13
RODRIGUES, Ana Cabral; CARON, Daniele; ARAÚJO, Flavia de Sousa.
Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica. PragMATIZES -
Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura, Niterói/RJ, Ano 15, n.
29, p.13-30, set. 2025.
www.periodicos.uff.br/pragmatizes - ISSN 2237-1508
(Dossiê "Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica")
Apresentação do Dossiê 29
Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica
Ana Cabral Rodrigues
1
Daniele Caron
2
Flavia de Sousa Araújo
3
DOI: https://doi.org/10.22409/pragmatizes.v15i29.70241
Desde a força e pertinência de
letramentos até então elididos das
práticas de escrita e construção do
conhecimento científico, a presença de
metodologias narrativas tem ganhado
relevo nos debates epistêmicos em
diversos campos do conhecimento e
suas transversalidades. Um movimento
que, ainda que mais evidente nos
últimos anos, remonta décadas de
embates, análises e construções
acadêmicas exigidas e realizadas junto
aos coletivos e movimentos sociais,
que operam deslocamentos,
1
Doutora em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Docente no curso de Graduação em Psicologia, campus Volta Redonda, e no Programa de Pós-
Graduação em Psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF). E-mail: acrodrigues@id.uff.br.
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0317-5346.
2
Doutora em Urbanismo pela Universitat Politècnica de Catalunya (UPC). Docente na Faculdade de
Arquitetura e no Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). E-mail: daniele.caron@ufrgs.br. ORCID:
https://orcid.org/0000-0002-6546-6579.
3
Doutora em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Docente na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). E-
mail: flavia.araujo@fau.ufal.br. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8296-7423.
composições e tensionamentos nas
práticas e éticas de pesquisa. A partir
de modos de vida e pensamentos
ancorados em epistemologias
decoloniais e contracoloniais, eles
fazem comparecer políticas de vida,
rigores e urgências inauditas nas
discursividades acadêmicas orientadas
desde a colonialidade.
Para o intelectual quilombola
Antônio Bispo dos Santos (2023), ou
Nêgo Bispo, aquilo que a academia
denomina decolonial encontra sua
pertinência no que esse termo mobiliza
14
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Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura, Niterói/RJ, Ano 15, n.
29, p.13-30, set. 2025.
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(Dossiê "Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica")
enquanto capacidade de depreciar ou
de “deprimir” o colonialismo. É a
capacidade de transformar saberes e
modos de transmissão na formação
das gerações que vêm, para que não
mais ataquem as gerações de outros
povos. A contracolonialidade, para
Nêgo Bispo, diferentemente, diz de
modos de existir cotidianamente, de
maneira viva, criativa, em resiliência e
enfrentamento à colonialidade. Um
modo de existir que nunca se deixou
colonizar. E, por isso mesmo, as
práticas contracoloniais, inclusive
quilombolas, são capazes de
desmantelar o projeto totalitário que
estrutura nosso mundo.
Assim, assentada na práxis dos
quilombolas, dos Povos Originários e
demais povos da floresta, a partir de
suas cosmopercepções (Oyěwùmí,
2020), a contracolonialidade pode ser
enunciada tanto pelo banal de um
cotidiano praticado, quanto por sua
radical alteridade, enquanto forma de
pensamento e de sustentação de
saberes que não se significam nem se
submetem à ordem de um mundo
erigido pelos ideais de
desenvolvimento, exploração e
controle. Ela pode ser dita como defesa
a essas forças que operam através da
desterritorialização e pela retirada de
cada ente vivente de sua cosmologia,
distanciando-o de seus sagrados,
impondo-lhe novos modos de vida e
colocando-lhe outro nome (Santos,
2023). Então, desse banal e dessa
radicalidade, o que resta e cintila
como chance é a possibilidade de
seguir contando, narrando aquilo que
liga um ser a outro, o que territorializa,
o que constitui experiência de
envolvimento, o que é sagrado e,
igualmente, a possibilidade de seguir
“praticando nossos nomes” (Santos,
2021). O que se aponta é um caminho
traçado pelas palavras, lavradas na
oralidade, na escrita e na imagem, que
comparecem como sementes a
germinar e a se ligar àquilo que é
passado, sentido e pertencimento.
