Revista Aleph, Niterói, dezembro de 2025, nº 43, p. 1 - 19. ISSN 1807-6211
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COMUNICAÇÃO, GÊNERO E EDUCAÇÃO: NOVAS PERSPECTIVAS PARA O
ENSINO E A PRÁTICA DO JORNALISMO
1
COMMUNICATION, GENDER AND EDUCATION: NEW PERSPECTIVES FOR
THE TEACHING AND PRACTICE OF JOURNALISM
Ana Paula Veloso Silveira Teodoro Rodarte
2
Érika Alfaro de Araújo
3
Mauro de Souza Ventura
4
Resumo
O objetivo deste trabalho é promover articulações entre educação, gênero e jornalismo,
situado no campo da comunicação. A proposta é analisar as diretrizes do Minimanual
de Jornalismo Humanizado Jornalismo Esportivo, produzido pela ONG feminista Think
Olga, por meio de reflexões sobre o ensino do jornalismo e a possibilidade de uma
prática mais plural. O argumento principal é que a inserção das discussões de gênero e
de outros marcadores sociais, como raça, classe e sexualidade, na formação de
profissionais, bem como a revisão de modelos hegemônicos e masculinos que marcam
o jornalismo esportivo , em iniciativas como a do documento, seriam capazes de gerar
transformações nos modos de fazer jornalismo. Após uma análise qualitativa, é possível
apontar que o material busca identificar padrões históricos de reprodução de relações
de poder baseadas na desigualdade de gênero e sugerir caminhos para superá-los.
Palavras-chave: Comunicação. Jornalismo. Jornalismo Esportivo. Educação. Gênero.
Abstract
The aim of this study is to foster connections between education, gender, and
journalism, within the field of communication. The proposal is to analyze the guidelines
of the Minimanual de Jornalismo Humanizado Jornalismo Esportivo, produced by the
feminist NGO Think Olga, through reflections on journalism education and the possibility
of a more diverse practice. The main argument is that incorporating discussions on
1
Trata-se de versão revista e ampliada do trabalho apresentado no Seminário Internacional Fazendo
Gênero 13, realizado entre 29 de julho e 2 de agosto de 2024, na cidade de Florianópolis-SC.
2
Doutora em Comunicação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp/Bauru). Mestra em Comunicação
pela Universidade Federal de Ouro Preto e graduada em Jornalismo pela mesma instituição. Integrante
do Grupo de Estudos Comunicação e Epistemologias Feministas (GECEF). E-mail: a.rodarte@unesp.br
3
Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Estadual Paulista
(Unesp), campus Bauru-SP, com pesquisa financiada pela FAPESP (processo n. 2022/00984-0). Mestra em
Comunicação e graduada em Jornalismo pela mesma instituição. E-mail: erika.araujo@unesp.br
4
Livre-docente em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Doutor em Letras (Teoria
Literária e Literatura Comparada) pela FFLCH-USP, Mestre em Jornalismo e Editoração pela ECA-USP e
Jornalista graduado pela PUCRS. Atualmente, é professor do Departamento de Comunicação Social e do
Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unesp Bauru.
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gender and other social markers, such as race, class, and sexuality, into the training of
professionals, along with revising hegemonic and masculine models that dominate
sports journalism, through initiatives like the one presented in the document, could lead
to transformative changes in journalism practices. Following a qualitative analysis, it is
possible to conclude that the material aims to identify historical patterns of power
relations based on gender inequality and to suggest pathways to overcome them.
Keywords: Communication. Journalism. Sports Journalism. Education. Gender.
Introdução
Na introdução de Ensinando a transgredir: educação como prática libertadora
(2013), a educadora, escritora e feminista bell hooks
5
rememora sua trajetória pelos
caminhos da educação. Sua formação, enquanto mulher negra, foi construída, ainda na
infância, em um contexto marcado por um espaço escolar exclusivamente negro. A
autora descreve o comprometimento de suas professoras também mulheres pretas
em conhecer as alunas e os alunos, assim como em reafirmar a importância da educação
como resistência. Contudo, com a integração racial nos Estados Unidos, aquele
ambiente emancipador e de estímulo foi substituído por escolas brancas e não
engajadas com a luta antirracista (hooks, 2013).
