PASSOS, Pâmella; SOUZA, Pedro; SILVA, Sandrine B. da. Fazendo ouvir
cantos de alegria e soluçar de dor: a visita à Pequena África como uma
prática educacional antirracista.
PragMATIZES
Americana de Estudos em Cultura,
Niterói/RJ, Ano 1
março 2021.
Fazendo ouvir cantos de alegria e soluçar de dor: a visita à Pequena África
como uma prática educacional antirracista
DOI:
https://doi.org/10.22409/pragmatizes.v11i20.
Resumo:
da Pequena África no município do Rio de Janeiro. Tal ação foi elaborada como atividade de estágio
curricular
obrigatório de dois estudantes de licenciatura em História na Universidade Federal
Fluminense em conjunto com a docente do Instituto Federal do Rio de Janeiro, ambos autores do
artigo. Abordando o passado escravocrata brasileiro e o contexto de permanente
propomos uma reflexão acerca de práticas educacionais comprometidas com a promoção dos
Direitos Humanos. Compreendendo o contexto de ataques à educação democrática e também ao
Ensino de História, optamos por compartilhar a experiência dest
a educação como possibilidade de práticas antirracistas.
Palavras-chave:
Pequena África; educação a
Hacer escuchar canciones de alegría y solucionar el dolor:
práctica educativa antiracista
Resumen:
El artículo analizará una visita técnica con estudiantes de secundaria a la región de Little
Africa en el municipio de Río de Janeiro. Esta acción fue diseñada como una actividad d
curricular obligatoria para dos estudiantes de la licenciatura en Historia de la Universidade Federal
Fluminense junto con la profesora del Instituto Federal de Río de Janeiro, ambos autores del artículo.
Abordando el pasado de la esclavitud bra
proponemos una reflexión sobre las prácticas educativas comprometidas con la promoción de los
1
Pâmella Santos dos Passos. D
outora em História pela U
(UFF).
Professora de História do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio de
Janeiro (IFRJ), com estágio de pós
Social/ Museu Nacional/ UFRJ (2014), atualmente pós
em Educação da UFF, Brasil. E-
mail:
6100
2
Pedro Souza. Mestrando em História pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
E-
mail: pedroh_souza@outlook.com.br
3
Sandrine Alves Barros da Silva. Graduada em História pela Universidade Federal Fluminense. Foi
bolsista de iniciação científica pelo Museu de Astronomia e Ciências Afin
mail: sandrinebsilva@gmail.com
Texto recebido em 15/09/20
20
PASSOS, Pâmella; SOUZA, Pedro; SILVA, Sandrine B. da. Fazendo ouvir
cantos de alegria e soluçar de dor: a visita à Pequena África como uma
PragMATIZES
- Revista Latino-
Niterói/RJ, Ano 1
1, n. 20, p. 69-89,
www.periodicos.uff.br/pragmatizes
(Dossiê "Tramas entre cultura e educação")
Fazendo ouvir cantos de alegria e soluçar de dor: a visita à Pequena África
como uma prática educacional antirracista
https://doi.org/10.22409/pragmatizes.v11i20.
46209
Pâmella
Sandrine Barros da Silva
O artigo analisará a realização de uma visita técnica com alunos de ensino médio à Região
da Pequena África no município do Rio de Janeiro. Tal ação foi elaborada como atividade de estágio
obrigatório de dois estudantes de licenciatura em História na Universidade Federal
Fluminense em conjunto com a docente do Instituto Federal do Rio de Janeiro, ambos autores do
artigo. Abordando o passado escravocrata brasileiro e o contexto de permanente
propomos uma reflexão acerca de práticas educacionais comprometidas com a promoção dos
Direitos Humanos. Compreendendo o contexto de ataques à educação democrática e também ao
Ensino de História, optamos por compartilhar a experiência dest
a visita para assim afirmar a escola e
a educação como possibilidade de práticas antirracistas.
