Os ribeirinhos do Baixo São Francisco: outros sentidos de ser / The riverine people of the lower São Francisco river: other senses to being

Maria Augusta Mundim Vargas

Resumo


Neste artigo, discutimos os sentidos de ser ribeirinho, pela observação de que, além dos sujeitos que vivem nas margens do rio São Francisco, um contingente muito maior se beneficia de suas águas pelas adutoras que adentram os estados de Sergipe e Alagoas para o abastecimento humano e irrigação. Uma recente visita ao baixo curso do rio, em janeiro de 2019, provocou a seguinte indagação: quem bebe e se serve da água do rio São Francisco se reconhece como ribeirinho? Isso nos conduziu a uma pesquisa documental retroagindo à década de 1990, balizada por estudos sobre vivências e percepções das gentes sãofranciscanas. Partimos do pressuposto de que ser ribeirinho não se singulariza naqueles que habitam suas margens, pois os sentidos podem estar guardados na memória dos que habitam outras geografias ou, ainda, construídos pela percepção dos que margeiam as adutoras que bombeiam suas águas para milhões de sergipanos e alagoanos.


Palavras-chave


Sentidos de vivência. Sentidos da existência. Ser ribeirinho. Governança. Percepção.

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DOI: https://doi.org/10.22409/geograficidade2020.101.a28976

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