Esse cenário perdurou por longos anos na vida da escritora, especialmente na
graduação e na pós-graduação. Mesmo com esses ecos educacionais negativos, bell
hooks se manteve firme rumo à carreira de educadora. Ela acreditava na possibilidade
de outras formas de educação e foi nessa época que conheceu os saberes do educador
e pensador brasileiro Paulo Freire.
A autora percebeu que a união das perspectivas de Freire com a inspiração no
estar e no fazer de suas antigas professoras e o pensamento feminista, que a
acompanhava em seu percurso pessoal e profissional, era a resposta para sua prática
pedagógica. hooks (2013), ao narrar suas vivências de ensino-aprendizagem nos ensaios
que compõem sua obra, defende e nos convida a repensar, uma prática de ensino
5
A grafia do pseudônimo em letras minúsculas é uma escolha da autora, Gloria Jean Watkins, que adotou
“bell hooks” em homenagem à bisavó e assina todas as suas obras dessa maneira.
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apoiada na transgressão, no atravessar os limites dos preceitos que envolvem o educar
e o aprender.
Com base no conteúdo de Ensinando a transgredir, ponderamos sobre os
ensinamentos de bell hooks (2013) enquanto movimento de partilha; não apenas no
sentido de dividir, mas como um gesto que incita a participar, dialogar, trocar e escutar
sempre em uma relação com o Outro. É a partir dessa leitura que a Comunicação
emerge como parte da discussão deste trabalho. Aqui, compreende-se a comunicação
“em seu sentido original de tornar comum, de compartilhar, presente no termo latino
communicare [...]”
6
(Barros; Brogna, 2022, p. 139). A definição, além de enfatizar um
tipo específico de comunicação, pautado no modelo relacional, reforça que, segundo
Freire (1983, p. 44), “o mundo humano é, desta forma, um mundo de comunicação”.
Barros e Brogna (2022) observam que o legado do brasileiro nos inspira à
possibilidade da prática educativa como instância libertadora, que contempla a
construção da autonomia por meio do despertar do senso crítico e da valorização da
dimensão sensível das interações humanas. Os autores pontuam que o despertar e a
“partilha do sensível”, em uma referência a Rancière
7
, ocorrem no lugar social e no
tempo histórico em que convivem os sujeitos dos processos pedagógicos e
comunicacionais, e afirmam que “[...] a comunicação é uma das bases desse processo,
entendida como espaço do diálogo, em que educando e educador são sujeitos
humanizados que ensinam e aprendem em comunhão”
8
(Barros; Brogna, 2022, p. 133).
Para Berger (2011), Paulo Freire é incluído entre os pesquisadores da
comunicação por um livro Comunicação ou extensão. Na obra, o educador, em
oposição ao difusionismo, critica o extensionismo ao interpretá-lo como transmissão,
6
Tradução nossa. Do original: “la comunicación en su sentido original de volver común, de compartir,
presente en el término latino communicare [...]”.
7
RANCIÈRE, J. A partilha do sensível: estética e política, 2ª ed. São Paulo, SP: EXO organizacional/Editora
34, 2009.
8
Tradução nossa. Do original: “[...] a comunicación es una de las bases de ese proceso, entendida como
espacio de diálogo en el que educador y educando son sujetos humanizados que enseñan y aprenden en
comunión. Comunicación, aquí tomada como acto de compartir e interacción, y no como mera
transmisión”.
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ou seja, não há um fluxo de trocas, apenas o envio das mensagens de um ponto a outro,
o que, com efeito, impossibilita às/aos receptoras/es as trocas, a participação e o
exercício do conhecimento. De acordo com Freire (1983, p. 46), “a educação é
comunicação, é diálogo, na medida em que não é transferência de saber, mas um
encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados”.
Neste trabalho, buscamos articular Comunicação, Educação e Estudos de
Gênero, em especial no Jornalismo. Veiga da Silva (2014) sustenta que o gênero do
Jornalismo é o masculino, pois a construção das notícias, desde a escolha das pautas,
enfoques, fontes, valores-notícia, bem como as funções e os valores profissionais estão
entremeados por aspectos socialmente atribuídos às masculinidades. Em outro
trabalho, a autora pondera que a prevalência dessa característica, associada a outros
elementos das racionalidades do sistema-mundo, também está presente no âmbito
universitário. Ademais, “historicamente a Universidade vem servindo como um espaço
mais dado à reprodução (de conhecimentos, de valores, de hierarquias, etc.) e menos
às condições criativas e ao exercício da práxis” (Veiga da Silva, 2015, p. 263).