Pequena África; educação a
ntirracista; direitos
humanos; experiência; i
Hacer escuchar canciones de alegría y solucionar el dolor:
la visita a la Pequeña África como
El artículo analizará una visita técnica con estudiantes de secundaria a la región de Little
Africa en el municipio de Río de Janeiro. Esta acción fue diseñada como una actividad d
curricular obligatoria para dos estudiantes de la licenciatura en Historia de la Universidade Federal
Fluminense junto con la profesora del Instituto Federal de Río de Janeiro, ambos autores del artículo.
Abordando el pasado de la esclavitud bra
sileña y el contexto de racismo permanente en el país,
proponemos una reflexión sobre las prácticas educativas comprometidas con la promoción de los
outora em História pela U
niversidade Federal F
luminense
Professora de História do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio de
Janeiro (IFRJ), com estágio de pós
-doutorado pelo Programa de Pós-
Graduação em Antropologia
Social/ Museu Nacional/ UFRJ (2014), atualmente pós
-
doutoranda do Programa d
mail:
pamella.passos@ifrj.edu.br -
https://orcid.org/0000
Pedro Souza. Mestrando em História pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
mail: pedroh_souza@outlook.com.br
- https://orcid.org/0000-0002-7534-1200.
Sandrine Alves Barros da Silva. Graduada em História pela Universidade Federal Fluminense. Foi
bolsista de iniciação científica pelo Museu de Astronomia e Ciências Afin
s, Rio de Janeiro, Brasil. E
- https://orcid.org/0000-0002-3978-1081
20
, aceito para publicação em 12/10/2020
e disponibilizado online
em 01/03/2021.
69
www.periodicos.uff.br/pragmatizes
- ISSN 2237-1508
(Dossiê "Tramas entre cultura e educação")
Fazendo ouvir cantos de alegria e soluçar de dor: a visita à Pequena África
Pâmella
Passos
1
Pedro Souza
2
Sandrine Barros da Silva
3
O artigo analisará a realização de uma visita técnica com alunos de ensino médio à Região
da Pequena África no município do Rio de Janeiro. Tal ação foi elaborada como atividade de estágio
obrigatório de dois estudantes de licenciatura em História na Universidade Federal
Fluminense em conjunto com a docente do Instituto Federal do Rio de Janeiro, ambos autores do
artigo. Abordando o passado escravocrata brasileiro e o contexto de permanente
racismo no país,
propomos uma reflexão acerca de práticas educacionais comprometidas com a promoção dos
Direitos Humanos. Compreendendo o contexto de ataques à educação democrática e também ao
a visita para assim afirmar a escola e
humanos; experiência; i
dentidade.
la visita a la Pequeña África como
El artículo analizará una visita técnica con estudiantes de secundaria a la región de Little
Africa en el municipio de Río de Janeiro. Esta acción fue diseñada como una actividad d
e pasantía
curricular obligatoria para dos estudiantes de la licenciatura en Historia de la Universidade Federal
Fluminense junto con la profesora del Instituto Federal de Río de Janeiro, ambos autores del artículo.
sileña y el contexto de racismo permanente en el país,
proponemos una reflexión sobre las prácticas educativas comprometidas con la promoción de los
luminense
Professora de História do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio de
Graduação em Antropologia
doutoranda do Programa d
e Pós-Graduação
https://orcid.org/0000
-0001-9759-
Pedro Souza. Mestrando em História pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
, Brasil.
Sandrine Alves Barros da Silva. Graduada em História pela Universidade Federal Fluminense. Foi
s, Rio de Janeiro, Brasil. E
-
e disponibilizado online
PASSOS, Pâmella; SOUZA, Pedro; SILVA, Sandrine B. da. Fazendo ouvir
cantos de alegria e soluçar de dor: a visita à Pequena África como uma
prática educacional antirracista.
PragMATIZES
Americana de Estudos em Cultura,
Niterói/RJ, Ano 1
março 2021.
Derechos Humanos. Entendiendo el contexto de los ataques a la educación democrática y también a
la Enseñanz
a de la Historia, optamos por compartir la experiencia de esta visita para afirmar la
escuela y la educación como posibilidad de prácticas antirracistas.