Trata-se de uma tomada estratégica da
palavra que, diante da colonialidade
que tudo nomeia, pode também dizer
dela. Não por vontade de dominação
(aquela que esquadrinha os saberes ao
nomeá-los como conhecimento popular
ou empírico), mas pela urgência de
contrariar a palavra dos colonizadores
e seus saberes sintéticos, que seguem
incansavelmente destituindo os
saberes orgânicos e cosmológicos, tal
como os nomeia Nêgo Bispo.
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(Dossiê "Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica")
A intelectual indígena e ativista
boliviana Silvia Cusicanqui (2021)
afirma que, no colonialismo, a função
das palavras em documentos oficiais
não é designar, mas encobrir, pois as
palavras desses textos frequentemente
se desvinculam das práticas. Por isso,
“no contexto de um devir histórico que
privilegia o textual em detrimento das
culturas visuais, são as imagens, mais
do que as palavras, que permitem
captar os sentidos bloqueados e
esquecidos pela língua oficial”
4
(Cusicanqui, 2021, p. 29). Nesse
sentido, considera-se que, assim como
canções e outras tecnologias de
sobrevivência que utilizam a oralidade
e a paisagem sonora para a construção
de mundos e memórias, as narrativas
visuais a exemplo do a(r)tivismo ou de
manifestações político-artísticas nas
ruas das cidades também constituem
meios potentes e criativos de enfrentar
o mundo distópico, ou “mundo ao
revés” (Cusicanqui, 2021). Essas
narrativas são importantes ferramentas
na elaboração e propagação de futuros
e na reinvenção de cidades e
4
A proposta de “sociologia da imagem” de
Cusicanqui ativa o potencial crítico do que ela
denomina narrativas visuais. Trata-se de
narrativas realizadas por meio de elementos
sociedades, pois oferecem vestígios,
inclusive por meio da iconografia, da
possibilidade de fabular mundos: uma
habilidade alentadora para se operar o
enfrentamento nas ruínas do
Antropoceno (Oliveira, 2022 apud
Tsing, 2022). Os artivismos, ao
ocuparem espaços públicos com a
criação de narrativas visuais
(Cusicanqui, 2021), rompem com a
centralidade da linguagem textual e das
técnicas consagradas pela cultura
erudita. Contando histórias e
projetando cosmopercepções de
sujeitos historicamente marginalizados,
essas práticas não apenas tornam
visíveis formas contracoloniais de
existência, como também disseminam
saberes e propõem alternativas à
distopia colonial.
Numa abordagem
transversalizante junto às
cosmopercepções capazes de
tensionar as estruturas do colonialismo
como o racismo, o machismo, o
patriarcado, a cisheteronormatividade,
o adultocentrismo e o capacitismo ,
destacam-se as epistemologias
visuais não textuais, invisibilizadas na ngua e
na história oficiais, praticadas por indígenas
bolivianos por meio de desenhos.
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feministas, particularmente as do
feminismo negro (Gonzalez, 2020; bell
hooks, 2017) e do feminismo
comunitário (Cabnal, 2010; Carvajal,
2020), que introduzem a
interseccionalidade como metodologia
e perspectiva ética de análise e
intervenção do/no mundo vivido
(Collins, 2016; Akotirene, 2019). Aqui
reconhecemos uma aposta nas
políticas de narratividade como
estratégia de construção do
conhecimento e de enfrentamento à
perpetuação de privilégios e opressões
em suas capilaridades. Assim, tornam
visíveis práticas de existência e
resistência amplamente
desvalorizadas, e que corroboram a
ideia de que o futuro pode vir a ser
regido por meio da valorização de
tecnologias de cuidado e afeto com
todo ente vivente, com o território e
também, com seus encantados, tal
como sustentam conhecimentos
ancestrais dos Povos Originários (Lima,
2001; Silva, 2023; Xakriabá, 2023;
Tupinambá, 2023).