Logo, algumas questões são levantadas: como o ensino do Jornalismo pode
fazer com que futuras/os profissionais se atentem às discussões sobre desigualdades,
especialmente de gênero, raça, classe e sexualidade? E de que modo podemos renovar
o fazer jornalístico a partir de novos contextos formativos e socioculturais? Desta
maneira, o objetivo deste artigo é analisar as diretrizes do Minimanual de Jornalismo
Humanizado Jornalismo Esportivo, produzido pela ONG feminista Think Olga, por meio
de reflexões sobre a educação jornastica e uma prática mais inclusiva e plural.
Defendemos que os processos educacionais não se restringem ao ambiente acadêmico,
estando presentes nas relações, produtos e práticas sociais. Ou seja, a sociedade é
constituída por demandas culturais, comunicacionais, políticas e históricas, e são as
sujeitas e os sujeitos os responsáveis por atender e lutar por essas mudanças.
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Comunicação, Educação e Gênero: um diálogo possível (e necessário)
A articulação entre Gênero, Comunicação e Educação pressupõe uma etapa
prévia de discussão conceitual. Assim, tomamos como base a observação de Scott
(2019, p. 54), para quem o gênero “é utilizado para designar as relações sociais entre os
sexos”. Segundo a pesquisadora:
O seu uso rejeita explicitamente as justificativas biológicas, como
aquelas que encontram um denominador comum para várias formas
de subordinação no fato de que as mulheres têm filhos ou que os
homens têm uma força muscular superior. O gênero se torna, aliás,
uma maneira de indicar as “construções sociais” a criação
inteiramente social das ideias sobre os papéis próprios aos homens e
às mulheres. É uma maneira de se referir às origens exclusivamente
sociais das identidades subjetivas dos homens e das mulheres. O
gênero é, segundo essa definição, uma categoria social imposta sobre
um corpo sexuado (Scott, 2019, p. 54).
Parte marcante da atração exercida pelo conceito de gênero, para Piscitelli
(2002, p. 1), está no convite que oferece para um novo olhar sobre a realidade,
situando as distinções entre características consideradas femininas e masculinas no
cerne das hierarquias presentes no social”. Nesse sentido, ao acionar o conceito como
uma forma de rejeição a determinismos biológicos, a partir da ideia de que as
características limitantes e normativas atribuídas aos gêneros são construções,
recorremos à noção de que essas podem ser transformadas de forma que as vivências
se tornem mais livres, mais plurais e mais amplas.
Pedro (2005, p. 78) acrescenta que “o uso da palavra ‘gênerotem uma história
que é tributária de movimentos sociais de mulheres, feministas, gays e lésbicas. Tem
uma trajetória que acompanha a luta por direitos civis, direitos humanos e, enfim,
igualdade e respeito”. Logo, com o tempo e após diversos debates, o conceito de gênero
se desloca para um campo de disputas de poder (Bertasso; Nascimento; Gustafson,
2020).
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Pensar a Comunicação com uma abordagem de gênero, para Cremona e
Spinelli (2013), supõe um aporte fundamental para desenvolver criticamente elementos
que possibilitem construções sem exclusão e com equidade, observando que essa
postura requer uma reflexão crítica que favoreça os processos comunicativos,
entendidos como processos de produção de conhecimento, práticas e sentidos.
As autoras argumentam que as diversas formas de discriminação existentes
encontram nos meios de comunicação espaços de produção e reprodução, resultando
em produtos comunicacionais carregados de estereótipos, os quais são exibidos para
toda a sociedade. Por isso, as mídias são compreendidas o apenas como
transmissoras de informação ou de entretenimento, mas como espaços de formação
subjetiva na medida em que constituem agentes de questionamento a partir dos quais
os sujeitos reconhecem, modificam, reafirmam e transformam suas práticas cotidianas
(Buenfil Burgos, 1992).
Isso implica, de acordo com a interpretação de Cremona e Spinelli (2013), que
as representações hegemônicas construídas e reconstruídas pela mídia estão inscritas
no tecido da cultura, na vida cotidiana e no senso comum, inclusive nos noticiários. Para
as autoras, é necessário entender a importância de poder desatar aqueles significados
que parecem fixos, naturais, neutros e imanentes, os quais acabam por reproduzir
desigualdades e aprofundar a exclusão e a discriminação como são as construções
sociais, midiáticas e culturais a partir do gênero.