Palabras clave
: Pequeña África; e
M
aking happy chants and hiccupsf pain be heard: a visiting experience to the Little Africa
region with history undergraduate licentiate and technical high
Abstract:
The present article aims to analyze a technical visit to the Little Africa
high-
school students in Rio de Janeiro municipality. This action featured part of the curricular
internship supervised practice by two History undergraduate licentiate students from the Federal
Fluminense University. They co
-
Federal Institute of Rio de Janeiro. Owing to the past Brazilian slavery system and the remaining
racism in the country, we intend to put forward a reflection over the History teaching practice an
relationship with the promotion of Human Rights. Amidst the context of attacks against democratic
education and History teaching, we are going to share this visiting experience in order to make a case
for school and education as a possibility for ant
Keywords: Little Africa; anti-
racist
Fazendo ouvir cantos de alegria e soluçar de dor: a visita
como uma prática educacional antirracista
1. Contextualizando
a visita
Iniciamos este trabalho
afirmando nosso
compromisso com
uma educação antirracista, nos termos
apresentados por Djamila Ribeiro em
seu Pequeno Manual antirracista
(2019). Como autora aponta, são
necessários alguns passos que podem
parecer simples, mas que a
implementados abalam as estruturas
racistas deste país.
Nesse sentido, privilegiamos
uma prática pedagógica que dialoga
com
a agenda dos movimen
e sociais, bem como se compromete a
cumprir as demandas referendadas
PASSOS, Pâmella; SOUZA, Pedro; SILVA, Sandrine B. da. Fazendo ouvir
cantos de alegria e soluçar de dor: a visita à Pequena África como uma
PragMATIZES
- Revista Latino-
Niterói/RJ, Ano 1
1, n. 20, p. 69-89,
www.periodicos.uff.br/pragmatizes
(Dossiê "Tramas entre cultura e educação")
Derechos Humanos. Entendiendo el contexto de los ataques a la educación democrática y también a
a de la Historia, optamos por compartir la experiencia de esta visita para afirmar la
escuela y la educación como posibilidad de prácticas antirracistas.
: Pequeña África; e
ducación antirracista;
derechos humanos; experiencia; i
aking happy chants and hiccupsf pain be heard: a visiting experience to the Little Africa
region with history undergraduate licentiate and technical high
-
school students
The present article aims to analyze a technical visit to the Little Africa
school students in Rio de Janeiro municipality. This action featured part of the curricular
internship supervised practice by two History undergraduate licentiate students from the Federal
-
author th
is manuscript together with the supervisor teacher from the
Federal Institute of Rio de Janeiro. Owing to the past Brazilian slavery system and the remaining
racism in the country, we intend to put forward a reflection over the History teaching practice an
relationship with the promotion of Human Rights. Amidst the context of attacks against democratic
education and History teaching, we are going to share this visiting experience in order to make a case
for school and education as a possibility for ant
i-racist practices.
racist
education; human rights; experience; identity.
Fazendo ouvir cantos de alegria e soluçar de dor: a visita
à Pequena África
como uma prática educacional antirracista
a visita
Iniciamos este trabalho
compromisso com
uma educação antirracista, nos termos
apresentados por Djamila Ribeiro em
seu Pequeno Manual antirracista
(2019). Como autora aponta, são
necessários alguns passos que podem
parecer simples, mas que a
o serem
implementados abalam as estruturas
Nesse sentido, privilegiamos
uma prática pedagógica que dialoga
a agenda dos movimen
tos negros
e sociais, bem como se compromete a
cumprir as demandas referendadas
pelas leis
10.639 e 11.
sancionadas, respectivamente, em
1996 e 2008, que tornam obrigatório o
ensino de história e cultura
africana/afro-
brasileira e indígena nos
segmentos da educação básica.
Explicitamos assim os vieses de
compromisso e legalidade que
marcam nossa ação, a
importante num contexto de ataques
aos
professores, em especial ao das
áreas das ciências humanas, e suas
práticas de educação democrática em
prol dos direitos humanos (PENNA,
2016).