No Brasil, intelectuais indígenas,
negras, quilombolas e periféricas
como Célia Xakriabá (2023), Zeneida
Lima (2001), Glicéria Tupinambá
(2023), Raimunda Gomes da Silva
(2023), Conceição Evaristo (2025),
Carolina Maria de Jesus (2014),
Djamila Ribeiro (2017; 2019), Carla
Akotirene (2018), Lélia Gonzalez
(2020) e Leda Maria Martins (2021)
oferecem o chão e sinalizam rotas de
pensamento que não cindem ciência e
cultura. Distintamente de uma
perspectiva universalizante, na qual “o
cultural” é sempre situado no campo do
outro, essas rotas apontam para modos
de produção do conhecimento
ancorados em marcadores simbólicos,
históricos e contingentes. Seguindo
esses caminhos, arte, ciência e filosofia
se enunciam simultaneamente e
salientam a importância de
(des)envolvimentos metodológicos
baseados em histórias e realidades
situadas, bem como no “saber-fazer”
cotidiano, em conjunção e tensão com
os fazeres referendados
academicamente. Assim, oralidades,
corpos e escritas se rasuram
mutuamente e subvertem hierarquias e
princípios irredutíveis de objetividade e
neutralidade, fazendo com que tais
princípios compareçam em novos
campos de interpelação e de
construção do fazer científico (Martins,
2021; Santos, 2023; Haraway, 2023).
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(Dossiê "Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica")
É sabido que o pensamento
ocidental integra em si a ferramenta
crítica, e em múltiplas dimensões. Por
um lado, realiza uma reflexão sobre si
mesmo, como na crítica intrínseca à
própria démarche do pensamento por
exemplo, na crítica de Hume a
Descartes, ou na crítica popperiana a
uma visão empirista da ciência. Por
outro, põe-se a experimentar os limites
da linguagem ao operar uma dobra que
aponta para os efeitos e condições do
próprio empreendimento do
pensamento, como a análise dos
regimes de verdade constituídos por
esses saberes (Foucault, 1998, 2000).
Pois, se a crítica enquanto ferramenta
de evidenciação das lógicas
constitutivas e de possível resolução de
contradições internas não é
desconhecida no cerne da produção do
pensamento ocidental, o que aqui se
ressalta é a contundência do
deslocamento que essas matrizes
epistemológicas decoloniais,
contracoloniais, feministas são capazes
de operar a partir de outros lugares. Ou
ainda: de um lugar outro. De onde o que
se evidencia num primeiro plano é o
movimento de choque. Uma força que
se interpõe à continuidade da
centralidade incorpórea que o
pensamento Ocidental reiteradamente
assume. O choque produz a fagulha
como incêndio e também como chance
-- e oferece a percepção de que sempre
se olha, se sente, se pensa de algum
lugar, e que todo conhecimento ocupa
sempre uma posição situada e parcial.
Constrangendo-o a abandonar,
pois, seu “lugar-nenhum”, efeito da
marca do universal que o autoriza a
enunciar-se como estando “em todo
lugar”. Os limites e os próprios
fundamentos do pensamento ocidental
são colocados em causa diante de uma
alteridade epistêmica que, ao se
apresentar, expõe a falácia da
neutralidade dos instrumentos
responsáveis por lançar mundos e
saberes à sombra esses mesmos que
ali se enunciam e subvertem o que se
pretendia encerrado, esgotado.
Essa alteridade não atua,
evidentemente, como uma ferramenta
de retificação do pensamento ocidental.
Ou seja, sua importância não se mede
pelo quanto poderia servir ao
conhecimento filosófico ou científico,
oferecendo-lhe soluções,
complementando-o, remetendo-o à sua
própria dinâmica e, não raro,
corroborando a narrativa historiográfica
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(Dossiê "Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica")
e teleológica de progresso e superação
de um conhecimento sobre o outro.