Alfaro (2015, p. 34) defende que “os projetos [comunicacionais] têm que dar
conta, permitir que se expressem” e atender a “[...] múltiplos sujeitos e suas
identidades. Não podemos uni-los sob uma denominação falsamente
homogeneizadora, mas sim garantir o exercício da autoestima e do diálogo”
9
. Na
perspectiva em que olhamos para sujeitas e sujeitos múltiplos, destacamos a
importância da interseccionalidade enquanto ferramenta teórico-metodológica, já que
9
Tradução nossa. Do original: “Los proyectos tienen que dar cuenta, permitir que se expresen [...]
múltiples sujetos y sus identidades. No podemos unirlas bajo una denominación falsamente
homogenizadora, sino garantizar el ejercicio de la autoestima y del diálogo”.
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o conceito fornece estrutura para explicar como categorias de raça, classe, gênero,
idade e estatuto de cidadania posicionam as pessoas de maneira diferente no mundo
(Collins; Bilge, 2021).
Akotirene (2019) sustenta que a interseccionalidade tem como propósito
oferecer instrumentalidade teórico-metodológica à inseparabilidade estrutural de
racismo, capitalismo e cisheteropatriarcado, os quais seriam produtores de avenidas
identitárias em que mulheres negras são repetidas vezes atingidas pelo cruzamento e
sobreposição de gênero, raça e classe, modernos aparatos coloniais. Ao analisar o
movimento feminista negro, arcabouço teórico no qual a interseccionalidade está
localizada, Collins (2019) afirma que a vulnerabilidade das mulheres negras a agressões
no ambiente de trabalho, na rua, em casa e nas representações feitas pelos meios de
comunicação são fatores que fomentam a luta do feminismo negro.
No campo da Comunicação, em especial no Jornalismo, a inserção de
demandas relativas ao gênero
10
e ao pensamento interseccional ainda é uma realidade
distante nas grades curriculares e na formação universitária de jornalistas. Muitos
cursos de graduação em Jornalismo, em suas diretrizes e abordagens pedagógicas,
desconsideram que o jornalismo, embora se guie por cânones e preceitos, não é uma
práxis fixa e imutável, mas sim feita de continuidades e renovações. Ou seja, o fazer
jornalístico está inserido em um ambiente atravessado por fenômenos, ações, práticas
coletivas e mudanças socioculturais.
Conforme formulam Bertasso, Nascimento e Gustafson (2020), em sociedades
generificadas, como é o caso do Brasil, a construção das relações de gênero acontece a
partir dos mais diversos espaços, sendo o jornalismo um dos locais privilegiados no
processo. As autoras consideram o jornalismo uma esfera de mediação e construção de
10
Os Estudos de Gênero não se limitam às mulheres, abrangendo os estudos queer e das masculinidades.
No contexto deste trabalho, é relevante destacar a investigação realizada por Moura e Sousa (2022), que
examina a inserção do gênero na formação das jornalistas brasileiras. Cf.: MOURA, Flávia de Almeida;
SOUSA, Nayara Nascimento de. If not in the classroom, where? Gender issues in the educational
formation of Woman journalists in Brazil. Journal of Latin American Communication Research, v. 10, n.1-
2, p. 65-82, 2022.
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sentidos, sendo um dos espaços sociais de consolidação e/ou transformação dos valores
sociais. Veiga da Silva (2014), ao estabelecer relações entre jornalismo e cultura,
identifica o caráter pedagógico do jornalismo:
Da instância pedagógica cultural representada pela mídia, o
jornalismo é um dos principais articuladores da produção dos saberes
cotidianos que orientam a (e se orientam na) cultura. A função
pedagógica do jornalismo pode ser percebida na reprodução e na
circulação do acervo de conhecimentos socialmente construídos e
culturalmente legitimados que ajudam a informar os sujeitos na
contemporaneidade (Veiga da Silva, 2014, p. 33).
Considerando o poder simbólico do jornalismo e partindo da premissa da
cultura como locus fundante das desigualdades sociais, bem como primordial para a
construção da subjetividade, entendemos que os discursos noticiosos são dotados de
significados importantes para a compreensão das relações de poder e a construção de
sujeitos.
