ISSN 2237-1508
PragMATIZES-Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura
Niterói/RJ, Ano 16, n. 30, jan. a dez. 2026
www.periodicos.uff.br/pragmatizes
Dossiê "Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica”, volume II.
Como citar:
GOULART, Ilsa do Carmo Vieira.Narrativas como arte da experiência dialógica: entre textos verbais e multimodais.
PragMATIZES-Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura, Niterói/RJ, Ano 16, n. 30, p. 01-17, 2026. DOI:
https://doi.org/10.22409/pragmatizes.v16i30.66805.
1
Narrativas como arte da experiência dialógica: entre textos verbais
e multimodais
Ilsa do Carmo Vieira Goulart
1
RESUMO: Ao considerar que a leitura acontece de forma ampla e dinâmica, o leitor, ao
entrar em contato com o texto oral ou escrito , portanto, mediado ou o por um
contador/narrador, estabelece uma relação de proximidade, criada a partir da
experiência da ação dialógica entre o sujeito-leitor (leitor-ouvinte/ leitor-visual/ leitor
digital) e a narrativa (oral, escrita, visual ou multimodal). Diante disso, este ensaio tem
por objetivo refletir sobre a narrativa como arte da experiência dialógica, apoiando-se na
concepção de linguagem como interação verbal, na perspectiva bakthiniana, e de
experiência, como aquilo que nos passa, segundo Jorge Larrosa. A reflexão aponta que a
narrativa oral, quando potencializada pela ação de um contador/narrador, pode criar
condições para que aconteça uma experiência dialógica entre o leitor e a narrativa.
Experiência que se caracteriza pela ação mobilizadora de relações e interações entre
sujeitos por meio da linguagem, capaz de formar e transformar esse leitor.
Palavras-chave: narrativas; contação de histórias; narrador.
Recebido em: 07/04/25 | Avaliado em: 22/08/25
Publicado em: 20/05/26
1
Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Estágio de Pós-Doutorado
em Educação pela Universidade de Barcelona. Docente do Departamento de Gestão Educacional, Teoria e
Práticas de Ensino e do Programa de Po s-Graduaa o em Educação, da Universidade Federal de Lavras
(UFLA). Coordenadora do Núcleo de Estudos em Linguagens, Leitura e Escrita - NELLE/UFLA. Bolsista
Produtividade FAPEMIG/CNPq. E-mail: ilsa.goulart@ufla.br. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9469-
2962.
PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 2
Tomar a palavra...
As palavras são portas e janelas.
Se debruçamos e reparamos, nos inscrevemos na paisagem.
Se destrancamos as portas, o enredo do universo nos visita.
Bartolomeu Campos de Queirós (2012, p. 61)
Neste texto, trago uma reflexão sobre as palavras contadas ou narradas como uma
forma de manifestação de experiência da linguagem, como forma de expressão e de
interação. Para isso, recorro à prosa poética de Queirós (2012, p. 61), quando as define
como “portas e janelas”. A partir dessa metáfora, convido o leitor a pensarmos sobre o
que teria motivado essa comparação, o que teria inspirado o escritor a fazer tal analogia?
Seria com base nas características físicas que uma porta e uma janela apresentam? Seria
pelas funções que exercem em nossa vida, por fazerem parte de nossas ações diárias? A
resposta a essas inquietações poderia estar na função de conectar ou desconectar quem,
ou o que, está no interior ou no exterior de um ambiente; poderia ser pela função de
mobilidade que as portas e janelas nos possibilitam, visto permitirem às pessoas exercer
a ação de abrir ou fechar, de trancar, destrancar ou entreabrir, de apenas olhar, admirar,
espiar, de sair ou entrar, o que depende diretamente dos interesses, das intenções, das
necessidades, das percepções, dos desejos dessas pessoas.
Mas o olhar de um escritor vai além da rusticidade do visível, prefere enfrentar as
levezas do imprevisível e, assim, explorar as forças mais profundas que as conotações
podem oferecer ao texto. Ele trabalha num ato de ludicidade em ares imaginativos com a
narrativa. Uma porta e uma janela podem representar muitas coisas, podem ser a chave
para uma passagem de um ato criativo e produtivo, do ir além de si mesmo, que exige sair
do estado inicial para outro lugar, na simbologia do ato de se abrir e de se fechar para o
mundo, para o outro, para as vozes interiores e exteriores, numa busca incansável dos
sentidos que as palavras podem provocar. Aqui articulo uma reflexão a partir das
palavras escritas, da provocação que elas emitem ao leitor, porém, ao acompanhar a
contação oral de uma história, é possível perceber que as ações de ouvir, de olhar e sentir
também se sujeitam ao ato interpretativo.
Nesse sentido, as palavras, quando narradas, parecem ter função análoga à de uma
porta ou janela, quando exercem a conexão entre o real e o imaginário, entre o possível e
o impossível, entre o fazer concreto e o pensar fabuloso. A mobilização conotativa é
possível tanto na produção quanto na leitura da narrativa, haja vista que pode acontecer
PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 3
a partir de ações que mobilizam a sensibilidade escritora e leitora, como olhar, ouvir,
sentir, sorrir, imaginar, compreender, encantar, entre outras tantas ações de um escritor
e de um leitor-ouvinte/ leitor-visual/ leitor-digital que se deixam envolver pela magia
das palavras, gestos, sons e imagens. Tais ações se concretizam balizadas também por
interesses, por necessidades ou por desejos de um sujeito sedento pelas palavras. Essa
mobilidade conduz ao envolvimento quando “nos inscrevemos na paisagem”, segundo
Queirós (2012, p. 61), ou melhor, quando nos possibilita o encontro, a experiência
dialógica.