Colocar em causa os limites do
pensamento ocidental e o
conhecimento nele validado, a partir de
discursividades que reiteradamente
foram desqualificadas por esse
pensamento centralizador, revela uma
dimensão de responsabilidade com a
qual a ciência, muitas vezes, escolhe
não se confrontar. Esses limites se
evidenciam ali onde a neutralidade e
objetividade não se sustentam
pacificamente como dispositivos de
poder silenciosos e eficazes. Tal
responsabilização aponta para a
radicalidade de que fala a antropóloga
Rita Segato (2020): não mais olhar o
outro para conhecê-lo, mas conhecer a
nós mesmos no olhar do outro. Algo
que projeta a ciência para além de seu
espelho vaidoso, colocando-a diante da
imagem da política colonialista que a
constitui uma maquinaria de violência
em que o outro e a natureza existem
apenas para serem dominados e
conquistados (Dussel, 1993).
Em última instância, o que essas
discursividades colocadas à margem
provocam é o descentramento dessa
maquinaria destrutiva que range e rege
os destinos dos mundos em
coexistência. O debate epistêmico é,
assim, antes de tudo, um embate
contra aquilo que tem tornado
impossíveis as existências que
continuam a narrar e a se insurgir
diante da própria insustentabilidade de
um mundo que se quer único. Em sua
potência afirmativa, o conhecimento
validado e amparado a partir de outras
cosmopercepções, faz falar as ruínas
do pensamento ocidental e multiplica
histórias que urdem uma ética
planetária que não se pretende
universal de existências
compartilhadas e da perpetuação da
sustentação do céu (Kopenawa, Albert,
2015).
A crescente presença da
narrativa como conceito em questão ou
como estratégia metodológica talvez
possa nos indicar algo sobre a
responsabilização da academia em sua
inscrição eurocentrada, burguesa,
embranquecida, corponormativa etc.
Uma responsabilização que opera, em
grande medida, pela efetiva presença
de outros corpos ocupando lugar
nesses espaços. Trata-se de uma
aposta que assumimos. Sobretudo
quando, por meio de outras
discursividades e das plásticas do texto
acadêmico, entendidas como parte
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(Dossiê "Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica")
inerente à investigação, encontramos
estudos que atualizam a
indissociabilidade entre estética e
política pela contraposição à histórica
violência da objetificação daqueles que
coexistem nos processos de
construção da pesquisa (Cusicanqui,
2021; Evaristo de Brito et al., 2025;
Kilomba, 2029; Moraes, 2010;
Haraway, 1995; Ingold, 2015; Araújo,
Cabral, Araújo et al., 2016; Caron,
Cabral, 2024).
de se reconhecer que
“narrativa” é uma palavra tão
corriqueira quanto exigente, um
conceito vulgar, comum, ao alcance de
todas as pessoas. O que a radicalidade
desses estudos que apostam em outras
gramáticas do texto acadêmico
(Moraes, Tsallis, 2016) nos ensinam,
no entanto, é que uma irreflexão com o
verbo “narrar” pode empobrecer aquilo
que ele carrega de auspicioso e
politicamente consequente, e que
poderia se expressar em indagações
como: o que se faz quando se narra?
Que políticas de vida e de pesquisa
emergem ao acionarmos a narrativa
como procedimento ou ética? O que
ocorre quando pesquisar é
narrarCOM? Trata-se de uma atenção
fundamental para que as “narrativas”
não sejam tomadas apenas como
elementos a serem coletados e
interpretados por pessoas que, a partir
de uma posição privilegiada, se
reconhecem como aquelas a quem
cabe formular as perguntas. E que,
quando decifradas em dados, essas
narrativas correm o risco de ingressar
na lógica moderna da escalabilidade
(Tsing, 2016), eliminando o gesto que
depende invariavelmente “das
circunstâncias, dos encontros, das
criações de relação” (Stengers, 2023,
p. 13) para a construção de um
conhecer/pensar/fazer situado.