70
www.periodicos.uff.br/pragmatizes
- ISSN 2237-1508
(Dossiê "Tramas entre cultura e educação")
Derechos Humanos. Entendiendo el contexto de los ataques a la educación democrática y también a
a de la Historia, optamos por compartir la experiencia de esta visita para afirmar la
derechos humanos; experiencia; i
dentidad.
aking happy chants and hiccupsf pain be heard: a visiting experience to the Little Africa
school students
The present article aims to analyze a technical visit to the Little Africa
region with technical
school students in Rio de Janeiro municipality. This action featured part of the curricular
internship supervised practice by two History undergraduate licentiate students from the Federal
is manuscript together with the supervisor teacher from the
Federal Institute of Rio de Janeiro. Owing to the past Brazilian slavery system and the remaining
racism in the country, we intend to put forward a reflection over the History teaching practice an
d its
relationship with the promotion of Human Rights. Amidst the context of attacks against democratic
education and History teaching, we are going to share this visiting experience in order to make a case
à Pequena África
10.639 e 11.
645,
sancionadas, respectivamente, em
1996 e 2008, que tornam obrigatório o
ensino de história e cultura
brasileira e indígena nos
segmentos da educação básica.
Explicitamos assim os vieses de
compromisso e legalidade que
marcam nossa ação, a
specto
importante num contexto de ataques
professores, em especial ao das
áreas das ciências humanas, e suas
práticas de educação democrática em
prol dos direitos humanos (PENNA,
PASSOS, Pâmella; SOUZA, Pedro; SILVA, Sandrine B. da. Fazendo ouvir
cantos de alegria e soluçar de dor: a visita à Pequena África como uma
prática educacional antirracista.
PragMATIZES
Americana de Estudos em Cultura,
Niterói/RJ, Ano 1
março 2021.
Dito isto, analisaremos uma
visita técnica à região da Pequena
Áf
rica, localizada na Zona Portuária do
Rio de Janeiro, elaborada pelos
autores deste artigo, dois estudantes
de licenciatura em História sob a
supervisão de uma docente regente da
turma de Ensino Médio Técnico que
realizou tal visita. Os estudantes,
jovens
entre 17 e 20 anos, são alunos
e alunas do Instituto Federal de
Educação, Tecnologia e Ciência do
Rio de Janeiro (IFRJ)
Campus Rio
de Janeiro, situado no bairro
Maracanã. Tal visitação tomou por
base a organização proposta pelo
aplicativo “Passados Pres
idealizado pelas pesquisadoras Hebe
Mattos, Martha Abreu e Keila Grinberg,
adaptada ao tempo disponível e
possibilidades de deslocamento
Cabe destacar que nomeamos
de “visita cnica” o que diversas
instituições chamam de “aula
porém,
para o contexto de uma
instituição de formação técnica
profissional, como o IFRJ, optamos por
fazer uso do termo utilizado na
instituição para registrar as saídas dos
4
Disponível em:
https://play.google.com/store/apps/details?id=c
om.passadospresentes.peqafrica. Acesso em:
18 jul. 2020.
PASSOS, Pâmella; SOUZA, Pedro; SILVA, Sandrine B. da. Fazendo ouvir
cantos de alegria e soluçar de dor: a visita à Pequena África como uma
PragMATIZES
- Revista Latino-
Niterói/RJ, Ano 1
1, n. 20, p. 69-89,
www.periodicos.uff.br/pragmatizes
(Dossiê "Tramas entre cultura e educação")
Dito isto, analisaremos uma
visita técnica à região da Pequena
rica, localizada na Zona Portuária do
Rio de Janeiro, elaborada pelos
autores deste artigo, dois estudantes
de licenciatura em História sob a
supervisão de uma docente regente da
turma de Ensino Médio Técnico que
realizou tal visita. Os estudantes,
entre 17 e 20 anos, são alunos
e alunas do Instituto Federal de
Educação, Tecnologia e Ciência do
Campus Rio
de Janeiro, situado no bairro
Maracanã. Tal visitação tomou por
base a organização proposta pelo
aplicativo “Passados Pres
entes”,
idealizado pelas pesquisadoras Hebe
Mattos, Martha Abreu e Keila Grinberg,
adaptada ao tempo disponível e
possibilidades de deslocamento
4
.