Por isso, conforme aponta Machado (2004, p. 34), a narração tem como sua
natureza fundamental possibilitar [...] diversas situaões de encontros humanos”. Uma
criança, quando se aconchega no colo de seus pais para ouvir uma história ou quando, em
uma sala de aula, sentada em uma roda, busca estar mais próxima do professor-contador
de histórias, faz parte de uma cena em que ocorrem encontros humanos entrelaçados
pela narração.
Podemos denominar de encontro porque se trata de uma relação concreta entre
dois sujeitos, um autor e um leitor, e, no caso de uma narrativa oral, haverá um
narrador/contador
2
e um leitor-ouvinte
3
, um leitor-visual
4
, um leitor-digital
5
, ambos em
intensa conexão por meio de um enredo narrativo. Assim, confiante nesse encontro por
meio das palavras, sejam elas lidas ou oralizadas, compartilho uma dessas experiências
fabulosas e provocadoras de arte imaginativa.
2
Utilizaremos a expressão narrador/contador na compreensão de que essas duas palavras representam
em relação à arte da narrativa oral, tomando como subsídio teórico de narrador a concepção de Benjamin
(1994), como aquele que tem algo a contar, por ter vivenciado aventuras distantes, ou como aquele que
narra vivências cotidianas; contador, como aquele que compreende uma narrativa e elabora estratégias de
um roteiro narrativo, utiliza-se de recursos como figurino, objetos, sonoplastia, entre outras formas de
expressão para incorporar ao texto (Machado, 2004).
3
Neste texto a expressão leitor-ouvinte se baseia na definição proposta por Bortolin (2010, p. 22): “leitor-
ouvinte é todo indivíduo que tem a sua leitura mediada, isto é, que recebe a interferência oral de um
mediador para se encontrar com diferentes textos, podendo também ser chamado de leitor que com os
ouvidos”.
4
Utilizaremos essa expressão “leitor-visual” por retratar a aão do leitor diante de uma narrativa visual,
que segundo Goulart (2024, p. 313) esta “paisagem construída pelos enunciados o verbais se mostra
instigante à reflexão e à identificação do leitor. Nessa vertente discursiva, pode-se destacar o livro de
imagem como material concreto da compreensão leitora, por trazer em si uma linguagem repleta de
enunciados, que permite ao leitor a interlocuão com o texto visual”.
5
Entende-se leitor-digital como aquele leitor capaz de realizar uma leitura digital, que remete “à
compreensão de textos disponíveis em ambientes e dispositivos digitais como computadores, tablets e
smartphones. Do ponto de vista cognitivo, essa leitura traz os mesmos desafios da leitura no impresso: lidar
com informaões, atribuir sentidos, refletir, julgar a relevância e a validade da informaão” (Cascarelli,
Gomes, 2022, p. 134). Tal leitura demando demanda do leitor duas competências: a navegação, que é a
busca e a seleção de informações, que se refere ao letramento digital, e a leitura.
PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 4
Quando criança, ouvia histórias de assombrações e narrativas de causos contados
por meu pai. As palavras oralizadas e dramatizadas eram acompanhadas da destreza de
um texto narrado, que envolvia aquele público nas noites de fim de semana no alpendre
de nossa casa. Os causos, sobre o que ele havia visto ou ouvido, eram contados em
primeira pessoa do singular ou plural, entre uma mistura de ficção e realidade, de
enredos trágicos e cômicos, de situações assustadoras e outras folclóricas. Entre outras
tantas, havia recontos daquilo que um dia fora uma situação de luta e desventura, tendo
sido contado pelo pai do pai, ou pelo pai do avô, pelo compadre distante ou por um
conhecido desconhecido. Eram tantos personagens envolvidos e situações fabulosas
que geravam dúvida nos espectadores quanto à veracidade de cada palavra, o que
tornava necessário reafirmar, a cada desfecho, que aquilo realmente acontecera.
O público era sempre bem diversificado quanto à idade, pois, além dos filhos,
sobrinhos e amigos, também vinham vizinhos, tios, compadres e comadres. Eram
basicamente os mesmos: as pessoas, o contador e os causos, entretanto isso não
minguava que os olhares se mantivessem atentos e curiosos na condução da contação.
Vez ou outra, os contadores se alternavam, o que parecia ser uma inspiração para meu
pai tomar a palavra e apresentar outros causos. A noite avançava entremeada de histórias
que nos provocavam medo e risos, causos assustadores e divertidos, porém não se
esgotava a curiosidade do público, pois parecia que:
As palavras dançavam no ar, em espaços que desconhecia. O desejo era o findar
das histórias infindáveis, criadas e ampliadas, com intencionalidade, para atrair
a atenção de um público constituído por familiares, amigos e até curiosos, que
enchiam o alpendre da casa. Por vezes, as histórias recontadas, conhecidas,
eram reavivadas e replicadas pela voz, narradora e inebriante, de um pai
contador causos em noites estreladas... (Goulart, 2018, p. 21).
Assim, ao relembrar as experiências proporcionadas pela contação de causos e
histórias de minha infância, recupero a compreensão de um momento em que fui
envolvida pela linguagem, pela arte da expressividade, que me permitiu o envolvimento
com a narrativa oral, por meio de uma experiência sensível com a palavra, quando, ao
debruçar-me na paisagem dos contos e causos, permitia que o enredo do universo” me
visitasse (Queirós, 2021, p. 61).