Da Fonseca (2018), em um estudo que propõe a aplicação da pedagogia de
Paulo Freire às diretrizes curriculares do curso de Comunicação Social, problematizando
o ensino de Jornalismo, observa que o pensador enfatiza que o compromisso de
uma/um profissional com a sociedade deve incluir a decisão cida e profunda de
provocar transformações concretas. “A educação defendida por Paulo Freire é aquela
que propõe ao estudante a reflexão sobre si mesmo, sobre seu tempo, suas
responsabilidades e seu papel no novo clima cultural de sua época” (Da Fonseca, 2018,
p. 183).
No Brasil, algumas graduações em Jornalismo oferecem disciplinas que
debatem a relação entre jornalismo/comunicação e gênero, como é o caso da eletiva
Gênero e Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), a optativa Relações
de Gênero e Comunicação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e a optativa
Jornalismo e Gênero da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
11
. Esta última é
o objeto de reflexão do trabalho “Jornalismo e gênero: a emergência de uma disciplina
11
De acordo com as informações do site do Jornalismo UFSC, o currículo do curso está em implementação
progressiva e conta, atualmente, com a disciplina obrigatória Jornalismo, Identidade, Diversidade e
Gênero. Disponível em: https://jornalismo.ufsc.br/ Acesso em: 19 ago. 2024.
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e um relato de docência compartilhada” (2020), produzido pelas professoras
responsáveis Daiane Bertasso, Fernanda Nascimento e Jessica Gustafson.
As pesquisadoras contam que a iniciativa partiu das reivindicações do Coletivo
Jornalismo Sem Machismo da universidade. Para as integrantes do grupo, a disciplina
era “[...] fundamental para as discussões sobre a responsabilidade do Jornalismo na
produção/reprodução de narrativas que perpetuam o machismo, o sexismo e a
misoginia” (Bertasso; Nascimento; Gustafson, 2020, p. 03). O Departamento de
Jornalismo e as docentes, além de adotarem a proposta, estruturaram o plano de ensino
junto às alunas, priorizando diálogo, trocas, sugestões e horizontalidade.
Bertasso, Nascimento e Gustafson (2020) também salientam a urgência de que
as temáticas debatidas na disciplina específica não se restrinjam ao ambiente e ao
espaço das salas de aula. Para as autoras, tratar sobre gênero e sexualidade, assim como
outros marcadores de diferença, como raça, classe, etnia e geração, enquanto assuntos
transversais, é outro grande desafio da empreitada assumida por docentes e por um
expressivo número de estudantes que apostam no jornalismo como prática de
transformação social.
Aqui, despontam duas questões que merecem reflexão. A primeira diz respeito
às estudantes e seus processos emancipatórios. No curso de Jornalismo da UFSC, as
alunas, cujas experiências as fizeram identificar o machismo que as afetava nas esferas
acadêmica, profissional e social, foram responsáveis pela inclusão da disciplina no
currículo através da palavra (no sentido de intervenção), como aponta Freire (1987).
a segunda questão tem relação direta com a anterior: como criar disciplinas, abordagens
e renovar as práticas jornalísticas se, na análise de Veiga da Silva (2014), o gênero do
jornalismo é masculino? Não respostas corretas e/ou definitivas para esses pontos.
Contudo, a própria mídia e as iniciativas de cunho comunicacional e/ou social,
sobretudo feministas, vêm demonstrando que é possível produzir um jornalismo plural
e inclusivo, como veremos mais adiante.
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Objeto e metodologia
Considerando o objetivo deste trabalho de promover articulações entre
Comunicação, Educação e Gênero, selecionamos como objeto o Minimanual de
Jornalismo Humanizado Jornalismo Esportivo. Nossa análise se concentra nas
reflexões sobre o ensino do jornalismo e o contínuo aprendizado da profissão, com foco
na possibilidade de uma prática profissional mais plural.
O material é produzido pela ONG feminista Think Olga, fundada em 2013, que
tem como propósito “sensibilizar a sociedade para as questões de gênero e
intersecções, além de educar e instrumentalizar pessoas que se identifiquem como
agentes de mudança na vida das mulheres” (Think Olga, [s.d.]). O projeto inaugural da
Olga foi a campanha contra o assédio sexual, Chega de Fiu Fiu, que se transformou em
outras ações como o Mapa Chega de Fiu Fiu e em uma cartilha de combate ao assédio
sexual.