Dessa maneira, a proposta
deste dossiê nasce de uma curiosidade
e implicação ético-política
compartilhada desde nossos lugares e
inscrições de pesquisadoras, mulheres
e artivistas do sul global nos embates e
invenções na academia este
poderoso agenciamento de validação e
operação do conhecimento. Embates
estes em prol de seus alargamentos, de
horizontes mais plurais, junto a outros
saberes que hoje e ontem têm
desafiado a capacidade da academia
em se recolocar em um cenário global,
e em se posicionar diante da barbárie
que testemunhamos pelas práticas
coloniais sempre atualizadas e
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(Dossiê "Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica")
capilarizadas. Nossa curiosidade
configura-se, assim, não apenas como
um modo de acesso ao que vem sendo
produzido no âmbito da narrativa, mas
também como um gesto de convocação
a um esforço crítico-analítico e
experimental-ensaístico. Trata-se de
um exercício construído a partir de
múltiplos pertencimentos e lugares de
fala, por meio dos quais mobilizamos
nossos repertórios e ferramentas na
produção e no compartilhamento do
conhecimento, fazendo emergir a
narrativa como questão e como método
nos estudos sobre culturas e territórios.
Esse esforço conjunto oferece uma
revisitação e experimentação tanto de
referenciais teóricos clássicos nos
debates críticos acadêmicos, quanto do
pensamento de intelectuais que
ocupam lugar no fazer científico e na
academia com urgência, atualidade e
força ancestral na contemporaneidade.
Ao assumirmos o interesse
pelas transversalidades disciplinares,
acionamos uma estratégia de
coletivização e escuta acerca dos
modos de sustentação das presenças e
discursividades, tanto no texto quanto
no cotidiano dos processos de
pesquisa, ensino e extensão.
Convocamos, assim, um pensamento
disposto a fabular caminhos
confluentes e a recolher os efeitos de
uma aposta em tramas epistêmicas,
perguntando-nos como, diante deles,
nos posicionamos, tomamos lugar. Um
processo-escrita no qual o rigor não se
confunde com rigidez, e que resulta do
cuidado com que acionamos a palavra
“narrativa” nesses estudos, buscando
reconhecer nela suas forças
germinativas (Santos, 2023), bem
como o movimento a contrapelo, de
resistência, reexistência e de reparação
histórica.
Compreendemos que no gesto
de narrar se reconhece o fio de uma
fazedura e de um movimento que
nunca se resolve, estando sempre por
se fazer: é ele uma política. Uma
referência fundamental a tal
entendimento é Walter Benjamin
(1996), autor que problematiza a
narração e nos conduz ao caráter
artesanal dessa forma de comunicação
e de sustentação de um comum.
Seguimos seu pensamento ao apontar,
simultaneamente, para a narrativa e
para a urdidura de um tecido vivo que
enlaça uma vida à outra, uma geração
à outra: arte e trama da experiência
(Erfahrung), ela mesma como
passagem, travessia (Fahr), tradição,
21
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(Dossiê "Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica")
movimento que vai além da
individualidade e da privatização da
vida. Uma arte que, no cerne dos
efeitos das forças do capitalismo eis
o teor de sua problemática evidencia
seu declínio (e não seu esgotamento, é
preciso salientar), cujos efeitos se
reconhecem na crescente
incapacidade de receber e dar
conselhos, de recolher da palavra sua
sabedoria e transmissão. O conselho
aqui não se entende como resposta a
uma pergunta que pede solução, mas
como dissolução do rumo de uma
história que parecia encerrada em si
mesma. De tal sorte, o enlace entre
narrativa e política por meio da prática
cotidiana e ancestral do conselho se
evidencia no encontro entre o apelo de
uma história que anseia por um outro
devir e a palavra inscrita no tecido de
uma memória compartilhada,
apontando para a abertura do passado
e sua capacidade de agir na construção
do presente, na insurgência de um
tempo do agora (Jetztzeit), como
interrupção da catástrofe (Benjamin,
1996).
Convidamos quem adentra
estas leituras a pensar a narrativa como
política e como abertura epistemológica
capaz de reconhecer as
heterogeneidades que compõem
culturas, experiências e territórios; uma
abertura concretizada pelas práticas e
discursividades instauradas a partir de
partilhas, confrontos, provocações,
conflitos e desvios. Se conforme a
pensadora māori Linda Smith aponta
criticamente “a pesquisa [enquanto
prática e instituição] tem sido o
encontro entre o Ocidente e o Outro”
(Smith, 2018, p. 19), narrar, enquanto
gesto de pesquisa, pode constituir um
exercício articulado às demandas por
outras alianças, formas de dizer e de
sustentar outros projetos societários,
por meio de problemas e perguntas
ainda por se formular (Kilomba, 2019).