Os causos compõem um texto na oralidade, em que integram elementos narrativos
em ação dialógica por meio de um contador-narrador como sujeito que movimenta a
palavra; de um enredo que articula um tema, um assunto em questão; dos personagens
PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 5
reais ou fictícios; de um tempo e um espao ao emitir: certa vez, quando meu avô...”; “um
dia, quando passava por aqui...” ou “quando meu pai era criana...”, situa e aproxima um
contador/autor de um interlocutor (que pode ser um leitor, um leitor-ouvinte ou leitor-
visual) por meio de um contexto narrativo (oral ou escrito). Ou seja, cria-se uma rede
dialógica entre sujeitos, movida por uma atividade de contação que é dirigida a alguém.
A condução de uma narração de histórias toma como norte seu público, por isso um
narrador depara-se com a necessidade de conhecer a quem está narrando, de
compreender aquele de quem a palavra espera uma ação responsiva.
Neste texto, tomo a palavra para tecer uma rede dialógica com os leitores que aqui
se dispõem a acompanhar esta escrita. Posso imaginar que serão leitores sedentos de
saber um pouco mais sobre o que seria contar ou narrar uma história, ou mesmo leitores-
pesquisadores que se aproximam da roda temática para tecer outros textos. Por isso, esta
escrita tem como objetivo refletir sobre as narrativas como arte de uma experiência
dialógica, na qual a linguagem é compreendida como interação verbal. Assim, ajuntando
palavras e pensares, proponho uma reflexão das narrativas a partir de duas vertentes
teóricas: a perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem de Bakhtin (2006), Bakhtin
e Volochínov (2012), e a experiência como aquilo que nos passa, segundo a concepção de
Benjamin (1994) e de Larrosa (2006; 2003; 2002).
A narrativa como arte dialógica
Por meio dos causos contados, meu pai buscava estabelecer uma relação de
proximidade com o público presente. Como um bom contador, mantinha-se atento ao
cadenciar da narrativa, observava se as pessoas compreendiam a história, se
concordavam, se gostavam, se achavam engraçado ou não, cumprindo, com isso, a função
de atrair e manter a atenção do público. Essa integração entre o contador/narrador e os
sujeitos leitores-ouvintes perpassa a compreensão de que a palavra dirige-se a um
interlocutor: ela é função da pessoa desse interlocutor”, e, conforme explicam Bakhtin e
Volochínov (2012, p. 116), a forma de organização da linguagem altera-se de acordo com
o grupo social em que este sujeito está inserido. Trata-se de uma função dialógica da
linguagem, que tem como prioridade ser comunicativa e expressiva frente ao seu
interlocutor, em que a linguagem, manifestada, aqui, por meio de uma narração, é
organizada e reorganizada em consonância com o sujeito que narra (ou que escreve) e
PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 6
aquele a quem se dirigem as palavras.
Ao considerar a linguagem como forma de expressão, na qual a enunciaão é “[...]
produto da interaão de dois indivíduos socialmente organizados”, como afirmam
Bakhtin e Volochínov (2012, p. 116), a palavra, entendida como linguagem, dirige-se a
alguém e está em função de um interlocutor, por isso o modo de organização pode variar
conforme a pessoa a quem se direciona. A linguagem em forma de discurso é composta
por enunciados que se estendem, destinam-se a outrem, ou seja, a elaboração do discurso
submete-se ao destinatário e, ao mesmo tempo, é arrebatada pelas palavras evocadas e
pela resposta emitida pelo interlocutor.
Para compreender essa ação dialógica que acontece durante a narração de
histórias, podemos considerá-la a partir de um movimento em espiral, onde o
contador/narrador constrói e reelabora a narrativa, conforme as reações de seus leitores
ouvintes, em ações como: alterar o tom de voz, estender, encurtar ou reelaborar uma
cena, enfatizar uma fala, priorizar ou omitir um detalhe da história. É esse movimento em
espiral da linguagem, em que os enunciados se encontram e constituem significados,
produzindo uma resposta no processo de comunicação, que podemos denominar ação
dialógica da linguagem.
Para Bakhtin e Volochínov (2012) uma dialogização interna da palavra, sendo
ela perpassada pela palavra do outro, portanto o que ouvimos, comentamos, silenciamos,
expressamos está impregnado por dizeres de outros. Para os autores, a centralidade e a
organização de toda expressão provêm da exterioridade, de modo que “[...] todo discurso
é ocupado, atravessado pelo discurso alheio. O dialogismo são as relações de sentido que
se estabelecem entre dois enunciados”, conforme descreve Fiorin (2006, p. 19).
Uma narrativa não integralmente original em sua essência, o enredo se apresenta,
muitas vezes, construído de fios entremeados de outras tantas narrativas, um dia ouvidas
ou apreciadas, formando uma rede dialógica emaranhada de ecos de outros contos,
contados à maneira daquele narrador. O dialogismo é compreendido tanto pela esfera de
que nossos enunciados estão envoltos por outros enunciados, como também pela esfera
da ação responsiva, por provocar uma resposta no interlocutor frente ao enunciado dado,
ou seja, como asseguram Bakhtin e Volochínov (2012, p. 300), por ser [...] o elo na cadeia
da comunicação discursiva e não pode ser separado dos elos precedentes que o
determinam tanto de fora quanto de dentro, gerando nele atitudes responsivas e
PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 7
ressonâncias dialógicas”.
Assim, o texto produzido na oralidade ou na escrita, que outrora apenas era
contado ou narrado, agora pode ser lido, dramatizado, digitado, exibido em telas
multimídias, gravado em áudios ou em vídeos e, entre essas e tantas outras
possibilidades, configura-se em uma expressão enunciativa-discursiva da linguagem, por
provocar no leitor uma ação responsiva. Não ficamos alheios ao que lemos e ao que
ouvimos, ao que nos é lido ou narrado ou, de modo mais específico, ao que nos é contado,
visto que reagimos a essa forma de leitura, interagimos com o contexto narrativo,
apreciando-o ou até mesmo refutando-o, para atribuir-lhe um sentido.
