma Educação menor, realizada nas brechas das normas institucionalizadas. Na mesma perspectiva, a Roda de Cantoria no CAPS possibilita um aprendizado inventivo como empreendimento de saúde para os usuários, os estagiários e a professora/orientadora do estágio. Essas práticas menores, vitais para os corpos no limite da exaustão, afirmam diferentes temporalidades e territórios existenciais na contramão dos embrutecimentos cotidianos presentes nas instituições em tempos de incertezas e retrocessos inaceitáveis.</p> Tânia Maia Barcelos Maia Barcelos Copyright (c) 2022 Fractal: Revista de Psicologia https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-06-02 2022-06-02 34 em 02/06/2022 em 02/06/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/5924 A Psicologia em Doença Mental e Psicologia de Michel Foucault https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/5996 <p>Michel Foucault investiga “a história das relações que o pensamento mantém com a verdade” e desnaturaliza corpo, alma e psiqué considerando-os invenções histórico-discursivas, as quais só têm sentido se inseridas em determinados arranjos epistêmicos de produção de verdades, no caso, o surgimento das ciências humanas. Esta pesquisa estuda a ordem do discurso foucaultiano sobre a Psicologia em seu escrito seminal, o livro “Doença Mental e Psicologia”, com o intuito de oferecer subsídios para a compreensão da história dos discursos da Psicologia, no que se refere à edificação do sujeito e do objeto psicológicos e em seus efeitos subjetivadores e contemporâneos, ao questionar tanto a naturalização das condutas consideradas psicologicamente anormais; como também a aplicação dos mesmos princípios da patologia orgânica à patologia mental a qual, aliada ao postulado da naturalização das doenças psicológicas como espécies unitárias, criariam a ilusão de uma unidade real entre as patologia mental e orgânica, por meio da complexa imbricação enunciativa entre mente e organismo. Verificou-se que para Foucault, a patologia de determinada história psicológica e individual não deve ser reduzida aos fenômenos restritos da existência e da percepção personalista do sujeito, o que, inadvertidamente, poderia gerar uma culpabilização do sujeito sobre os sintomas – orgânico-mentais – inerentes à sua própria conduta, de forma a se compreender a emergência do homo psychologicus como sujeito na história cultural e social da humanidade, com especial destaque para a produção histórica das figuras da doença mental.</p> Fernando de Almeida Silveira Ana Paula Vicente de Oliveira Richard Theisen Simanke Copyright (c) 2022 Fractal: Revista de Psicologia https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-06-02 2022-06-02 34 em 02/06/2022 em 02/06/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/5996 Arte ambiente alteridade: formação inventiva entre universidade e escola básica https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/6057 <p>A proposta deste trabalho é fazer ver e falar uma perspectiva ética-estética-política de formação realizada entre universidade e escola básica. Uma aposta expressa por meio de três eixos que se articulam, a saber: arte, ambiente e alteridade. Tais eixos emergem da própria ligação entre professoras da universidade e da escola, que optam por práticas inventivas em seus territórios de trabalho e criam um coletivo, propondo análises e intervenções em uma escola pública da periferia urbana do município de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro. Deste modo, este trabalho é expressão de tessitura coletiva implicada para expressar o que uma pesquisa-intervenção pode criar em dimensões coletivas e desindividualizantes. Para tanto, nossa tessitura acontece na articulação entre práticas instituídas e instituintes, para enunciar o que temos feito entre escola e universidade para formar professoras e estudantes perspectivados pela invenção, pela desnaturalização do habitual e pela possibilidade de produção de outros modos de se relacionar com os outros e consigo mesmo. </p> Ana Luiza Gonçalves Dias Mello Rosimeri de Oliveira Dias Copyright (c) 2022 Fractal: Revista de Psicologia https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-06-02 2022-06-02 34 em 02/06/2022 em 02/06/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/6057 Spinoza e práticas clínicas em psicologia: algumas considerações https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/28197 <p>O presente ensaio teórico pretende elencar algumas questões acerca das possíveis contribuições de Spinoza para a compreensão dos modos de subjetivação e, consequentemente, para as práticas clínicas de psicologia nos dias de hoje. Inicialmente, em consonância com estudiosos e comentadores, será colocada a atualidade da obra de Spinoza, mesmo quase quatro séculos após sua morte. Ao explanar os principais conceitos do autor, também propõe traçar um panorama introdutório aos interessados em um primeiro contato com seus escritos. Pelo caráter inovador e transformador de suas ideias, faz-se necessário explicar o conjunto de conceitos, pois um conceito promove uma mudança em outro e assim sucessivamente. Neste percurso, daremos destaque ao conceito de multidão, que redimensiona a importância das formações coletivas de desejo, para indicar a revolução ética e política operada por sua filosofia. Com este movimento, chegamos, então, ao coração de sua obra com os conceitos de afeto e corpo, intimamente relacionados. Finalmente, faremos uma breve reflexão sobre algumas formas de sofrimento presentes no contemporâneo, apontando as particularidades de determinadas vertentes da psicologia, fundamentadas em dualismos, para propor estratégias de intervenção orientadas pela inspiração spinozista.