PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 5
conseguem alcançar.
A contemporaneidade, portanto, é uma singular relação com o próprio tempo,
que adere a este e, ao mesmo tempo, dele toma distâncias; mais precisamente,
essa é a relação com o tempo que a este adere através de uma dissociação e um
anacronismo. Aqueles que coincidem muito plenamente com a época, que em
todos os aspectos a esta aderem perfeitamente, não são contemporâneos porque,
exatamente por isso, não conseguem vê-la, não podem manter fixo o olhar sobre
ela (Agamben, 2009, p. 59).
Agamben (2009), em seu ensaio “O que é o Contemporâneo?”, demarca as fraturas
que este tempo nos produz, entendendo-o como um acerto de contas com seu tempo, uma
pausa tensa. Quando dizemos que tal conceito promove uma fratura, queremos ressaltar
as quebras deslocadas pelo lugar do compromisso e do encontro entre os tempos que os
experienciam. Para o autor, o contemporâneo nos lança a uma nova experiência, em que,
por meio dos deslocamentos e do anacronismo, percebemos algo sobre o tempo que se
segue, estabelecendo uma relação singular com o próprio tempo, aderindo a ele e se
distanciando dele ao mesmo tempo, como se operasse num entre, sendo preciso repensar
as heranças da modernidade em nosso tempo.
O contemporâneo traz para este ensaio a urgência de repensar o olhar fixo para as
luzes, para a concepção de que é preciso produzir verdade a todo custo. Existe, no
contemporâneo, a possibilidade de encontro com o escuro que, como nos diz Agamben
(2009), não é feito de maneira passiva, colocando-nos frente a uma habilidade particular
de se relacionar com as luzes, tomando como experiência as trevas, que não são
separáveis das luzes – trevas que nos interpelam. “Contemporâneo é aquele que recebe
em pleno rosto o facho de trevas que provém do seu tempo” (Agamben, 2009, p. 64).
Traçar uma definição sobre o que e quem é o contemporâneo é uma tarefa
complexa, extrapolando a noção de tempo cronológico, biológico e linear. A questão sobre
o contemporâneo nos toma o corpo, pois estamos inseridos neste tempo, sendo próximo
de um muito cedo e também de um muito tarde; por isso, é também paradoxal, num
movimento intenso de descontinuidade, um tempo adiantado de si mesmo.
Imagens e narrativas: outras janelas
Imagem é um termo bastante utilizado nos mais variados campos do
conhecimento. Na Física, encontramos como resultado do encontro de um conjunto de
feixes luminosos, gerando, então, um plano óptico. Na Psicologia, a imagem aparece como