As narrativas como arte experienciada
Os causos recebiam um tom de veracidade e talvez tivessem mesmo acontecido,
creio que não exatamente daquela forma, porém, ao descrever as ações como um feito
nobre, corajoso ou destemido, como algo miraculoso ou inesperado, arrancava-se do
público um olhar de espanto e admiração, utilizavam-se expressões verbais na primeira
pessoa (singular ou plural) para demonstrar o envolvimento com o fato ocorrido e dar
mais legitimidade à história, como “vi com meus próprios olhos, que um dia a terra há de
comer...”; “então, eu decidi enfrentar aquela escuridão...”; “eu e meu pai pegamos aquela
direão e seguimos na picada...”, entre tantas outras.
Para trazer essa dimensão da narrativa como arte da experiência, é interessante
destacar dois pontos de argumentação: o primeiro refere-se ao fato de que as palavras
contadas nos causos vinham entremeadas de realidade e ficção, um contexto que remetia
à experiência, muitas vezes sensível, do cantador que era reproduzida pela
expressividade da linguagem. Isso porque, ao contar ou narrar causos e/ou histórias, se
estabelecia uma relaão permeada pela dialogicidade, pois “[...] a experiência que passa
de pessoa a pessoa é a fonte a que recorreram todos os narradores. E, entre as narrativas
escritas, as melhores são as que menos se distinguem das histórias orais contadas pelos
inúmeros narradores anônimos”, na perspectiva de Benjamin (1994, p. 2).
Nesse sentido, contar ou narrar parte da dimensão de uma experiência dialógica
vivenciada, primeiramente, por esse sujeito ser um leitor de palavras essa linguagem
em movimento que compõem o mundo que o envolve: seja ao ouvir o sussurrar de
sonhos ou pesadelos, ao balbuciar anseios ou medos; seja ao compartilhar fatos ou
PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 8
acontecimentos inesperados; seja ao ouvir causos, lendas, mitos; seja na vivência das
situações mais inusitadas, entre tantas outras possibilidades.
As palavras vividas e experienciadas tornam-se únicas, próprias daquele sujeito,
primeiro pela singularidade dele. Essa característica singular tem a força e a intensidade
da originalidade, pois o que se vivencia em uma determinada situação provoca
sentimentos e reações que não serão os mesmos de outrem. Para Larrosa (2002; 2003;
2006), essa experiência configura-se de um saber finito, que revela a singularidade do
ser, um saber particular, que reflete a subjetividade dos sujeitos, um saber encarnado, ou
seja, trata-se de “[...] un saber que no puede separarse del individuo concreto en quien
encarna” (Larrosa 2003, p. 34)
6
.
Segundo, porque as palavras agem em ão múltipla, não se esvaem na
interioridade do sujeito, mas antes se multiplicam, se adicionam a outras vivências. O
contador ou o narrador torna-se aquele sábio, que tem uma história para cada situação,
o que o habilita a comentar, aconselhar, opinar, discordar ou transformar uma situação
trágica em risos, pois ao longo dos anos acumulou experiências suas e de outrem que lhe
possibilitam ver o ocorrido com leveza e sarcasmo. O contar ou narrar passa a ter uma
relação com a arte da expressividade, da articulação da linguagem em sua inteireza e
simplicidade, visto que,
Quanto maior a naturalidade com que o narrador renuncia às sutilezas
psicológicas, mais facilmente a história se gravana memória do ouvinte, mais
completamente ela se assimilará na sua própria experiência e mais
irresistivelmente ele cederá à inclinação de recontá-la um dia. Esse processo de
assimilação se dá em camadas muito profundas e exige um estado cada vez mais
raro (Benjamin, 1994, p. 204).
Essa camada de profundidade de apropriação da linguagem parece estar se
perdendo com as mudanças sociais e culturais, sinalizando temeridade, pois, se a
humanidade não direciona mais o olhar sobre a experiência de vida, “[...] desaparece o
dom de ouvir, e desaparece a comunidade de ouvintes. Contar histórias sempre foi a arte
de contá-las de novo, e ela se perde quando as histórias não são mais conservadas”.
(Benjamin, 1994, p. 205).
O que se perde é a sensibilidade social como característica humana, como a força
motriz das relações interpessoais, se perde a possibilidade de expressividade e de
manifestação artística, se perde a capacidade imaginativa, pois refere-se à experiência
6
Cf. “um saber que não pode separar-se do indivíduo concreto em quem encarna” (tradução da autora).
PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 9
que provoca naquele espectador que acompanha inebriado a narrativa, ou melhor,
naquele leitor-ouvinte. Ouvir uma história/causo nos conduz a um estado de leitura, pois
acionamos a compreensão leitora do texto oral compartilhado. Na mesma intensidade de
envolvimento afetivo e/ou de curiosidade, podemos destacar aquele leitor que
acompanha pelo olhar atento as ilustrações de um livro de imagens, seguindo de forma
compenetrada as cenas de uma narrativa visual. Ou ainda, um leitor diante do texto em
tela que se demonstra inebriado pela narrativa multimodal, deslizando-se pela tela,
produzindo sentidos entre sons, imagens, escritos, cores, movimentos etc., numa efusão
de linguagens.