</p> Anelise Lusser Teixeira Copyright (c) 2022 Fractal: Revista de Psicologia https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-06-02 2022-06-02 34 em 02/06/2022 em 02/06/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/28197 Mães de bebês em UTIN: rede de apoio e estratégias de enfrentamento https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/28423 <p>A Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), embora seja um ambiente de cuidados especiais para garantir a sobrevivência de recém-nascidos, tende a suscitar, nas mães e familiares, percepções e sentimentos ambíguos sobre os eventos relacionados a internação e, ainda, alterar a saúde emocional dos envolvidos. O presente estudo teve como objetivo verificar a associação entre apoio social, estratégias de enfrentamento e tempo de internação, de mães de bebês em UTIN. Os dados foram obtidos de uma amostra de 50 mães de bebês, na maioria até 10 dias internados, que responderam a Escala Modos de Enfrentamento de Problemas e a Escala de Apoio Social. Observou-se que as mães perceberam maior apoio de familiares, principalmente nas dimensões material e afetivo. As estratégias de enfrentamento de maior recorrência foram as focalizadas no problema e na busca de prática religiosa e/ou pensamento fantasioso. Os resultados demonstraram a importância do apoio de diferentes dimensões e as dificuldades de enfrentamento das situações estressoras com o passar dos dias de internação. Os resultados apontaram para a necessidade de atenção e cuidado a essa população. </p> Carolina Daniel Montagner Nadja Guazzi Arenales Olga Maria Piazentin Rolim Rodrigues Copyright (c) 2022 Fractal: Revista de Psicologia https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-06-02 2022-06-02 34 em 02/06/2022 em 02/06/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/28423 Cidade de Deus em 360° https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/5905 <p>Neste artigo, o filme Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, é o disparador de uma reflexão sobre a barbárie nas periferias brasileiras. Capturado em sua trama narrativa, o espectador de classe média é incitado a deslocar-se de uma posição passiva, na medida em que é enlaçado na violência que o filme denuncia. Do ponto de vista metodológico, esta análise fílmica consiste em uma pesquisa psicanalítica sustentada no modo como Freud escuta uma obra visual em O Moisés de Michelangelo. Nesse sentido, um elemento formal da composição de Cidade de Deus – uma panorâmica de 360º – parece aludir ao genocídio da juventude negra do país. A partir de uma leitura psicanalítica, sugerimos que esse circuito de repetição indica o filicídio na cultura: o extermínio de novas gerações orquestrado por estruturas de poder com o intuito de sustentar posições de gozo. No circuito mortífero em que são tragados jovens negros brasileiros de periferia, trata-se de descrever o que se repete, regularmente, mas também as possibilidades de inscrição de uma diferença. </p> Samanta Antoniazzi Amadeu de Oliveira Weinmann Copyright (c) 2022 Fractal: Revista de Psicologia https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-07-26 2022-07-26 34 em 26/07/2022 em 26/07/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/5905 Visita a exposições artísticas: considerações acerca da recepção estética https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/5906 <p>O artigo apresenta alguns resultados da pesquisa intitulada “Narrativas de vida de usuários do Núcleo de Apoio Psicossocial: a recepção estética e a experiência de visitar exposições artísticas”, que explora a recepção estética e a experiência de visitar exposições de arte com usuárias de um Núcleo de Apoio Psicossocial de Santos. É uma pesquisa-intervenção que utilizou diários de campo elaborados pela pesquisadora que acompanhou uma das participantes a duas exposições artísticas. Para a análise foram construídos os seguintes analisadores: A quem serve a arte do museu? e Recepção estética: uma experiência singular. Embora as exposições visem afetar o público, a recepção estética se produz de modo singular para cada sujeito de acordo com suas histórias de vida, experiências, conhecimento, entre outros. Este artigo explicita alguns dos efeitos dessa recepção estética em uma das usuárias participantes impulsionada pelo contato com as artes, que se fez por aproximações com o seu cotidiano de vida e suas experiências, produzindo sensações e encontros.</p> Liah Cavalcante Flávia Liberman Maurício Lourenção Garcia Copyright (c) 2022 Fractal: Revista de Psicologia https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-07-26 2022-07-26 34 em 26/07/2022 em 26/07/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/5906 Vida e trabalho de refugiado: a imagem como experiência do olhar a partir de uma obra de Escher https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/30739 <p>Vida e trabalho no percurso de refugiado estão entre os mais recentes desafios contemporâneos que instigam o olhar e o pesquisar. A fim de potencializar a discussão, julgou-se pertinente atentar para a experiência do olhar frente à imagem. Tomou-se a xilogravura Dia e Noite, arte de Maurits Cornelius Escher, que alude ao movimento migratório de pássaros, por também ela provocar o olhar dadas as características que o artista lhe imprime. Como base teórica condutora da