Imagens de professores: relações entre cultura visual e
formação docente
Revista Aleph. Niterói, março de 2024, nº 43, p. 1 - 20 ISSN 1807-6211
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mais progressistas, todas nos marcam de alguma forma, isso significa que podemos
inclusive carregar imagens conflitantes.
Imagine a seguinte cena: ao longo do estágio de docência na universidade, a
jovem professora que falávamos anteriormente, estava ansiosa pelo estágio em uma
turma do berçário, ela e o colega que era sua dupla na docência, juntos vivenciavam
essa experiência pela primeira vez. Mesmo a dupla da jovem menina já tendo
experienciado a paternidade três vezes, o seu nervosismo era tão visível quanto o dela.
Os dias que antecederam a experiência do estágio, foram marcados por incontáveis
horas de estudos, pesquisas e desabafos da dupla, que desejavam fazer um bom
trabalho, que fizesse jus a toda sua formação. A diferença de idade entre eles, as
diferentes crenças e motivos que os haviam levado até aquele momento, todos
pareciam superados, suprimidos pelo desejo de pôr em prática os princípios das tais
“pedagogias participativas” que tanto estudaram. Tudo corria bem até que, conforme
esperado, uma das crianças precisou ter a fralda trocada, instintivamente, a dupla da
menina pediu para que ela fizesse a troca dizendo: “Nunca peguei bem o jeito, sabe?
Provavelmente vou fazer errado, tu pode trocar pra mim?” A menina nunca antes havia
trocado uma fralda, não tinha crianças pequenas na família e nas poucas vezes que
presenciou alguém trocar uma criança, não deu muita atenção, então falou para o
colega: “Eu ainda não sei trocar fralda, nunca fiz isso antes. Tu pode trocar essa e me
mostrar como faz?”. Após rir de forma desdenhosa, o colega pegou a criança e trocou
perfeitamente a fralda, sem dirigir a palavra a sua colega. Nesse momento, as inúmeras
diferenças entre os colegas ficaram palpáveis, nitidamente, ele via sua dupla de estágio
como “professora mãe”.
A situação apresentada vem ao encontro do que diz Hernández (2007, p. 82)
“Prestar atenção às comunidades de discurso”. Ambos os alunos tiveram acesso aos
mesmos textos na universidade, às mesmas aulas, professores, discussões, exemplos e,
ao final, à mesma turma de estágio. Porém, a forma como constroem as imagens de
professores que carregam (e a forma como expressam tal imagem) é fortemente
afetada pelos discursos das comunidades que fazem parte. Segundo Hernández (2007),