Quando reportamos ao gênero narrativo (oral, escrito, visual ou multimodal),
podemos dizer que a leitura, nesse caso, nos remete à nossa experiência e essa, por sua
vez, decorre também de nossa capacidade de narrar e de transmitir as histórias que
ouvimos, por isso seria [...] graas a essa capacidade de narrar e de intercambiar
experiências que aplacamos nossas angústias diante da efemeridade da existência”,
conforme apontam Goulart e Lobo (2016, p. 14).
Por isso, ao entender que o ato de leitura acontece de forma ampla e dinâmica ao
estabelecer com o leitor uma relação de proximidade com o texto, no caso produzido na
oralidade, cria-se um ato dialógico entre o sujeito-leitor
7
e o texto (verbal ou multimodal).
Diante disso, compreendo que tanto a narrativa oral quanto a escrita podem criar uma
experiência de leitura, isso porque a “[...] criança mistura-se com as personagens de
maneira muito mais íntima do que o adulto. É atingida pelo acontecimento e pelas
palavras trocadas de maneira indizível, e quando se levanta, está inteiramente envolta
pela neve que soprava da leitura” (Benjamin, 2002, p. 105).
Durante os momentos de contação de causos, havia uma espécie de tratado de
interesses entre os leitores-ouvintes e o contador, quando um atendia à expectativa
anunciando um causo ou quando atendia a solicitaões de repetiões: “conta de novo”,
“conta aquela história que...”. Por isso, essa forma de leitura exige a capacidade de escutar
ou ler não apenas com os olhos ou com os ouvidos, mas também com a sensibilidade, com
as emoções. Pois, mais que se colocar frente ao texto, muitas vezes estes leitores-ouvintes
7
A expressão sujeito-leitor é definida por Goulart (2023, p. 21) a partir da perspectiva discursiva e dialógica
de leitura, “Compõe-se a ideia de sujeitos, longe da passividade ou apenas da receptividade acumulativa,
como aqueles que atuam com e sobre a linguagem, já que “os sujeitos não adquirem a sua língua materna;
é nela e por meio dela que ocorre o primeiro despertar da consciência” (Bakhtin; Volochínov, 2012, p. 111).
PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 10
se sentem parte da história, estabelecendo uma relação de pertencimento e de
intimidade, rumo à compreensão leitora, para que seja possível obter a autoformação e
transformação (Larrosa, 2003), que pode ocorrer numa dimensão interior com a
mudança de conceitos, de modos de percepção, de compreensão, de posicionamentos,
entre outras, ou exterior, como por exemplo alterações na forma de se produzir.
No caso de uma narrativa visual, acontece uma série de movimentos
interpretativos onde o leitor-visual se esforça em relacionar o encadeamento de imagens
para produzir sentidos. O que requer um aprendizado do leitor para essa capacidade, a
qual chamamos de educação para o olhar (Ramos, 2013; Naves, 2019; Naves, Goulart,
2024), a partir da qual descreve a leitura como atividade de apreciação, na qual as
imagens são como paisagens do real atreladas ao imaginário infantil (Goulart, 2024). As
imagens nos livros de literatura infantil têm proporcionado reflexões às crianças, assim
como, a compreensão do que está ao seu redor.
Em relação às narrativas digitais, elas se configuram de forma multimodal, o que
exige do leitor outros modos de interagir com o texto. Demanda do leitor um certo grau
de letramento digital, para explorar alguns elementos atrativos, abas de acesso, com
ícones de entrada e saída, acesso e partes ou outras histórias, enfim, o domínio do
manuseio do artefato compõe o jogo de leitura dessa materialidade digital das narrativas.
O leitor passa a interagir com a história de acordo com seus próprios comandos, em
comparaão ao “enredo da história em tempos passados que era feito no entorno da
fogueira harmonizam vozes, sons, textos, imagens em torno de diferentes recursos
tecnológicos para elevar a experiência do leitor e aproximá-lo, o máximo possível, da
realidade” (Laudares, Goulart, 2019, p. 124), temos hoje as luzes das telas que brilham
diante dos olhares curiosos e ativos dos leitores, trazendo outras experiencias com a
multimodalidade textual.
O sujeito-leitor estabelece uma relação com o texto (contado, cantado, narrado,
lido, visualizado) que Larrosa (2003, p. 30) define como [...] formación como lectura”,
por isso “esa relación tiene una condición esencial: que no sea de apropiación sino de
escucha. 0, dicho de otro modo, que lo otro permanezca como otro y no como ‘otro yo’ o
como 'otro desde mí mismo’"
8
.
8
Cf. “essa relaão tem uma condião essencial: que não seja de apropriaão senão de escuta. Ou, dito de
outra maneira, que o outro permanea como outro e não como ‘outro eu’ ou como ‘outro desde mim
mesmo” (tradução da autora).
PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 11
Essa relação de escuta remete à prontidão e à receptividade daquilo que nos é
oferecido em forma de palavras (orais, escritas, gestuais, visuais, dramatizadas,
digitalizadas, fílmicas) numa relação de reciprocidade em que na
escucha uno está dispuesto a oír lo que no sabe, lo que no quiere, lo que no
necesita. Uno está dispuesto a perder pie y a dejarse tumbar y arrastrar por lo
que le sale al encuentro. Es dispuesto a transformarse en una dirección
desconocida. Lo que, en relación al texto, acontece, es algo que no puedo reducir
a mi medida. Pero es algo de lo que puedo tener una experiencia en tanto que me
transforma
9
. (Larrosa, 2003, p. 30).
Para Larrosa (2003, p. 39), “La actividad de la lectura es a veces experiencia y a
veces no”
10
. Para o autor, é uma experiência de leitura quando é um acontecimento. Não
pode ser uma ação premeditada, de causa e efeito a partir de intenções pedagógicas, de
atividades planejadas para esse fim, porque somente “[...] cuando confluye el texto
adecuado, el momento adecuado, la sensibilidad adecuada, la lectura es experiencia”
(Larrosa, 2003, p. 40)
11
.