Trata-se de um fazer pesquisa que
aceita ser questionado, que assume o
caminhar tateante e o método, ele
mesmo, como desvio (Gagnebin,
1999). O que esse gesto e exercício
nos demanda é pensar, com Isabelle
Stengers (2023), uma racionalidade
não mais acionada pela ideia de
avanço ou progresso, mas como
experiência de aprendizagem
compartilhada de saberes que se
façam com e a favor da vida (Santos,
2021).
A seguir apresentamos os textos
deste primeiro volume do dossiê que
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RODRIGUES, Ana Cabral; CARON, Daniele; ARAÚJO, Flavia de Sousa.
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(Dossiê "Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica")
colocam em perspectiva práticas e
processos investigativos acionados
pela narrativa por uma preciosa
diversidade de abordagens e temas.
Encontramos gestos e falas nascidos
de experiências e territorialidades
histórica e sistematicamente
ameaçadas que emergem do
experimento do encontro (Stengers,
2023).
Abrindo o dossiê, no artigo
Narrativas da deficiência: questões
acerca da escrita acadêmica partir da
experiência de Virgínia Kastrup e
Raquel Guerreiro, a narrativa é
abordada como problemática no
contexto da psicologia cognitiva da
deficiência visual. Reconhecendo a
predominância do capacitismo nas
pesquisas sobre deficiências, as
autoras defendem uma atuação
coletiva e horizontal de sujeitos com ou
sem deficiência, compondo narrativas
complementares a partir da experiência
compartilhada. Por meio de uma escrita
acadêmica de base feminista, o texto
aposta em uma receptividade ativa que
se desenha em encontros, tensões e
distâncias, abrindo passagem para a
criação de um mundo comum e
heterogêneo.
Numa profícua conjunção, o
artigo Cães-guias como mediadores
estéticos: reconfigurações dos modos
de fazer e pensar a cultura do acesso”,
de Camila Araújo Alves e Marcia
Moraes, trabalha a ideia de mediação
estética a partir da relação mulher
cegacomcão-guia, tomando como
referência a experimentação de Lygia
Clark e Hélio Oiticica no campo das
artes. A partir da política metodológica
do pesquisarCOM, a discussão centra-
se na produção cultural e nos espaços
de arte em agenciamento com corpos e
pessoas com deficiência, entendendo a
mediação como prática coletiva que
desloca sentidos hegemônicos sobre
modos de fazer e pensar a cultura do
acesso. Para isso, as autoras
mobilizam recursos de linguagem e
memórias que evidenciam sua
posicionalidade em relação à
experiência e ao texto, questionam o
senso comum da deficiência como
falta, acionam alianças interespécies e
convocam a narrativa como ato político.
As políticas urbanas ganham
relevo em “A narrativa na construção da
memória do corpo negro”, através do
qual o narrar é compreendido como um
fazer conjunto que exige, sobretudo,
um reposicionamento ético e político de
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(Dossiê "Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica")
quem pesquisa, sustentando alianças
que evocam projetos societários
pautados pela ruptura dos regimes
discursivos exploratórios de fazer
cidade. Nessa perspectiva, Nathalia
Gomes e Daniele Caron debatem a luta
quilombola em contexto urbano por
meio do encontro com a oralitura,
expressa no corpo e na voz das
mulheres do Quilombo Flores, em Porto
Alegre, RS, aqui compreendidas como
ìyálodès. O convívio com um processo
de transmissão que acolhe gestos,
ritmos, formas e sons inscritos no
corpo, e que ressignifica memórias e
experiências negras, permite às
autoras entrever, junto a essas
mulheres, uma teoria da luta que
emerge ao acionar a linguagem
oraliturizada como resistência aos
processos coloniais e racistas que
moldam o urbano contemporâneo.
