Queiroz dos Santos, Desidério, Nakashima
Revista Aleph. Niterói, Dezembro de 2024, nº 43, p. 1 - 13 ISSN 1807-6211
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Eu fui pisar na universidade de fato apenas um ano após já estar estudando,
porque ingressei no período pandêmico. Nesse sentido de pisar pela primeira
vez, o que me lembro de sentir euforia, ver os amigos que já tinha feito no
meio remoto, encontrar professores e viver de fato a universidade
presencialmente e não só por meio de uma tela. (Vinicius Costa, estudante de
História – UFT/UFNT).
Vinicius, vivenciou o impacto da pandemia de Covid-19, destacando a
experiência de entrar na universidade em um momento atípico e só conseguir interagir
fisicamente com o espaço universitário e seus colegas após um ano de estudo remoto.
A "euforia" de pisar na universidade reflete o valor significativo do espaço físico como
um território de socialização, aprendizado e desenvolvimento pessoal.
A partir desse relato, permitiu-se perguntar a Vinicius como foi o primeiro
período, em um momento de transição ensino médio e academia. A narrativa de Vinicius
é de que a experiência, pelo menos, pedagógica não foi muito diferente, tendo em vista
que ao concluir o ensino médio remotamente, ele conseguiu, nesse aspecto, se
familiarizar muito rápido.
Não tive tanto impacto, pois eu já vinha de um término no ensino médio
completamente remoto, então quando ingressei, já estava habituado ao meio
remoto. Sendo o ensino remoto, as cobranças não eram tantas quanto as no
ensino presencial (Vinicius Costa, estudante de História – UFT/UFNT).
Não muito diferente de Vinicius, a estudante de Biologia, Ana Maria, quando
indagada sobre seu primeiro período na universidade, ela aponta a pandemia como
sendo sua principal dificuldade, já que foi impossibilitada de experienciar certos
momentos que poderiam contribuir para sua formação acadêmica
[...] entrou um cenário que era pré-pandêmico então foi muito pouco contato
social quando acontece a paralisação que seria 15 dias e acabou se tornando
seis meses ou mais e aí quando a gente voltou foi mal tratamento, porque era
para fazer três períodos em um ano então foi muito, muito corrido, muita
informação e tanto professores quanto os alunos estavam se adaptando com
cenário de utilização de tecnologias. (...) nem todos os alunos têm tecnologia
com acesso à internet, né, grande parte deles também moram na zona rural
e tudo mais. Então foram esses três períodos de adaptação, os dois a gente
se adaptou às metodologias alternativas para promover o aprendizado para
os alunos (Ana Maria, estudante de Biologia –UFT/UFNT).
Ana Maria apontou que a pandemia provocou um distanciamento social, não
somente entre pessoas, mas também entre a academia e os universitários e, esse
momento, tratado como crucial para a efetiva permanecia dos estudantes foram
agravados. Isso porque, o processo de afiliação dos estudantes, segundo Coulon (2008),
se dá no constante exercício de alternativas e ter entendido o ritmo próprio das
múltiplas regras da vida de um estudante e compreender sua ordem temporal.”
(COULON, 2008, p. 208).