O que não garantias de que a experiência ocorra, pois a leitura de uma mesma
obra pode ser experiência para um leitor e não ser para outro, ou o mesmo leitor ao
revisitar uma obra pode ter outra experiência. A leitura não se constitui em um ato
previsível, não é a mesma nem para o mesmo leitor, por isso a experiência não pode ser
prevista pelo leitor, pelo mediador e/ou pelo contador. A leitura torna-se um ato único,
conforme afirma Goulemot (2001, p. 116): [...] a cada leitura, o que foi lido muda de
sentido, torna-se outro”. Traz como característica a pluralidade, o que é discutido por
Bourdieu e Chartier (2001, p. 242), que, ao explicitar sobre essa tensão no ato da leitura,
destacam: “[...] as leituras são sempre plurais”.
Por isso a experiência da leitura tem certo grau de incerteza e imprevisibilidade,
em que o se pode precisar como a narrativa será recebida pelo leitor, qual
compreensão será construída ou qual resposta obteremos com aquele texto: “[...] puesto
que no puede anticiparse el resultado, la experiencia de la lectura es intransitiva: no es el
camino hacia un objetivo pre-visto, hacia una meta que se conoce de antemano, sino que
9
Cf. “[na] escuta um está disposto a ouvir o que não sabe, o que não quer, o que o necessita. Um está
disposto a perder o pé e a deixar-se tombar e arrastar por aquilo que saiu ao encontro. Está disposto mudar
para uma direção desconhecida. O que, em relação ao texto, acontece, é algo que não posso reduzir a minha
medida. Mas é algo de que posso ter uma experiencia contanto que me transforme (tradução da autora).
10
Cf. “a atividade de leitura é às vezes experiência e às vezes não” (tradução da autora).
11
Cf. “quando conflui o texto adequado, o momento adequado, a sensibilidade adequada, a leitura é
experiência” (tradução da autora).
PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 12
es una apertura hacia lo desconocido, hacia lo que no es posible anticipar y pre-ver”
(Larrosa, 2003, p. 41)
12
.
Da mesma forma que a leitura de uma obra provoca no leitor experiências plurais,
o leitor também está sujeito às diversas provocações que as narrativas orais, escritas,
visuais e digitais lhe podem proporcionar. Em relação às narrativas digitais, podemos
dizer que os textos multimodais nos aplicativos digitais literários, conhecidos também
como aplicativos de contação de histórias (Prado et al; Goulart, 2019, Laudares, Goulart,
2019, Castro e Goulart, 2021), provocam, além do ouvir e do olhar, uma ebulição dos
sentidos do leitor diante de um texto em movimento, que articula sons, imagens, escritas,
expressões e outros modos de interação com o texto em tela.
Os sentidos aguçados e atentos permitem a esse leitor um encontro com o enredo
da narrativa, seja esta oral, escrita, visual ou multimodal. Não como prever quando
nem como esse encontro dialógico acontecerá, mas a possibilidade de oferecer as
circunstâncias de leituras. Por isso, Larrosa (2003, p. 28) entende que somente “[...] es
experiencia lo que (nos) pasa y lo que (nos) forma o (nos) transforma, la experiencia que
hacemos al leer un texto es otra cosa que descifrar su código. Y eso, entre otras cosas,
porque cada experiencia de lectura también suspende y hace estallar el código al que el
texto pertenece”
13
.
Passo a palavra...
Neste texto, procurei traçar uma reflexão sobre as palavras lidas, contadas ou
narradas, digitalizadas como uma forma de manifestação de experiência da linguagem,
como uma forma de expressão e de interação entre o sujeito-leitor e o texto. A arte
narrativa como experiência dialógica não é estática, previsível, planejável, nem mesmo
traz a certeza da aceitabilidade, mas antes caracteriza-se por ser efêmera, imprevisível,
não ensinada, nem reproduzida.
A experiência com a arte narrativa somente pode ser vivenciada por cada leitor-
ouvinte, leitor-visual ou leitor-digital. Por isso, é considerada um encontro entre sujeitos
12
Cf. “sendo que não pode antecipar-se o resultado, a experiência de leitura é intransitiva: não é o caminho
para um objetivo previsto, em direção a um objetivo que é conhecido de antemão, senão que é uma abertura
para o desconhecido, para o que não é possível antecipar nem prever” (tradução da autora).
13
Cf. “é experiência o que (nos) passa e o que (nos) forma ou (nos) transforma, a experiência que fazemos
ao ler um texto é outra coisa que decifrar seu código. E isso, entre outras coisas, porque cada experiência
de leitura também suspende e faz estalar o código a que o texto pertence” (tradução da autora).
PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 13
produtores de linguagem, como um aspecto fundamental de sua natureza, em que se pode
“[...] defini-la como uma troca de significaões ‘à moda da eternidade’. Utilizo a palavra
eternidade para falar de um tipo de situaão que nunca sai de moda, por assim dizer”
(Machado, 2004, p. 34).
Este encontro pode ser comparado a uma dança de palavras que se deixam mover
pela leveza melódica do contexto narrativo ou na exuberância da voz de um narrador
apaixonado. Podemos aprimorar nosso ritmo e gingado harmônico quando, a cada
contato com a narrativa, o leitor retoma passos, revive movimentos, refaz ações
interiores (como refletir, questionar, selecionar, comparar, selecionar etc.) na busca de
uma experiência sensível com o narrado. Por ter como característica a singularidade, não
como garantir que a cada narração ou contação de histórias ocorrerá uma interação
dialógica, o que irá depender da relação dialógica estabelecida entre o leitor e o texto.