Cabe destacar que nomeamos
de “visita cnica” o que diversas
instituições chamam de “aula
-passeio”,
para o contexto de uma
instituição de formação técnica
profissional, como o IFRJ, optamos por
fazer uso do termo utilizado na
instituição para registrar as saídas dos
https://play.google.com/store/apps/details?id=c
om.passadospresentes.peqafrica. Acesso em:
estudantes a fim de proporcionar
conhecimentos práticos de campo e no
campo, nas diversas
roteiro elaborado uniu Cais do
Valongo/da Imperatriz, Pedra do Sal, o
Jardim Suspenso do Valongo, e o
Instituto dos Pretos Novos, nesta
ordem de visitação. Tornando possível
ouvir tanto os cantos de alegria,
reverberado ainda hoje na Pedra
Sal, como os soluçares de dor,
cravados nas pedras do Valongo e nas
terras do antigo cemitério de negros e
negras, aludindo à famosa canção de
Clara Nunes
5
.
De forma resumida
escravizados e não escravos,
abordando práticas culturais, festa
alegrias, mas também açoites e
perversidades pretendemos dar
visibilidade à
opressão e resistência
vivida pelos negros e negras que aqui
chegaram após seu sequestro em
suas terras natais.
As salas
céu aberto que visitamos
complementavam e mate
temáticas abordadas na sala
formal.
5
DUARTE, Mauro; PINHEIRO, Paulo César.
Canto das Três Raças. In: NUNES, Clara.
Canto das Três Raças.
Rio de Janeiro: EMI
Odeon, 1976. LP. Faixa 1.
71
www.periodicos.uff.br/pragmatizes
- ISSN 2237-1508
(Dossiê "Tramas entre cultura e educação")
estudantes a fim de proporcionar
conhecimentos práticos de campo e no
campo, nas diversas
disciplinas. O
roteiro elaborado uniu Cais do
Valongo/da Imperatriz, Pedra do Sal, o
Jardim Suspenso do Valongo, e o
Instituto dos Pretos Novos, nesta
ordem de visitação. Tornando possível
ouvir tanto os cantos de alegria,
reverberado ainda hoje na Pedra
do
Sal, como os soluçares de dor,
cravados nas pedras do Valongo e nas
terras do antigo cemitério de negros e
negras, aludindo à famosa canção de
De forma resumida
ao falar em
escravizados e não escravos,
abordando práticas culturais, festa
s,
alegrias, mas também açoites e
perversidades pretendemos dar
opressão e resistência
vivida pelos negros e negras que aqui
chegaram após seu sequestro em
As salas
de aula a
céu aberto que visitamos
complementavam e mate
rializavam as
temáticas abordadas na sala
de aula
DUARTE, Mauro; PINHEIRO, Paulo César.
Canto das Três Raças. In: NUNES, Clara.
Rio de Janeiro: EMI
-
Odeon, 1976. LP. Faixa 1.
PASSOS, Pâmella; SOUZA, Pedro; SILVA, Sandrine B. da. Fazendo ouvir
cantos de alegria e soluçar de dor: a visita à Pequena África como uma
prática educacional antirracista.
PragMATIZES
Americana de Estudos em Cultura,
Niterói/RJ, Ano 1
março 2021.
Cabe destacar que a atividade
foi f
ruto de um estágio de Pesquisa e
Prática de Ensino celebrado entre a
Universidade Federal Fluminense
(UFF) e o Instituto Federal do Rio de
Janeiro (IFRJ), e demonstra, também,
a importância deste espaço para a
formação de professores capazes de
ampliar vis
ões de mundo e estimular
sensibilidade frente à
s dificuldades
que surgem durante o magistério.
Trata-
se de um trabalho que gera
trocas e aprendizados, entre alunos
secundaristas, professores e
licenciandos.
2.
A Escola como fábula,
perversidade e possibilida
pensamentos sobre educação
É recorrente em nossa
sociedade uma visão na qual a escola
aparece como a grande salvadora dos
problemas sociais. Seria este o
caminho? Para analisar uma ação
produzida dentro de um contexto
escolar, uma visita técnica à reg
Pequena África, propomos um breve
diálogo com Milton Santos para situar
a concepção educacional de onde
partimos.
