PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 5
instrumentos pelo prazer de tocar” (2014, p. 30).
Outros marcos importantes, posteriores ao surgimento da Casa Edison – primeira
gravadora brasileira e da América do Sul –, foram a implantação das emissoras de rádio
a partir da década de 1920 e, mais tarde, da televisão, nos anos 1950. Essas tecnologias,
como ocorre com toda inovação técnica, impactaram não apenas as formas de produção
e consumo da música, mas também a própria concepção estética das práticas musicais.
A TV se transformou, nesses anos, num importante meio de divulgação de música
popular. Além de inúmeros programas musicais de grande sucesso como O Fino
da Bossa, Bossaudade e Jovem Guarda da TV-Record, e Spot-Light-BO 65, da TV
Tupi, iniciou-se, a partir de 1965, o ciclo dos festivais de MPB em vários canais
de televisão. Esses certames funcionaram, durante alguns anos, como vitrines de
divulgação de música popular. A relação com esse novo meio levou os artistas a
desenvolverem novas habilidades interpretativas. Enquanto na época do rádio
os artistas valorizavam principalmente o desempenho vocal, com a TV tornava-
se necessária a preocupação com a performance gestual ou cênico-expressivo
(Zan, 2001, p. 114).
Por sua vez, a década de 1960 foi marcada pela realização de festivais de música
promovidos pelas emissoras de televisão, sobretudo a partir de sua segunda metade (ver,
por exemplo, Souza, 2003), bem como pela intensificação dos espetáculos musicais
realizados nos teatros da cidade, frequentemente organizados em longas temporadas.
Essa dinâmica estendeu-se ao longo da década de 1970, conforme observa o jornalista
Ricardo Schott em seu livro sobre a trajetória do conjunto Terra Trio, grupo de expressiva
atuação na capital carioca naquele período. Segundo o autor, seria “difícil explicar para
artistas mais novos o que era uma temporada de shows nos anos 1970, com
apresentações que ficavam em cartaz durante seis meses e um público fiel, que quase
sempre ia várias vezes ao mesmo show” (Schott, 2020, p. 305).
Marcada por transformações políticas, econômicas, sociais e culturais, a década de
1970 foi de grande importância para a produção e o consumo de música, em especial a
popular. Ortiz observa o impacto causado pelo sistema de micro-ondas instaurado no
Brasil entre 1968 e 1970, que permitiu superar barreiras tecnológicas de modo a criar
um sistema de redes, segundo o autor, “condição essencial para o funcionamento da
indústria cultural” (Ortiz, 1999, p. 118). Ainda de acordo com Ortiz, “é nessa fase que se
consolidam os grandes conglomerados que controlam os meios de comunicação e da
cultura popular de massa” no Brasil (idem, p. 121).
Observando o mesmo movimento, Vicente mostra que “o desenvolvimento da
indústria do disco da segunda metade da década de 60 até o final dos anos 70 ocorrerá,