Nesse sentido, a percepção dessa dimensão dialógica requer do
narrador/contador um olhar compreensivo diante do público, a fim de oferecer
diferentes possibilidades de interação mais efetiva com o texto, tendo em vista que
envolver-se com o texto é garantir que a atividade leitora não seja apenas mais uma
naquele dia. Ao contrário, que seja única, que seja a experiência da dialogicidade, do
encontro entre sujeitos da linguagem um escritor e um leitor, um leitor-ouvinte, leitor-
visual ou leitor-digital –, compreendendo essa aão na profundidade, visto que “La
experiencia sería lo que nos pasa. No lo que pasa, sino lo que nos pasa. Nosotros vivimos
en un mundo en que pasan muchas cosas” (Larrosa, 2003, p. 28)
14
.
Uma experiência que traz como façanha a ação mobilizadora de relações e
interações entre sujeitos por meio da linguagem, de modo que provoca outras ações e
sentimentos. Isso porque “[...] es dócil condición la palabra, lo muestra en su despertar
cuando indecisa comienza a brotar como un susurro en palabras sueltas, en balbuceos,
apenas audibles, como un ave ignorante, que no sabe dónde ha de ir, más que se dispone
a levantar su débil vuelo” (Zambrano, 1986, p. 8)
15
.
Dessa forma, as narrativas oral, escrita, visual ou multimodal como arte da
experiência dialógica trazem essa beleza do levantar de um voo, o qual pode começar
14
Cf. “A experiência seria o que nos passa. Não o que passa, mas o que nos passa. Nós vivemos em um mundo
em que passam muitas coisas” (tradução da autora).
15
Cf. “[...] é dócil a condião da palavra, ao mostrar em seu despertar quando indecisa comea a brotar como
um sussurro em palavras soltas, em balbucios, apenas audíveis, como uma ave ignorante, que não sabe
aonde há de ir, mas que se dispõe a levantar seu débil voo” (tradução da autora).
PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 14
timidamente, com o enfrentamento da pressão atmosférica, dos ventos impetuosos, de
tempestades, em similaridade às superações das limitações externas e internas de cada
leitor, leitor-ouvinte, leitor-visual ou leitor-digital, no entanto as palavras narradas/
contadas, lidas ou visualizadas conduzem às expressividades da linguagem que, muitas
vezes, não são audíveis nem visíveis, pois o narrador ou contador compartilha silêncios,
olhares, gestos e sentimentos que provocam outros voos mirabolantes.
Referências
BAKHTIN, Mikhail; VOLOCHÍNOV, Valentin N. Marxismo e filosofia da linguagem.
Tradução Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira. 10. ed. São Paulo: Hucitec, 2012.
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Tradução Paulo Bezerra. 4. ed. São Paulo:
Martins Fontes, 2006.
BENJAMIN, Walter. Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação. São Paulo: Duas
Cidades, Editora 34, 2002.
BENJAMIN, Walter. O Narrador. In: BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas, volume I. Magia
e Técnica, Arte e Política, 2ª edição, São Paulo: Editora Brasiliense, 1994.
BORTOLIN, Sueli. Mediação oral da literatura: a voz do bibliotecário lendo ou narrando.
2010. Tese (Doutorado em Ciência da Informação). Faculdade de Filosofia e Ciências,
Universidade Estadual Paulista, Marília, 2010.
BOURDIEU, Pierre; CHARTIER, Roger. A leitura: uma prática cultural. In: CHARTIER,
Roger (org.) Práticas da leitura. São Paulo: Estação da Liberdade, 2001.
CASTRO, Ana Elysa Bastos; GOULART, Ilsa do Carmo Vieira. Das narrativas digitais à
produão de narrativas orais: motivaões a partir do aplicativo “Inventeca”. Revista
Humanidades e Inovação, v.8, n.49, p. 111-124, 2021. Disponível em:
https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/4939
Acesso em: 10 mar. 2026.
CHARTIER, Roger (org.). Práticas de leitura. Trad. Cristiane Nascimento. 5. ed. São
Paulo: Estação Liberdade, 1996.
CERTEAU, Michel. A invenção do Cotidiano. Artes de fazer. Petrópolis: Vozes, 1994.
COSCARELLI, Carla; GOMES, Fernando. Leitura digital. In: ARAUJO, Mônica Daisy Vieira;
FRADE, Isabel Cristina Alves da Silva: MORAIS, Ludymilla Moreira. (orgs.). Termos e
ações didáticas sobre cultura escrita digital [recurso eletrônico]: nepced na escola - Belo
Horizonte: UFMG /FaE / Ceale / NEPCED, 2022.
FIORIN, José Luiz de. Introdução ao pensamento de Bakhtin. São Paulo: Ática, 2006.
PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 15
GOULART, Ilsa do Carmo Vieira; LOBO, Dalva de Souza. Nas (in)definições de livro, leitor
e leitura: uma multiplicidade de espaços e sentidos. Revista Leitura, Maceió, Número
Regular vol. 2, n. 56, p. 05-25, jul./dez. 2016. Disponível em:
https://periodicos.ufal.br/revistaleitura/article/view/2325 Acesso em: 10 dez. 2021.
GOULART, Ilsa do Carmo Vieira. Leitura literária e contação de histórias em questão: o
que ler? como ler? por que ler para crianças pequenas? In: BUSO, Ayane Carolina de L.;
SILVA, Elaine Martins; COSTA, Elenice Ribeiro S., NOGUEIRA, Franciele Oliveira de A.,
ROCHA, Juliano Guerra; FERREIRA, Poliana Boel; VIEIRA, Raquel S. Faria; SILVA, Tatiana
Mortosa. Leitores e Escritores na Educação Infantil. Jundiaí: Paco Editorial, p. 21-36,
2018.