Em sua reconhecida obra “Por
uma outra globalização: do
PASSOS, Pâmella; SOUZA, Pedro; SILVA, Sandrine B. da. Fazendo ouvir
cantos de alegria e soluçar de dor: a visita à Pequena África como uma
PragMATIZES
- Revista Latino-
Niterói/RJ, Ano 1
1, n. 20, p. 69-89,
www.periodicos.uff.br/pragmatizes
(Dossiê "Tramas entre cultura e educação")
Cabe destacar que a atividade
ruto de um estágio de Pesquisa e
Prática de Ensino celebrado entre a
Universidade Federal Fluminense
(UFF) e o Instituto Federal do Rio de
Janeiro (IFRJ), e demonstra, também,
a importância deste espaço para a
formação de professores capazes de
ões de mundo e estimular
s dificuldades
que surgem durante o magistério.
se de um trabalho que gera
trocas e aprendizados, entre alunos
secundaristas, professores e
A Escola como fábula,
perversidade e possibilida
de:
pensamentos sobre educação
É recorrente em nossa
sociedade uma visão na qual a escola
aparece como a grande salvadora dos
problemas sociais. Seria este o
caminho? Para analisar uma ação
produzida dentro de um contexto
escolar, uma visita técnica à reg
ião da
Pequena África, propomos um breve
diálogo com Milton Santos para situar
a concepção educacional de onde
Em sua reconhecida obra “Por
uma outra globalização: do
pensamento único à consciência
universal”, Santos (2006) analisa o
processo de
globalização a partir de
três prismas: 1) a globalização como
fábula: como nos fazem ver, 2) a
globalização como perversidade:
assim como ela é, e 3) a globalização
como possibilidade: os usos possíveis
dos avanços gerados por este
processo.
Pensar a edu
especial a escola dialogando com esta
imagem trazida por Milton Santos nos
permite refletir sobre a instituição
escolar a partir de suas práticas e não
de forma estática. Nesse sentido,
cientes das dificuldades das escolas
básicas brasileiras e
profissionais, sobretudo da rede
pública, temos o cuidado de
compreender que a possibilidade de
realização de visitas-
técnicas ou aulas
passeio é algo bastante restrito, quase
uma fábula para diversas realidades.
Identificamos que, em especial
no qu
e tange a área de História, a
prevalência ainda é de uma escola
dividida em disciplinas,com ênfase nos
conteúdos históricos e não em práticas
que possibilitassem a compreensão
histórica no espaço
estudantes. Nesse sentido, a escola
72
www.periodicos.uff.br/pragmatizes
- ISSN 2237-1508
(Dossiê "Tramas entre cultura e educação")
pensamento único à consciência
universal”, Santos (2006) analisa o
globalização a partir de
três prismas: 1) a globalização como
fábula: como nos fazem ver, 2) a
globalização como perversidade:
assim como ela é, e 3) a globalização
como possibilidade: os usos possíveis
dos avanços gerados por este
Pensar a edu
cação e em
especial a escola dialogando com esta
imagem trazida por Milton Santos nos
permite refletir sobre a instituição
escolar a partir de suas práticas e não
de forma estática. Nesse sentido,
cientes das dificuldades das escolas
básicas brasileiras e
seus
profissionais, sobretudo da rede
pública, temos o cuidado de
compreender que a possibilidade de
técnicas ou aulas
-
passeio é algo bastante restrito, quase
uma fábula para diversas realidades.
Identificamos que, em especial
e tange a área de História, a
prevalência ainda é de uma escola
dividida em disciplinas,com ênfase nos
conteúdos históricos e não em práticas
que possibilitassem a compreensão
histórica no espaço
-tempo com os
estudantes. Nesse sentido, a escola
PASSOS, Pâmella; SOUZA, Pedro; SILVA, Sandrine B. da. Fazendo ouvir
cantos de alegria e soluçar de dor: a visita à Pequena África como uma
prática educacional antirracista.
PragMATIZES
Americana de Estudos em Cultura,
Niterói/RJ, Ano 1
março 2021.
apresenta-s
e como perversidade,
reduzindo, e por vezes anulando, as
experiências históricas dos sujeitos de
aprendizagem.