Com o histórico de atividades e campanhas de grande alcance, a Think Olga
lançou, de 2016 a 2018, o Minimanual de Jornalismo Humanizado
12
, cuja sétima parte é
dedicada ao Jornalismo Esportivo, e tem como máxima o pensamento: “a imprensa
pode (e deve) ser melhor”
13
. O documento está disponível na página da organização,
em formato PDF, e é de livre acesso.
Com base na formulação de Veiga da Silva (2014), de que o gênero do
jornalismo é masculino, situamos o caso da imprensa esportiva que, ao longo de sua
história, compactuou, reforçou e ajudou a construir os mecanismos de discriminação
com base no gênero (Araújo, 2023, p. 161). No próprio manual, a escolha dessa
cobertura é fundamentada em diversas evidências, incluindo um levantamento da
Women’s Sports Foundation que mostrou que apenas 3% do noticiário esportivo é
dedicado à cobertura de atletas e competições femininas.
12
As primeiras seis partes têm como título, respectivamente: Violência contra a mulher; Pessoas com
deficiência; Racismo; Estereótipos nocivos; LGBT; e Aborto.
13
A citação está presente em todos os exemplares do Minimanual de Jornalismo Humanizado.
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Além da pouca visibilidade, outra questão é como as mulheres são retratadas:
em matérias “que destacam seus atributos físicos, sexualizam seus corpos” e abordam
temas que fogem às questões técnicas e profissionais, ou seja, reforçam estereótipos
e desvalorizam o esporte feminino” (Think Olga, 2018, p. 7).
O guia está dividido em oito tópicos que contém recomendações de boas
práticas relacionadas à cobertura jornalística dos esportes. São eles: 1- Atletas são
profissionais, o musas; 2- Galerias obscenas; 3- Juízo de valor sobre os corpos das
atletas; 4- Se provar feminina; 5- Redução ao papel de esposa; 6- Maternidade; 7-
Endosso a atitudes machistas; e 8- Protagonismo mal colocado. A partir da leitura e
interpretação do material, propomos uma divisão em três eixos para a análise
qualitativa: o primeiro inclui os itens 1, 2 e 3, que tratam das problemáticas relativas aos
corpos femininos e ao olhar masculino; o segundo, com os itens 4, 5 e 6, refere-se aos
estereótipos de gênero e aos padrões impostos de feminilidade; por fim, o terceiro,
identificado nos itens 7 e 8, tange ao fazer jornalístico da cobertura esportiva. Vale
ressaltar que todos os pontos do manual têm relação com a práxis jornalística, mas os
dois últimos trabalham diretamente com processos de tratamento das informações.
Para este trabalho, nos aprofundaremos no terceiro eixo.
Análise empírica
Para a análise qualitativa do terceiro eixo do Minimanual, começamos pelo
item 7, Endosso a atitudes machistas, que evidencia a necessidade de uma postura
crítica da mídia e de suas/seus profissionais em relação à perpetuação, ao apoio e ao
reforço de conteúdos sexistas, destacando de que forma isso acontece com a
reprodução mecânica da fala/atitude de fontes:
Em um ambiente predominantemente masculino e excludente como
o mundo esportivo, atitudes machistas de jogadores, técnicos,
dirigentes, clubes, torcedores e federações eventualmente ocorrerão.
Muito além de não apoiar essas atitudes, a mídia esportiva deve se
posicionar contra elas e, se necessário, fazer críticas para que os
leitores, espectadores e demais agentes do mundo esportivo se
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conscientizem e parem de se sentir à vontade para destilar
preconceitos e afastar as mulheres do esporte (Think Olga, 2018, p.
21).
A partir de notícias reais, a publicação nos ajuda a compreender não apenas
como o fazer jornalístico necessita ser reflexivo para não reproduzir valores
socioculturais dominantes e danosos, mas também a urgência de as/os jornalistas
assumirem sua subjetividade nessas produções (Moraes, 2022).