GOULART, Ilsa do Carmo Vieira. Apresentação Literatura Infantil Digital: entre
práticas de leitura e narrativas digitais. Leitura: Teoria & Prática, Campinas, São Paulo,
v.37, n.75, p. 13-18, 2019. Disponível em: https://ltp.
emnuvens.com.br/ltp/issue/view/26 Acesso em: 13 nov. 2025.
GOULART, Ilsa do Carmo Vieira. Narrativa visual: a paisagem estética e literária do livro
de imagem. Revista Graphos, vol. 26, n.3, p. 298-316, 2024. Disponível em:
https://periodicos.ufpb.br/index.php/graphos/article/view/71010. Acesso em: 20 set.
2025.
GOULART, Ilsa do Carmo Vieira. Leitura, leitura literária e ensino: representações
discursivas da década de 1980. Lavras: Editora UFLA, 2023. Disponível em:
https://repositorio.ufla.br/items/33723130-f850-4d52-89d8-f4ccd2cd5439. Acesso
em: 20 mai. 2025.
GOULEMOT, Jean Marie. Da leitura como produção de sentidos. In: CHARTIER, Roger
(org.). Práticas de leitura. Trad. Cristiane Nascimento. 5. ed. São Paulo: Estação
Liberdade, p. 107-116, 1996.
LARROSA, Jorge. Experiencia y narración. Revista Educación y Pedagogia, Medellin,
Colombia, vol. 18, p. 01-05, 2006.
LARROSA, Jorge. Literatura, experiencia y formación. In: LARROSA, Jorge. La experiencia
de la lectura. México: FCE, 2003.
LARROSA, Jorge. Notas sobre experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de
Educação, Rio de Janeiro, n. 19, p. 20-28, 2002. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/rbedu/a/Ycc5QDzZKcYVspCNspZVDxC/?lang=pt&format=pdf.
Acesso em: 14 nov. 2025.
LAUDARES, Ellen Maira Alcantara; GOULART, Ilsa do Carmo Vieira. Narrativas digitais: a
palpitante forma de contar histórias. Leitura: Teoria & Prática, Campinas, São Paulo, v.
37, n. 75, p. 115-135, 2019. Disponível em: https://ltp.
emnuvens.com.br/ltp/article/view/751. Acesso em: 14 nov. 2025.
PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 16
MACHADO, Regina. Acordais: fundamentos teórico-poéticos da arte de contar histórias.
São Paulo: DCL, 2004.
NAVES, Ludmila Magalhães. Educação para/do olhar: a dupla representação da ilus-
tração nos livros de imagens de Marcelo Xavier. 2019. Dissertação (Mestrado
Profissional em Educação). Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2019.
PRADO, Ana Lúcia et al. Narrativas digitais: conceitos e contextos de letramento. RIAEE
Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, v. 12, n. esp. 2, p. 1156-1176,
ago./2017. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.
br/iberoamericana/article/view/10286 Acesso em: 13 nov. 2025.
QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de. Sobre ler, escrever e outros diálogos. Belo Horizonte:
Autêntica, 2012.
RAMOS, Graça. As imagens nos livros infantis: caminhos para ler o texto visual. Belo
Horizonte: Autêntica, 2013.
ZAMBRANO, María. Claros del bosque. Barcelona: Editorial Seix Barral, S. A., 1986.
PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 17
Narrativas como arte de la experiencia dialógica: entre verbal y multimodal
RESUMEN: Al considerar que la lectura se produce de manera amplia y dinámica, el lector,
al entrar en contacto con el texto -oral o escrito-, por lo tanto, mediado o no por un
narrador/narrador, establece una relación de proximidad, creada a partir de la
experiencia de acción dialógica entre el sujeto-lector (lector-oyente/ lector-visual/
lector-digital) y la narrativa (oral, escrita, visual o multimodal). Ante ello, este ensayo
pretende reflexionar sobre la narrativa como arte de la experiencia dialógica, a partir de
la concepción del lenguaje como interacción verbal, en la perspectiva bakthiana, y de la
experiencia, como lo que nos pasa, según Jorge Larrosa. La reflexión señala que la
narración oral, cuando se ve reforzada por la acción de un narrador/narrador, puede
crear condiciones para que ocurra una experiencia dialógica entre el lector-oyente y la
narración. Una experiencia que se caracteriza por la acción movilizadora de las relaciones
e interacciones entre sujetos a través del lenguaje, capaz de formar y transformar a este
lector.
Palabras clave: narrativas; narración; narrador.
Narratives as an art of dialogical experience: between verbal and multimodal
ABSTRACT: By considering that reading happens in a broad and dynamic way, the reader,
when coming into contact with the text oral or written , therefore, mediated or not by
an accountant/narrator, it establishes a close relationship, created from the experience
of dialogical action between the subject-reader (listener reader / visual reader/ digital
reader) and narrative (oral, written, visual or multimodal). In view of this, this essay aims
to reflect on narrative as an art of dialogical experience, based on the conception of
language as verbal interaction, in the Bakthinian perspective and of experience, as passes
to us, second Jorge Larrosa. The reflection points out that the oral narrative, when
enhanced by the action of a storyteller/narrator, can create condictiones for a dialogical
experience to occur between the reader-listener and the narrative. An experience that is
characterized by the mobilizing action of relationships and interactions between subjects
through language, capable of forming and transforming this reader.
Keywords: narratives; storytelling; narrator.