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ERAN ÒRÙN, 2021
Lucas Soares [Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil]*
*Lucas Soares é graduado em Artes Visuais pelo Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Juiz de Fora. Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ar-
tes, Cultura e Linguagens da UFJF [Bolsa CAPES], possui pesquisa paralela à própria produção artística desenvolvida na linha de Estudos Interartes e Música. Tem como
área de interesse reflexões sobre sintaxes espaciais e construções de memórias e lugares, pautadas nos estudos decoloniais. Artista Visual com atuação desde 2018.
Email: lucassoaresarte@gmail.com, ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4428-0633
Eran òrùn, em Iorubá “carne do[e] pescoço”, se materializa enquanto um gesto. A violência colonial histórica
e do cotidiano vivido condiciona nossas percepções, saberes, corpos e olhares. A distinção entre a cabeça
e o corpo de um indivíduo, desde sempre foi atribuída ao corpo negro [corpo-ferramenta] em antítese ao
corpo universal” [corpo-pensante]. Essa visão verticalizada, ocidental, se manifesta pela sublimação dos
acontecimentos, nos fazendo olhar para cima mesmo quando as estruturas de poder nos condicionam a
manter a cabeça abaixada.
Todavia, em Iorubá, òrùn também é céu, mundo espiritual. Talvez o pescoço possa ser uma via de passagem
entre as dores, os carregos, as afirmações e as buscas de diferentes estrelas do céu ensolarado que nos toca.A
ação germina sobre o que restou do monumento dedicado ao empreendedor e escravocrata Bernardo Masca-
renhas, localizado na praça Antônio Carlos, na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais. Da pedra bruta a pedra
broto, pelo caminho da impenitente saliva do mar de nossas diásporas.
Este ensaio faz parte da pesquisa de mestrado do autor, intitulada provisoriamente Monumento ao desvio: Expe-
riências e reflexões sobre sintaxes espaciais como valores de estruturas narrativas de construção de memórias e
lugar, em desenvolvimento no PPGACL da Universidade Federal de Juiz de Fora.
Citação recomendada:
ZENHA, Leonardo;
LOPES, Raquel.
Deslocamentos
arte-educativos na
Transamazônica-Xingu
como experiências do
sensível em direção a
uma outra partilha do
comum. Revista Poiésis,
Niterói, v. 22, n. 38,
p. 153-161, jul./dez.
2021. [https://doi.
org/10.22409/poie-
sis.v22i38.48942 ]
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Lucas Soares.
Lucas Soares, Eran Òrùn, 2021.
(Submetido: 2/3/2021;
Aceito: 13/5/2021;
Publicado: 7/7/2021)