discussão, tomaram-se os conceitos de espaço liso e estriado, de Deleuze e Guattari, imbricados em referencial relativo à situação de refugiado. A conversa entre imagem e teoria ampliou o olhar para além das questões burocráticas, jurídicas e estatísticas, frequentemente associadas aos estudos acerca de refugiado, e permitiu apontar relações de continuidade e coexistência em seus modos de viver e trabalhar. Entende-se que, ao provocar a experiência do olhar, a imagem pode ser capturada, recortada, reduzida, ampliada, torcida, num esforço de sentido não necessariamente óbvio. </p> Laura Alves Scherer Carmem Ligia Iochins Grisci Copyright (c) 2022 Fractal: Revista de Psicologia https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-07-26 2022-07-26 34 em 26/07/2022 em 26/07/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/30739 “Todo mundo tem história?”: experiências de ex-internos em hospital psiquiátrico https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/6065 <p>A Reforma Psiquiátrica busca progressivamente deslocar o foco do cuidado do hospital para as redes de cuidado territoriais. O objetivo deste estudo foi compreender a experiência de pessoas em sofrimento psíquico grave no período de internação e pós-internação em um hospital psiquiátrico. Foi realizado estudo qualitativo, por meio do método de História de Vida Focal, com realização de entrevistas com cinco ex-internos do extinto Hospital Psiquiátrico Franco da Rocha (HPFR). Utilizando-se a Análise do Conteúdo Temática foram levantadas três categorias: a forma de se relacionar com a loucura, a ambivalência das experiências e as nuances de uma possível ruptura de paradigmas. Tais categorias permitiram discutir a coexistência entre os paradigmas asilar e psicossocial no atual cenário da Reforma Psiquiátrica, constituindo atravessamentos nos modos de compor itinerários de cuidado entre as pessoas com sofrimento psíquico. Afirma-se a necessidade de produção de modos de cuidado que respeitem o direito à cidadania, à palavra e à história das pessoas com sofrimento psíquico.</p> Gláucia Miranda Gustavo Zambenedetti Copyright (c) 2022 Fractal: Revista de Psicologia https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-09-16 2022-09-16 34 em 16/09/2022 em 16/09/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/6065 Michael White: marcos teóricos da Prática Narrativa https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/28539 <p>A pós-modernidade, o giro narrativo e os paradigmas construtivista e construcionista deram origem a variadas formas de intervenção psicoterapêutica, entre as quais se dará destaque ao conhecimento teórico que embasa a Prática Narrativa produzida por David Epston e Michael White, com ênfase para a contribuição de Michael White, autor que propõe coconstrução narrativa entre terapeuta e pessoa em terapia. A Prática Narrativa caracteriza-se pela desconstrução da estória saturada pelo problema, reconstrução narrativa e reautoria do self por meio de estórias preferidas e a partir da experiência vivida pela pessoa em terapia. O objetivo da pesquisa foi reconhecer, integrar e organizar as várias informações dispersas na literatura sobre a Prática Narrativa. Foi realizada revisão de literatura com destaque para a caracterização do panorama teórico da pós-modernidade e para a interlocução de Michael White com Bruner, Bateson, Foucault, Vygotsky e Derrida. O método utilizado foi levantamento bibliográfico de livros, artigos, dissertações e teses. O estudo teórico pode favorecer que o terapeuta crie contextos propiciadores de mudança, o que pode contribuir para o processo psicoterapêutico.</p> Maria Salete Matheus Simone Dill Azeredo Bolze Copyright (c) 2022 Fractal: Revista de Psicologia https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-09-16 2022-09-16 34 em 16/09/2022 em 16/09/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/28539 ¿Quién gobierna? Gobernamentalidad en la intervención de adolescentes infractores en el sur de Chile https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/51092 <p>En Chile diversas investigaciones coinciden en afirmar que la implementación de la Ley de Responsabilidad Penal Adolescente no ha logrado proteger los derechos de los jóvenes sancionados. Desde la perspectiva teórica de la gobernamentalidad, este estudio tiene como objetivo comprender la articulación entre las tecnologías de gobierno y las prácticas de subjetivación de adolescentes con infracción de ley en un programa de Libertad Asistida en el sur de Chile. Utilizamos una metodología cualitativa de estudio de caso de un programa que consideró entrevistas a interventores, observación de talleres, análisis de documentos y de perfiles Facebook. Como principales resultados afirmamos que en el programa se produce una articulación entre las tecnologías que pretenden gobernar comportamientos de los adolescentes y las prácticas o tecnologías del yo de los adolescentes que permite, al mismo tiempo, la mantención del programa, así como de contra conductas de los adolescentes que entra en conflicto con la ley. Se discute el rol del sistema de licitación de estos programas y su relación con la lógica penal de cuantificación de las sanciones en la producción de sujetos</p> Jimena Carrasco Madariaga Camila Vaga-Mosquera Gonzalo Bustamante-Rivera Copyright (c) 2022 Jimena Carrasco Madariaga, Camila Vaga-Mosquera, Gonzalo Bustamante-Rivera https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 2022-09-16 2022-09-16 34 em 16/09/2022 em 16/09/2022 10.22409/1984-0292/2022/v34/51092