No entanto, compreendemos
que a experiência que trazemos neste
artigo é um exemplo da escola como
possibilidade. Uma escola que
caminha pela cid
ade, que se faz entre
a educação básica e o ensino superior,
no encontro de estudantes de
licenciatura em história com
estudantes do Ensino dio Técnico
na área de química mediados por uma
professora
que, o apenas ensina,
mas que constantemente aprende.
Nesse contexto de encontro, é
importante destacar a compreensão
compartilhada pelos autores deste
artigo, e que também foram fazedores
da experiência da visita técnica aqui
analisada, acerca do papel da
educação na promoção dos Direitos
Humanos, em espe
cial no contexto
brasileiro. Na Declaração Universal
dos Direitos Humanos, documento
produzido pela Organização das
Nações Unidas e aceito
universalmente, encontramos que tais
direitos devem se apresentar “como o
ideal comum a ser atingido por todos
os pov
os e todas as nações, com o
PASSOS, Pâmella; SOUZA, Pedro; SILVA, Sandrine B. da. Fazendo ouvir
cantos de alegria e soluçar de dor: a visita à Pequena África como uma
PragMATIZES
- Revista Latino-
Niterói/RJ, Ano 1
1, n. 20, p. 69-89,
www.periodicos.uff.br/pragmatizes
(Dossiê "Tramas entre cultura e educação")
e como perversidade,
reduzindo, e por vezes anulando, as
experiências históricas dos sujeitos de
No entanto, compreendemos
que a experiência que trazemos neste
artigo é um exemplo da escola como
possibilidade. Uma escola que
ade, que se faz entre
a educação básica e o ensino superior,
no encontro de estudantes de
licenciatura em história com
estudantes do Ensino dio Técnico
na área de química mediados por uma
que, o apenas ensina,
mas que constantemente aprende.
Nesse contexto de encontro, é
importante destacar a compreensão
compartilhada pelos autores deste
artigo, e que também foram fazedores
da experiência da visita técnica aqui
analisada, acerca do papel da
educação na promoção dos Direitos
cial no contexto
brasileiro. Na Declaração Universal
dos Direitos Humanos, documento
produzido pela Organização das
Nações Unidas e aceito
universalmente, encontramos que tais
direitos devem se apresentar “como o
ideal comum a ser atingido por todos
os e todas as nações, com o
objetivo de que cada indivíduo e cada
órgão da sociedade, tendo sempre em
mente esta Declaração, se esforce,
através do ensino e da educação
por promover o respeito a esses
direitos e liberdades” (ONU, p.
dos autores).
Dialogando com a Declaração
das Nações Unidas de 1948 e com o
contexto político brasileiro de ataques
aos direitos humanos, trazemos um
material elaborado também pelo IFRJ,
e que foi um desdobramento da visita
técnica feita com os estudantes à
região da
Pequena África. Trata
uma História em Quadrinhos (HQ),
produzida no âmbito do projeto de
extensão “Educação e Direitos
Humanos: o IFRJ em tempos de
conservadorismo”, ação que foi
agraciada com o Prêmio Paulo Freire
da Assembleia Legislativa do Estad
do Rio de Janeiro em 2019 e que foi
traduzida para inglês e espanhol.
(PASSOS; MULICO; MORGAN,
73
www.periodicos.uff.br/pragmatizes
- ISSN 2237-1508
(Dossiê "Tramas entre cultura e educação")
objetivo de que cada indivíduo e cada
órgão da sociedade, tendo sempre em
mente esta Declaração, se esforce,
através do ensino e da educação
,
por promover o respeito a esses
direitos e liberdades” (ONU, p.
4, grifo
Dialogando com a Declaração
das Nações Unidas de 1948 e com o
contexto político brasileiro de ataques
aos direitos humanos, trazemos um
material elaborado também pelo IFRJ,
e que foi um desdobramento da visita
técnica feita com os estudantes à
Pequena África. Trata
-se de
uma História em Quadrinhos (HQ),
produzida no âmbito do projeto de
extensão “Educação e Direitos
Humanos: o IFRJ em tempos de
conservadorismo”, ação que foi
agraciada com o Prêmio Paulo Freire
da Assembleia Legislativa do Estad
o
do Rio de Janeiro em 2019 e que foi
traduzida para inglês e espanhol.
(PASSOS; MULICO; MORGAN,
2019).