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SCHNEIDER, Mariana Cunha; FROHLICH, Nícolas Braga, COSTA, Luciano
Bedin da; ALMEIDA, Tiago Alexandre Fernandes. Cartografias infantis:
narrativas das infâncias enquanto uma metodologia do encanto.
PragMATIZES - Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura,
Niterói/RJ, Ano 15, n. 29, p.118-135, set. 2025.
www.periodicos.uff.br/pragmatizes - ISSN 2237-1508
(Dossiê "Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica")
maior. Entrar em um museu militar era
a sua última ideia no mundo. Ver os
olhos dos soldados, suas fardas, sua
postura nada infantil, sua inocência
sendo arrancada... não eram os planos
para aquela tarde entre crianças que
queriam inscrever marcas para uma
cidade melhor. Mas as crianças
pequenas insistiram! Lá havia tanques
de guerra, furgões, carros blindados,
capacetes de soldados à disposição. E
era tudo interativo... parecia até que era
feito mesmo para brincar. Entramos.
Na brincadeira, teatralizamos
cenas de guerra. Crianças pequenas
dirigiam os carros, as grandes estavam
um pouco perdidas. Olhavam as
crianças pequenas que sumiam nos
labirintos do museu, entre tanques,
motos, cavalos, soldados, carros e
armas. “Brrrrrum, brrrrum,
brrrrrummmmm (trocas de marcha)”,
“pah, pah, pah”, “olha aqui, meu, pode
colocar até o capacete”. Os soldados
que tomavam conta do museu
permaneciam intactos: em suas fardas,
honravam a postura que lhes era
ensinada, estavam sérios, zelavam
pelo patrimônio, nenhum sorriso cabia.
A criança maior, aquela que escreveria
esse texto depois, começa a amolecer
o corpo... entra na brincadeira, torce o
olhar. Retoma uma definição que havia
trazido antes em seu texto, a do infante
guerrilheiro. Crianças fazendo de um
cenário de vestígio de guerra um
campo de brincadeira. Tinha algo ali...
ainda não sabia bem. Até que uma das
crianças pequenas faz um gesto, um
pequeno gesto, que passa a mudar
tudo no rumo desse pesquisar.
Com um adesivo que fez
semanas antes em mãos, do qual
falaremos mais posteriormente, escrito
“homens têm que parar de bater nas
mulheres”, inscrição que achou que
cabia permanecer ali, naquele canto da
cidade, já que o quartel é formado
majoritariamente por homens, caminha
em direção a um soldado. Com a
coragem e a transgressão que somente
uma criança poderia carregar, faz uma
improvável pergunta: “posso colar esse
adesivo em um dos tanques de
guerra?”. A criança grande que mal se
autorizou a dar oi aos soldados que
cumpriam seu papel de serem...
soldados, jamais pensaria ser possível
questionar algo que sabíamos de
antemão a resposta a uma instituição
de tamanha dureza. Mas uma das
crianças pequenas o fez. Foi até o
soldado e fez a improvável pergunta,
certo de que, com a autorização, faria