Imagem 1 Item sete do documento “Endosso a atitudes machistas”
Fonte: Minimanual de Jornalismo Humanizado Jornalismo Esportivo (Think Olga, 2018)
A escolha das palavras ou expressões é um exemplo de como a prática pode
ser repensada. Embora esteja ligada ao repertório e ao contexto social de quem produz,
a construção textual também reflete a posição que essa/esse profissional defende e/ou
ignora. Assim, quando uma/um comunicadora/comunicador, ao se referir a uma
mulher, utiliza termos como “musa” em vez de “árbitra”, “atleta” ou seu nome, como
apontado no guia, está expondo uma visão preconceituosa e estereotipada que sinaliza
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que os atributos físicos são mais relevantes do que o desempenho e as conquistas no
esporte. Não à toa que um levantamento da Universidade de Cambridge, realizado em
2016, expôs que, na mídia esportiva, as palavras mais associadas às mulheres na língua
inglesa são “mais velha”, “grávida”, “casada” e “solteira”, enquanto as referências aos
homens eram acompanhadas de adjetivos como forte”, “rápido”, “grande” e “incrível”
(Think Olga, 2018).
Palavras não são neutras; indicam formas de valorizar ou depreciar alguém
e/ou algo. Como explicam Chaher e Santoro (2007), a língua não apenas não é neutra,
como reflete a relação existente entre os gêneros na sociedade, bem como a posição da
mulher nesta relação. “A língua é o espelho no qual a sociedade se reflete. O predomínio
do masculino na sociedade significa que o masculino determina o uso da língua. De fato,
o gênero masculino prevaleceu sobre o feminino”
14
(Chaher e Santoro, 2007, p. 141).
Numa concepção pragmática do Jornalismo, não podemos deixar de considerar
que o olhar da/do repórter molda/deforma as escolhas que fazemos na prática
profissional, e isso informa os diferentes aspectos que regem o fazer jornalístico, como
os critérios de noticiabilidade, a escolha das fontes, as perguntas que fazemos (e como
as fazemos) e até o modo como narramos uma reportagem.
Assim, a imprensa esportiva, para superar coberturas estereotipadas, deve
romper com a canonizada (e suposta) objetividade jornalística, ensinada nos cursos de
Jornalismo e amplamente adotada pelos meios de comunicação, que cria
representações sociais excludentes e reducionistas. É necessário que o jornalismo e
suas/seus responsáveis questionem o que está dado, em um movimento de escuta ao
público e suas demandas, mas, sobretudo, de ação por uma práxis que preze pela
apuração, qualidade da informação e formação de senso crítico.
Assim, a oitava recomendação, “Protagonismo mal colocado”, não se desvia
desses aspectos fundamentais no aprender-fazer das/dos jornalistas. Não uma boa
14
Tradução nossa. Do original: “La lengua es el espejo en el que la sociedad se refleja. El predominio de
lo masculino en la sociedad significa que lo masculino determina el uso de la lengua. De hecho el género
masculino ha prevalecido sobre el femenino”.
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cobertura jornalística sem pesquisa, fontes diversas, checagem dos fatos, olhar
aprofundado e plural. Esses são alguns dos elementos básicos no dia a dia de qualquer
profissional que deseja exercer sua função com qualidade. Contudo, dentro do cenário
esportivo, esses aspectos frequentemente se perdem pois, muitas/muitos partem do
pressuposto que apenas os atletas homens alcançam o sucesso.
Imagem 2 O item oito do documento tem como título “Protagonismo mal colocado”
Fonte: Minimanual de Jornalismo Humanizado Jornalismo Esportivo (Think Olga, 2018)
Um episódio emblemático apresentado no Minimanual é a entrevista com o
tenista Andy Murray, na qual um jornalista, de forma equivocada, o elogiou como o
primeiro a ganhar duas medalhas de ouro olímpicas na modalidade. Em resposta,
Murray apontou que as irmãs Serena e Venus Williams haviam conquistado pelo
menos quatro medalhas cada uma. Ou seja, mais do que um caso de falta de preparo
por parte do jornalista, a situação evidencia o viés misógino da imprensa esportiva
profissional, que invisibiliza e deslegitima as atletas mulheres e seus feitos.
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A ex-tenista Serena Williams é uma mulher negra que desafiou (e segue
desafiando) as convenções historicamente brancas do mundo do tênis. Ao longo de sua
carreira vitoriosa, inclusive, teve sua imagem atrelada à “brutalidade”, em contraponto
à uma “feminilidade” hegemônica (Costa e Souza, 2019).
Os itens analisados evidenciam a missão do Minimanual de revisitar velhos
padrões machistas na cobertura esportiva e apontar caminhos para que estes sejam
superados. Ainda que sejam compostos de recomendações que podem ser lidas como
“básicas” – já que consistem em apontamentos como não ser acrítico na reprodução de
declarações de fontes e pesquisar as modalidades de forma a considerar o legado
feminino de cada uma delas , tratam-se de transformações significativas para um
campo historicamente dominado por homens.