Reforçando a perspectiva do
fazer-situado em processos de escuta,
Paula Land Curi e Luiza Christina
Marques de Souza discutem a violência
de gênero em Narrar com Mulheres:
um convite para outras práticas éticas-
estéticas-políticas de pesquisa”. A
contação de histórias é aqui utilizada
como ferramenta para tensionar a
suposta neutralidade científica, além de
permitir a construção do conhecimento
pela agência entre corpo-
pesquisadoras e a vibração da
violência nos corpos das mulheres
participantes de encontros grupais, em
um ambulatório universitário
especializado em violência de gênero.
Nessa escuta ampliada, que busca
produzir fissuras nos modos instituídos
de fazer ciência, o grupo é convidado a
entrar em contato com as intensidades
e os afetos da vida cotidiana umas das
outras, dando-lhes sentido, palavras e
materialidade, a fim de afirmar a
emergência de mundos pautados na
multiplicidade e dignidade das formas
de vida das mulheres.
Em Cartografias infantis:
narrativas das infâncias enquanto uma
metodologia do encanto”, Mariana
Cunha Schneider, Nícolas Braga
Fröhlich, Luciano Bedin da Costa e
Tiago Alexandre Fernandes Almeida
aprofundam a escuta como
interpelação às infâncias que persistem
em nós, de modo a usufruir e compor
com o que as crianças podem nos
ensinar sobre o mundo. A poesia e as
estratégias de enfrentamento da morte
utilizadas pelas crianças são
apresentadas a partir de indagações
sobre os riscos de romantização das
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RODRIGUES, Ana Cabral; CARON, Daniele; ARAÚJO, Flavia de Sousa.
Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica. PragMATIZES -
Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura, Niterói/RJ, Ano 15, n.
29, p.13-30, set. 2025.
www.periodicos.uff.br/pragmatizes - ISSN 2237-1508
(Dossiê "Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica")
cruezas, crueldades e da militarização
do imaginário infantil. A argumentação
sustenta-se no brincar como atividade
entre dois mundos, que permite
acessar modos outros de pensar e
fazer, apostando na criança como
sujeito de conhecimento e de direitos, e
não como objeto de pesquisa.
Como convite a esperançar e a
infancializar cidades pelo direito de
nelas viver, o artigo “Direito à cidade em
terra de brincar: narrar começos,
articular pedaços de chão” propõe uma
experimentação narrativa por meio da
montagem e da estética do fragmento.
Ele relata histórias da construção de
alianças diante das urgências
reconhecidas no encontro com a
Ocupação Dom Waldyr Calheiros, de
Volta Redonda. Um território de
liderança feminina e protagonismo das
infâncias, marcado pela luta por
dignidade e sonho. As autoras Ana
Cabral Rodrigues, Jordana Neves de
Almeida Guimarães, Anna Clara
Fernandes Silva, Mônica Helena Rado
Donnini, Flavia Siqueira Lemos
Leandro, Adriana Aparecida de Souza,
Eliana Gonçalves de Souza, Milena
Pedrosa e Beatriz Regina M. Nunes
apostam numa escrita de múltiplas
vozes, que se alternam e se compõem,
dando contornos a memórias e saberes
compartilhados. Nos caminhos
narrativos, a partir da força das
margens urbanas, deparamo-nos com
a invenção de um livro infantil coletivo e
a criação de uma biblioteca
comunitária, enovelados pela lenda
africana de Anansi e a força das
histórias que se espalham pelo mundo.
Em As caixas de Salete:
tecituras de narrativas da e na Cozinha
Solidária da Vila Barracão”, Ana Elísia
da Costa apresenta por meio de uma
escrita experimental, reflexões
oriundas de um projeto de ensino-
extensão-pesquisa que atua a partir de
uma abordagem narrativa. O exercício
da autora se constitui como uma
política, na medida em que se
concentra nos meandros, sutilezas e
diferenças que emergem com o ato de
transmitir e guardar para contar. Assim,
por meio do registro de histórias das
mulheres, que, como Salete, atuam na
cozinha solidária da Vila Barracão, na
periferia de Porto Alegre, e da
observação sobre o desafio de
descentramento do sujeito científico, o
texto é tecido por uma urdidura de
memórias que convoca as vozes e
assume sujeitos de comunidades
historicamente abandonadas e
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(Dossiê "Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica")
ameaçadas como personagens sociais
das políticas urbanas.
