PragMATIZES, Niterói/RJ, v. 16, n. 30, jan-dez. 2026. 3
suportes capazes de operar a partir das co-emergências (Caron, Cabral, 2024) de saberes
e modos de sustentar mundos. Reconhecê-las. Recolhê-las. Tomar as co-emergências
como signo de uma autorização compartilhada das pessoas que deixam de ser reiterada
e historicamente tomadas como folclóricas e passam a ser reconhecidas como sujeitos
que são (González, 1982): políticos, culturais, do conhecimento. Assim, a presença da
narrativa alia-se a uma aposta pelas co-emergências, operando junto aos movimentos de
descentramento e de partilha da margem em sua potência epistêmica para interrogar o
presente e o porvir.
Em nosso primeiro volume, iniciamos um caminho pelas narrativas
compartilhadas desde perspectivas anticapacitistas na formação de um mundo comum e
heterogêneo; passando, posteriormente, pela força da oralitura nos corpos femininos
negros em disputas urbanas (Martins, 2021). Também nos aproximamos das estratégias
de contação de histórias como interrupção de violências sobre os corpos das mulheres;
e, em outro movimento, foram as construções de histórias conjuntas, por montagens,
mapas e gestos brincantes junto às infâncias que evidenciaram o lugar da narrativa na
luta pela garantia de direitos.
Guardar e contar dão seguimento aos caminhos do primeiro volume que ganha um
escopo poético no ato de inventariar e constituir uma memória compartilhada; assim
também as memórias narradas criam as bases para as intervenções sociais no campo da
sexualidade, da saúde reprodutiva e do gênero envolvendo as masculinidades. Por fim,
ainda no âmbito das memórias e da pluralidade de narrativas que reiteradamente têm
sido desautorizadas, nos encontramos com uma aposta radical da escuta e da dignidade
da palavra; e encerramos o volume anterior com um último texto que se debruça sobre
suas forças ficcionais junto aos movimentos de um bordado capaz de nos fazer tocar os
avessos da escrita acadêmica acompanhando éticas e estéticas de narrativas e
contranarrativas de artistas, coletivos e experiências situadas. Artivismos que são
contrafeitiços (Araújo et al, 2024; Rêgo, Gueiros, Araújo, 2025), rompem com o quebranto
do feitiço do capitalismo sobre os corpos (Stengers, Pignarre, 2011 apud Tsing, 2022). E
são acionados particularmente, por corpos dissidentes (Gorini, 2019), que escapam da
cisheteronormatividade.
Se encerramos o volume anterior tocando o avesso do texto e o lugar da pesquisa
na constituição das histórias que estão sendo narradas, aqui, abrimos o caminho de