Além disso, é necessário frisar que as orientações do documento focam em
mulheres, sem contemplar suas diversidades e interseccionalidades. Não há, por
exemplo, menções às mulheres negras, lésbicas ou com deficiência. Embora o projeto
do Minimanual do Jornalismo Humanizado apresente nas partes II, III e V,
respectivamente, “Pessoas com deficiência”, “Racismo” e “LGBT”, os cruzamentos de
tais discussões com o jornalismo esportivo não são promovidos na edição analisada.
Considerar que a formulação do documento aconteceu em 2018 e que, desde então, os
debates sobre o esporte e sua cobertura avançaram pode contribuir para o
apontamento de que iniciativas dessa natureza também precisam progredir, promover
autocríticas e ser revisitadas.
Considerações finais
A partir da perspectiva teórica apresentada, com a articulação entre
Comunicação, com ênfase no Jornalismo, Educação e Estudos de Gênero, e da análise
do material produzido pela Think Olga, é possível destacar algumas considerações finais.
Primeiro que não há dúvidas sobre a jornada por novos (ou atualizados) ensino e fazer
jornalístico que incluam não apenas o gênero, mas também raça, classe, etnia, idade
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e mais demandar esforço coletivo, reflexões no campo e o comprometimento com
mudanças.
Iniciativas como o Minimanual de Jornalismo Humanizado Jornalismo Esportivo
são exemplos de como as transformações podem começar a acontecer: identificar
padrões históricos de reprodução de relações de poder baseadas na desigualdade de
gênero e sugerir caminhos para superá-los. A partir da demonstração de acertos e erros
noticiosos no campo do esporte, o documento, com acesso aberto e disponível para
ampla divulgação, aponta a viabilidade de um jornalismo humanizado, aberto a novos
tratamentos.
O guia, na verdade, apresenta um movimento duplo que inclui a necessidade de
alterações e de permanências. Isso porque, no eixo três, selecionado para essa
investigação, o item 7 desafia noções sobre a objetividade jornalística ao propor que,
diante de demonstrações de machismo e misoginia, a/o jornalista deve problematizar a
postura, adotar uma perspectiva crítica e chamar o público para a reflexão. Ao mesmo
tempo que o item 8 recomenda colocar em prática princípios bem estruturados e
consolidados do jornalismo: apuração, pesquisa e aprofundamento. O tensionamento
está no fato de que, para que os acontecimentos sejam narrados de forma completa e
precisa isto é, para que o trabalho jornalístico seja bem-feito , é fundamental
legitimar a trajetória e as conquistas de mulheres no esporte.
O material da Think Olga é pensado fora dos espaços hegemônicos e acadêmicos,
o que não diminui sua aplicabilidade e potencialidade. Na verdade, apenas demonstra
que o ensino e a práxis precisam andar pelos mesmos trilhos, se entrecruzando e
dialogando. Assim, no cenário educacional, mesmo que não haja muitas disciplinas com
foco no jornalismo/comunicação e gênero, as/os educadores podem (e devem) inserir
e estimular suas/seus alunas/os na produção de reportagens, busca de fontes, enfoques
e debates com base no gênero, tal qual em outros marcadores sociais. Quando
encorajadas/os a ressignificar aquilo que está dado, essas/esses estudantes se assumem
enquanto seres autônomos e remodelam o futuro da profissão.
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no contexto da práxis, é essencial que os meios de comunicação deem um giro
em sua proposta editorial e, inclusive, no retorno do público. Propostas como o
Minimanual indicam apenas uma das muitas possibilidades de se pensar um jornalismo
mais inclusivo, diverso e atual. Cabe às redações e às/aos suas/seus profissionais a
compreensão da importância do fazer jornalístico como vetor de transformação social,
política e cultural.
Por fim, nas palavras de Freire (2013, n.p.), “[...] a desesperança nos imobiliza e
nos faz sucumbir no fatalismo em que não é possível juntar as forças indispensáveis ao
embate recriador do mundo. Não sou esperançoso por pura teimosia, mas por
imperativo existencial e histórico”.
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Data do envio: 30 /09/2024.
Data do aceite: 11/12/2025.