O debate acerca da narrativa
como política também é convocado no
texto Narrativa e memória na análise
das transformações relacionadas a
intervenções sociais em gênero”, no
qual Vanessa do Nascimento Fonseca
compõe uma cartografia da memória a
partir dos registros de experiências de
intervenções sociais no campo da
sexualidade, da saúde reprodutiva e do
gênero envolvendo as masculinidades
ao longo de quinze anos de pesquisa.
Os aportes sobre a implicação da
pesquisadora com o campo e com
sujeitos aproxima cartografia e
narrativa, colocando em xeque a razão
moderna que se apoia na noção de
neutralidade, estabilidade e
objetividade do fato científico. Ao tomar
esta posição em relação à produção do
saber, a autora convoca um movimento
de análise/costura dos fatos
documentados nas pesquisas com
vistas a abrir outras indagações sobre o
tema, bem como sobre o próprio fazer
pesquisa e suas dinâmicas de poder.
A mesma tomada de posição
que busca sustentar processos de
escuta que reconhecem a pluralidade
de vozes existentes e o caráter múltiplo
das histórias é convocada por Andréa
da Silva Montechiare Pires, Gisela
Giannerini e Renata Montechiare em
Memória como construção de
caminhos plurais: o conhecimento a
partir da escuta e da palavra. O texto
problematiza a objetificação dos
sujeitos historicamente desautorizados
a falar e saber, e discute a memória e
as narrativas orais como ferramentas
de inscrição e pertencimento histórico.
Ao propor um diálogo entre episódios e
histórias que evocam traumas e
opressões, as autoras acionam uma
discussão sobre políticas de memória e
produção da cultura que aponta para as
relações político-sociais em disputa, e
para a potência das narrativas orais
como dispositivos de mobilização e
transformação social.
Para encerrar este primeiro
volume do dossiê, Alessandra Rudiger
Matzenauer, Karine Shamash
Szuchman, Luis Artur Costa, Thayna
Miranda da Silva e Vanessa Branco
Cardoso propõem um mergulho na
palavra narrar a partir de três
movimentos que demarcam a
importância de ultrapassar uma
dimensão representacional-simbólica
ou do caráter expressivo plástico da
narrativa em prol de suas artesanias
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RODRIGUES, Ana Cabral; CARON, Daniele; ARAÚJO, Flavia de Sousa.
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(Dossiê "Narrar: gesto metodológico e indagação epistemológica")
em movimentos coletivizantes e
singularizantes. Tramando políticas do
narrar: pistas ético-estéticas para
pesquisas especulativas apresenta o
estatuto ficcional da narrativa como
elemento de sua sustentação e
potência, oferecendo caminhos na
própria forma de escrita para que isso
se coloque no centro do debate. Assim,
convida-nos a tocar os avessos da
escrita acadêmica através do gesto de
bordar, acompanhando éticas e
estéticas de narrativas e
contranarrativas de artistas, coletivos e
experiências situadas. Por fim, ao
indagar o que seria a pressuposta
neutralidade científica desde uma
perspectiva do gesto narrativo, abre um
leque de pistas que favorecem a um
exercício ético ininterrupto que nos
deslocam de respostas cômodas,
heróicas ou desaterradas.
O conjunto de textos aqui
apresentados não busca oferecer
contornos conclusivos sobre a
narrativa; ao contrário, fabula-se como
um convite a permanecermos ainda
com o problema (Haraway, 2023),
habitando as imprecisões e tensões
próprias do narrar como prática de
pesquisa. Ainda que cada processo,
prática ou exercício investigativo traga
particularidades, arriscamos dizer que
sustentam exercícios situados de
implicação, de co-emergência e de
responsabilidade com a realidade e
com a própria ciência. É com esta
perspectiva aberta e necessariamente
provisória que convidamos à leitura.
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